{"id":2919,"date":"2023-12-21T09:10:33","date_gmt":"2023-12-21T12:10:33","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-modelagem-carioca-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:33","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:33","slug":"a-modelagem-carioca-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-modelagem-carioca-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"A MODELAGEM CARIOCA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Vista por Jo\u00e3o Soares Neto, que n\u00e3o entende bem do assunto, mas procurou aprender. Se conseguiu, \u00e9 outra hist\u00f3ria.<br \/>\nO Professor Jos\u00e9 Osvaldo Carioca me prop\u00f5e uma tarefa dif\u00edcil, discorrer, analisar ou ensaiar o seu escrito- futuro livro &#8211; \u201cO C\u00e9rebro, a sua Mente e a Consci\u00eancia\u201d. O que eu sei disso? Li todas as p\u00e1ginas, cocei a cabe\u00e7a e me deparei comoutra afirma\u00e7\u00e3o que me meteu medo: \u201cModelagem inusitada sobre a fisiologia do c\u00e9rebro e da sua mente. Uma base cient\u00edfica para a consci\u00eancia\u201d. Ora, se \u00e9 inusitada para quem mexe com ci\u00eancias exatas, imagina para quem pouco sabe das humanas.<br \/>\nEle cita autores, pensadores, escritores, fil\u00f3sofos, cientistas, uns grandes, outros menores, que o caro leitor ir\u00e1 descobrir, p\u00e1gina a p\u00e1gina. Nacionais e estrangeiros. Contempor\u00e2neos, modernos e dos passados recente ou remoto. Leva-nos pelo olhar, frase a frase, para o passado, o presente e nos aponta d\u00favidas- ou seriam certezas? &#8211; sobre o futuro a descobrir. Cariocaemerge na sua qu\u00edmica, escrita com \u201cuma plataforma energ\u00e9tica evidenciando as trocas de energia entre seres vivos e meio ambiente\u201d.<br \/>\nEle controverte, palmilha e faz cren\u00e7a no palp\u00e1vel e no imponder\u00e1vel. F\u00e9, ci\u00eancia e futuro s\u00e3o, ao meu olhar leigo, o trip\u00e9 formado para pincelar, em quadro imagin\u00e1rio, o seu ju\u00edzo de valor. E o faz sem medo de ser avan\u00e7ado. Aqui, valho-me, gra\u00e7as a Deus, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) a me salvar em sua po\u00e9tica: \u201c&#8230;as coisas tang\u00edveis tornam-se insens\u00edveis \u00e0 palma da m\u00e3o. Mas as coisas findas, muito mais que lindas, estas ficar\u00e3o.\u201d<br \/>\nO que mais teria eu a acrescentar? Digo que gostei do que li. Fui ate \u00e0s conclus\u00f5es, \u00e0 bibliografia e entendo o sossego\/inconformismo de um homem maduro que parece tentar sair do quadrado que a ci\u00eancia lhe imp\u00f4s e insurgir-se com teorias novas a partir do muito lido.<br \/>\nTodos os te\u00f3ricos est\u00e3o em patamar ainda n\u00e3o pisado. Um fil\u00f3sofo, muito citado e pouco lido, o espanhol Ortega y Gasset (1883-195), dizia que \u201ca ci\u00eancia consiste em substituir o saber que parecia seguro por uma teoria, ou seja, algo problem\u00e1tico. \u201c\u00c9 isso, creio, o que fundamenta a pesquisa, por anos, do Professor Carioca, o cientista prof\u00e9tico.<br \/>\nPor outro lado, a f\u00e9 que o anima na \u00e1rdua tarefa de tecer semelhan\u00e7as entre autores desencontrados faz-nos lembrar de Dostoievski (1821-1881), expoente do romance russo, ainda no tempo dos Czares. Ele acreditava que \u201ca f\u00e9 e as demonstra\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas s\u00e3o duas coisas inconcili\u00e1veis\u201d. Ora, isso ele escreveu em seu soturno quarto nos \u201cDi\u00e1rios\u201d, mas o escritor russo, mesmo de leve, quebra o gelo entre a abstra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e a rigidez da matem\u00e1tica. Aju\u00edzo eu: O que \u00e9 inconcili\u00e1vel acontece por emergir de um rompimento.