{"id":2960,"date":"2023-12-21T09:10:34","date_gmt":"2023-12-21T12:10:34","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/vale-cultura-e-ceus-das-artes-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:34","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:34","slug":"vale-cultura-e-ceus-das-artes-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/vale-cultura-e-ceus-das-artes-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"VALE CULTURA E CEUs das ARTES &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>O governo Dilma, atrav\u00e9s do MinC, resolveu instituir o Vale Cultura-VC para atender, principalmente, aos que se descrevem como promotores culturais, alguns dos quais fazem pe\u00e7as de teatro an\u00f3dinas, filmes de discut\u00edvel qualidade, escrevem livros- encalhados-de prosa e poesia e lan\u00e7am CDs e Dvds de cantores\/compositores emergentes ou veteranos. Os VC ser\u00e3o destinados a trabalhadores que ganham at\u00e9 5 sal\u00e1rios m\u00ednimos.<br \/>\nAs micro e pequenas empresas n\u00e3o ter\u00e3o nenhum incentivo fiscal com a distribui\u00e7\u00e3o do VC a seus colaboradores. Enquanto isso, as grandes empresas poder\u00e3o descontar 1% do IR devido para o mesmo VC. Com 50 reais por m\u00eas, os que ganham at\u00e9 cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos v\u00e3o ter a op\u00e7\u00e3o de escolher, para si pr\u00f3prios e os seus, entre filmes, standups, com\u00e9dias, dramas, livros, visitas a centros culturais, a museus e comprar CD e DVDs. De repente, quem sabe, ficar\u00e3o cultos e com massa cr\u00edtica para entender o Brasil, suas artes e manhas. No Nordeste, cerca de 90% dos trabalhadores est\u00e3o enquadrados nessa faixa de at\u00e9 cinco sal\u00e1rios. Esperamos que todos fiquem mais ilustrados.<br \/>\nO VC foi apresentado por medida provis\u00f3ria-MP no dia 13 deste maio de 2013 e, certamente, ser\u00e1 objeto de altos estudos nas duas casas congressuais que nada pedir\u00e3o em troca. \u00c9 bom lembrar que o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Aluizio Mercadante, disse, recentemente, em Recife, a estarrecidos ouvintes: \u201cO que museu tem a ver com educa\u00e7\u00e3o?\u201d. Seria bom que a sua colega Marta Suplicy explicasse para ele qual a finalidade de um museu e a sua rela\u00e7\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o e a cultura.<br \/>\nCumpre lembrar que 91% das cidades brasileiras n\u00e3o t\u00eam cinemas, 72% das comunas n\u00e3o possuem sequer uma livraria e apenas 23% contam com museus. No Nordeste, a situa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 pior, claro. Acredita-se que 42 milh\u00f5es de brasileiros poder\u00e3o ser beneficiados com a nova medida. Pensando em fraudes, o cadastramento ser\u00e1 apenas de cinemas, livrarias, centros culturais, teatros, museus e lojas de discos.<br \/>\nAo mesmo tempo, o Minist\u00e9rio da Cultura est\u00e1 abrindo \u201cCEUs das Artes\u201d para divulgar a cultura do Brasil na Europa. N\u00e3o custa lembrar que, segundo dizem, s\u00f3 a cidade de Londres possui mais museus que o Brasil. Buenos Aires teria mais livrarias que o nosso pa\u00eds. A id\u00e9ia da ministra Marta Suplicy presume ser inovadora. Ela adotou na sua administra\u00e7\u00e3o am\u00e1vel, o \u201csoft power\u201d ou poder suave, na tradu\u00e7\u00e3o literal. Essa express\u00e3o, na verdade, foi esculpida por Joseph Nye, cientista pol\u00edtico americano. A Alemanha sabe-se, usa h\u00e1 tempos o \u201cGoethe-Institut\u201d e a China espalha os \u201cConf\u00facios\u201d. Muitos pa\u00edses atuam com outros instrumentos de difus\u00e3o cultural. Agora, vamos n\u00f3s.