{"id":2852,"date":"2023-12-21T09:10:31","date_gmt":"2023-12-21T12:10:31","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/1o-de-maio-o-trabalho-como-fonte-e-sentido-de-vida-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:31","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:31","slug":"1o-de-maio-o-trabalho-como-fonte-e-sentido-de-vida-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/1o-de-maio-o-trabalho-como-fonte-e-sentido-de-vida-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"1\u00ba DE MAIO &#8211; O TRABALHO COMO FONTE E SENTIDO DE VIDA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>\u201cTodas as coisas j\u00e1 foram ditas, mas como ningu\u00e9m escuta \u00e9 preciso recontar.\u201d Andr\u00e9 Gide, escritor franc\u00eas, Nobel de Literatura, sec. 20.<br \/>\nComecei a trabalhar aos 14 anos. Meu pai havia assumido a verean\u00e7a em Fortaleza e, entusiasmado, delegou a mim a oportunidade de gerir os neg\u00f3cios dele. Fi-lo(obrigado, J\u00e2nio Quadros) por anos. Comprei carros \u00e0 presta\u00e7\u00e3o e os coloquei para render. Com as rendas, pagava o que devia. Ainda estudante, colega de Marcelo Duque, comprei lotes \u00e0 presta\u00e7\u00e3o do \u201cS\u00edtio Carrapicho\u201d, outros do Jo\u00e3ozinho Gentil e do Zezito Tavares. Terras me atraiam. Heran\u00e7a portuguesa?<br \/>\nNa primeira viagem ao Rio, resolvi levar sand\u00e1lias para vender. Procurei um fabricante na Rua Saldanha Marinho e disse que seria tudo em consigna\u00e7\u00e3o, termo que expliquei com paci\u00eancia, e pagaria na volta. O que cumpri. Entrei no Centro de Prepara\u00e7\u00e3o de Oficiais da Reserva \u2013 CPOR, na arma de Infantaria, com curso aos finais de semana e nas f\u00e9rias, com dura\u00e7\u00e3o de dois anos. Depois, servi em S\u00e3o Luiz do Maranh\u00e3o, como oficial, por tr\u00eas meses. Enquanto isso, fazia duas faculdades, uma pela manh\u00e3, outra \u00e0 noite. Um dia, meu pai me diz: \u201cvou ser candidato a deputado\u201d . Respondi: n\u00e3o voto no senhor e ainda farei campanha contra . Pol\u00edtica n\u00e3o tem nada a ver com o senhor. Ele acordou e foi cuidar do que era seu. Nunca pedi dinheiro emprestado a bancos e tampouco solicitei aval, nem a meu pai.<br \/>\nAntes mesmo de concluir o curso de Administra\u00e7\u00e3o, resolvi abrir uma empresa da \u00e1rea. Tudo era novo nesse ramo. Aluguei um sobrado na Rua S\u00f3lon Pinheiro, 316, e passei a planejar e a dar aulas no que seria hoje um curso breve de gerenciamento. O ex-secret\u00e1rio de estado, e hoje empres\u00e1rio Raimundo Viana, foi um ilustre aluno. Comandei, junto com Ary Bezerra Leite, grande pesquisa sobre transportes em que precisei contar com todo o efetivo da ent\u00e3o Escola Industrial do Cear\u00e1. Convenci o ent\u00e3o diretor, Roberto Barreto, que seria proveitoso para os alunos ter essa pr\u00e1tica. E assim o fiz. Mudei para o Ed. Jalcy, da Guilherme Rocha, no sexto andar.<br \/>\nA\u00ed Fernando T\u00e1vora Filho me convida para ser gerente da Companhia Cearense de Sondagens e Perfura\u00e7\u00f5es, Cocesp. Entrei firme, exigente e apertei tudo o que poderia fazer em uma empresa p\u00fablica. Devolvi presentes. Transformamos a Cocesp na Companhia Cearense de Saneamento \u2013 Cocesa, embri\u00e3o da atual Cagece. Constru\u00edmos a mesma sede que ainda est\u00e1 l\u00e1 perto do velho Aeroporto Pinto Martins<br \/>\nDanilo de Abreu Pereira Marques, colega de turma que frequentava o Na\u00fatico, apresenta-me ao engenheiro Elano Paula, irm\u00e3o do Chico An\u00edsio, e dono da Incosa, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio S.A., empresa de engenharia na Rua Meton de Alencar com