{"id":2908,"date":"2023-12-21T09:10:33","date_gmt":"2023-12-21T12:10:33","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/os-transportes-publicos-as-ruas-e-as-solucoes-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:33","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:33","slug":"os-transportes-publicos-as-ruas-e-as-solucoes-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/os-transportes-publicos-as-ruas-e-as-solucoes-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"OS TRANSPORTES P\u00daBLICOS, AS RUAS E AS SOLU\u00c7\u00d5ES &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>\u201cSe eu tivesse medo de obst\u00e1culo n\u00e3o seria motoboy\u201d. Ouvido em uma esquina.<br \/>\n\u00c9 f\u00e1cil criticar, mas \u00e9 muito dif\u00edcil apresentar solu\u00e7\u00f5es concretas para o sistema de tr\u00e2nsito e o transporte p\u00fablico em cidades adensadas com mais de dois milh\u00f5es de habitantes com problemas de malhas vi\u00e1rias antigas, estreitas e de tra\u00e7ado ortogonal. \u00c9 de enaltecer a a\u00e7\u00e3o que a atual gest\u00e3o da Prefeitura de Fortaleza procura fazer com a implanta\u00e7\u00e3o gradativa de novos viadutos e de \u00f4nibus de dupla articula\u00e7\u00e3o em alguns corredores de tr\u00e1fego com larguras que assim o permitam.<br \/>\nPor outro lado, estive agora em Bogot\u00e1 e pude constatar o sufoco da popula\u00e7\u00e3o para usar os \u00f4nibus articulados do projeto \u201cTransmil\u00eanio\u201d. H\u00e1 mais propaganda que efetividade no \u201cTransmil\u00eanio\u201d, uma c\u00f3pia remo\u00e7ada do que o arquiteto, urbanista e pol\u00edtico Jaime Lerner implantou em Curitiba nos anos 1970.<br \/>\nEm todas as esta\u00e7\u00f5es ou pontos de embarque da grande cidade colombiana, com mais de sete milh\u00f5es de habitantes, h\u00e1 longas e intermin\u00e1veis filas. As pessoas, nessas esta\u00e7\u00f5es e alas, passam mais tempo do que o desejado e recebem, querendo ou n\u00e3o, a ingest\u00e3o de mon\u00f3xido de carbono dos demais ve\u00edculos que ocupam as outras faixas das vias.<br \/>\nEmbora o \u201cTransmil\u00eanio\u201d tenha prometido adotar sistema que reduziria a emiss\u00e3o de carbono, seguindo a metodologia AM0031, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, n\u00e3o me parece ter logrado \u00eaxito. H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre a pretens\u00e3o de um mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) e a crua polui\u00e7\u00e3o das descargas de milh\u00f5es dos ve\u00edculos.<br \/>\nO Brasil n\u00e3o adotou como deveria ter feito no tempo devido, por falta de recursos, de planejamento de longo prazo ou at\u00e9 de descaso p\u00fablico, as solu\u00e7\u00f5es universais do uso do subsolo para a implanta\u00e7\u00e3o de linhas de trens chamados de metr\u00f4s ou \u201csubways\u201d. Esse modal de transporte, em pa\u00edses mais prudentes ou avan\u00e7ados, tem mais de 100 anos de implanta\u00e7\u00e3o e s\u00e3o, nas grandes cidades, os recursos utilizados pela maioria das pessoas. S\u00e3o Paulo e Rio s\u00e3o exemplos desse atraso e tentam &#8211; a alto custo- super\u00e1-lo.<br \/>\nH\u00e1 cerca de 20 anos surgiu a ideia do metr\u00f4 de Fortaleza, o Metrofor, mas houve descompassos entre administra\u00e7\u00f5es municipais e o Governo do Estado. Em paralelo, a espera de libera\u00e7\u00e3o de verbas federais e financiamentos internacionais. Al\u00e9m do projeto inicial ter sido mudado, por imposi\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o Juraci Magalh\u00e3es: os trens mergulham na aflu\u00eancia das avenidas Jos\u00e9 Bastos e Carapinima.<br \/>\nAconteceram sucessivas paralisa\u00e7\u00f5es, longas, m\u00e9dias e curtas, por car\u00eancias de verbas, talvez por gest\u00e3o, por fiscaliza\u00e7\u00f5es do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o, por novas licita\u00e7\u00f5es parciais e aditivos de seus trechos. O conjunto desses fatos provocou atrasos, preju\u00edzos a terceiros com vias cercadas por tapumes.<br \/>\nTudo ocorreu a destempo na execu\u00e7\u00e3o e no ainda limitado funcionamento da primeira \u2013 e \u00fanica \u2013 linha de transporte de massa que liga Pacatuba \u00e0 Fortaleza. N\u00e3o adianta reclamar do passado. O registro \u00e9 apenas um hist\u00f3rico aligeirado. O atual governo do Estado tem procurado, desde algum tempo, recuperar o tempo perdido e deu passos fortes para a integra\u00e7\u00e3o das linhas que vem de Pacatuba e de Caucaia &#8211; prec\u00e1ria e usando \u00f3leo diesel &#8211; com a zona leste da cidade. Adquiriu m\u00e1quinas \u201ctuneladoras\u201d, chamadas vulgarmente de \u201ctatuz\u00f5es\u201d, pela capacidade de f\u00e1cil romper o subsolo de Fortaleza, conhecidamente arenoso.