{"id":2998,"date":"2023-12-21T09:10:35","date_gmt":"2023-12-21T12:10:35","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/os-homens-azuis-e-o-rosa-das-mulheres-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:35","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:35","slug":"os-homens-azuis-e-o-rosa-das-mulheres-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/os-homens-azuis-e-o-rosa-das-mulheres-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"OS HOMENS AZUIS E O ROSA DAS MULHERES &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA vida \u00e9 trapaceira\/e mata os dias com prazer;\/ a morte galopa\/ e a sua estrada ressoa.\u201d Biagio Marin, poeta italiano, s\u00e9culo XX.<br \/>\nNeste m\u00eas de novembro os homens do Brasil est\u00e3o sendo chamados a fazer exames urol\u00f3gicos. Deveriam fazer todos os tipos de exames. Diz-se que o m\u00eas precisa se tornar azul, como rosa foi o outubro dedicado, n\u00e3o sei qual a raz\u00e3o, apenas ao c\u00e2ncer de mama feminino. As mulheres, tal como alguns poucos homens, podem ter c\u00e2ncer de mama.<br \/>\nAssim, o rosa deveria cobrir todos os tipos de c\u00e2nceres ou cancro, &#8211; como querem os portugueses &#8211; que atingem as mulheres, n\u00e3o apenas as mamas, mas todo o seu corpo, especialmente os fatais, como o do colo de \u00fatero.<br \/>\nAgora, vamos falar dos homens azuis, esses que, por falta de informa\u00e7\u00e3o, neglig\u00eancia, pobreza extrema ou n\u00edvel de conhecimento, deixam que seus corpos sejam tomados pelos cancros, n\u00e3o s\u00f3 os de pr\u00f3stata, mas os de pulm\u00e3o, de reto, intestino e garganta. Entre outros. N\u00e3o bastam os pr\u00e9dios iluminados de rosa ou azul. O que a sa\u00fade p\u00fablica, em todos os n\u00edveis, deveria fazer passa por mais que isso. N\u00e3o h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o end\u00f3gena entre o Sistema Unificado de Sa\u00fade, o SUS, e a maioria dos seus pacientes que acorrem aos postos de sa\u00fade e hospitais. Que vincula\u00e7\u00e3o possui um (a) paciente pobre com m\u00e9dico assoberbado com hor\u00e1rios difusos, plant\u00f5es complementadores de parcos sal\u00e1rios e o estresse que lhe aflige, compassivo que \u00e9?<br \/>\nOs m\u00e9dicos, brasileiros e os que est\u00e3o chegando, n\u00e3o suprem a demanda dos que, por exemplo, constituem os milh\u00f5es a viver das bolsas oferecidas pelo governo. Essas pessoas deveriam ser obrigadas, para receber as tais bolsas, a fazer exames peri\u00f3dicos e assim evitar os custos futuros de cirurgias que poderiam ser evitadas.<br \/>\nEnganam-se, entretanto, os que imaginam que s\u00f3 o \u201coutro\u201d pode ser acometido por doen\u00e7as graves. Os antigos \u201cmales insidiosos\u201d. As doen\u00e7as s\u00e3o compartilhadas entre pobres e ricos, jovens e maduros, independente de pigmenta\u00e7\u00e3o externa seja branca, parda ou negra.<br \/>\nOs planos de sa\u00fade necessitariam, igualmente, obrigar cada benefici\u00e1rio a se submeter a exames que levassem \u00e0 preven\u00e7\u00e3o dos 18 tipos de c\u00e2nceres identificados pelo Instituto Nacional do C\u00e2ncer. A cada novo ano 500 mil pessoas s\u00e3o acometidas e, se n\u00e3o tratadas devidamente, poder\u00e3o chegar a \u00f3bito.<br \/>\nAssim, rosas e azuis, previnam-se, conversem com parentes e amigos, saiam do medo do insond\u00e1vel para examinar o que poder\u00e1 ser cuidado, se identificado em tempo h\u00e1bil. O Brasil deve mudar os discursos ufanistas que se repetem a cada dois anos com promessas para todos os problemas. Deve, pelo menos, repensar as raz\u00f5es dos gastos descomunais com a sa\u00fade, por gest\u00f5es inadequadas, falta de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, preven\u00e7\u00e3o e descaso. A morte deve ser consequ\u00eancia da vida e n\u00e3o fruto do desamparo aos pobres, dentro de velhas ambul\u00e2ncias vindas do interior para as capitais. Eles sequer sabem dizer o que sentem. