{"id":2890,"date":"2023-12-21T09:10:33","date_gmt":"2023-12-21T12:10:33","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/artur-eduardo-benevides-por-ele-mesmo-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:33","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:33","slug":"artur-eduardo-benevides-por-ele-mesmo-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/artur-eduardo-benevides-por-ele-mesmo-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"ARTUR EDUARDO BENEVIDES, POR ELE MESMO &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Artur Eduardo Benevides, poeta, professor e \u201cPr\u00edncipe dos Poetas Cearenses\u201d, morreu no \u00faltimo domingo, 21 de setembro de 2014. Era o presidente de Honra das academias Cearense e Fortalezense de Letras. Seu corpo foi velado, desde a noite do falecimento, no sal\u00e3o principal do Pal\u00e1cio da Luz. A missa de corpo presente foi celebrada na manh\u00e3 de segunda-feira, de forma l\u00edrica, did\u00e1tica e sentida pelo acad\u00eamico monsenhor Manfredo Ramos.<br \/>\nO Presidente da ACL, Jos\u00e9 Augusto Bezerra, com postura reverencial, disse da imensur\u00e1vel perda sofrida pela literatura cearense e, especialmente, pela Academia Cearense de Letras, da qual Artur foi acad\u00eamico (cadeira 40) e presidente por uma d\u00fazia de anos. Mauro Benevides, acad\u00eamico e sobrinho, fez o seu paneg\u00edrico. Adequado, encadeado e circunspecto.<br \/>\nHoje, nesta sexta-feira, cedo este espa\u00e7o hebdomad\u00e1rio ao pr\u00f3prio Artur Eduardo Benevides, n\u00e3o sem antes citar Homero, poeta grego (s\u00e9c VIII-VV a.V), na Odisseia:<br \/>\n\u201cPara todos os homens sobre a terra, os cantores\/s\u00e3o dignos de honra e respeito, pois a Musa\/ensinou-lhes os cantos; ela ama os cantores\u201d.<br \/>\nArtur Eduardo cita Homero, em solil\u00f3quio, na orelha da antologia \u201cMil\u00eanios de Poesia (E Prosa)\u201d, organizada por Ant\u00f4nio Pompeu de Ara\u00fajo, em 2003, onde anota:<br \/>\n\u201cA poesia vive e reina por colher e guardar em seus ritmos e formas o segredo da beleza. Pelo menos \u00e9 o que procuram fazer os poetas, em todos os pontos do mundo, de Homero e Salom\u00e3o aos atuais. Ao contr\u00e1rio do que tanto pensam, no Brasil, o g\u00eanero n\u00e3o decaiu, nos dias que correm. Os grandes nomes das gera\u00e7\u00f5es de 22 e 30 j\u00e1 se foram e n\u00e3o h\u00e1 muitos, com a mesma atitude, a apontar agora. Se perdeu um pouco em qualidade, a quantidade avulta, em todas as regi\u00f5es do Pa\u00eds. E h\u00e1 excelente poetas no pastoreio das palavras e met\u00e1foras, procurando manter a tradi\u00e7\u00e3o cultural. Poesia \u00e9 g\u00eanero dif\u00edcil. \u00c9 a arte em que poucos adquirem a gl\u00f3ria e muitos ficam a lutar para obter melhores resultados, o que, ali\u00e1s, sempre ocorreu. Ela exige, antes de mais nada, talento, que \u00e9 uma cousa pessoal e intransfer\u00edvel, sem a qual nada se produz que mere\u00e7a aplausos. Remando, o mais das vezes, contra a mar\u00e9 dos leitores, prosseguem os poetas, grandes e pequenos, em seu trabalho criador, lan\u00e7ando livros e mantendo acesa a pira sagrada que encanta o esp\u00edrito.