<br \/>\nAlbert Einstein (1879-1955), um dos aludidos nos escritos que n\u00e3o precisa de apresenta\u00e7\u00e3o, afirma em contraponto e a favor do Professor Carioca, em \u201cOut of My Late Years\u201d, que \u201ca ci\u00eancia sem a religi\u00e3o \u00e9 manca, a religi\u00e3o sem a ci\u00eancia \u00e9 cega\u201d. Bingo.<br \/>\nPor \u00faltimo, tentando n\u00e3o perder o fio da meada, h\u00e1 o futuro, o amanh\u00e3, o que ainda est\u00e1 por vir, o vir a ser. Se \u00e9 vir a ser \u00e9 esperan\u00e7a ainda n\u00e3o orquestrada pela antemanh\u00e3. Estamos todos na noite que antecede o futuro, pois vivemos com um p\u00e9 na mem\u00f3ria do passado e o outro \u2013 n\u00e3o plantado no ch\u00e3o &#8211; no espa\u00e7o do sonho, do que ser\u00e1 o futuro. Isso, talvez, seja o nosso leitmotif.<br \/>\nDizia Giacomo Leopardi (1798-1837), poeta italiano, em um suposto di\u00e1logo entre passageiro e vendedor de almanaque em uma viagem de trem: \u201cAquela vida que \u00e9 bela n\u00e3o \u00e9 a vida que se conhece, mas a que n\u00e3o se conhece; n\u00e3o a vida passada, mas a futura. Com o novo ano, o destino come\u00e7ar\u00e1 a tratar bem a v\u00f3s, a mim e a todos os outros, e vida feliz se iniciar\u00e1. N\u00e3o \u00e9 verdade?\u201d Ao que o vendedor responde: \u201cEsperamos\u201d.<br \/>\nTudo parece coincidir, portanto, com o que, acredito, espera o Professor Carioca quando diz ao concluir o seu trabalho de an\u00e1lise: \u201cpor processos realizados na quietude da mente e na proximidade dos estados de equil\u00edbrio, aqui denominados de quase-est\u00e1tico, ou meditativos\u201d.<\/p>\n<p> Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 25\/01\/2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vista por Jo\u00e3o Soares Neto, que n\u00e3o entende bem do assunto, mas procurou aprender. Se conseguiu, \u00e9 outra hist\u00f3ria.<br \/>\nO Professor Jos\u00e9 Osvaldo Carioca me prop\u00f5e uma tarefa dif\u00edcil, discorrer, analisar ou ensaiar o seu escrito- futuro livro &#8211; \u201cO C\u00e9rebro, a sua Mente e a Consci\u00eancia\u201d. O que eu sei disso? Li todas as p\u00e1ginas, cocei a cabe\u00e7a e me deparei comoutra afirma\u00e7\u00e3o que me meteu medo: \u201cModelagem inusitada sobre a fisiologia do c\u00e9rebro e da sua mente. Uma base cient\u00edfica para a consci\u00eancia\u201d. Ora, se \u00e9 inusitada para quem mexe com ci\u00eancias exatas, imagina para quem pouco sabe das humanas.<br \/>\nEle cita autores, pensadores, escritores, fil\u00f3sofos, cientistas, uns grandes, outros menores, que o caro leitor ir\u00e1 descobrir, p\u00e1gina a p\u00e1gina. Nacionais e estrangeiros. Contempor\u00e2neos, modernos e dos passados recente ou remoto. Leva-nos pelo olhar, frase a frase, para o passado, o presente e nos aponta d\u00favidas- ou seriam certezas? &#8211; sobre o futuro a descobrir. Cariocaemerge na sua qu\u00edmica, escrita com \u201cuma plataforma energ\u00e9tica evidenciando as trocas de energia entre seres vivos e meio ambiente\u201d.<br \/>\nEle controverte, palmilha e faz cren\u00e7a no palp\u00e1vel e no imponder\u00e1vel. F\u00e9, ci\u00eancia e futuro s\u00e3o, ao meu olhar leigo, o trip\u00e9 formado para pincelar, em quadro imagin\u00e1rio, o seu ju\u00edzo de valor. E o faz sem medo de ser avan\u00e7ado. Aqui, valho-me, gra\u00e7as a Deus, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) a me salvar em sua po\u00e9tica: \u201c&#8230;as coisas tang\u00edveis tornam-se insens\u00edveis \u00e0 palma da m\u00e3o. Mas as coisas findas, muito mais que lindas, estas ficar\u00e3o.