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08\/11\/2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA vida \u00e9 trapaceira\/e mata os dias com prazer;\/ a morte galopa\/ e a sua estrada ressoa.\u201d Biagio Marin, poeta italiano, s\u00e9culo XX.<br \/>\nNeste m\u00eas de novembro os homens do Brasil est\u00e3o sendo chamados a fazer exames urol\u00f3gicos. Deveriam fazer todos os tipos de exames. Diz-se que o m\u00eas precisa se tornar azul, como rosa foi o outubro dedicado, n\u00e3o sei qual a raz\u00e3o, apenas ao c\u00e2ncer de mama feminino. As mulheres, tal como alguns poucos homens, podem ter c\u00e2ncer de mama.<br \/>\nAssim, o rosa deveria cobrir todos os tipos de c\u00e2nceres ou cancro, &#8211; como querem os portugueses &#8211; que atingem as mulheres, n\u00e3o apenas as mamas, mas todo o seu corpo, especialmente os fatais, como o do colo de \u00fatero.<br \/>\nAgora, vamos falar dos homens azuis, esses que, por falta de informa\u00e7\u00e3o, neglig\u00eancia, pobreza extrema ou n\u00edvel de conhecimento, deixam que seus corpos sejam tomados pelos cancros, n\u00e3o s\u00f3 os de pr\u00f3stata, mas os de pulm\u00e3o, de reto, intestino e garganta. Entre outros. N\u00e3o bastam os pr\u00e9dios iluminados de rosa ou azul. O que a sa\u00fade p\u00fablica, em todos os n\u00edveis, deveria fazer passa por mais que isso. N\u00e3o h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o end\u00f3gena entre o Sistema Unificado de Sa\u00fade, o SUS, e a maioria dos seus pacientes que acorrem aos postos de sa\u00fade e hospitais. Que vincula\u00e7\u00e3o possui um (a) paciente pobre com m\u00e9dico assoberbado com hor\u00e1rios difusos, plant\u00f5es complementadores de parcos sal\u00e1rios e o estresse que lhe aflige, compassivo que \u00e9?<br \/>\nOs m\u00e9dicos, brasileiros e os que est\u00e3o chegando, n\u00e3o suprem a demanda dos que, por exemplo, constituem os milh\u00f5es a viver das bolsas oferecidas pelo governo. Essas pessoas deveriam ser obrigadas, para receber as tais bolsas, a fazer exames peri\u00f3dicos e assim evitar os custos futuros de cirurgias que poderiam ser evitadas.<br \/>\nEnganam-se, entretanto, os que imaginam que s\u00f3 o \u201coutro\u201d pode ser acometido por doen\u00e7as graves. Os antigos \u201cmales insidiosos\u201d. As doen\u00e7as s\u00e3o compartilhadas entre pobres e ricos, jovens e maduros, independente de pigmenta\u00e7\u00e3o externa seja branca, parda ou negra.<br \/>\nOs planos de sa\u00fade necessitariam, igualmente, obrigar cada benefici\u00e1rio a se submeter a exames que levassem \u00e0 preven\u00e7\u00e3o dos 18 tipos de c\u00e2nceres identificados pelo Instituto Nacional do C\u00e2ncer. A cada novo ano 500 mil pessoas s\u00e3o acometidas e, se n\u00e3o tratadas devidamente, poder\u00e3o chegar a \u00f3bito.<br \/>\nAssim, rosas e azuis, previnam-se, conversem com parentes e amigos, saiam do medo do insond\u00e1vel para examinar o que poder\u00e1 ser cuidado, se identificado em tempo h\u00e1bil. O Brasil deve mudar os discursos ufanistas que se repetem a cada dois anos com promessas para todos os problemas. Deve, pelo menos, repensar as raz\u00f5es dos gastos descomunais com a sa\u00fade, por gest\u00f5es inadequadas, falta de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, preven\u00e7\u00e3o e descaso. A morte deve ser consequ\u00eancia da vida e n\u00e3o fruto do desamparo aos pobres, dentro de velhas ambul\u00e2ncias vindas do interior para as capitais. Eles sequer sabem dizer o que sentem. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08\/11\/2013.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2998","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2998\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}