{"id":3024,"date":"2023-12-21T09:10:35","date_gmt":"2023-12-21T12:10:35","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-leitura-o-livro-e-a-internet-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:35","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:35","slug":"a-leitura-o-livro-e-a-internet-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/a-leitura-o-livro-e-a-internet-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"A LEITURA, O LIVRO E A INTERNET &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>O caderno \u201cIlustr\u00edssima\u201d da Folha, de 05 de fevereiro de 2012, cont\u00e9m o ensaio\/cr\u00edtica \u201cO Erro de Machado\u201d, do renomado Paulo Roberto Pires, cr\u00edtico liter\u00e1rio, professor da UFRJ, debatedor e autor de antologias, acerca das previs\u00f5es do jovem &#8211; e futuro grande escritor &#8211; Machado de Assis sobre o fim do livro. Acreditava Machado, em seu \u201cO jornal e o Livro\u201d, de 1859, escrito quando tinha apenas 19 anos, que o livro iria acabar. Empolgado estava com a sua profiss\u00e3o de revisor &#8211; conseguida com a ajuda de Manuel Ant\u00f4nio de Almeida &#8211; no jornal Correio Mercantil. Nesse mesmo jornal, desde 1854, o advogado, escritor e pol\u00edtico consagrado Jos\u00e9 de Alencar tinha a coluna \u201cAo Correr da Pena\u201d, enquanto Manuel Ant\u00f4nio de Almeida, m\u00e9dico e jornalista, era o respons\u00e1vel pelo suplemento \u201cA Pacotilha\u201d, onde escreveu, sob a forma de folhetim e, anonimamente, o livro \u201cMem\u00f3rias de um Sargento de Mil\u00edcias\u201d.<br \/>\nEm uma parte do seu pol\u00eamico primeiro livro, Machado diz: \u201cO jornal apareceu, trazendo em si o g\u00e9rmen de uma revolu\u00e7\u00e3o. Essa revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 liter\u00e1ria, \u00e9 tamb\u00e9m social, \u00e9 econ\u00f4mica, porque \u00e9 um movimento da humanidade abalando todas as suas emin\u00eancias, a rea\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito humano sobre as f\u00f3rmulas existentes do mundo econ\u00f4mico e do mundo social\u201d. Machado imaginava que o livro iria perder a raz\u00e3o de existir: \u201cO jornal, abalando o globo, fazendo uma revolu\u00e7\u00e3o na ordem social, tem ainda a vantagem de dar uma posi\u00e7\u00e3o ao homem de letras: Trabalha! Vive pela ideia e cumpre as leis da cria\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nDiz Paulo Roberto Pires: \u201cEivado de precipita\u00e7\u00e3o, o jovem Machado agarrava-se a certezas &#8211; moeda rara em sua obra futura. Naquele momento, por\u00e9m, cumpria o que em alguma medida se espera de um intelectual em forma\u00e7\u00e3o: curiosidade, desejo de interven\u00e7\u00e3o e o direito, inalien\u00e1vel, ao equ\u00edvoco.\u201d<br \/>\nAgora, neste emergente s\u00e9culo XXI, se prega, novamente, o fim do livro. Eu, por exemplo, ganhei de presente um I-Pad, esse instrumento port\u00e1til e gracioso inventado pela Microsoft na \u00faltima contribui\u00e7\u00e3o de Steve Jobs \u00e0 cibern\u00e9tica ou inform\u00e1tica. Matada a empolga\u00e7\u00e3o e a curiosidade, o meu i-Pad ou tablet(t\u00e1bua) se queda restrito, pois n\u00e3o vejo com prazer uma das suas fun\u00e7\u00f5es, a de nos fazer ler livros n\u00e3o impressos. Quanta pretens\u00e3o, essa que vem desde o fim do s\u00e9culo passado.<br \/>\nPara quem gosta de ler, os que t\u00eam na cabeceira de sua cama uma luz de vigia com foco, uma rede ou uma velha cadeira, nada se compara ao prazer de comprar o livro, ler, virar a p\u00e1gina e marcar trechos, com os quais concorda, discorda ou desconfia. O leitor verdadeiro pode at\u00e9 usar o I-Pad e que tais como instrumentos particulares de consulta dos novos dicion\u00e1rio\/enciclop\u00e9dia\/conversa\u00e7\u00e3o do mundo atual, o \u201cGoogle\u201d e o \u201cFacebook\u201d e outros, mas n\u00e3o h\u00e1 porque decretar o fim do livro como erroneamente pensou Machado de Assis, tal como se imaginava e dizia do fim do jornal quando da cria\u00e7\u00e3o do r\u00e1dio e do r\u00e1dio quando da profus\u00e3o da televis\u00e3o. Depois, surgem o computador e, recentemente, essas m\u00faltiplas m\u00eddias que a gera\u00e7\u00e3o Y, aquela nascida ap\u00f3s 1979, teve \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o desde sempre.<br \/>\nOs jornais sofreram, mas reinventaram-se, fragmentaram-se em cadernos tem\u00e1ticos para os seus v\u00e1rios p\u00fablicos, postaram suas edi\u00e7\u00f5es na Internet e criaram links com todas as m\u00eddias. Os livros impressos, de capa dura ou meras brochuras, feitos por grandes editoras ou editados por seus pr\u00f3prios autores, convivem bem com todos esses equipamentos, \u201cgadgets\u201d, inven\u00e7\u00f5es e cong\u00eaneres. \u00c9 bom n\u00e3o esquecer a pergunta \u2013 ainda atual &#8211; feita por Shakespeare, no s\u00e9culo XVI, atrav\u00e9s do personagem Pol\u00f4nio, em Hamlet, \u201cO que estais lendo, meu senhor\u201d? Voc\u00ea \u00e9 o que l\u00ea, n\u00e3o se engane.