{"id":3006,"date":"2023-12-21T09:10:35","date_gmt":"2023-12-21T12:10:35","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-estado-77-anos-de-combate-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:35","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:35","slug":"o-estado-77-anos-de-combate-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-estado-77-anos-de-combate-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"O ESTADO, 77 ANOS DE COMBATE &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Imprensa \u00e9 liberdade. O resto \u00e9 armaz\u00e9m de secos e molhados\u201d. Parafraseando Mill\u00f4r Fernandes.<br \/>\nQuando o advogado Jos\u00e9 Martins Rodrigues e, o seu irm\u00e3o, o banqueiro J\u00falio Rodrigues fundaram o jornal O Estado, em Fortaleza, Cear\u00e1, no dia 24 de setembro do ano de 1936, o Brasil caminhava a passos d\u00fabios que desembocariam, no ano seguinte, no Estado Novo, com a emerg\u00eancia de Get\u00falio Vargas como o detentor absoluto do poder que se fez discricion\u00e1rio e voraz. S\u00f3 em 1946 voltaria a ser uma democracia, com a elei\u00e7\u00e3o de Eurico Gaspar Dutra. Nesses 10 anos iniciais, O Estado foi um aliado do governo, merc\u00ea da assun\u00e7\u00e3o de Francisco Menezes Pimentel, aliado de Martins Rodrigues, como Interventor.<br \/>\nRestabelecida a Democracia, O Estado retomou suas frentes de luta e incorporou o ideal libert\u00e1rio que surgiria, efetivamente com Wenelouis Xavier Pereira. Como este relato segue uma linha hist\u00f3rica, o fa\u00e7o com a leitura da Cronologia de Fortaleza, volume II, escrito em 2001 por Miguel \u00c2ngelo de Azevedo=Nirez. Ajudou-me tamb\u00e9m uma rica conversa com o brilhante Professor Roberto Martins Rodrigues, filho do fundador Jos\u00e9 Martins Rodrigues. Este viria a se tornar um dos maiores pol\u00edticos brasileiros, chegando a ser Ministro da Justi\u00e7a.<br \/>\nAssim, vieram depois novos donos. Alfeu Faria de Aboim e Walter de S\u00e1 Cavalcante,em 1942; Ant\u00f4nio Gentil, o controla, em 1945; depois Cl\u00e1udio e Fran Martins, comandam os anos 50; e S\u00e9rgio Philomeno at\u00e9 1964. Em 1965, repito, imp\u00f5e-se a figura destemida do advogado Wenelouis Xavier Pereira, que se tornou o timoneiro da fase clarificada e independente, sem partidarismo pol\u00edtico ou a defesa dos grupos empresariais que o mantiveram at\u00e9 ent\u00e3o, com diversas linhas editoriais.<br \/>\nA dolorosa e dif\u00edcil independ\u00eancia perdura at\u00e9 hoje com o seu herdeiro e seguidor Ricardo Palhano, acolitado por seus irm\u00e3os e aben\u00e7oado por sua m\u00e3e, a Procuradora Wanda Palhano. Estamos em 2013, mas n\u00e3o podemos esquecer os muitos jornalistas e colaboradores que ilustraram as p\u00e1ginas de O Estado nestes 77 anos. A todos, mesmo os n\u00e3o nomeados, homenageio. Come\u00e7o com os do fim da d\u00e9cada de pessoa de Joaquim Alves, editor da coluna \u201cEduca\u00e7\u00e3o e Ensino\u201d; os dos anos 40 com Silvia Porto, que escrevia sobre Literatura e Artes. A vanguardista edi\u00e7\u00e3o dominical bicolor com \u00eanfase \u201cNo Jornal dos Nossos Filhos\u201d, destacando o pioneirismo da funda\u00e7\u00e3o da Cidade da Crian\u00e7a pela professora Zilda Martins Rodrigues. Os dos anos 50, com Afr\u00e2nio Coutinho em \u201cCorrentes e Cruzadas\u201d; Dinah Silveira de Queiroz com \u201cFilosofia Pr\u00e1tica\u201d e Roberto Martins Rodrigues, que passa a escrever, qui\u00e7\u00e1, a primeira coluna pol\u00edtica do Cear\u00e1.