{"id":2986,"date":"2023-12-21T09:10:35","date_gmt":"2023-12-21T12:10:35","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/maria-lucia-rocha-dummar-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:35","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:35","slug":"maria-lucia-rocha-dummar-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/maria-lucia-rocha-dummar-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"MARIA L\u00daCIA ROCHA DUMMAR &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>A Lagoa de Messejana, onde, conta a lenda, Iracema, a virgem ind\u00edgena, amor dorido e mulher de Martins Soares Moreno, o guerreiro branco, era o lugar de descanso das suas m\u00edticas viagens desde a Serra Grande. Seu criador, Jos\u00e9 de Alencar, nascera no S\u00edtio Alagadi\u00e7o Novo, casa de seu pai Jos\u00e9 Martiniano de Alencar, n\u00e3o muito longe da lagoa ovalada. Pois foi nessa licen\u00e7a po\u00e9tica que \u00e9 a lagoa, que D. Maria L\u00facia Rocha Dummar criou o seu ref\u00fagio, em casa simples, mas senhorial, cercada de \u00e1rvores que lhe davam sombra e frutos.<br \/>\nNo fim da d\u00e9cada de cinquenta e come\u00e7o dos sessenta a lagoa, circundando casar\u00f5es e s\u00edtios era, n\u00e3o nas noites de plenil\u00fanio, um breu. As fam\u00edlias circundantes usavam geradores pr\u00f3prios de energia para alumi\u00e1-las.<br \/>\nA amizade de meu, pai, Francisco Bezerra de Oliveira, ent\u00e3o Secret\u00e1rio de Servi\u00e7os Urbanos, com a fam\u00edlia Dummar era antiga e consolidada. Por justi\u00e7a, fez-se luz em toda a regi\u00e3o e, especialmente, na Granja Castelo, mans\u00e3o de muitas varandas de grandes mesas de madeiras maci\u00e7as com toalhas de renda da terra.<br \/>\nA frente leste justafluvial, protegida por \u00e1rvores centen\u00e1rias, flores silvestres e aves canoras, resplandeceu em cores amareladas com o ent\u00e3o fulgor das l\u00e2mpadas fl\u00faor e incandescentes. Dona L\u00facia, a \u00fanica agradecida, recebeu meu pai e Margarida, minha m\u00e3e, e a\u00ed foram a Canind\u00e9 em pagamento de promessas cat\u00f3licas.<br \/>\nDesde ent\u00e3o, sinto-me amigo dessa mulher que esta semana se foi ao \u00c9den, ao C\u00e9u de sua extrema f\u00e9, depois de cumprir vida prof\u00edcua de m\u00e3e exemplar, mulher afeita a rezas com orat\u00f3rio, memorial e gruta pr\u00f3prias, amizades firmes, anfitri\u00e3 com largueza, hospitalidade e benqueren\u00e7a.<br \/>\nSeus filhos, Dem\u00f3crito e Jo\u00e3o, as filhas L\u00facia Maria, L\u00facia Helena, Carmen L\u00facia e Albaniza, herdaram de D. L\u00facia uma canoridade singular. Quando, em missa na noite de quarta, 18 de setembro deste 2013, no vel\u00f3rio de D. L\u00facia, coube a Jo\u00e3o Dummar Filho, no seu of\u00edcio de filho, cantor e poeta, cantar, \u00e0 capela, em ora\u00e7\u00e3o e poetar, para uma nave em sil\u00eancio, relembrando fatos e alegrando-se pela longevidade e benemer\u00eancia de sua m\u00e3e, D. Maria L\u00facia, filha e m\u00e3e de Dem\u00f3critos, ambos jornalistas e Rocha, mas aos filhos acrescentou-se o Dummar, por Jo\u00e3o, o pai de todos, precursor da radiofonia cearense e cidad\u00e3o que deixou hist\u00f3ria por suas vit\u00f3rias e morte prematura.<br \/>\nO poeta latino Hor\u00e1cio dizia algo como: \u201cE assim, raramente, se encontra algu\u00e9m que diga ter vivido\/ como pessoa feliz e, tendo completado o tempo que lhe foi concedido, deixa a vida satisfeito, como um conviva saciado\u201d. D. L\u00facia teve dores \u2013 e muitas \u2013 mas soube, depois de bem educar os seus filhos, acolher netos e bisnetos, receber amigos, viver e completar os noventa e seis anos que lhe foram dados pelo Criador, de forma humanit\u00e1ria, cordata, comunicativa, participando, como conselheira, das empresas da fam\u00edlia, sempre acolhedora e vivaz.<br \/>\nQueria ter todos os descendentes sob o luar que argentava a sua lagoa, os amigos reunidos em suas tardes de ora\u00e7\u00e3o e a mesa sempre farta, desde as manh\u00e3s de cada dia. Agora, os que ficaram, ter\u00e3o uma intercessora verdadeira.