{"id":2923,"date":"2023-12-21T09:10:33","date_gmt":"2023-12-21T12:10:33","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/bancos-clientes-e-ganancia-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:33","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:33","slug":"bancos-clientes-e-ganancia-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/bancos-clientes-e-ganancia-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"BANCOS, CLIENTES E GAN\u00c2NCIA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00f3ria velha: Um \u00edndio entra em um banco e pede mil reais emprestados. O gerente pergunta: o que voc\u00ea me d\u00e1 em garantia? Minha canoa e o remo. Fecham o neg\u00f3cio. Quando o \u00edndio ia saindo com o dinheiro, o gerente fala: voc\u00ea deveria deixar o dinheiro aqui, \u00e9 mais seguro. O \u00edndio, na sua sabedoria tabajara, indaga: e o que voc\u00ea me d\u00e1 em troca? A nossa confian\u00e7a, boa, boa, boa.<br \/>\nO poeta americano Robert Frost bem define um banco: \u201c\u00e9 um lugar onde emprestam um guarda-chuva quando h\u00e1 bom tempo e, pedem-no de volta quando come\u00e7a a chover.\u201d Os bancos, inclusive os brasileiros, deixaram, faz tempo, de ter a fun\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de prestar bons servi\u00e7os a seus clientes. Alguns quebraram, houve fus\u00f5es com agigantamento de poucos, surgiram os transnacionais. H\u00e1 j\u00e1 relativo tempo figuram nas p\u00e1ginas policiais. Por tr\u00e1s dos mensal\u00f5es havia banco com doa\u00e7\u00f5es e empr\u00e9stimos de mentirinha. Nas elei\u00e7\u00f5es sempre h\u00e1 doa\u00e7\u00f5es de bancos. Quais as raz\u00f5es?<br \/>\nHoje, os bancos s\u00e3o apenas estruturas montadas organicamente sob as b\u00ean\u00e7\u00e3os do dinheiro do governo e do povo, para manipular o cliente com formas inimagin\u00e1veis. Primeiro, todos clientes s\u00e3o suspeitos. Ningu\u00e9m entra em banco sem passar por triagem. Como a seguran\u00e7a p\u00fablica n\u00e3o funciona, todos s\u00e3o filmados, nivelados a marginais e alguns chegam a sofrer constrangimentos. Ao adentrar o para\u00edso, surgem filas, desinforma\u00e7\u00f5es e o quase descaso no atendimento provocado pela automa\u00e7\u00e3o e pelos baixos sal\u00e1rios que pagam a banc\u00e1rios e estagi\u00e1rios que se restringem a fazer o m\u00ednimo necess\u00e1rio. Entretanto, como os bancos s\u00e3o dos que mais gastam com publicidade encantat\u00f3ria, h\u00e1 pouca cr\u00edtica na m\u00eddia. Quando h\u00e1.<br \/>\nO Banco Central diz que controla as elevadas e autom\u00e1ticas taxas de servi\u00e7os que cobram por quaisquer misteres solicitados ou n\u00e3o. Acres\u00e7a-se o alvitre de gerentes, peritos em vender seguros, planos de previd\u00eancia privada, consignados, cart\u00f5es de cr\u00e9dito e d\u00e9bitos, capitaliza\u00e7\u00e3o, planos de sa\u00fade, fundos com taxas elevadas e outros mais. Suas corretoras de valores ganham em qualquer transa\u00e7\u00e3o, quer o cliente lucre ou perca.<br \/>\nQuase todos os banc\u00e1rios recebem metas de produtividade e, se n\u00e3o as cumprirem, rua. Quem quiser ler sobre reclama\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00e3o contra bancos acesse os jornais, sites e blogs dos sindicatos da categoria ou converse com ex-banc\u00e1rios. Vale a pena ainda consultar os d\u00e9cors, os pr\u00f3tons, o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a Justi\u00e7a. S\u00e3o milhares de demandas e a\u00e7\u00f5es em curso. Asdr\u00fabal, velho aposentado ranheta, diz sempre nas reuni\u00f5es de fam\u00edlia: Voc\u00eas conhecem algum banqueiro que tenha morrido de cora\u00e7\u00e3o? E conclui, pimp\u00e3o. Eles nunca usam o cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPara concluir, Erich Fromm, escritor americano do s\u00e9culo passado que falava sobre amor e vida, dizia que \u201ca gan\u00e2ncia \u00e9 uma cova sem fundo que esvazia a pessoa em esfor\u00e7o infinito, sem nunca alcan\u00e7ar a satisfa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08\/02\/2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00f3ria velha: Um \u00edndio entra em um banco e pede mil reais emprestados. O gerente pergunta: o que voc\u00ea me d\u00e1 em garantia? Minha canoa e o remo. Fecham o neg\u00f3cio. Quando o \u00edndio ia saindo com o dinheiro, o gerente fala: voc\u00ea deveria deixar o dinheiro aqui, \u00e9 mais seguro. O \u00edndio, na sua sabedoria tabajara, indaga: e o que voc\u00ea me d\u00e1 em troca? A nossa confian\u00e7a, boa, boa, boa.