Senador Pompeu, que planejava ingressar na \u00e1rea de habita\u00e7\u00e3o. Por minha auto confessada curiosidade de leitura, era sabedor \u2013 at\u00e9 hoje n\u00e3o sei a raz\u00e3o dessa bisbilhotice &#8211; do conte\u00fado de todos os livros verdes que continham a legisla\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do Banco Nacional da Habita\u00e7\u00e3o- BNH. Elano me desafiava a resolver o credenciamento da Incosa como Iniciadora, nomenclatura dada \u00e0s empresas que podiam operar com o Sistema Financeiro da Habita\u00e7\u00e3o. Fui ao Rio, resolvi tudo e despedi-me da Cocesa. Sequer recebi o FGTS. O advogado Alberto Rola sabe disso.<br \/>\nEm seguida, Elano Paula conhece o jovem, comunicativo e brilhante engenheiro civil Walder Ary, j\u00e1 professor da Escola de Engenharia da UFC, e, juntos, constituem a Master Engenharia que, tempos depois, passaria a ser Master-Incosa. E eu no meio desse turbilh\u00e3o de ideias que surgiam e deram origem \u00e0 Domus-Associa\u00e7\u00e3o de Poupan\u00e7a e Empr\u00e9stimo, da qual fui fundador e at\u00e9 presidente do Conselho de Orienta\u00e7\u00e3o; a Modulus \u2013 APE, em S\u00e3o Luiz, e tantas outras empresas correlatas e afins surgiam ou se agregavam. Foi assim com os ent\u00e3o capit\u00e3es do ex\u00e9rcito Jo\u00e3o Batista Fujita e Crisanto Ferreira de Almeida, que j\u00e1 trabalhavam com engenharia no Batalh\u00e3o de Crat\u00e9us e desistiram da caserna. Associaram-se ao engenheiro civil Cleuton Monteiro e a Construtora Estrela apareceu no cen\u00e1rio do \u201cboom\u201d de casas populares. At\u00e9 o Deusmar Queiroz engajou-se para dirigir a Pax- Corretora de Valores, ent\u00e3o de Bernardo Bichucher, e, logo em seguida, comprou a dita cuja e foi o maior adquirente de a\u00e7\u00f5es do que se chamava arts. 34\/18, de empresas financiadas pela Sudene. As farm\u00e1cias \u201cPague Menos\u201d vieram depois.<br \/>\nEra 1969, e por conta de tanto o que fazer, resolvemos, o Nisabro Fujita, o Danilo Marques e eu, fundar a Planos T\u00e9cnicos do Brasil Ltda que aproveitaria nossa expertise em gest\u00e3o, planos e projetos. A Planos prestaria servi\u00e7os a todos e a quem quisesse, como pioneira, na \u00e1rea de planejamento habitacional. Nesse mesmo tempo eu era diretor administrativo da Ind\u00fastria Pl\u00e1stica do Cear\u00e1 \u2013 IPLAC, empresa que estava hibernada e a ressuscitamos, com a ajuda do In\u00e1cio Farias e do Walter Monte. Casei em maio. Dava aulas noturnas na Escola de Administra\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1. E, por conta de atua\u00e7\u00e3o em congresso -Curitiba &#8211; da \u00e1rea virei diretor da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Entidades de Cr\u00e9dito e Poupan\u00e7a \u2013 Abecip, no Rio.Era energia a todo vapor e viagens em profus\u00e3o.<br \/>\nEm 1973, fiz uma reflex\u00e3o e chamei os dois s\u00f3cios para conversar. Queria me desligar do grupo. Raz\u00f5es pessoais. Comuniquei ao Elano. Ele respondeu: \u201ceu j\u00e1 esperava isso\u201d. O Danilo ficou com o Elano e o Walder. Permanecemos eu e o Nisabro Fujita. Compramos a Cenpla \u2013 Constru\u00e7\u00e3o, Engenharia e Planejamento Ltda e o Nisabro foi construir, mas sem pedir dinheiro ao BNH, faz\u00edamos o poss\u00edvel com o pouco que t\u00ednhamos. Dois anos depois, em uma segunda-feira, chamei o Nisabro para dialogar e disse-lhe que desejava me colocar \u00e0 prova como pessoa, sendo dono do meu pr\u00f3prio destino, sem s\u00f3cios. Encerramos a sociedade sem problemas. O Nisabro ficou com a Cenpla e eu com a Planos.