{"id":2931,"date":"2023-12-21T09:10:34","date_gmt":"2023-12-21T12:10:34","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/antigas-e-novas-mulheres-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:34","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:34","slug":"antigas-e-novas-mulheres-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/antigas-e-novas-mulheres-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"ANTIGAS E NOVAS MULHERES &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>\u201cTe ofere\u00e7o um ramo de fogo\/do pomar da lasc\u00edvia\/um ramalhete de todas\/as pulsa\u00e7\u00f5es da vida\u201d. Francisco Carvalho (1927-2013)<br \/>\nNeste Dia da Mulher, neste orbe comum ao sexo feminino, n\u00e3o t\u00e3o fem\u00edneo como o conhecemos no s\u00e9culo passado, sa\u00fado, parabenizo e louvo as novas mulheres. Elas tomam as r\u00e9deas de pa\u00edses, estados e cidades, de parlamentos, de for\u00e7as armadas e pol\u00edcias, de institui\u00e7\u00f5es financeiras p\u00e1trias e internacionais, formam opini\u00f5es na imprensa, protestam em p\u00fablico, ensinam e comandam escolas e universidades, efetuam pesquisas, aquinhoam a magistratura, constroem edif\u00edcios, chefiam empresas, e ocupam, cada vez mais, assentos de \u00f4nibus, trens, t\u00e1xis e avi\u00f5es, atarefadas com os seus celulares, i-Pads e notebooks, equipagens simplificadas e agendas lotadas.<br \/>\nNo entanto, por respeito, tenho a ousadia quixotesca de ressaltar, mesmo de leve e por princ\u00edpio, as antigas mulheres\/m\u00e3es, hoje apenas uma das m\u00faltiplas faces da f\u00eamea p\u00f3s-moderna: aquela a acordar cedo para malhar ou andar, maquiar-se, fazer o seu pr\u00f3prio caf\u00e9 e dirigir-se ao trabalho, ap\u00f3s definir o dia dos filhos.<br \/>\nSou filho da m\u00e3e em tempo integral, com nove filhos, decidida, prestimosa e cuidadosa do estudo, conduta e vida de cada um. Hoje, aos 93 anos, sabe \u2013 e se orgulha disso \u2013 ter criado filhos respons\u00e1veis, aut\u00f4nomos e alforriados para ousar e fazer os seus pr\u00f3prios caminhos. Um ter\u00e7o dos seus filhos criou asas. E foram exato as mulheres, as voadoras. Uma, soci\u00f3loga, vive, com o marido m\u00e9dico, na Alemanha, onde as duas filhas estudam medicina; outra divide o tempo entre os EEUU e o Brasil; e a terceira moureja no Piau\u00ed, onde foi funcion\u00e1ria federal de n\u00edvel superior, professora universit\u00e1ria e, agora, j\u00e1 aposentada, comanda com o marido e filhos um crescente neg\u00f3cio a envolver quase todos, exceto a filha m\u00e9dica ora entranhada na Amaz\u00f4nia.<br \/>\nA mulher de hoje n\u00e3o \u00e9 santa, tampouco sat\u00e3. Sabe dos seus direitos e n\u00e3o v\u00ea no homem o mero amparo, o pagante das contas, mas algu\u00e9m com quem dividir os sonhos raros e as muitas agonias da vida. Est\u00e1 na hora dos legisladores dos parlamentos do mundo deixarem de fazer distin\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, sem privil\u00e9gios, cotas e com obriga\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas. Falo do mundo ocidental, pois pouco sei dos meandros dos seguidores de Buda, Maom\u00e9, Al\u00e1, Lao Tse, Conf\u00facio e outros. Embora inclua idas por l\u00e1, mais de uma vez, n\u00e3o captei a ess\u00eancia de suas filosofias, preceitos e cren\u00e7as.<br \/>\nVoltando aos jovens pares, creio ser tempo de abertura de uma nova ordem familiar, a do compartilhamento, com alvedrio. A do entendimento, sem submiss\u00e3o. A do enfrentamento conjunto de dificuldades para a solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. A dissolu\u00e7\u00e3o, quando o enlace acaba.<br \/>\nFim das apar\u00eancias e conveni\u00eancias.<br \/>\nMulher n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 paix\u00e3o, tampouco formas voluptuosas, mas pessoa, al\u00e9m disso. \u00c9 sensatez com b\u00fassola ou GPS inatos a desbravar os intrincados mist\u00e9rios do mundo real, velha casamata vencida e quimera de homens carcomidos de um tempo roto, j\u00e1 transposto e sem retorno.<br \/>\nSimone de Beauvoir, uma libert\u00e1ria francesa, do s\u00e9culo XX, falava: \u201cNenhuma mulher nasce mulher, torna-se.\u201d A frase \u00e9 de efeito. Ela queria dizer apenas ser dado a ela a obriga\u00e7\u00e3o de lutar, trabalhar, igualar-se, ter senso cr\u00edtico, a n\u00e3o repousar acomodada \u00e0 espera do div\u00f3rcio, da viuvez e dos cobres. Parab\u00e9ns \u00e0s novas mulheres, n\u00e3o necessariamente, mulheres novas.