<br \/>\nA\u00ed chegamos aos anos sessenta, e para dizer que n\u00e3o falarei em armas e drag\u00f5es, identifico as cr\u00edticas e observa\u00e7\u00f5es do cin\u00e9filo Francisco (Chico) Sampaio, ilustre professor e fundador do col\u00e9gio Geo, com m\u00e9todos que come\u00e7aram a mudar o perfil das demais escolas privadas do Cear\u00e1. Luciano Di\u00f3genes, ap\u00f3s o fechamento dos Di\u00e1rios Associados no Cear\u00e1, passou a escrever no O Estado, tal como a novel jornalista, oriunda do curso de Comunica\u00e7\u00e3o da UFC, Regina Meyer Marshall, que fincou as bases de sua atua\u00e7\u00e3o destacada como colunista, fruto espont\u00e2neo de sua viv\u00eancia social, mas com acuidade e capacidade cr\u00edtica. Cl\u00e9a Petrelli vem dar um charme diferente \u00e0s coisas mundanas, \u00e0s viagens e \u00e0 pol\u00edtica.<br \/>\nNos anos 80, Wanda Palhano inova com a cria\u00e7\u00e3o de \u201cA Semana\u201d, folhetim diferenciado. De 90 para c\u00e1 quase todos s\u00e3o parceiros da contemporaneidade. Agora, neste dezembro de 2013, depois da homenagem recebida pela Assembleia Legislativa do Cear\u00e1 ao jornal independente que \u00e9 O Estado, cumpre real\u00e7ar os que aqui mourejam de segunda \u00e0 sexta nas pessoas dos jornalistas Mac\u00e1rio de Brito, o mais atilado e \u201cglobe-trotter\u201d dos jornalistas da terra; Fernando Maia, um dos mais antigos e bem informados colunistas pol\u00edticos; Fl\u00e1vio Torres, com a sua alegria contida e candura natural; Antonio Viana, veterano radialista\/jornalista com enfoque na pol\u00edtica do interior; Rubem Frota, publicit\u00e1rio e jornalista, com informa\u00e7\u00f5es s\u00f3cio- econ\u00f4micas; Natal\u00edcio Barroso, intelectual e um dos mais cultos na an\u00e1lise da arte e da cultura; Solange Palhano com o seu jeito coloquial, pessoal e direto de falar de dores, amores, viagens e fam\u00edlia. Isto sem contar os colaboradores nacionais como Sebasti\u00e3o Nery, Cl\u00e1udio Humberto e Carlos Chagas.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 como lembrar todos, mas a mostra \u00e9 significativa, sem deslembrar que jornal \u00e9 como um filme. A diferen\u00e7a \u00e9 que nunca acaba. Mas, tal como em todos os filmes, nos jornais h\u00e1 o Expediente, os cr\u00e9ditos para os que o produzem, dirigem e atuam. Em letras pequenas, ele mostra o equil\u00edbrio da presid\u00eancia ou produ\u00e7\u00e3o, de Wanda Palhano; da superintend\u00eancia ou dire\u00e7\u00e3o geral cuidadosa de Ricardo Palhano, com a ajuda irmanada de Soraya(financeira), Solange(institucional) e Rebeca(marketing).<br \/>\nTudo isso sendo tocado na reda\u00e7\u00e3o por Carlos Alberto Alencar (editoria geral), Daniel Nogueira (editor) Marcelo Cabral (economia), Nonato Almeida e Felipe Muniz(reportagem), Thatiany Nascimento(cotidiano) e J.J\u00fanior(diagrama\u00e7\u00e3o).