<br \/>\nDe resto, promoveu novas licita\u00e7\u00f5es e tudo faz crer que, ainda nesta d\u00e9cada, teremos uma malha radial integrada que possa mitigar o ca\u00f3tico tr\u00e2nsito urbano de Fortaleza. Em paralelo a isso, est\u00e1 sendo implantado, no trecho Parangaba-Mucuripe, um sistema de VLT \u2013 Ve\u00edculos Leves sobre Trilhos, que, no momento, causa dissabores pelos desvios, pelas paralisa\u00e7\u00f5es e desapropria\u00e7\u00f5es, mas redundar\u00e1, quando retomado e conclu\u00eddo, em benef\u00edcios e desafogos na locomo\u00e7\u00e3o de parte dos usu\u00e1rios de transportes coletivos.<br \/>\nAo novo Governo, que se instala em janeiro pr\u00f3ximo, cabe a n\u00e3o f\u00e1cil tarefa de continuidade desses projetos em curso e, ao mesmo tempo, em conjunto com a Prefeitura de Fortaleza, estudar a substitui\u00e7\u00e3o do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis dos ve\u00edculos de transporte coletivo por nova matriz energ\u00e9tica.<br \/>\nOs acidentes e as brigas no tr\u00e2nsito, inclusive com assassinatos e repetidos assaltos, s\u00e3o resultado, em parte, do elevado grau de estresse dos guiadores, pedestres atravessando fora das faixas, sem esquecer os bal\u00e9s das motocicletas que nos fazem lembrar dos circos de antigamente com os seus \u201cglobos da morte\u201d em que duas motos, em alta velocidade, se cruzavam. Agora, surgiram as ciclovias, ainda com poucos usu\u00e1rios. \u00c9 esperar para ver.<br \/>\nAtentos a tudo isso os fotos sensores multam, sem piedade, os que, por conta de buzinas dos ve\u00edculos que vem atr\u00e1s, param em faixas de pedestres, procuram aproveitar o finzinho do sinal verde ou se quedam im\u00f3veis em cruzamentos engarrafados. Dizia Bertold Brecht, escritor alem\u00e3o: \u201cperante um obst\u00e1culo, a linha mais curta entre dois pontos pode ser a curva\u201d. Mas, no tr\u00e2nsito, as convers\u00f5es, em geral, s\u00e3o proibidas. E a\u00ed?<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 12\/12\/2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSe eu tivesse medo de obst\u00e1culo n\u00e3o seria motoboy\u201d. Ouvido em uma esquina.<br \/>\n\u00c9 f\u00e1cil criticar, mas \u00e9 muito dif\u00edcil apresentar solu\u00e7\u00f5es concretas para o sistema de tr\u00e2nsito e o transporte p\u00fablico em cidades adensadas com mais de dois milh\u00f5es de habitantes com problemas de malhas vi\u00e1rias antigas, estreitas e de tra\u00e7ado ortogonal. \u00c9 de enaltecer a a\u00e7\u00e3o que a atual gest\u00e3o da Prefeitura de Fortaleza procura fazer com a implanta\u00e7\u00e3o gradativa de novos viadutos e de \u00f4nibus de dupla articula\u00e7\u00e3o em alguns corredores de tr\u00e1fego com larguras que assim o permitam.<br \/>\nPor outro lado, estive agora em Bogot\u00e1 e pude constatar o sufoco da popula\u00e7\u00e3o para usar os \u00f4nibus articulados do projeto \u201cTransmil\u00eanio\u201d. H\u00e1 mais propaganda que efetividade no \u201cTransmil\u00eanio\u201d, uma c\u00f3pia remo\u00e7ada do que o arquiteto, urbanista e pol\u00edtico Jaime Lerner implantou em Curitiba nos anos 1970.<br \/>\nEm todas as esta\u00e7\u00f5es ou pontos de embarque da grande cidade colombiana, com mais de sete milh\u00f5es de habitantes, h\u00e1 longas e intermin\u00e1veis filas. As pessoas, nessas esta\u00e7\u00f5es e alas, passam mais tempo do que o desejado e recebem, querendo ou n\u00e3o, a ingest\u00e3o de mon\u00f3xido de carbono dos demais ve\u00edculos que ocupam as outras faixas das vias.<br \/>\nEmbora o \u201cTransmil\u00eanio\u201d tenha prometido adotar sistema que reduziria a emiss\u00e3o de carbono, seguindo a metodologia AM0031, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, n\u00e3o me parece ter logrado \u00eaxito. H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre a pretens\u00e3o de um mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) e a crua polui\u00e7\u00e3o das descargas de milh\u00f5es dos ve\u00edculos.