{"id":3018,"date":"2023-12-21T09:10:35","date_gmt":"2023-12-21T12:10:35","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/artigo-ou-cronica-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:35","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:35","slug":"artigo-ou-cronica-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/artigo-ou-cronica-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"ARTIGO OU CR\u00d4NICA? &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Muito se discute sobre a diferen\u00e7a entre artigo e cr\u00f4nica. Poderia falar, sem pretens\u00f5es, que o artigo \u00e9 mais sisudo, n\u00e3o comporta digress\u00f5es e tem o objetivo de expressar a opini\u00e3o do seu autor, seja jornalista ou n\u00e3o. Ou ter uma destina\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ou acad\u00eamica quando escrito por cientistas ou acad\u00eamicos e veiculado em peri\u00f3dicos de universidades ou academias. A cr\u00f4nica \u00e9 algo mais sutil. Mesmo quando escrita em jornal. \u00c9 bom lembrar que Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Moreira Campos e Rachel de Queiroz, para ficar nos que n\u00e3o est\u00e3o mais conosco, escreveram em jornais e sabiam da efemeridade e do dif\u00edcil que \u00e9 escrever para um p\u00fablico que deseja, de princ\u00edpio, apenas saber not\u00edcias do dia. A cr\u00f4nica, como se v\u00ea, \u00e9 lida de quebra, n\u00e3o \u00e9 o principal produto das p\u00e1ginas impressas de um jornal. Como esta que estou escrevendo que est\u00e1 em um suplemento social, repleto de boas fotos, do jornal O Estado.<br \/>\nLi agora, neste janeiro de 2012, o jornal \u2013 ou seria um encarte? &#8211; \u201cPernambuco\u201d, suplemento da revista \u201cContinente\u201d que mostra uma bela entrevista feita por Schneider Carpeggianni com o romancista e cronista mineiro Ivan \u00c2ngelo. A entrevista \u00e9 sobre cr\u00f4nica, mas se indaga, de principio, qual a raz\u00e3o dele, autor premiado e festejado ter deixado, de lado, os romances. Ivan, penso eu, acredita que os romances de hoje, especialmente os best sellers, s\u00e3o feitos sem o grau de exig\u00eancia necess\u00e1rio. De minha parte, concordo. Dou um exemplo: ganhei de presente um desses romances que passou meses como um dos mais vendidos no Brasil. Tentei ler o dito cujo. N\u00e3o consegui. Voltei a encarar e acabei desistindo. Pode ser preconceito meu ou sei l\u00e1 o que, mas \u201cA Cabana\u201d n\u00e3o fez jus \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es dadas pelo livreiro que o vendeu a quem me presenteou, com boas inten\u00e7\u00f5es.<br \/>\nVoltemos, ent\u00e3o, \u00e0 cr\u00f4nica. Ivan diz como produz uma cr\u00f4nica: \u201cEu trabalho a cr\u00f4nica com bastante abertura. N\u00e3o \u00e9 o assunto ou a quantidade de realidade que ponho nela que a torna uma cr\u00f4nica.\u201d E continua: \u201cCr\u00f4nica n\u00e3o \u00e9 um formato, como o soneto, um dos formatos do poema. Algumas das minhas cr\u00f4nicas, ou algumas cr\u00f4nicas, de um modo geral, s\u00e3o disserta\u00e7\u00f5es, outras s\u00e3o poema em prosa, outras s\u00e3o pequenos contos, fic\u00e7\u00f5es, outras s\u00e3o evoca\u00e7\u00f5es, mem\u00f3rias, reflex\u00f5es, recortes do cotidiano\u201d.<br \/>\nE explica como seleciona cr\u00f4nicas escritas em jornal que, depois, resolve enfeixar em livro. Diz ele: \u201cmeu editor e eu procuramos montar a sele\u00e7\u00e3o de cr\u00f4nicas que comp\u00f5em o livro \u2018Certos Homens\u2019 usando o crit\u00e9rio da proximidade de assunto que um texto poderia ter com outro.\u201d<br \/>\nAo final, Ivan Angelo recomenda duas cr\u00f4nicas. An\u00fancio de Jo\u00e3o Alves, de Carlos Drummond de Andrade, e Partilha, de Rubem Braga. Valem a pena. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 27\/01\/2012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito se discute sobre a diferen\u00e7a entre artigo e cr\u00f4nica. Poderia falar, sem pretens\u00f5es, que o artigo \u00e9 mais sisudo, n\u00e3o comporta digress\u00f5es e tem o objetivo de expressar a opini\u00e3o do seu autor, seja jornalista ou n\u00e3o. Ou ter uma destina\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ou acad\u00eamica quando escrito por cientistas ou acad\u00eamicos e veiculado em peri\u00f3dicos de universidades ou academias. A cr\u00f4nica \u00e9 algo mais sutil. Mesmo quando escrita em jornal. \u00c9 bom lembrar que Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Moreira Campos e Rachel de Queiroz, para ficar nos que n\u00e3o est\u00e3o mais conosco, escreveram em jornais e sabiam da efemeridade e do dif\u00edcil que \u00e9 escrever para um p\u00fablico que deseja, de princ\u00edpio, apenas saber not\u00edcias do dia. A cr\u00f4nica, como se v\u00ea, \u00e9 lida de quebra, n\u00e3o \u00e9 o principal produto das p\u00e1ginas impressas de um jornal. Como esta que estou escrevendo que est\u00e1 em um suplemento social, repleto de boas fotos, do jornal O Estado.<br \/>\nLi agora, neste janeiro de 2012, o jornal \u2013 ou seria um encarte? &#8211; \u201cPernambuco\u201d, suplemento da revista \u201cContinente\u201d que mostra uma bela entrevista feita por Schneider Carpeggianni com o romancista e cronista mineiro Ivan \u00c2ngelo. 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