{"id":2948,"date":"2023-12-21T09:10:34","date_gmt":"2023-12-21T12:10:34","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/os-oito-de-maio-2013-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:34","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:34","slug":"os-oito-de-maio-2013-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/os-oito-de-maio-2013-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"OS OITO DE MAIO\u2013 2013 &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Foi com respeito e rever\u00eancia que a Galeria BenficArte reuniu, ontem, os reconhecidos Ascal, Cla\u00fadio Cesar, Em\u00edlia Porto, H\u00e9lio Rola, Jo\u00e3o Jorge, Raimundo Netto, Sergei de Castro e Vando Figueiredo, na 3\u00aa Edi\u00e7\u00e3o da Exposi\u00e7\u00e3o coletiva \u201cOs Oito de Maio\u201d, em homenagem ao Dia do Artista Pl\u00e1stico, nessa data comemorado. Nesse mesmo dia, em 1945, o mundo respirou em paz. A 2\u00aa. Guerra acabara. Milh\u00f5es de mortos, especialmente judeus, alem\u00e3es e russos. Os destro\u00e7os foram removidos, cidades reconstru\u00eddas, mas a mente humana e os interessem ainda engatilham conflitos. Para dar cor ao gris dessa nuvem diab\u00f3lica os artistas se insurgem.<br \/>\nSomos filhos do sol, desta terra ainda &#8211; n\u00e3o de todo &#8211; aprontada para as sutilezas das artes pl\u00e1sticas. Somos, igualmente, teimosos em perseverar, n\u00e3o como Mecenas, mas como indutores do conhecimento em configura\u00e7\u00f5es e entretons. Isso nos d\u00e1 alento para reunir artistas que n\u00e3o v\u00eaem o mundo com olhar vadio, mas o interpretam, deformando, reformando, mas nunca se conformando com o \u201cstatus quo\u201d.<br \/>\nSeria a arte uma doen\u00e7a? Se a resposta for sim, ela \u00e9 antiga, end\u00eamica e incur\u00e1vel. N\u00e3o h\u00e1 como dissociar a arte, especialmente as artes pl\u00e1sticas, da evolu\u00e7\u00e3o da humanidade, da contamina\u00e7\u00e3o global, da conta\u00e7\u00e3o de suas hist\u00f3rias p\u00e9rfidas ou magnificentes.<br \/>\nOs artistas que est\u00e3o reunidos n\u00e3o s\u00e3o diletantes. Seja a constru\u00e7\u00e3o abstrata de Em\u00edlia Porto, a revolta ecol\u00f3gica de Helio Rola, os metais retorcidos e soldados em formosura por Ascal, a natureza ideal de Cl\u00e1udio C\u00e9sar, a inquietude de Vando Figueirdo, os tra\u00e7os gordos de Raimundo Neto, o jeito meio sem jeito de Jo\u00e3o Jorge Melo e a reclus\u00e3o auto imposta pela poesiarte de Sergei de Castro.<br \/>\nS\u00e3o profissionais, artistas t\u00edmidos\/vaidosos de suas artes verdadeiras, mas modestos nesta cidade em que paredes rec\u00e9m constru\u00eddas e pintadas se enfeitam com gravuras impostas por mercadores de pseudo bom gosto e quadros com falsifica\u00e7\u00f5es grosseiras de artistas expirados.<br \/>\nOs Oito que aqui est\u00e3o representam faces do pensamento art\u00edstico local do final do breve s\u00e9culo que foi o 20 e se embebedam de tintas para entender este novo s\u00e9culo em que o imediato tecnol\u00f3gico se traduz na nega\u00e7\u00e3o do detalhe que \u00e9 o olhar perdido\/ encontrado sobre as artes pl\u00e1sticas.<br \/>\nH\u00e1 tamb\u00e9m oito promessas\/perspectivas jovens: Charles Vale, Diego Sann, Fel\u00edcio da Silva, Galber Rocha, Geovane Queiroz, J\u00falio C\u00e9sar, Ricardo Vieira e Samuel Bendix que despontam no Curso de Licenciatura em Artes Visuais do IFCE.A escola industrial transformada em universidade operacional. Eles s\u00e3o a convic\u00e7\u00e3o que a arte nunca morre, apenas muda de m\u00e3os. Eles s\u00e3o o futuro, logo, logo.