\u201d<br \/>\nSaio do ensa\u00edsta Artur Eduardo Benevides e remeto o leitor para a sua \u00faltima obra po\u00e9tica, lan\u00e7ada em 2004, \u201cCantares de Outono ou os Navios Regressando \u00e0s Ilhas\u201d, com este definitivo poema:<br \/>\n\u201cDe repente\/tudo se faz urgente. Meu tempo (irresgat\u00e1vel) morre.\/A \u00faltima esperan\u00e7a me socorre.\/E a poesia\/\u00c9 a \u00fanica forma de sabedoria.\/ Onde, contudo, nos aguardar\u00e3o\/as uvas do Para\u00edso e da Can\u00e7\u00e3o?\/Tendo em mim o azul das valsas dos coretos\/ou os queixumes finais de l\u00edvidos sonetos.\/Sou o que sobrou. Fui.\/ O verso, em \u00eaxtase, flui\/. E sei, quanto menos navegar,\/ mais terei as s\u00faplicas do mar\u201d.<br \/>\nResquiescat in Pace. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 26\/09\/2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artur Eduardo Benevides, poeta, professor e \u201cPr\u00edncipe dos Poetas Cearenses\u201d, morreu no \u00faltimo domingo, 21 de setembro de 2014. Era o presidente de Honra das academias Cearense e Fortalezense de Letras. Seu corpo foi velado, desde a noite do falecimento, no sal\u00e3o principal do Pal\u00e1cio da Luz. A missa de corpo presente foi celebrada na manh\u00e3 de segunda-feira, de forma l\u00edrica, did\u00e1tica e sentida pelo acad\u00eamico monsenhor Manfredo Ramos.<br \/>\nO Presidente da ACL, Jos\u00e9 Augusto Bezerra, com postura reverencial, disse da imensur\u00e1vel perda sofrida pela literatura cearense e, especialmente, pela Academia Cearense de Letras, da qual Artur foi acad\u00eamico (cadeira 40) e presidente por uma d\u00fazia de anos. Mauro Benevides, acad\u00eamico e sobrinho, fez o seu paneg\u00edrico. Adequado, encadeado e circunspecto.<br \/>\nHoje, nesta sexta-feira, cedo este espa\u00e7o hebdomad\u00e1rio ao pr\u00f3prio Artur Eduardo Benevides, n\u00e3o sem antes citar Homero, poeta grego (s\u00e9c VIII-VV a.V), na Odisseia:<br \/>\n\u201cPara todos os homens sobre a terra, os cantores\/s\u00e3o dignos de honra e respeito, pois a Musa\/ensinou-lhes os cantos; ela ama os cantores\u201d.<br \/>\nArtur Eduardo cita Homero, em solil\u00f3quio, na orelha da antologia \u201cMil\u00eanios de Poesia (E Prosa)\u201d, organizada por Ant\u00f4nio Pompeu de Ara\u00fajo, em 2003, onde anota:<br \/>\n\u201cA poesia vive e reina por colher e guardar em seus ritmos e formas o segredo da beleza. Pelo menos \u00e9 o que procuram fazer os poetas, em todos os pontos do mundo, de Homero e Salom\u00e3o aos atuais. Ao contr\u00e1rio do que tanto pensam, no Brasil, o g\u00eanero n\u00e3o decaiu, nos dias que correm. Os grandes nomes das gera\u00e7\u00f5es de 22 e 30 j\u00e1 se foram e n\u00e3o h\u00e1 muitos, com a mesma atitude, a apontar agora. Se perdeu um pouco em qualidade, a quantidade avulta, em todas as regi\u00f5es do Pa\u00eds. E h\u00e1 excelente poetas no pastoreio das palavras e met\u00e1foras, procurando manter a tradi\u00e7\u00e3o cultural. Poesia \u00e9 g\u00eanero dif\u00edcil. \u00c9 a arte em que poucos adquirem a gl\u00f3ria e muitos ficam a lutar para obter melhores resultados, o que, ali\u00e1s, sempre ocorreu. Ela exige, antes de mais nada, talento, que \u00e9 uma cousa pessoal e intransfer\u00edvel, sem a qual nada se produz que mere\u00e7a aplausos. 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