<br \/>\nTodo este relato, que nada tem de importante, ocorre-me neste feriado do Dia do Trabalho para dizer como a faina acelerada foi decisiva para mim. Acredite, esse batente, por in\u00e9dito, puxava muito pela minha criatividade, obrigava-me a ler, dialogar com pessoas diversas, viajar pelo mundo afora com a fam\u00edlia a ver o novo e o diferente. Prova disso foi, entre outras, a minha ideia de planejar o Cemit\u00e9rio Parque da Paz, depois vendido a grupo de S\u00e3o Paulo.<br \/>\nPara n\u00e3o cansar mais o amigo leitor, afirmo e dou f\u00e9 que nunca perdi o vi\u00e9s de alargar o meu conhecimento, atrav\u00e9s de cursos, semin\u00e1rios, feiras, congressos, concursos t\u00e9cnicos e intelectuais que ganhei em disputas renhidas. Em paralelo, ao meu ju\u00edzo, nunca deixei de ser pai dedicado. Nunca parei de escrever em jornais, de ter a aud\u00e1cia de escrever livros e de participar de forma efetiva de atividades culturais, de responsabilidade social e de arte.<br \/>\nHoje, vivo no 14\u00ba. ano de um s\u00e9culo que veio implodir os processos e formas de quase tudo que se fazia. Tive que me atrever a engatinhar no vasto mundo da Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o-TI.<br \/>\nContinuo a mourejar com a mesma energia, atitude, impetuosidade e independ\u00eancia. Erro aqui, acerto acol\u00e1, sem esquecer que tive s\u00e9rios preju\u00edzos ao ajudar e at\u00e9 fazer parcerias com pessoas e empresas \u2013 n\u00e3o citadas aqui &#8211; com falso car\u00e1ter e comportamento a\u00e9tico. Li\u00e7\u00f5es da vida. Esses exemplos vieram comprovar que eu deveria sempre trabalhar com a minha equipe t\u00e9cnica, capaz, confi\u00e1vel e dedicada, mas nunca me associar a terceiros. Bastavam os meus defeitos. Um colega de faculdade e amigo verdadeiro, quase irm\u00e3o, Ananias Josino Lobo, meticuloso, ponderado e capaz, sempre esteve ao meu lado como contraponto e censor. At\u00e9 que se finou, enquanto eu andava pelo M\u00e9xico. Hoje, tenho pessoas de n\u00edvel e responsabilidade a meu lado. E estou sempre atr\u00e1s de talentos. Quem quiser, pode indicar.<br \/>\nComo me torno longo e ainda teria muito a contar, dou os parab\u00e9ns aos que come\u00e7am cedo a estudar e a pensar no trabalho, seja ele qual for, sem ter medo de enfrentar o novo, metendo a cara nos livros e, agora, bem mais f\u00e1cil, no louva-a-deus mundo da Internet, c\u00e9u e inferno de todos os viventes.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 02\/05\/2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cTodas as coisas j\u00e1 foram ditas, mas como ningu\u00e9m escuta \u00e9 preciso recontar.\u201d Andr\u00e9 Gide, escritor franc\u00eas, Nobel de Literatura, sec. 20.<br \/>\nComecei a trabalhar aos 14 anos. Meu pai havia assumido a verean\u00e7a em Fortaleza e, entusiasmado, delegou a mim a oportunidade de gerir os neg\u00f3cios dele. Fi-lo(obrigado, J\u00e2nio Quadros) por anos. Comprei carros \u00e0 presta\u00e7\u00e3o e os coloquei para render. Com as rendas, pagava o que devia. Ainda estudante, colega de Marcelo Duque, comprei lotes \u00e0 presta\u00e7\u00e3o do \u201cS\u00edtio Carrapicho\u201d, outros do Jo\u00e3ozinho Gentil e do Zezito Tavares. Terras me atraiam. Heran\u00e7a portuguesa?<br \/>\nNa primeira viagem ao Rio, resolvi levar sand\u00e1lias para vender. Procurei um fabricante na Rua Saldanha Marinho e disse que seria tudo em consigna\u00e7\u00e3o, termo que expliquei com paci\u00eancia, e pagaria na volta. O que cumpri. Entrei no Centro de Prepara\u00e7\u00e3o de Oficiais da Reserva \u2013 CPOR, na arma de Infantaria, com curso aos finais de semana e nas f\u00e9rias, com dura\u00e7\u00e3o de dois anos. Depois, servi em S\u00e3o Luiz do Maranh\u00e3o, como oficial, por tr\u00eas meses. Enquanto isso, fazia duas faculdades, uma pela manh\u00e3, outra \u00e0 noite. Um dia, meu pai me diz: \u201cvou ser candidato a deputado\u201d . Respondi: n\u00e3o voto no senhor e ainda farei campanha contra . Pol\u00edtica n\u00e3o tem nada a ver com o senhor. Ele acordou e foi cuidar do que era seu. Nunca pedi dinheiro emprestado a bancos e tampouco solicitei aval, nem a meu pai.