<br \/>\nOlhe, mire, pisque, use col\u00edrio, fotografe, filme, pois o exposto merece que a sua retina o fixe e o seu sentimento o absorva. Repare os consagrados, lado a lado, sem discrimina\u00e7\u00e3o, com os universit\u00e1rios das artes visuais. Somos assim. A arte permite isso e a ades\u00e3o de todos, consente. Tudo pode ser visto, gratuitamente, at\u00e9 o dia 31 de maio na Galeria BenficArte. Vale ver, pois como queria Andr\u00e9 Malraux: \u201cO que \u00e9 arte? Somos levados a responder ser aquilo por meio do qual as formas tornam-se estilo\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nn\u00e3o \u00e9 cr\u00edtico de arte<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 10\/05\/2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi com respeito e rever\u00eancia que a Galeria BenficArte reuniu, ontem, os reconhecidos Ascal, Cla\u00fadio Cesar, Em\u00edlia Porto, H\u00e9lio Rola, Jo\u00e3o Jorge, Raimundo Netto, Sergei de Castro e Vando Figueiredo, na 3\u00aa Edi\u00e7\u00e3o da Exposi\u00e7\u00e3o coletiva \u201cOs Oito de Maio\u201d, em homenagem ao Dia do Artista Pl\u00e1stico, nessa data comemorado. Nesse mesmo dia, em 1945, o mundo respirou em paz. A 2\u00aa. Guerra acabara. Milh\u00f5es de mortos, especialmente judeus, alem\u00e3es e russos. Os destro\u00e7os foram removidos, cidades reconstru\u00eddas, mas a mente humana e os interessem ainda engatilham conflitos. Para dar cor ao gris dessa nuvem diab\u00f3lica os artistas se insurgem.<br \/>\nSomos filhos do sol, desta terra ainda &#8211; n\u00e3o de todo &#8211; aprontada para as sutilezas das artes pl\u00e1sticas. Somos, igualmente, teimosos em perseverar, n\u00e3o como Mecenas, mas como indutores do conhecimento em configura\u00e7\u00f5es e entretons. Isso nos d\u00e1 alento para reunir artistas que n\u00e3o v\u00eaem o mundo com olhar vadio, mas o interpretam, deformando, reformando, mas nunca se conformando com o \u201cstatus quo\u201d.<br \/>\nSeria a arte uma doen\u00e7a? Se a resposta for sim, ela \u00e9 antiga, end\u00eamica e incur\u00e1vel. N\u00e3o h\u00e1 como dissociar a arte, especialmente as artes pl\u00e1sticas, da evolu\u00e7\u00e3o da humanidade, da contamina\u00e7\u00e3o global, da conta\u00e7\u00e3o de suas hist\u00f3rias p\u00e9rfidas ou magnificentes.<br \/>\nOs artistas que est\u00e3o reunidos n\u00e3o s\u00e3o diletantes. Seja a constru\u00e7\u00e3o abstrata de Em\u00edlia Porto, a revolta ecol\u00f3gica de Helio Rola, os metais retorcidos e soldados em formosura por Ascal, a natureza ideal de Cl\u00e1udio C\u00e9sar, a inquietude de Vando Figueirdo, os tra\u00e7os gordos de Raimundo Neto, o jeito meio sem jeito de Jo\u00e3o Jorge Melo e a reclus\u00e3o auto imposta pela poesiarte de Sergei de Castro.<br \/>\nS\u00e3o profissionais, artistas t\u00edmidos\/vaidosos de suas artes verdadeiras, mas modestos nesta cidade em que paredes rec\u00e9m constru\u00eddas e pintadas se enfeitam com gravuras impostas por mercadores de pseudo bom gosto e quadros com falsifica\u00e7\u00f5es grosseiras de artistas expirados.<br \/>\nOs Oito que aqui est\u00e3o representam faces do pensamento art\u00edstico local do final do breve s\u00e9culo que foi o 20 e se embebedam de tintas para entender este novo s\u00e9culo em que o imediato tecnol\u00f3gico se traduz na nega\u00e7\u00e3o do detalhe que \u00e9 o olhar perdido\/ encontrado sobre as artes pl\u00e1sticas.<br \/>\nH\u00e1 tamb\u00e9m oito promessas\/perspectivas jovens: Charles Vale, Diego Sann, Fel\u00edcio da Silva, Galber Rocha, Geovane Queiroz, J\u00falio C\u00e9sar, Ricardo Vieira e Samuel Bendix que despontam no Curso de Licenciatura em Artes Visuais do IFCE.A escola industrial transformada em universidade operacional. Eles s\u00e3o a convic\u00e7\u00e3o que a arte nunca morre, apenas muda de m\u00e3os. Eles s\u00e3o o futuro, logo, logo.<br \/>\nOlhe, mire, pisque, use col\u00edrio, fotografe, filme, pois o exposto merece que a sua retina o fixe e o seu sentimento o absorva. Repare os consagrados, lado a lado, sem discrimina\u00e7\u00e3o, com os universit\u00e1rios das artes visuais. Somos assim. A arte permite isso e a ades\u00e3o de todos, consente. Tudo pode ser visto, gratuitamente, at\u00e9 o dia 31 de maio na Galeria BenficArte. Vale ver, pois como queria Andr\u00e9 Malraux: \u201cO que \u00e9 arte? Somos levados a responder ser aquilo por meio do qual as formas tornam-se estilo\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nn\u00e3o \u00e9 cr\u00edtico de arte<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 10\/05\/2013<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2948","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2948","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2948"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2948\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}