<br \/>\nO poeta americano Robert Frost bem define um banco: \u201c\u00e9 um lugar onde emprestam um guarda-chuva quando h\u00e1 bom tempo e, pedem-no de volta quando come\u00e7a a chover.\u201d Os bancos, inclusive os brasileiros, deixaram, faz tempo, de ter a fun\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de prestar bons servi\u00e7os a seus clientes. Alguns quebraram, houve fus\u00f5es com agigantamento de poucos, surgiram os transnacionais. H\u00e1 j\u00e1 relativo tempo figuram nas p\u00e1ginas policiais. Por tr\u00e1s dos mensal\u00f5es havia banco com doa\u00e7\u00f5es e empr\u00e9stimos de mentirinha. Nas elei\u00e7\u00f5es sempre h\u00e1 doa\u00e7\u00f5es de bancos. Quais as raz\u00f5es?<br \/>\nHoje, os bancos s\u00e3o apenas estruturas montadas organicamente sob as b\u00ean\u00e7\u00e3os do dinheiro do governo e do povo, para manipular o cliente com formas inimagin\u00e1veis. Primeiro, todos clientes s\u00e3o suspeitos. Ningu\u00e9m entra em banco sem passar por triagem. Como a seguran\u00e7a p\u00fablica n\u00e3o funciona, todos s\u00e3o filmados, nivelados a marginais e alguns chegam a sofrer constrangimentos. Ao adentrar o para\u00edso, surgem filas, desinforma\u00e7\u00f5es e o quase descaso no atendimento provocado pela automa\u00e7\u00e3o e pelos baixos sal\u00e1rios que pagam a banc\u00e1rios e estagi\u00e1rios que se restringem a fazer o m\u00ednimo necess\u00e1rio. Entretanto, como os bancos s\u00e3o dos que mais gastam com publicidade encantat\u00f3ria, h\u00e1 pouca cr\u00edtica na m\u00eddia. Quando h\u00e1.<br \/>\nO Banco Central diz que controla as elevadas e autom\u00e1ticas taxas de servi\u00e7os que cobram por quaisquer misteres solicitados ou n\u00e3o. Acres\u00e7a-se o alvitre de gerentes, peritos em vender seguros, planos de previd\u00eancia privada, consignados, cart\u00f5es de cr\u00e9dito e d\u00e9bitos, capitaliza\u00e7\u00e3o, planos de sa\u00fade, fundos com taxas elevadas e outros mais. Suas corretoras de valores ganham em qualquer transa\u00e7\u00e3o, quer o cliente lucre ou perca.<br \/>\nQuase todos os banc\u00e1rios recebem metas de produtividade e, se n\u00e3o as cumprirem, rua. Quem quiser ler sobre reclama\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00e3o contra bancos acesse os jornais, sites e blogs dos sindicatos da categoria ou converse com ex-banc\u00e1rios. Vale a pena ainda consultar os d\u00e9cors, os pr\u00f3tons, o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a Justi\u00e7a. S\u00e3o milhares de demandas e a\u00e7\u00f5es em curso. Asdr\u00fabal, velho aposentado ranheta, diz sempre nas reuni\u00f5es de fam\u00edlia: Voc\u00eas conhecem algum banqueiro que tenha morrido de cora\u00e7\u00e3o? E conclui, pimp\u00e3o. Eles nunca usam o cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPara concluir, Erich Fromm, escritor americano do s\u00e9culo passado que falava sobre amor e vida, dizia que \u201ca gan\u00e2ncia \u00e9 uma cova sem fundo que esvazia a pessoa em esfor\u00e7o infinito, sem nunca alcan\u00e7ar a satisfa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08\/02\/2013<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2923","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2923","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2923"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2923\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}