{"id":2813,"date":"2023-12-21T09:10:30","date_gmt":"2023-12-21T12:10:30","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-perplexidade-e-as-escolhas-que-fizemos-e-fazemos-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:30","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:30","slug":"a-perplexidade-e-as-escolhas-que-fizemos-e-fazemos-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-perplexidade-e-as-escolhas-que-fizemos-e-fazemos-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"A PERPLEXIDADE E AS ESCOLHAS QUE FIZEMOS E FAZEMOS &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>\u201cFa\u00e7o parte do mundo e no entanto ele me torna perplexo\u201d. Charles Chaplin.<br \/>\nViver \u00e9 um ato de resist\u00eancia. A cada instante somos for\u00e7ados a tomar decis\u00f5es. H\u00e1 uma colis\u00e3o, a rua fica interditada. Como pedestres, ciclistas, motociclistas, passageiros ou motoristas devemos chegar aos nossos destinos. Assim, por raz\u00f5es alheias ao previsto, decidimos: a) ficar parados; b) encontrar uma rua secund\u00e1ria para continuar o nosso caminho.<br \/>\nSe ficarmos parados, nada muda. S\u00f3 ouviremos as buzinas, a espera intermin\u00e1vel pela per\u00edcia e pelos guinchos. Viver \u00e9 conviver com o imprevisto. Ao concluir o ensino m\u00e9dio, somos orientados por pais e professores a fazer escolhas. Eles nos sugerem o que acreditam ser o melhor para o nosso futuro. Mas, e a vida \u00e9 cheia de mas, n\u00f3s devemos \u2013 e precisamos &#8211; com a inexperi\u00eancia de adolescente, refletir se o indicado \u00e9 aquilo que realmente queremos.<br \/>\nE, c\u00e1 para n\u00f3s, \u00e9 muito dif\u00edcil fazer escolhas fundamentais em qualquer tempo de nossas breves, m\u00e9dias ou longas vidas. N\u00e3o temos bin\u00f3culos para ver o futuro, tampouco sabemos aonde a decis\u00e3o nos vai levar. Entretanto, se tivermos lido bastante, poderemos seguir, talvez com menos riscos, o caminho novo que se nos abre, a partir das informa\u00e7\u00f5es e das simula\u00e7\u00f5es mentais feitas instintivamente.<br \/>\nDepois da escolha, admitindo que fomos persistentes, estudiosos ou nem tanto, nos deparamos com o primeiro fim de linha. Agora, deixei de ser estudante, tenho uma profiss\u00e3o que escolhi e preciso fazer dela o meu meio de vida. E a\u00ed voc\u00ea fica s\u00f3. A solid\u00e3o \u00e9 a companhia dos que procuram tomar decis\u00f5es para continuar e n\u00e3o ficar engarrafados pelas colis\u00f5es que o destino nos imp\u00f5e a cada dia.<br \/>\nAssim, emergimos como profissional ou colaborador de empresa ou \u00f3rg\u00e3o governamental. Meio sem b\u00fassola vamos procurando o que fazer, como fazer, quando fazer e por que fazer. N\u00e3o h\u00e1 no mundo real um GPS a indicar aonde chegar. Tudo \u00e9 tentativa e erro. Nada que a tecnologia da segunda metade do s\u00e9culo passado ou o seu emergente aprimoramento nestes primeiros 15 anos dessa nova cent\u00faria que \u00e9 o 21, possa nos dar certeza.<br \/>\nA vida n\u00e3o oferta certezas. Ela sugere op\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas. Temos, com o nosso cabedal de conhecimentos, um sambur\u00e1 para depositar nossas quase vit\u00f3rias, as muitas desditas e os poucos acertos. O tempo n\u00e3o \u00e9 aliado de ningu\u00e9m. Ele simplesmente vai indo. Segundo a segundo, minuto a minuto, hora a hora, dia a dia.<br \/>\nEntre cada novo dia h\u00e1 uma noite em que, bem ou mal, paramos para refletir e dormir. Das reflex\u00f5es e dos sonos emergem os sonhos. Os sonhos at\u00e9 hoje n\u00e3o foram bem explicados por neurologistas, psiquiatras, psic\u00f3logos e psicanalistas. Nem eles entendem os deles. Tanto \u00e9 verdade que, de tempos em tempos, \u201ca interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos\u201d, escrita por Sigmund Freud, s\u00e1bio, mas conflitado, vai sendo alterada por tantas quantas s\u00e3o as correntes do pensamento cient\u00edfico ou human\u00edstico.<br \/>\nNeste momento brasileiro, em que cada dia surge nova e alarmante revela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o entrar em engarrafamentos mentais, pois fomos n\u00f3s os que colocamos os falazes que est\u00e3o a\u00ed. Ou somos os que n\u00e3o fomos suficientes coesos para impedir as suas escolhas. Agora, n\u00e3o importa. O passado sempre chega com os seus fantasmas, as suas cobran\u00e7as e as muitas m\u00eddias querem decis\u00f5es e solu\u00e7\u00f5es que custam a chegar. Quando chegam.<br \/>\nEnquanto isso, porque n\u00e3o podemos parar nos descobrimos com as manh\u00e3s que nos imp\u00f5em agir com um m\u00ednimo de certezas e um balaio de d\u00favidas. Infelizmente, n\u00e3o possu\u00edmos a ventura de, como fez o poeta Fernando Pessoa, criar heter\u00f4nimos diferentes para dividir e traduzir os nossos m\u00faltiplos humores, conflitos e sentimentos. Somos um s\u00f3 e j\u00e1 basta.