<br \/>\nAntes mesmo de concluir o curso de Administra\u00e7\u00e3o, resolvi abrir uma empresa da \u00e1rea. Tudo era novo nesse ramo. Aluguei um sobrado na Rua S\u00f3lon Pinheiro, 316, e passei a planejar e a dar aulas no que seria hoje um curso breve de gerenciamento. O ex-secret\u00e1rio de estado, e hoje empres\u00e1rio Raimundo Viana, foi um ilustre aluno. Comandei, junto com Ary Bezerra Leite, grande pesquisa sobre transportes em que precisei contar com todo o efetivo da ent\u00e3o Escola Industrial do Cear\u00e1. Convenci o ent\u00e3o diretor, Roberto Barreto, que seria proveitoso para os alunos ter essa pr\u00e1tica. E assim o fiz. Mudei para o Ed. Jalcy, da Guilherme Rocha, no sexto andar.<br \/>\nA\u00ed Fernando T\u00e1vora Filho me convida para ser gerente da Companhia Cearense de Sondagens e Perfura\u00e7\u00f5es, Cocesp. Entrei firme, exigente e apertei tudo o que poderia fazer em uma empresa p\u00fablica. Devolvi presentes. Transformamos a Cocesp na Companhia Cearense de Saneamento \u2013 Cocesa, embri\u00e3o da atual Cagece. Constru\u00edmos a mesma sede que ainda est\u00e1 l\u00e1 perto do velho Aeroporto Pinto Martins<br \/>\nDanilo de Abreu Pereira Marques, colega de turma que frequentava o Na\u00fatico, apresenta-me ao engenheiro Elano Paula, irm\u00e3o do Chico An\u00edsio, e dono da Incosa, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio S.A., empresa de engenharia na Rua Meton de Alencar com Senador Pompeu, que planejava ingressar na \u00e1rea de habita\u00e7\u00e3o. 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E eu no meio desse turbilh\u00e3o de ideias que surgiam e deram origem \u00e0 Domus-Associa\u00e7\u00e3o de Poupan\u00e7a e Empr\u00e9stimo, da qual fui fundador e at\u00e9 presidente do Conselho de Orienta\u00e7\u00e3o; a Modulus \u2013 APE, em S\u00e3o Luiz, e tantas outras empresas correlatas e afins surgiam ou se agregavam. Foi assim com os ent\u00e3o capit\u00e3es do ex\u00e9rcito Jo\u00e3o Batista Fujita e Crisanto Ferreira de Almeida, que j\u00e1 trabalhavam com engenharia no Batalh\u00e3o de Crat\u00e9us e desistiram da caserna. Associaram-se ao engenheiro civil Cleuton Monteiro e a Construtora Estrela apareceu no cen\u00e1rio do \u201cboom\u201d de casas populares. At\u00e9 o Deusmar Queiroz engajou-se para dirigir a Pax- Corretora de Valores, ent\u00e3o de Bernardo Bichucher, e, logo em seguida, comprou a dita cuja e foi o maior adquirente de a\u00e7\u00f5es do que se chamava arts. 34\/18, de empresas financiadas pela Sudene. As farm\u00e1cias \u201cPague Menos\u201d vieram depois.<br \/>\nEra 1969, e por conta de tanto o que fazer, resolvemos, o Nisabro Fujita, o Danilo Marques e eu, fundar a Planos T\u00e9cnicos do Brasil Ltda que aproveitaria nossa expertise em gest\u00e3o, planos e projetos. A Planos prestaria servi\u00e7os a todos e a quem quisesse, como pioneira, na \u00e1rea de planejamento habitacional. Nesse mesmo tempo eu era diretor administrativo da Ind\u00fastria Pl\u00e1stica do Cear\u00e1 \u2013 IPLAC, empresa que estava hibernada e a ressuscitamos, com a ajuda do In\u00e1cio Farias e do Walter Monte. Casei em maio. Dava aulas noturnas na Escola de Administra\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1. E, por conta de atua\u00e7\u00e3o em congresso -Curitiba &#8211; da \u00e1rea virei diretor da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Entidades de Cr\u00e9dito e Poupan\u00e7a \u2013 Abecip, no Rio.Era energia a todo vapor e viagens em profus\u00e3o.