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08\/03\/2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cTe ofere\u00e7o um ramo de fogo\/do pomar da lasc\u00edvia\/um ramalhete de todas\/as pulsa\u00e7\u00f5es da vida\u201d. Francisco Carvalho (1927-2013)<br \/>\nNeste Dia da Mulher, neste orbe comum ao sexo feminino, n\u00e3o t\u00e3o fem\u00edneo como o conhecemos no s\u00e9culo passado, sa\u00fado, parabenizo e louvo as novas mulheres. Elas tomam as r\u00e9deas de pa\u00edses, estados e cidades, de parlamentos, de for\u00e7as armadas e pol\u00edcias, de institui\u00e7\u00f5es financeiras p\u00e1trias e internacionais, formam opini\u00f5es na imprensa, protestam em p\u00fablico, ensinam e comandam escolas e universidades, efetuam pesquisas, aquinhoam a magistratura, constroem edif\u00edcios, chefiam empresas, e ocupam, cada vez mais, assentos de \u00f4nibus, trens, t\u00e1xis e avi\u00f5es, atarefadas com os seus celulares, i-Pads e notebooks, equipagens simplificadas e agendas lotadas.<br \/>\nNo entanto, por respeito, tenho a ousadia quixotesca de ressaltar, mesmo de leve e por princ\u00edpio, as antigas mulheres\/m\u00e3es, hoje apenas uma das m\u00faltiplas faces da f\u00eamea p\u00f3s-moderna: aquela a acordar cedo para malhar ou andar, maquiar-se, fazer o seu pr\u00f3prio caf\u00e9 e dirigir-se ao trabalho, ap\u00f3s definir o dia dos filhos.<br \/>\nSou filho da m\u00e3e em tempo integral, com nove filhos, decidida, prestimosa e cuidadosa do estudo, conduta e vida de cada um. Hoje, aos 93 anos, sabe \u2013 e se orgulha disso \u2013 ter criado filhos respons\u00e1veis, aut\u00f4nomos e alforriados para ousar e fazer os seus pr\u00f3prios caminhos. Um ter\u00e7o dos seus filhos criou asas. E foram exato as mulheres, as voadoras. Uma, soci\u00f3loga, vive, com o marido m\u00e9dico, na Alemanha, onde as duas filhas estudam medicina; outra divide o tempo entre os EEUU e o Brasil; e a terceira moureja no Piau\u00ed, onde foi funcion\u00e1ria federal de n\u00edvel superior, professora universit\u00e1ria e, agora, j\u00e1 aposentada, comanda com o marido e filhos um crescente neg\u00f3cio a envolver quase todos, exceto a filha m\u00e9dica ora entranhada na Amaz\u00f4nia.<br \/>\nA mulher de hoje n\u00e3o \u00e9 santa, tampouco sat\u00e3. Sabe dos seus direitos e n\u00e3o v\u00ea no homem o mero amparo, o pagante das contas, mas algu\u00e9m com quem dividir os sonhos raros e as muitas agonias da vida. Est\u00e1 na hora dos legisladores dos parlamentos do mundo deixarem de fazer distin\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, sem privil\u00e9gios, cotas e com obriga\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas. Falo do mundo ocidental, pois pouco sei dos meandros dos seguidores de Buda, Maom\u00e9, Al\u00e1, Lao Tse, Conf\u00facio e outros. Embora inclua idas por l\u00e1, mais de uma vez, n\u00e3o captei a ess\u00eancia de suas filosofias, preceitos e cren\u00e7as.<br \/>\nVoltando aos jovens pares, creio ser tempo de abertura de uma nova ordem familiar, a do compartilhamento, com alvedrio. A do entendimento, sem submiss\u00e3o. A do enfrentamento conjunto de dificuldades para a solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. A dissolu\u00e7\u00e3o, quando o enlace acaba.<br \/>\nFim das apar\u00eancias e conveni\u00eancias.<br \/>\nMulher n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 paix\u00e3o, tampouco formas voluptuosas, mas pessoa, al\u00e9m disso. \u00c9 sensatez com b\u00fassola ou GPS inatos a desbravar os intrincados mist\u00e9rios do mundo real, velha casamata vencida e quimera de homens carcomidos de um tempo roto, j\u00e1 transposto e sem retorno.<br \/>\nSimone de Beauvoir, uma libert\u00e1ria francesa, do s\u00e9culo XX, falava: \u201cNenhuma mulher nasce mulher, torna-se.\u201d A frase \u00e9 de efeito. Ela queria dizer apenas ser dado a ela a obriga\u00e7\u00e3o de lutar, trabalhar, igualar-se, ter senso cr\u00edtico, a n\u00e3o repousar acomodada \u00e0 espera do div\u00f3rcio, da viuvez e dos cobres. Parab\u00e9ns \u00e0s novas mulheres, n\u00e3o necessariamente, mulheres novas.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08\/03\/2013.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2931","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2931","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2931"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2931\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}