\u201d<br \/>\nO que mais teria eu a acrescentar? Digo que gostei do que li. Fui ate \u00e0s conclus\u00f5es, \u00e0 bibliografia e entendo o sossego\/inconformismo de um homem maduro que parece tentar sair do quadrado que a ci\u00eancia lhe imp\u00f4s e insurgir-se com teorias novas a partir do muito lido.<br \/>\nTodos os te\u00f3ricos est\u00e3o em patamar ainda n\u00e3o pisado. Um fil\u00f3sofo, muito citado e pouco lido, o espanhol Ortega y Gasset (1883-195), dizia que \u201ca ci\u00eancia consiste em substituir o saber que parecia seguro por uma teoria, ou seja, algo problem\u00e1tico. \u201c\u00c9 isso, creio, o que fundamenta a pesquisa, por anos, do Professor Carioca, o cientista prof\u00e9tico.<br \/>\nPor outro lado, a f\u00e9 que o anima na \u00e1rdua tarefa de tecer semelhan\u00e7as entre autores desencontrados faz-nos lembrar de Dostoievski (1821-1881), expoente do romance russo, ainda no tempo dos Czares. Ele acreditava que \u201ca f\u00e9 e as demonstra\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas s\u00e3o duas coisas inconcili\u00e1veis\u201d. Ora, isso ele escreveu em seu soturno quarto nos \u201cDi\u00e1rios\u201d, mas o escritor russo, mesmo de leve, quebra o gelo entre a abstra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e a rigidez da matem\u00e1tica. Aju\u00edzo eu: O que \u00e9 inconcili\u00e1vel acontece por emergir de um rompimento.<br \/>\nAlbert Einstein (1879-1955), um dos aludidos nos escritos que n\u00e3o precisa de apresenta\u00e7\u00e3o, afirma em contraponto e a favor do Professor Carioca, em \u201cOut of My Late Years\u201d, que \u201ca ci\u00eancia sem a religi\u00e3o \u00e9 manca, a religi\u00e3o sem a ci\u00eancia \u00e9 cega\u201d. Bingo.<br \/>\nPor \u00faltimo, tentando n\u00e3o perder o fio da meada, h\u00e1 o futuro, o amanh\u00e3, o que ainda est\u00e1 por vir, o vir a ser. Se \u00e9 vir a ser \u00e9 esperan\u00e7a ainda n\u00e3o orquestrada pela antemanh\u00e3. Estamos todos na noite que antecede o futuro, pois vivemos com um p\u00e9 na mem\u00f3ria do passado e o outro \u2013 n\u00e3o plantado no ch\u00e3o &#8211; no espa\u00e7o do sonho, do que ser\u00e1 o futuro. Isso, talvez, seja o nosso leitmotif.<br \/>\nDizia Giacomo Leopardi (1798-1837), poeta italiano, em um suposto di\u00e1logo entre passageiro e vendedor de almanaque em uma viagem de trem: \u201cAquela vida que \u00e9 bela n\u00e3o \u00e9 a vida que se conhece, mas a que n\u00e3o se conhece; n\u00e3o a vida passada, mas a futura. Com o novo ano, o destino come\u00e7ar\u00e1 a tratar bem a v\u00f3s, a mim e a todos os outros, e vida feliz se iniciar\u00e1. N\u00e3o \u00e9 verdade?\u201d Ao que o vendedor responde: \u201cEsperamos\u201d.<br \/>\nTudo parece coincidir, portanto, com o que, acredito, espera o Professor Carioca quando diz ao concluir o seu trabalho de an\u00e1lise: \u201cpor processos realizados na quietude da mente e na proximidade dos estados de equil\u00edbrio, aqui denominados de quase-est\u00e1tico, ou meditativos\u201d.<\/p>\n<p> Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 25\/01\/2013.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2919","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2919","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2919"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2919\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2919"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2919"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2919"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}