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 24\/02\/2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caderno \u201cIlustr\u00edssima\u201d da Folha, de 05 de fevereiro de 2012, cont\u00e9m o ensaio\/cr\u00edtica \u201cO Erro de Machado\u201d, do renomado Paulo Roberto Pires, cr\u00edtico liter\u00e1rio, professor da UFRJ, debatedor e autor de antologias, acerca das previs\u00f5es do jovem &#8211; e futuro grande escritor &#8211; Machado de Assis sobre o fim do livro. Acreditava Machado, em seu \u201cO jornal e o Livro\u201d, de 1859, escrito quando tinha apenas 19 anos, que o livro iria acabar. Empolgado estava com a sua profiss\u00e3o de revisor &#8211; conseguida com a ajuda de Manuel Ant\u00f4nio de Almeida &#8211; no jornal Correio Mercantil. Nesse mesmo jornal, desde 1854, o advogado, escritor e pol\u00edtico consagrado Jos\u00e9 de Alencar tinha a coluna \u201cAo Correr da Pena\u201d, enquanto Manuel Ant\u00f4nio de Almeida, m\u00e9dico e jornalista, era o respons\u00e1vel pelo suplemento \u201cA Pacotilha\u201d, onde escreveu, sob a forma de folhetim e, anonimamente, o livro \u201cMem\u00f3rias de um Sargento de Mil\u00edcias\u201d.<br \/>\nEm uma parte do seu pol\u00eamico primeiro livro, Machado diz: \u201cO jornal apareceu, trazendo em si o g\u00e9rmen de uma revolu\u00e7\u00e3o. Essa revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 liter\u00e1ria, \u00e9 tamb\u00e9m social, \u00e9 econ\u00f4mica, porque \u00e9 um movimento da humanidade abalando todas as suas emin\u00eancias, a rea\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito humano sobre as f\u00f3rmulas existentes do mundo econ\u00f4mico e do mundo social\u201d. Machado imaginava que o livro iria perder a raz\u00e3o de existir: \u201cO jornal, abalando o globo, fazendo uma revolu\u00e7\u00e3o na ordem social, tem ainda a vantagem de dar uma posi\u00e7\u00e3o ao homem de letras: Trabalha! Vive pela ideia e cumpre as leis da cria\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nDiz Paulo Roberto Pires: \u201cEivado de precipita\u00e7\u00e3o, o jovem Machado agarrava-se a certezas &#8211; moeda rara em sua obra futura. Naquele momento, por\u00e9m, cumpria o que em alguma medida se espera de um intelectual em forma\u00e7\u00e3o: curiosidade, desejo de interven\u00e7\u00e3o e o direito, inalien\u00e1vel, ao equ\u00edvoco.\u201d<br \/>\nAgora, neste emergente s\u00e9culo XXI, se prega, novamente, o fim do livro. Eu, por exemplo, ganhei de presente um I-Pad, esse instrumento port\u00e1til e gracioso inventado pela Microsoft na \u00faltima contribui\u00e7\u00e3o de Steve Jobs \u00e0 cibern\u00e9tica ou inform\u00e1tica. Matada a empolga\u00e7\u00e3o e a curiosidade, o meu i-Pad ou tablet(t\u00e1bua) se queda restrito, pois n\u00e3o vejo com prazer uma das suas fun\u00e7\u00f5es, a de nos fazer ler livros n\u00e3o impressos. Quanta pretens\u00e3o, essa que vem desde o fim do s\u00e9culo passado.<br \/>\nPara quem gosta de ler, os que t\u00eam na cabeceira de sua cama uma luz de vigia com foco, uma rede ou uma velha cadeira, nada se compara ao prazer de comprar o livro, ler, virar a p\u00e1gina e marcar trechos, com os quais concorda, discorda ou desconfia. O leitor verdadeiro pode at\u00e9 usar o I-Pad e que tais como instrumentos particulares de consulta dos novos dicion\u00e1rio\/enciclop\u00e9dia\/conversa\u00e7\u00e3o do mundo atual, o \u201cGoogle\u201d e o \u201cFacebook\u201d e outros, mas n\u00e3o h\u00e1 porque decretar o fim do livro como erroneamente pensou Machado de Assis, tal como se imaginava e dizia do fim do jornal quando da cria\u00e7\u00e3o do r\u00e1dio e do r\u00e1dio quando da profus\u00e3o da televis\u00e3o. Depois, surgem o computador e, recentemente, essas m\u00faltiplas m\u00eddias que a gera\u00e7\u00e3o Y, aquela nascida ap\u00f3s 1979, teve \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o desde sempre.<br \/>\nOs jornais sofreram, mas reinventaram-se, fragmentaram-se em cadernos tem\u00e1ticos para os seus v\u00e1rios p\u00fablicos, postaram suas edi\u00e7\u00f5es na Internet e criaram links com todas as m\u00eddias. Os livros impressos, de capa dura ou meras brochuras, feitos por grandes editoras ou editados por seus pr\u00f3prios autores, convivem bem com todos esses equipamentos, \u201cgadgets\u201d, inven\u00e7\u00f5es e cong\u00eaneres. \u00c9 bom n\u00e3o esquecer a pergunta \u2013 ainda atual &#8211; feita por Shakespeare, no s\u00e9culo XVI, atrav\u00e9s do personagem Pol\u00f4nio, em Hamlet, \u201cO que estais lendo, meu senhor\u201d? Voc\u00ea \u00e9 o que l\u00ea, n\u00e3o se engane.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 24\/02\/2012.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3024","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3024","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3024"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3024\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3024"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3024"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3024"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}