<br \/>\nEm 1973, fiz uma reflex\u00e3o e chamei os dois s\u00f3cios para conversar. Queria me desligar do grupo. Raz\u00f5es pessoais. Comuniquei ao Elano. Ele respondeu: \u201ceu j\u00e1 esperava isso\u201d. O Danilo ficou com o Elano e o Walder. Permanecemos eu e o Nisabro Fujita. Compramos a Cenpla \u2013 Constru\u00e7\u00e3o, Engenharia e Planejamento Ltda e o Nisabro foi construir, mas sem pedir dinheiro ao BNH, faz\u00edamos o poss\u00edvel com o pouco que t\u00ednhamos. Dois anos depois, em uma segunda-feira, chamei o Nisabro para dialogar e disse-lhe que desejava me colocar \u00e0 prova como pessoa, sendo dono do meu pr\u00f3prio destino, sem s\u00f3cios. Encerramos a sociedade sem problemas. O Nisabro ficou com a Cenpla e eu com a Planos.<br \/>\nTodo este relato, que nada tem de importante, ocorre-me neste feriado do Dia do Trabalho para dizer como a faina acelerada foi decisiva para mim. Acredite, esse batente, por in\u00e9dito, puxava muito pela minha criatividade, obrigava-me a ler, dialogar com pessoas diversas, viajar pelo mundo afora com a fam\u00edlia a ver o novo e o diferente. Prova disso foi, entre outras, a minha ideia de planejar o Cemit\u00e9rio Parque da Paz, depois vendido a grupo de S\u00e3o Paulo.<br \/>\nPara n\u00e3o cansar mais o amigo leitor, afirmo e dou f\u00e9 que nunca perdi o vi\u00e9s de alargar o meu conhecimento, atrav\u00e9s de cursos, semin\u00e1rios, feiras, congressos, concursos t\u00e9cnicos e intelectuais que ganhei em disputas renhidas. Em paralelo, ao meu ju\u00edzo, nunca deixei de ser pai dedicado. Nunca parei de escrever em jornais, de ter a aud\u00e1cia de escrever livros e de participar de forma efetiva de atividades culturais, de responsabilidade social e de arte.<br \/>\nHoje, vivo no 14\u00ba. ano de um s\u00e9culo que veio implodir os processos e formas de quase tudo que se fazia. Tive que me atrever a engatinhar no vasto mundo da Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o-TI.<br \/>\nContinuo a mourejar com a mesma energia, atitude, impetuosidade e independ\u00eancia. Erro aqui, acerto acol\u00e1, sem esquecer que tive s\u00e9rios preju\u00edzos ao ajudar e at\u00e9 fazer parcerias com pessoas e empresas \u2013 n\u00e3o citadas aqui &#8211; com falso car\u00e1ter e comportamento a\u00e9tico. Li\u00e7\u00f5es da vida. Esses exemplos vieram comprovar que eu deveria sempre trabalhar com a minha equipe t\u00e9cnica, capaz, confi\u00e1vel e dedicada, mas nunca me associar a terceiros. Bastavam os meus defeitos. Um colega de faculdade e amigo verdadeiro, quase irm\u00e3o, Ananias Josino Lobo, meticuloso, ponderado e capaz, sempre esteve ao meu lado como contraponto e censor. At\u00e9 que se finou, enquanto eu andava pelo M\u00e9xico. Hoje, tenho pessoas de n\u00edvel e responsabilidade a meu lado. E estou sempre atr\u00e1s de talentos. Quem quiser, pode indicar.<br \/>\nComo me torno longo e ainda teria muito a contar, dou os parab\u00e9ns aos que come\u00e7am cedo a estudar e a pensar no trabalho, seja ele qual for, sem ter medo de enfrentar o novo, metendo a cara nos livros e, agora, bem mais f\u00e1cil, no louva-a-deus mundo da Internet, c\u00e9u e inferno de todos os viventes.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 02\/05\/2014.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2852","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2852"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2852\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}