{"id":2922,"date":"2023-12-21T09:10:33","date_gmt":"2023-12-21T12:10:33","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/balada-de-fogo-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:33","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:33","slug":"balada-de-fogo-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/balada-de-fogo-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"BALADA DE FOGO &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>At\u00e9 bem pouco tempo n\u00e3o havia baladas. Havia perigo, mas a cidade nos entranhava. N\u00e3o nos estranhava. Havia festa e bebidas, mas ningu\u00e9m nos obrigava a beber. Maconha era a pior droga. Os que a fumavam eram \u201crabos de burro\u201d, s\u00f3 cresciam para baixo. Hoje, as baladas aturdidas principiam nas horas em que os pais est\u00e3o a dormir. Pode parece estranho, mas vivemos em outro orbe. Este cobra a muleta do aditivo, seja \u00e1lcool, cheiro, inje\u00e7\u00e3o, fumo ou cachimbo. Ele pede a exposi\u00e7\u00e3o colorida da tatuagem no corpo ou piercings na face. Quem n\u00e3o entra na roda \u00e9 careta. Sofre o \u201cbullying\u201d pelo qual quase todos passamos, mas n\u00e3o sofr\u00edamos porque sequer havia sido avaliado.<br \/>\nAgora, h\u00e1 danos em tudo, h\u00e1 sequelas em filhos que os pais cometem por amor, falta de saber e n\u00e3o existir cursos para pais. Somos todos aprendizes da vida em comum a produzir amor, uni\u00e3o, \u00f3dio, indiferen\u00e7a ou descaso. Os jovens querem e devem ser livres para crescer e aprender. S\u00e3o resolutos e alguns entram em baladas de fogo sem limites para nada. Esta introdu\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas para dizer que estou, como todos, abalado com as 234 mortes. At\u00e9 agora.<br \/>\nA prop\u00f3sito, li uma bela cr\u00f4nica, escrita por quem viveu em Santa Maria, RS. O jornalista Marcello Canellas, seu autor, a conclui assim: \u201cComo posso adormecer, se mal despertei para o mundo? Como posso abdicar, se n\u00e3o brinquei o suficiente, n\u00e3o amei o bastante, deixei incompleto o edif\u00edcio da minha hist\u00f3ria? Eu n\u00e3o choro s\u00f3 por mim, e nem meu pranto cai sozinho. Minha cidade \u00e9 hoje o Brasil em luto, Minha juventude perdida \u00e9 o meu pa\u00eds, perplexo e tonto, impotente a velar meu corpo. Santa Maria, rogai por n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 03\/02\/2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 bem pouco tempo n\u00e3o havia baladas. Havia perigo, mas a cidade nos entranhava. N\u00e3o nos estranhava. Havia festa e bebidas, mas ningu\u00e9m nos obrigava a beber. Maconha era a pior droga. Os que a fumavam eram \u201crabos de burro\u201d, s\u00f3 cresciam para baixo. 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At\u00e9 agora.<br \/>\nA prop\u00f3sito, li uma bela cr\u00f4nica, escrita por quem viveu em Santa Maria, RS. O jornalista Marcello Canellas, seu autor, a conclui assim: \u201cComo posso adormecer, se mal despertei para o mundo? Como posso abdicar, se n\u00e3o brinquei o suficiente, n\u00e3o amei o bastante, deixei incompleto o edif\u00edcio da minha hist\u00f3ria? Eu n\u00e3o choro s\u00f3 por mim, e nem meu pranto cai sozinho. Minha cidade \u00e9 hoje o Brasil em luto, Minha juventude perdida \u00e9 o meu pa\u00eds, perplexo e tonto, impotente a velar meu corpo. 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