<br \/>\nO Estado \u00e9 tudo o que foi dito, mas o \u00e9 por conta especial dos seus leitores e anunciantes que acompanham a sua trajet\u00f3ria e sabem que nestes 77 anos muitos jornais cearenses deixaram de existir. Ele est\u00e1 firme e tem ci\u00eancia de que a independ\u00eancia custa caro, mas vale a pena.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 13\/12\/2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imprensa \u00e9 liberdade. O resto \u00e9 armaz\u00e9m de secos e molhados\u201d. Parafraseando Mill\u00f4r Fernandes.<br \/>\nQuando o advogado Jos\u00e9 Martins Rodrigues e, o seu irm\u00e3o, o banqueiro J\u00falio Rodrigues fundaram o jornal O Estado, em Fortaleza, Cear\u00e1, no dia 24 de setembro do ano de 1936, o Brasil caminhava a passos d\u00fabios que desembocariam, no ano seguinte, no Estado Novo, com a emerg\u00eancia de Get\u00falio Vargas como o detentor absoluto do poder que se fez discricion\u00e1rio e voraz. S\u00f3 em 1946 voltaria a ser uma democracia, com a elei\u00e7\u00e3o de Eurico Gaspar Dutra. Nesses 10 anos iniciais, O Estado foi um aliado do governo, merc\u00ea da assun\u00e7\u00e3o de Francisco Menezes Pimentel, aliado de Martins Rodrigues, como Interventor.<br \/>\nRestabelecida a Democracia, O Estado retomou suas frentes de luta e incorporou o ideal libert\u00e1rio que surgiria, efetivamente com Wenelouis Xavier Pereira. Como este relato segue uma linha hist\u00f3rica, o fa\u00e7o com a leitura da Cronologia de Fortaleza, volume II, escrito em 2001 por Miguel \u00c2ngelo de Azevedo=Nirez. Ajudou-me tamb\u00e9m uma rica conversa com o brilhante Professor Roberto Martins Rodrigues, filho do fundador Jos\u00e9 Martins Rodrigues. Este viria a se tornar um dos maiores pol\u00edticos brasileiros, chegando a ser Ministro da Justi\u00e7a.<br \/>\nAssim, vieram depois novos donos. Alfeu Faria de Aboim e Walter de S\u00e1 Cavalcante,em 1942; Ant\u00f4nio Gentil, o controla, em 1945; depois Cl\u00e1udio e Fran Martins, comandam os anos 50; e S\u00e9rgio Philomeno at\u00e9 1964. Em 1965, repito, imp\u00f5e-se a figura destemida do advogado Wenelouis Xavier Pereira, que se tornou o timoneiro da fase clarificada e independente, sem partidarismo pol\u00edtico ou a defesa dos grupos empresariais que o mantiveram at\u00e9 ent\u00e3o, com diversas linhas editoriais.<br \/>\nA dolorosa e dif\u00edcil independ\u00eancia perdura at\u00e9 hoje com o seu herdeiro e seguidor Ricardo Palhano, acolitado por seus irm\u00e3os e aben\u00e7oado por sua m\u00e3e, a Procuradora Wanda Palhano. Estamos em 2013, mas n\u00e3o podemos esquecer os muitos jornalistas e colaboradores que ilustraram as p\u00e1ginas de O Estado nestes 77 anos. A todos, mesmo os n\u00e3o nomeados, homenageio. Come\u00e7o com os do fim da d\u00e9cada de pessoa de Joaquim Alves, editor da coluna \u201cEduca\u00e7\u00e3o e Ensino\u201d; os dos anos 40 com Silvia Porto, que escrevia sobre Literatura e Artes. A vanguardista edi\u00e7\u00e3o dominical bicolor com \u00eanfase \u201cNo Jornal dos Nossos Filhos\u201d, destacando o pioneirismo da funda\u00e7\u00e3o da Cidade da Crian\u00e7a pela professora Zilda Martins Rodrigues. Os dos anos 50, com Afr\u00e2nio Coutinho em \u201cCorrentes e Cruzadas\u201d; Dinah Silveira de Queiroz com \u201cFilosofia Pr\u00e1tica\u201d e Roberto Martins Rodrigues, que passa a escrever, qui\u00e7\u00e1, a primeira coluna pol\u00edtica do Cear\u00e1.