<br \/>\nO Brasil n\u00e3o adotou como deveria ter feito no tempo devido, por falta de recursos, de planejamento de longo prazo ou at\u00e9 de descaso p\u00fablico, as solu\u00e7\u00f5es universais do uso do subsolo para a implanta\u00e7\u00e3o de linhas de trens chamados de metr\u00f4s ou \u201csubways\u201d. Esse modal de transporte, em pa\u00edses mais prudentes ou avan\u00e7ados, tem mais de 100 anos de implanta\u00e7\u00e3o e s\u00e3o, nas grandes cidades, os recursos utilizados pela maioria das pessoas. S\u00e3o Paulo e Rio s\u00e3o exemplos desse atraso e tentam &#8211; a alto custo- super\u00e1-lo.<br \/>\nH\u00e1 cerca de 20 anos surgiu a ideia do metr\u00f4 de Fortaleza, o Metrofor, mas houve descompassos entre administra\u00e7\u00f5es municipais e o Governo do Estado. Em paralelo, a espera de libera\u00e7\u00e3o de verbas federais e financiamentos internacionais. Al\u00e9m do projeto inicial ter sido mudado, por imposi\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o Juraci Magalh\u00e3es: os trens mergulham na aflu\u00eancia das avenidas Jos\u00e9 Bastos e Carapinima.<br \/>\nAconteceram sucessivas paralisa\u00e7\u00f5es, longas, m\u00e9dias e curtas, por car\u00eancias de verbas, talvez por gest\u00e3o, por fiscaliza\u00e7\u00f5es do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o, por novas licita\u00e7\u00f5es parciais e aditivos de seus trechos. O conjunto desses fatos provocou atrasos, preju\u00edzos a terceiros com vias cercadas por tapumes.<br \/>\nTudo ocorreu a destempo na execu\u00e7\u00e3o e no ainda limitado funcionamento da primeira \u2013 e \u00fanica \u2013 linha de transporte de massa que liga Pacatuba \u00e0 Fortaleza. N\u00e3o adianta reclamar do passado. O registro \u00e9 apenas um hist\u00f3rico aligeirado. O atual governo do Estado tem procurado, desde algum tempo, recuperar o tempo perdido e deu passos fortes para a integra\u00e7\u00e3o das linhas que vem de Pacatuba e de Caucaia &#8211; prec\u00e1ria e usando \u00f3leo diesel &#8211; com a zona leste da cidade. Adquiriu m\u00e1quinas \u201ctuneladoras\u201d, chamadas vulgarmente de \u201ctatuz\u00f5es\u201d, pela capacidade de f\u00e1cil romper o subsolo de Fortaleza, conhecidamente arenoso.<br \/>\nDe resto, promoveu novas licita\u00e7\u00f5es e tudo faz crer que, ainda nesta d\u00e9cada, teremos uma malha radial integrada que possa mitigar o ca\u00f3tico tr\u00e2nsito urbano de Fortaleza. Em paralelo a isso, est\u00e1 sendo implantado, no trecho Parangaba-Mucuripe, um sistema de VLT \u2013 Ve\u00edculos Leves sobre Trilhos, que, no momento, causa dissabores pelos desvios, pelas paralisa\u00e7\u00f5es e desapropria\u00e7\u00f5es, mas redundar\u00e1, quando retomado e conclu\u00eddo, em benef\u00edcios e desafogos na locomo\u00e7\u00e3o de parte dos usu\u00e1rios de transportes coletivos.<br \/>\nAo novo Governo, que se instala em janeiro pr\u00f3ximo, cabe a n\u00e3o f\u00e1cil tarefa de continuidade desses projetos em curso e, ao mesmo tempo, em conjunto com a Prefeitura de Fortaleza, estudar a substitui\u00e7\u00e3o do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis dos ve\u00edculos de transporte coletivo por nova matriz energ\u00e9tica.<br \/>\nOs acidentes e as brigas no tr\u00e2nsito, inclusive com assassinatos e repetidos assaltos, s\u00e3o resultado, em parte, do elevado grau de estresse dos guiadores, pedestres atravessando fora das faixas, sem esquecer os bal\u00e9s das motocicletas que nos fazem lembrar dos circos de antigamente com os seus \u201cglobos da morte\u201d em que duas motos, em alta velocidade, se cruzavam. Agora, surgiram as ciclovias, ainda com poucos usu\u00e1rios. \u00c9 esperar para ver.<br \/>\nAtentos a tudo isso os fotos sensores multam, sem piedade, os que, por conta de buzinas dos ve\u00edculos que vem atr\u00e1s, param em faixas de pedestres, procuram aproveitar o finzinho do sinal verde ou se quedam im\u00f3veis em cruzamentos engarrafados. Dizia Bertold Brecht, escritor alem\u00e3o: \u201cperante um obst\u00e1culo, a linha mais curta entre dois pontos pode ser a curva\u201d. Mas, no tr\u00e2nsito, as convers\u00f5es, em geral, s\u00e3o proibidas. E a\u00ed?<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 12\/12\/2014.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2908","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2908","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2908"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2908\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}