<br \/>\nSegundo Fernanda Mena, da FSP, o soft power \u201cdenota a capacidade de um pa\u00eds influenciar e persuadir por meio do seu poder de inspira\u00e7\u00e3o e atra\u00e7\u00e3o\u201d. Esperamos que esse poder suave possa realmente trazer cultura para o povo brasileiro com o VC e, ao mesmo tempo, encantar os europeus com os CEUs das Artes. N\u00f3s, os que tentamos trabalhar com cultura e arte, sabemos que h\u00e1 um longo caminho a ser seguido. As institui\u00e7\u00f5es de cultura e arte, como as academias, precisam de ajuda e r\u00e1pido para os seus trabalhos s\u00e9rios e permanentes. Os produtores culturais t\u00eam ONGs, amigos pol\u00edticos e fazem disso um meio de vida. George Santayana, fil\u00f3sofo e ensa\u00edsta espanhol do s\u00e9culo passado, advertia: \u201cA cultura est\u00e1 sempre entre o dilema de ser profunda e servir a poucos ou popular e tornar-se superficial\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\n Cronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 21\/06\/2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo Dilma, atrav\u00e9s do MinC, resolveu instituir o Vale Cultura-VC para atender, principalmente, aos que se descrevem como promotores culturais, alguns dos quais fazem pe\u00e7as de teatro an\u00f3dinas, filmes de discut\u00edvel qualidade, escrevem livros- encalhados-de prosa e poesia e lan\u00e7am CDs e Dvds de cantores\/compositores emergentes ou veteranos. Os VC ser\u00e3o destinados a trabalhadores que ganham at\u00e9 5 sal\u00e1rios m\u00ednimos.<br \/>\nAs micro e pequenas empresas n\u00e3o ter\u00e3o nenhum incentivo fiscal com a distribui\u00e7\u00e3o do VC a seus colaboradores. Enquanto isso, as grandes empresas poder\u00e3o descontar 1% do IR devido para o mesmo VC. Com 50 reais por m\u00eas, os que ganham at\u00e9 cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos v\u00e3o ter a op\u00e7\u00e3o de escolher, para si pr\u00f3prios e os seus, entre filmes, standups, com\u00e9dias, dramas, livros, visitas a centros culturais, a museus e comprar CD e DVDs. De repente, quem sabe, ficar\u00e3o cultos e com massa cr\u00edtica para entender o Brasil, suas artes e manhas. No Nordeste, cerca de 90% dos trabalhadores est\u00e3o enquadrados nessa faixa de at\u00e9 cinco sal\u00e1rios. Esperamos que todos fiquem mais ilustrados.<br \/>\nO VC foi apresentado por medida provis\u00f3ria-MP no dia 13 deste maio de 2013 e, certamente, ser\u00e1 objeto de altos estudos nas duas casas congressuais que nada pedir\u00e3o em troca. \u00c9 bom lembrar que o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Aluizio Mercadante, disse, recentemente, em Recife, a estarrecidos ouvintes: \u201cO que museu tem a ver com educa\u00e7\u00e3o?\u201d. Seria bom que a sua colega Marta Suplicy explicasse para ele qual a finalidade de um museu e a sua rela\u00e7\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o e a cultura.<br \/>\nCumpre lembrar que 91% das cidades brasileiras n\u00e3o t\u00eam cinemas, 72% das comunas n\u00e3o possuem sequer uma livraria e apenas 23% contam com museus. No Nordeste, a situa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 pior, claro. Acredita-se que 42 milh\u00f5es de brasileiros poder\u00e3o ser beneficiados com a nova medida. Pensando em fraudes, o cadastramento ser\u00e1 apenas de cinemas, livrarias, centros culturais, teatros, museus e lojas de discos.<br \/>\nAo mesmo tempo, o Minist\u00e9rio da Cultura est\u00e1 abrindo \u201cCEUs das Artes\u201d para divulgar a cultura do Brasil na Europa. N\u00e3o custa lembrar que, segundo dizem, s\u00f3 a cidade de Londres possui mais museus que o Brasil. Buenos Aires teria mais livrarias que o nosso pa\u00eds. A id\u00e9ia da ministra Marta Suplicy presume ser inovadora. Ela adotou na sua administra\u00e7\u00e3o am\u00e1vel, o \u201csoft power\u201d ou poder suave, na tradu\u00e7\u00e3o literal. Essa express\u00e3o, na verdade, foi esculpida por Joseph Nye, cientista pol\u00edtico americano. A Alemanha sabe-se, usa h\u00e1 tempos o \u201cGoethe-Institut\u201d e a China espalha os \u201cConf\u00facios\u201d. Muitos pa\u00edses atuam com outros instrumentos de difus\u00e3o cultural. Agora, vamos n\u00f3s.<br \/>\nSegundo Fernanda Mena, da FSP, o soft power \u201cdenota a capacidade de um pa\u00eds influenciar e persuadir por meio do seu poder de inspira\u00e7\u00e3o e atra\u00e7\u00e3o\u201d. Esperamos que esse poder suave possa realmente trazer cultura para o povo brasileiro com o VC e, ao mesmo tempo, encantar os europeus com os CEUs das Artes. N\u00f3s, os que tentamos trabalhar com cultura e arte, sabemos que h\u00e1 um longo caminho a ser seguido. As institui\u00e7\u00f5es de cultura e arte, como as academias, precisam de ajuda e r\u00e1pido para os seus trabalhos s\u00e9rios e permanentes. Os produtores culturais t\u00eam ONGs, amigos pol\u00edticos e fazem disso um meio de vida. 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