<br \/>\nA\u00ed chegamos aos anos sessenta, e para dizer que n\u00e3o falarei em armas e drag\u00f5es, identifico as cr\u00edticas e observa\u00e7\u00f5es do cin\u00e9filo Francisco (Chico) Sampaio, ilustre professor e fundador do col\u00e9gio Geo, com m\u00e9todos que come\u00e7aram a mudar o perfil das demais escolas privadas do Cear\u00e1. Luciano Di\u00f3genes, ap\u00f3s o fechamento dos Di\u00e1rios Associados no Cear\u00e1, passou a escrever no O Estado, tal como a novel jornalista, oriunda do curso de Comunica\u00e7\u00e3o da UFC, Regina Meyer Marshall, que fincou as bases de sua atua\u00e7\u00e3o destacada como colunista, fruto espont\u00e2neo de sua viv\u00eancia social, mas com acuidade e capacidade cr\u00edtica. Cl\u00e9a Petrelli vem dar um charme diferente \u00e0s coisas mundanas, \u00e0s viagens e \u00e0 pol\u00edtica.<br \/>\nNos anos 80, Wanda Palhano inova com a cria\u00e7\u00e3o de \u201cA Semana\u201d, folhetim diferenciado. De 90 para c\u00e1 quase todos s\u00e3o parceiros da contemporaneidade. Agora, neste dezembro de 2013, depois da homenagem recebida pela Assembleia Legislativa do Cear\u00e1 ao jornal independente que \u00e9 O Estado, cumpre real\u00e7ar os que aqui mourejam de segunda \u00e0 sexta nas pessoas dos jornalistas Mac\u00e1rio de Brito, o mais atilado e \u201cglobe-trotter\u201d dos jornalistas da terra; Fernando Maia, um dos mais antigos e bem informados colunistas pol\u00edticos; Fl\u00e1vio Torres, com a sua alegria contida e candura natural; Antonio Viana, veterano radialista\/jornalista com enfoque na pol\u00edtica do interior; Rubem Frota, publicit\u00e1rio e jornalista, com informa\u00e7\u00f5es s\u00f3cio- econ\u00f4micas; Natal\u00edcio Barroso, intelectual e um dos mais cultos na an\u00e1lise da arte e da cultura; Solange Palhano com o seu jeito coloquial, pessoal e direto de falar de dores, amores, viagens e fam\u00edlia. Isto sem contar os colaboradores nacionais como Sebasti\u00e3o Nery, Cl\u00e1udio Humberto e Carlos Chagas.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 como lembrar todos, mas a mostra \u00e9 significativa, sem deslembrar que jornal \u00e9 como um filme. A diferen\u00e7a \u00e9 que nunca acaba. Mas, tal como em todos os filmes, nos jornais h\u00e1 o Expediente, os cr\u00e9ditos para os que o produzem, dirigem e atuam. Em letras pequenas, ele mostra o equil\u00edbrio da presid\u00eancia ou produ\u00e7\u00e3o, de Wanda Palhano; da superintend\u00eancia ou dire\u00e7\u00e3o geral cuidadosa de Ricardo Palhano, com a ajuda irmanada de Soraya(financeira), Solange(institucional) e Rebeca(marketing).<br \/>\nTudo isso sendo tocado na reda\u00e7\u00e3o por Carlos Alberto Alencar (editoria geral), Daniel Nogueira (editor) Marcelo Cabral (economia), Nonato Almeida e Felipe Muniz(reportagem), Thatiany Nascimento(cotidiano) e J.J\u00fanior(diagrama\u00e7\u00e3o).<br \/>\nO Estado \u00e9 tudo o que foi dito, mas o \u00e9 por conta especial dos seus leitores e anunciantes que acompanham a sua trajet\u00f3ria e sabem que nestes 77 anos muitos jornais cearenses deixaram de existir. 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