{"id":2933,"date":"2023-12-21T09:10:34","date_gmt":"2023-12-21T12:10:34","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/ontem-dia-da-poesia-homenagem-a-francisco-carvalho-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:34","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:34","slug":"ontem-dia-da-poesia-homenagem-a-francisco-carvalho-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/ontem-dia-da-poesia-homenagem-a-francisco-carvalho-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"ONTEM, DIA DA POESIA &#8211; HOMENAGEM A FRANCISCO CARVALHO &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Socorro-me com Jos\u00e9 Anderson Sandes, um jornalista tornado professor, e com Jos\u00e9 Lemos Monteiro, escritor e professor da Universidade de Fortaleza, para falar um pouco de linguagem \u00e9tica, em homenagem ao 14 de mar\u00e7o, Dia da Poesia, ontem acontecido.Poesias relembrando ainda Castro Alves, o grande condoreiro, e parabenizando a Regine Limaverde, uma poeta moderna, tamb\u00e9m nascida nessa data.<br \/>\nSandes era o entrevistador, ao seu tempo de editor no Di\u00e1rio do Nordeste, em 02 de mar\u00e7o de 2009, quando dialogou com Lemos sobre a linguagem po\u00e9tica. Lemos recorre ao formalismo russo, quando afirma: \u201cos formalistas estiveram preocupados em descobrir aquilo que realmente caracteriza um texto como express\u00e3o po\u00e9tica. E, assim propuseram o princ\u00edpio de que n\u00e3o \u00e9 o autor, mas o modo peculiar de cada obra que deve ser objeto de cada an\u00e1lise. Em fun\u00e7\u00e3o disso, passaram a valorizar e pesquisar os elementos que se encontram imanentes no texto po\u00e9tico em si mesmo, como o estrato sonoro, o ritmo, a m\u00e9trica, a rima etc\u201d.<br \/>\nTudo isso \u00e9 para dizer a voc\u00ea ter sido escolhido o poeta grande, Francisco Carvalho, recentemente falecido, como o centro das aten\u00e7\u00f5es em exposi\u00e7\u00e3o aberta pela Galeria BenficArte e a Academia Cearense de Letras. Foram escolhidos 14 poemas de Carvalho e mostrou-se a sua fortuna cr\u00edtica. A Exposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 em curso e \u00e9 gratuita.<br \/>\nSe voc\u00ea, caro leitor, chegou at\u00e9 a este ponto, certamente tem a sensibilidade de saber da import\u00e2ncia da poesia na nossa vida. Dizia a Madame de Stael, escritora francesa do s\u00e9culo 18:<br \/>\n\u201cA poesia \u00e9 a linguagem natural de todos os cultos\u201d.\u00c9 verdade. Entretanto, h\u00e1 pessoas a formular poesias, bastante diferente de ser poeta. Se ela n\u00e3o brotar como as \u00e1guas surgidas por tr\u00e1s de uma pedra em pleno deserto, ser\u00e1 um arranjo po\u00e9tico, se tanto, nunca uma poesia.<br \/>\nLouvo-me, outra vez, de Lemos para ir a Carlos Drummond de Andrade em seu poema \u201cAo Deus Kom Unik Ass\u00e3o\u201d, na verdade, \u201cAo Deus Comunica\u00e7\u00e3o\u201d. Pois bem, em parte desse poema, CDA, com todo o seu direito po\u00e9tico, escreve: \u201cEis-me prostrado a vossos peses\/ que sendo tantos todo plural \u00e9 pouco\u201d. A ironia dele ao usar \u201cpeses\u201d, como plural de p\u00e9, \u00e9 parte de sua estil\u00edstica.<br \/>\nEstariam os poetas a fugir do encontro com o sentimento e com a sua individualidade? Ortega y Gasset, fil\u00f3sofo espanhol falecido no primeiro quinto da segunda metade do s\u00e9culo passado, asseverava: \u201cN\u00e3o se pode dizer que o poeta persiga a verdade, visto que a cria\u201d.