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 20\/09\/2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Lagoa de Messejana, onde, conta a lenda, Iracema, a virgem ind\u00edgena, amor dorido e mulher de Martins Soares Moreno, o guerreiro branco, era o lugar de descanso das suas m\u00edticas viagens desde a Serra Grande. Seu criador, Jos\u00e9 de Alencar, nascera no S\u00edtio Alagadi\u00e7o Novo, casa de seu pai Jos\u00e9 Martiniano de Alencar, n\u00e3o muito longe da lagoa ovalada. Pois foi nessa licen\u00e7a po\u00e9tica que \u00e9 a lagoa, que D. Maria L\u00facia Rocha Dummar criou o seu ref\u00fagio, em casa simples, mas senhorial, cercada de \u00e1rvores que lhe davam sombra e frutos.<br \/>\nNo fim da d\u00e9cada de cinquenta e come\u00e7o dos sessenta a lagoa, circundando casar\u00f5es e s\u00edtios era, n\u00e3o nas noites de plenil\u00fanio, um breu. As fam\u00edlias circundantes usavam geradores pr\u00f3prios de energia para alumi\u00e1-las.<br \/>\nA amizade de meu, pai, Francisco Bezerra de Oliveira, ent\u00e3o Secret\u00e1rio de Servi\u00e7os Urbanos, com a fam\u00edlia Dummar era antiga e consolidada. Por justi\u00e7a, fez-se luz em toda a regi\u00e3o e, especialmente, na Granja Castelo, mans\u00e3o de muitas varandas de grandes mesas de madeiras maci\u00e7as com toalhas de renda da terra.<br \/>\nA frente leste justafluvial, protegida por \u00e1rvores centen\u00e1rias, flores silvestres e aves canoras, resplandeceu em cores amareladas com o ent\u00e3o fulgor das l\u00e2mpadas fl\u00faor e incandescentes. Dona L\u00facia, a \u00fanica agradecida, recebeu meu pai e Margarida, minha m\u00e3e, e a\u00ed foram a Canind\u00e9 em pagamento de promessas cat\u00f3licas.<br \/>\nDesde ent\u00e3o, sinto-me amigo dessa mulher que esta semana se foi ao \u00c9den, ao C\u00e9u de sua extrema f\u00e9, depois de cumprir vida prof\u00edcua de m\u00e3e exemplar, mulher afeita a rezas com orat\u00f3rio, memorial e gruta pr\u00f3prias, amizades firmes, anfitri\u00e3 com largueza, hospitalidade e benqueren\u00e7a.<br \/>\nSeus filhos, Dem\u00f3crito e Jo\u00e3o, as filhas L\u00facia Maria, L\u00facia Helena, Carmen L\u00facia e Albaniza, herdaram de D. L\u00facia uma canoridade singular. Quando, em missa na noite de quarta, 18 de setembro deste 2013, no vel\u00f3rio de D. L\u00facia, coube a Jo\u00e3o Dummar Filho, no seu of\u00edcio de filho, cantor e poeta, cantar, \u00e0 capela, em ora\u00e7\u00e3o e poetar, para uma nave em sil\u00eancio, relembrando fatos e alegrando-se pela longevidade e benemer\u00eancia de sua m\u00e3e, D. Maria L\u00facia, filha e m\u00e3e de Dem\u00f3critos, ambos jornalistas e Rocha, mas aos filhos acrescentou-se o Dummar, por Jo\u00e3o, o pai de todos, precursor da radiofonia cearense e cidad\u00e3o que deixou hist\u00f3ria por suas vit\u00f3rias e morte prematura.<br \/>\nO poeta latino Hor\u00e1cio dizia algo como: \u201cE assim, raramente, se encontra algu\u00e9m que diga ter vivido\/ como pessoa feliz e, tendo completado o tempo que lhe foi concedido, deixa a vida satisfeito, como um conviva saciado\u201d. D. L\u00facia teve dores \u2013 e muitas \u2013 mas soube, depois de bem educar os seus filhos, acolher netos e bisnetos, receber amigos, viver e completar os noventa e seis anos que lhe foram dados pelo Criador, de forma humanit\u00e1ria, cordata, comunicativa, participando, como conselheira, das empresas da fam\u00edlia, sempre acolhedora e vivaz.<br \/>\nQueria ter todos os descendentes sob o luar que argentava a sua lagoa, os amigos reunidos em suas tardes de ora\u00e7\u00e3o e a mesa sempre farta, desde as manh\u00e3s de cada dia. Agora, os que ficaram, ter\u00e3o uma intercessora verdadeira.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 20\/09\/2013.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2986","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2986","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2986"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2986\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2986"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2986"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2986"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}