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 25\/09\/2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cFa\u00e7o parte do mundo e no entanto ele me torna perplexo\u201d. Charles Chaplin.<br \/>\nViver \u00e9 um ato de resist\u00eancia. A cada instante somos for\u00e7ados a tomar decis\u00f5es. H\u00e1 uma colis\u00e3o, a rua fica interditada. Como pedestres, ciclistas, motociclistas, passageiros ou motoristas devemos chegar aos nossos destinos. Assim, por raz\u00f5es alheias ao previsto, decidimos: a) ficar parados; b) encontrar uma rua secund\u00e1ria para continuar o nosso caminho.<br \/>\nSe ficarmos parados, nada muda. S\u00f3 ouviremos as buzinas, a espera intermin\u00e1vel pela per\u00edcia e pelos guinchos. Viver \u00e9 conviver com o imprevisto. Ao concluir o ensino m\u00e9dio, somos orientados por pais e professores a fazer escolhas. Eles nos sugerem o que acreditam ser o melhor para o nosso futuro. Mas, e a vida \u00e9 cheia de mas, n\u00f3s devemos \u2013 e precisamos &#8211; com a inexperi\u00eancia de adolescente, refletir se o indicado \u00e9 aquilo que realmente queremos.<br \/>\nE, c\u00e1 para n\u00f3s, \u00e9 muito dif\u00edcil fazer escolhas fundamentais em qualquer tempo de nossas breves, m\u00e9dias ou longas vidas. N\u00e3o temos bin\u00f3culos para ver o futuro, tampouco sabemos aonde a decis\u00e3o nos vai levar. Entretanto, se tivermos lido bastante, poderemos seguir, talvez com menos riscos, o caminho novo que se nos abre, a partir das informa\u00e7\u00f5es e das simula\u00e7\u00f5es mentais feitas instintivamente.<br \/>\nDepois da escolha, admitindo que fomos persistentes, estudiosos ou nem tanto, nos deparamos com o primeiro fim de linha. Agora, deixei de ser estudante, tenho uma profiss\u00e3o que escolhi e preciso fazer dela o meu meio de vida. E a\u00ed voc\u00ea fica s\u00f3. A solid\u00e3o \u00e9 a companhia dos que procuram tomar decis\u00f5es para continuar e n\u00e3o ficar engarrafados pelas colis\u00f5es que o destino nos imp\u00f5e a cada dia.<br \/>\nAssim, emergimos como profissional ou colaborador de empresa ou \u00f3rg\u00e3o governamental. Meio sem b\u00fassola vamos procurando o que fazer, como fazer, quando fazer e por que fazer. N\u00e3o h\u00e1 no mundo real um GPS a indicar aonde chegar. Tudo \u00e9 tentativa e erro. Nada que a tecnologia da segunda metade do s\u00e9culo passado ou o seu emergente aprimoramento nestes primeiros 15 anos dessa nova cent\u00faria que \u00e9 o 21, possa nos dar certeza.<br \/>\nA vida n\u00e3o oferta certezas. Ela sugere op\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas. Temos, com o nosso cabedal de conhecimentos, um sambur\u00e1 para depositar nossas quase vit\u00f3rias, as muitas desditas e os poucos acertos. O tempo n\u00e3o \u00e9 aliado de ningu\u00e9m. Ele simplesmente vai indo. Segundo a segundo, minuto a minuto, hora a hora, dia a dia.<br \/>\nEntre cada novo dia h\u00e1 uma noite em que, bem ou mal, paramos para refletir e dormir. Das reflex\u00f5es e dos sonos emergem os sonhos. Os sonhos at\u00e9 hoje n\u00e3o foram bem explicados por neurologistas, psiquiatras, psic\u00f3logos e psicanalistas. Nem eles entendem os deles. Tanto \u00e9 verdade que, de tempos em tempos, \u201ca interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos\u201d, escrita por Sigmund Freud, s\u00e1bio, mas conflitado, vai sendo alterada por tantas quantas s\u00e3o as correntes do pensamento cient\u00edfico ou human\u00edstico.<br \/>\nNeste momento brasileiro, em que cada dia surge nova e alarmante revela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o entrar em engarrafamentos mentais, pois fomos n\u00f3s os que colocamos os falazes que est\u00e3o a\u00ed. Ou somos os que n\u00e3o fomos suficientes coesos para impedir as suas escolhas. Agora, n\u00e3o importa. O passado sempre chega com os seus fantasmas, as suas cobran\u00e7as e as muitas m\u00eddias querem decis\u00f5es e solu\u00e7\u00f5es que custam a chegar. Quando chegam.<br \/>\nEnquanto isso, porque n\u00e3o podemos parar nos descobrimos com as manh\u00e3s que nos imp\u00f5em agir com um m\u00ednimo de certezas e um balaio de d\u00favidas. Infelizmente, n\u00e3o possu\u00edmos a ventura de, como fez o poeta Fernando Pessoa, criar heter\u00f4nimos diferentes para dividir e traduzir os nossos m\u00faltiplos humores, conflitos e sentimentos. Somos um s\u00f3 e j\u00e1 basta.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 25\/09\/2015.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2813","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2813","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2813"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2813\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}