{"id":2999,"date":"2023-12-21T09:10:35","date_gmt":"2023-12-21T12:10:35","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/dona-beatriz-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:35","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:35","slug":"dona-beatriz-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/dona-beatriz-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"DONA BEATRIZ &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>\u201cNenhuma mulher nasce mulher, torna-se\u201d. Simone de Beauvoir (1908-1986), escritora francesa, em \u201cSegundo Sexo\u201d.<br \/>\nEstava ausente nos noventa anos de dona Beatriz Rosita Gentil Philomeno Gomes (foto), no 30 de outubro passado. Fui colega de seu filho Pedro Philomeno Gomes Neto, na Faculdade de Direito da UFC. A prop\u00f3sito, Antenor Barros Leal Filho, nosso coevo, dizia para o Pedrinho, em seu humor: \u201cCom uma m\u00e3e dessa at\u00e9 eu\u201d. Brincadeiras \u00e0 parte, este texto \u00e9 uma forma de dizer um pouco de dona Beatriz, n\u00e3o s\u00f3 a mulher de Francisco Philomeno Gomes, tampouco a m\u00e3e extremada de oito filhos que deram certo, sequer a religiosa de f\u00e9 inquebrant\u00e1vel e nem a elegante que L\u00facio Brasileiro louva, desde sempre.<br \/>\nA dona Beatriz a que me refiro \u00e9 a senhora n\u00e3o s\u00f3 das prendas e valores j\u00e1 referidos, mas a grande companheira de viagens com amigas como Consuelo Dias Branco, Iracema Oliveira e Alzira Ximenes, entre outras.<br \/>\nPor um desses acasos, estava eu em alguns pa\u00edses em que esse grupo flu\u00eda, d\u00e9cadas passadas. Milton Dias, o cronista, amigo querido, agora romancista p\u00f3stumo por conta dos quereres de Paulo Elp\u00eddio de Menezes Neto e Pedro Paulo Montenegro, tamb\u00e9m fazia parte da turma e alegrava a todos, com suas tiradas espirituosas, fumando em demasia, brindando com vinhos e varando noites at\u00e9 que, um dia, a \u00e1gua da limpeza matutina aspergisse sobre n\u00f3s.<br \/>\nE nos vimos em Madri, em festa genetl\u00edaca aos 22 de agosto e, depois, Londres, em hotel de n\u00edvel. Ao chegar no grande lobby, dona Beatriz sentou-se ao piano de cauda e fez os circunstantes tomarem tento de sua presen\u00e7a. E exercitou com a mesma desenvoltura com que trocava de idiomas nos diferentes pa\u00edses europeus. At\u00e9 Roberto Campos, ent\u00e3o embaixador brasileiro na Inglaterra, a convocou para um Ch\u00e1 das Cinco.<br \/>\nNos anos 70 passei a trabalhar em Jacarecanga, pr\u00f3ximo \u00e0 sua casa, e, sempre que podia, parava na F\u00e1brica Philomeno, para trocar ideias com o Sr. Chico Philomeno ou comprar algumas redes especiais. Sempre gostei de conversar com pessoas mais velhas e s\u00e1bias. O sr. Chico era agrad\u00e1vel no trato e atinado em sua simplicidade. Tal como ele sempre usei roupas leves no trabalho, mas n\u00e3o o branco que portava, quase sempre, nas cal\u00e7as e \u201cslacks\u201d.<br \/>\nVoltando \u00e0 dona Beatriz: pe\u00e7o desculpas p\u00fablicas pela n\u00e3o presen\u00e7a. Andava por outros caminhos. Antes de terminar, deixo patente a admira\u00e7\u00e3o pela digna matriarca que soube encanecer sem perder o porte, a f\u00e9, o amor da fam\u00edlia e o respeito not\u00f3rio. Parab\u00e9ns. Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 15\/11\/2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNenhuma mulher nasce mulher, torna-se\u201d. Simone de Beauvoir (1908-1986), escritora francesa, em \u201cSegundo Sexo\u201d.<br \/>\nEstava ausente nos noventa anos de dona Beatriz Rosita Gentil Philomeno Gomes (foto), no 30 de outubro passado. Fui colega de seu filho Pedro Philomeno Gomes Neto, na Faculdade de Direito da UFC. A prop\u00f3sito, Antenor Barros Leal Filho, nosso coevo, dizia para o Pedrinho, em seu humor: \u201cCom uma m\u00e3e dessa at\u00e9 eu\u201d. Brincadeiras \u00e0 parte, este texto \u00e9 uma forma de dizer um pouco de dona Beatriz, n\u00e3o s\u00f3 a mulher de Francisco Philomeno Gomes, tampouco a m\u00e3e extremada de oito filhos que deram certo, sequer a religiosa de f\u00e9 inquebrant\u00e1vel e nem a elegante que L\u00facio Brasileiro louva, desde sempre.<br \/>\nA dona Beatriz a que me refiro \u00e9 a senhora n\u00e3o s\u00f3 das prendas e valores j\u00e1 referidos, mas a grande companheira de viagens com amigas como Consuelo Dias Branco, Iracema Oliveira e Alzira Ximenes, entre outras.<br \/>\nPor um desses acasos, estava eu em alguns pa\u00edses em que esse grupo flu\u00eda, d\u00e9cadas passadas. Milton Dias, o cronista, amigo querido, agora romancista p\u00f3stumo por conta dos quereres de Paulo Elp\u00eddio de Menezes Neto e Pedro Paulo Montenegro, tamb\u00e9m fazia parte da turma e alegrava a todos, com suas tiradas espirituosas, fumando em demasia, brindando com vinhos e varando noites at\u00e9 que, um dia, a \u00e1gua da limpeza matutina aspergisse sobre n\u00f3s.<br \/>\nE nos vimos em Madri, em festa genetl\u00edaca aos 22 de agosto e, depois, Londres, em hotel de n\u00edvel. Ao chegar no grande lobby, dona Beatriz sentou-se ao piano de cauda e fez os circunstantes tomarem tento de sua presen\u00e7a. E exercitou com a mesma desenvoltura com que trocava de idiomas nos diferentes pa\u00edses europeus. At\u00e9 Roberto Campos, ent\u00e3o embaixador brasileiro na Inglaterra, a convocou para um Ch\u00e1 das Cinco.<br \/>\nNos anos 70 passei a trabalhar em Jacarecanga, pr\u00f3ximo \u00e0 sua casa, e, sempre que podia, parava na F\u00e1brica Philomeno, para trocar ideias com o Sr. Chico Philomeno ou comprar algumas redes especiais. Sempre gostei de conversar com pessoas mais velhas e s\u00e1bias. O sr. Chico era agrad\u00e1vel no trato e atinado em sua simplicidade. Tal como ele sempre usei roupas leves no trabalho, mas n\u00e3o o branco que portava, quase sempre, nas cal\u00e7as e \u201cslacks\u201d.<br \/>\nVoltando \u00e0 dona Beatriz: pe\u00e7o desculpas p\u00fablicas pela n\u00e3o presen\u00e7a. Andava por outros caminhos. Antes de terminar, deixo patente a admira\u00e7\u00e3o pela digna matriarca que soube encanecer sem perder o porte, a f\u00e9, o amor da fam\u00edlia e o respeito not\u00f3rio. Parab\u00e9ns. Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 15\/11\/2013<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2999","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2999","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2999"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2999\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2999"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2999"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2999"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}