{"id":3014,"date":"2023-12-21T09:10:35","date_gmt":"2023-12-21T12:10:35","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/gonzaga-motaao-vento-que-fica-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:35","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:35","slug":"gonzaga-motaao-vento-que-fica-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/gonzaga-motaao-vento-que-fica-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"GONZAGA MOTA:AO VENTO QUE FICA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Luiz Gonzaga Fonseca Mota era economista, t\u00e9cnico em desenvolvimento econ\u00f4mico da ent\u00e3o quase universidade &#8211; que foi o Banco do Nordeste &#8211; e Professor da UFC, quando convidado para ser Secret\u00e1rio de Planejamento do Estado. Depois, como do conhecimento dos que lidam com a hist\u00f3ria contempor\u00e2nea, em elei\u00e7\u00e3o direta, tornou-se Governador do o Cear\u00e1. Em sequ\u00eancia, por tr\u00eas mandatos, foi Deputado Federal. N\u00e3o \u00e9 sobre o pol\u00edtico Gonzaga Mota que vamos arrazoar. Esse mister precisa de distanciamento cr\u00edtico e tempo, o que ainda n\u00e3o aconteceu.<br \/>\nO que tenho \u00e0s m\u00e3os \u00e9 um novo livro de Gonzaga Mota, \u201cAo Vento: Poemas\u201d. Finalizado em branco e preto, com arguto pref\u00e1cio do intelectual e jornalista Cid Sab\u00f3ia de Carvalho e capa de Herm\u00ednio Castelo Branco, o Mino. Relembro que Gonzaga, Mino e eu, fomos contempor\u00e2neos, amigos das antigas, nascidos nos tempos em que Vargas mandava no Brasil enquanto uma guerra mundial &#8211; onde milh\u00f5es de pessoas foram mortas pela ins\u00e2nia coletiva \u2013 findava e dividia a Terra em sistema de ideias. O que era mal para uns, era Bem para outros. E vice-versa.<br \/>\nHoje, 2012, Vargas \u00e9 mem\u00f3ria long\u00ednqua, o mundo est\u00e1 sem eixo, o economista-t\u00e9cnico, o professor-planejador, o aluno bem olhado na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o por Mario Henrique Simonsen, o jovem pol\u00edtico de sucesso festejado pelos \u00e1ulicos que sempre circundam os poderes, quaisquer que sejam eles, se v\u00ea, maduro e longe da ast\u00facia devastadora. Tem escaras subjetivas \u2013 e inertes &#8211; causadas pelos que o incensavam com afagos e tapinhas \u00e0s costas, ditas amigas. Preenchido de f\u00e9, cercado de estreita e verdadeira benqueren\u00e7a familiar, desde a mulher amada, filhos e netos, veste as sand\u00e1lias dos simples escribas de prov\u00edncia e deixa o cora\u00e7\u00e3o transbordar de sentimentos, seja em prosa e, agora, em versos.<br \/>\nEm \u201cAo Vento\u201d o leitor cuidadoso viajar\u00e1 na face madura\/crian\u00e7a do homem que se v\u00ea poeta estreante e n\u00e3o tem receio de falar do que o move e o mundo. Na auto-apresenta\u00e7\u00e3o, ele escreve: \u201cAcredito ser o fil\u00f3sofo e o poeta figuras bastante parecidas, pois ambos procuram entender as inquieta\u00e7\u00f5es da vida\u201d. E enumera quais s\u00e3o elas: a religi\u00e3o e a ci\u00eancia; o ser e o n\u00e3o ser; a gratid\u00e3o e a ingratid\u00e3o; a esperan\u00e7a e a desesperan\u00e7a; o certo e o errado; o amor e o \u00f3dio; o bem e o mal; a alegria e a tristeza; o eterno e o ef\u00eamero; o come\u00e7o e o fim.<br \/>\nE \u201cAo Vento\u201d se desfolhar\u00e1, p\u00e1gina por p\u00e1gina, aos seus leitores e, especialmente, aqueles entes queridos do autor, os que, afinal, valem a pena e permanecem nos transbordos das esta\u00e7\u00f5es da vida. Hoje, o menino de classe m\u00e9dia, bem educado por fam\u00edlia ciosa de que s\u00f3 a educa\u00e7\u00e3o, os princ\u00edpios e o conhecimento constroem, remexe na sua cornuc\u00f3pia de lembran\u00e7as e, em met\u00e1foras, separa o essencial do oba-oba que pulula, como doidivanas, no circuito do poder. E reflete: \u201cLevar a vida t\u00e3o a s\u00e9rio\/\u00e0s vezes, tenho d\u00favidas\/Talvez sejam instantes de melancolia\/ motivados por desilus\u00f5es do dia-a-dia\u201d. Na contracapa do seu livro, Gonzaga cita Fernando Pessoa (Sopra o Vento): \u201c&#8230; Dos ramos que ali ca\u00edram\/Sei que s\u00f3 h\u00e1 m\u00e1goas e dores\/Destinadas a n\u00e3o ser\/Mais que um desfolhar de flores\u201d.