<br \/>\nFrancisco Carvalho era um criador de verdades. Veja estes versos: \u201cAgora eu sei o quanto basta \u00e0 ceia do cora\u00e7\u00e3o\/ e o quanto sobra do naufr\u00e1gio\/das nossas utopias\u201d. Ou quando fala, parecendo a fechar a \u00faltima p\u00e1gina do tempo maduro: \u201cAs minhas m\u00e3os\/ j\u00e1 foram robustas\/j\u00e1 plantaram\/sementes de milho\/nas terras dos filisteus\/hoje s\u00f3 semeiam\/ as lavouras do adeus\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 15\/03\/2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Socorro-me com Jos\u00e9 Anderson Sandes, um jornalista tornado professor, e com Jos\u00e9 Lemos Monteiro, escritor e professor da Universidade de Fortaleza, para falar um pouco de linguagem \u00e9tica, em homenagem ao 14 de mar\u00e7o, Dia da Poesia, ontem acontecido.Poesias relembrando ainda Castro Alves, o grande condoreiro, e parabenizando a Regine Limaverde, uma poeta moderna, tamb\u00e9m nascida nessa data.<br \/>\nSandes era o entrevistador, ao seu tempo de editor no Di\u00e1rio do Nordeste, em 02 de mar\u00e7o de 2009, quando dialogou com Lemos sobre a linguagem po\u00e9tica. Lemos recorre ao formalismo russo, quando afirma: \u201cos formalistas estiveram preocupados em descobrir aquilo que realmente caracteriza um texto como express\u00e3o po\u00e9tica. E, assim propuseram o princ\u00edpio de que n\u00e3o \u00e9 o autor, mas o modo peculiar de cada obra que deve ser objeto de cada an\u00e1lise. Em fun\u00e7\u00e3o disso, passaram a valorizar e pesquisar os elementos que se encontram imanentes no texto po\u00e9tico em si mesmo, como o estrato sonoro, o ritmo, a m\u00e9trica, a rima etc\u201d.<br \/>\nTudo isso \u00e9 para dizer a voc\u00ea ter sido escolhido o poeta grande, Francisco Carvalho, recentemente falecido, como o centro das aten\u00e7\u00f5es em exposi\u00e7\u00e3o aberta pela Galeria BenficArte e a Academia Cearense de Letras. Foram escolhidos 14 poemas de Carvalho e mostrou-se a sua fortuna cr\u00edtica. A Exposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 em curso e \u00e9 gratuita.<br \/>\nSe voc\u00ea, caro leitor, chegou at\u00e9 a este ponto, certamente tem a sensibilidade de saber da import\u00e2ncia da poesia na nossa vida. Dizia a Madame de Stael, escritora francesa do s\u00e9culo 18:<br \/>\n\u201cA poesia \u00e9 a linguagem natural de todos os cultos\u201d.\u00c9 verdade. Entretanto, h\u00e1 pessoas a formular poesias, bastante diferente de ser poeta. Se ela n\u00e3o brotar como as \u00e1guas surgidas por tr\u00e1s de uma pedra em pleno deserto, ser\u00e1 um arranjo po\u00e9tico, se tanto, nunca uma poesia.<br \/>\nLouvo-me, outra vez, de Lemos para ir a Carlos Drummond de Andrade em seu poema \u201cAo Deus Kom Unik Ass\u00e3o\u201d, na verdade, \u201cAo Deus Comunica\u00e7\u00e3o\u201d. Pois bem, em parte desse poema, CDA, com todo o seu direito po\u00e9tico, escreve: \u201cEis-me prostrado a vossos peses\/ que sendo tantos todo plural \u00e9 pouco\u201d. A ironia dele ao usar \u201cpeses\u201d, como plural de p\u00e9, \u00e9 parte de sua estil\u00edstica.<br \/>\nEstariam os poetas a fugir do encontro com o sentimento e com a sua individualidade? Ortega y Gasset, fil\u00f3sofo espanhol falecido no primeiro quinto da segunda metade do s\u00e9culo passado, asseverava: \u201cN\u00e3o se pode dizer que o poeta persiga a verdade, visto que a cria\u201d.<br \/>\nFrancisco Carvalho era um criador de verdades. Veja estes versos: \u201cAgora eu sei o quanto basta \u00e0 ceia do cora\u00e7\u00e3o\/ e o quanto sobra do naufr\u00e1gio\/das nossas utopias\u201d. 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