<br \/>\nAo Vento, n\u00e3o. \u00c0 Vida. E longa.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\n(Publicado no Jornal O Estado, 13 de janeiro de 2012, www.joaosoaresneto.com.br e www.amigosdolivro.com.br)<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 13\/01\/2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Gonzaga Fonseca Mota era economista, t\u00e9cnico em desenvolvimento econ\u00f4mico da ent\u00e3o quase universidade &#8211; que foi o Banco do Nordeste &#8211; e Professor da UFC, quando convidado para ser Secret\u00e1rio de Planejamento do Estado. Depois, como do conhecimento dos que lidam com a hist\u00f3ria contempor\u00e2nea, em elei\u00e7\u00e3o direta, tornou-se Governador do o Cear\u00e1. Em sequ\u00eancia, por tr\u00eas mandatos, foi Deputado Federal. N\u00e3o \u00e9 sobre o pol\u00edtico Gonzaga Mota que vamos arrazoar. Esse mister precisa de distanciamento cr\u00edtico e tempo, o que ainda n\u00e3o aconteceu.<br \/>\nO que tenho \u00e0s m\u00e3os \u00e9 um novo livro de Gonzaga Mota, \u201cAo Vento: Poemas\u201d. Finalizado em branco e preto, com arguto pref\u00e1cio do intelectual e jornalista Cid Sab\u00f3ia de Carvalho e capa de Herm\u00ednio Castelo Branco, o Mino. Relembro que Gonzaga, Mino e eu, fomos contempor\u00e2neos, amigos das antigas, nascidos nos tempos em que Vargas mandava no Brasil enquanto uma guerra mundial &#8211; onde milh\u00f5es de pessoas foram mortas pela ins\u00e2nia coletiva \u2013 findava e dividia a Terra em sistema de ideias. O que era mal para uns, era Bem para outros. E vice-versa.<br \/>\nHoje, 2012, Vargas \u00e9 mem\u00f3ria long\u00ednqua, o mundo est\u00e1 sem eixo, o economista-t\u00e9cnico, o professor-planejador, o aluno bem olhado na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o por Mario Henrique Simonsen, o jovem pol\u00edtico de sucesso festejado pelos \u00e1ulicos que sempre circundam os poderes, quaisquer que sejam eles, se v\u00ea, maduro e longe da ast\u00facia devastadora. Tem escaras subjetivas \u2013 e inertes &#8211; causadas pelos que o incensavam com afagos e tapinhas \u00e0s costas, ditas amigas. Preenchido de f\u00e9, cercado de estreita e verdadeira benqueren\u00e7a familiar, desde a mulher amada, filhos e netos, veste as sand\u00e1lias dos simples escribas de prov\u00edncia e deixa o cora\u00e7\u00e3o transbordar de sentimentos, seja em prosa e, agora, em versos.<br \/>\nEm \u201cAo Vento\u201d o leitor cuidadoso viajar\u00e1 na face madura\/crian\u00e7a do homem que se v\u00ea poeta estreante e n\u00e3o tem receio de falar do que o move e o mundo. Na auto-apresenta\u00e7\u00e3o, ele escreve: \u201cAcredito ser o fil\u00f3sofo e o poeta figuras bastante parecidas, pois ambos procuram entender as inquieta\u00e7\u00f5es da vida\u201d. E enumera quais s\u00e3o elas: a religi\u00e3o e a ci\u00eancia; o ser e o n\u00e3o ser; a gratid\u00e3o e a ingratid\u00e3o; a esperan\u00e7a e a desesperan\u00e7a; o certo e o errado; o amor e o \u00f3dio; o bem e o mal; a alegria e a tristeza; o eterno e o ef\u00eamero; o come\u00e7o e o fim.<br \/>\nE \u201cAo Vento\u201d se desfolhar\u00e1, p\u00e1gina por p\u00e1gina, aos seus leitores e, especialmente, aqueles entes queridos do autor, os que, afinal, valem a pena e permanecem nos transbordos das esta\u00e7\u00f5es da vida. Hoje, o menino de classe m\u00e9dia, bem educado por fam\u00edlia ciosa de que s\u00f3 a educa\u00e7\u00e3o, os princ\u00edpios e o conhecimento constroem, remexe na sua cornuc\u00f3pia de lembran\u00e7as e, em met\u00e1foras, separa o essencial do oba-oba que pulula, como doidivanas, no circuito do poder. 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E longa.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\n(Publicado no Jornal O Estado, 13 de janeiro de 2012, www.joaosoaresneto.com.br e www.amigosdolivro.com.br)<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 13\/01\/2012.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3014","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3014"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3014\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}