{"id":3026,"date":"2023-12-21T09:10:35","date_gmt":"2023-12-21T12:10:35","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/fortaleza-viva-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:35","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:35","slug":"fortaleza-viva-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/fortaleza-viva-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"FORTALEZA VIVA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Deparo-me, por acaso, com um livro rico de capa dura e uma bela pagina\u00e7\u00e3o intercalando textos, fotos antigas e contempor\u00e2neas. Sua capa mostra a Pra\u00e7a do Ferreira, n\u00e3o a antiga, mas a revisitada ou relida pelos arquitetos Delberg Ponce de Leon e Fausto Nilo. Creio que n\u00e3o entendi bem a explica\u00e7\u00e3o da foto da capa: \u201cPra\u00e7a do Ferreira \u2013 no fim dos anos 1960, a Coluna da Hora foi demolida, e em projeto de 1991 retornou \u00e0 pra\u00e7a&#8230;\u201d. A bela foto de Gentil Barreira j\u00e1 \u00e9 da pra\u00e7a reformada em 1991. A estrutura da antiga Coluna n\u00e3o era em a\u00e7o. A que aparece na capa \u00e9 a releitura est\u00e9tica de Delberg e Fausto. N\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cada de 1960. H\u00e1 a d\u00e9cada dos anos sessenta. Tirando esses pequenos detalhes, afora outros, h\u00e1 que se louvar a pesquisa de muitos e a organiza\u00e7\u00e3o de Patr\u00edcia Veloso, para a Terra da Luz Editorial. \u201cViva Fortaleza\u201d teve o forte e decisivo apoio da Oi Futuro, Newland, Guanabara, Sobral &#038; Pal\u00e1cio e o patroc\u00ednio da Oi, Coelce e Banco do Nordeste. Consta como realiza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura, sem men\u00e7\u00e3o \u00e0 Secretaria da Cultura do Estado do Cear\u00e1, tampouco da similar da Prefeitura de Fortaleza.<br \/>\nO exemplar que li me foi dado, a pedido, pelo engenheiro civil Luciano Cavalcante Filho, um dos respons\u00e1veis por incorporar edif\u00edcios sitiados no antigo bairro do Outeiro, hoje Aldeota, bem como na orla mar\u00edtima. Fortaleza, em agosto de 1950, me via de cal\u00e7as (curtas) e palet\u00f3 de casimira azul marinho com camisa branca, em trajo da Primeira Comunh\u00e3o, na Rua Floriano Peixoto, entrando no Foto Moderno. Esse est\u00fadio ficava do lado do sol, como se diz por aqui, no trecho entre as ruas Pedro Pereira e a antiga Trincheiras, depois Liberato Barroso. O calor do p\u00f3s chuvas n\u00e3o era sentido por mim, garboso infante que, de vela enfeitada e la\u00e7o de fita no bra\u00e7o direito, deixava-me fotografar.<br \/>\nDali, com a minha m\u00e3e, fomos andando a p\u00e9 para comer past\u00e9is com caldo de cana na Le\u00e3o do Sul, mercearia sortida, que ficava no lado sul da Pra\u00e7a do Ferreira, defronte ao Posto Mazine, no come\u00e7o do antigo Beco dos Pocinhos, depois Rua Pedro Borges. Quase tr\u00eas da tarde. Saciados, ouvimos o repicar das triplas badaladas do antigo rel\u00f3gio da Pra\u00e7a do Ferreira. A pra\u00e7a de ent\u00e3o era sombreada com f\u00edcus benjamins e dividida em alamedas paralelas que albergavam carros particulares e os de pra\u00e7a, precursores dos futuros t\u00e1xis. No seu lado norte, entre a Rua Guilherme Rocha e a Travessa Par\u00e1, fulgia o novo Abrigo Central, constru\u00eddo, mediante licita\u00e7\u00e3o, na administra\u00e7\u00e3o do Prefeito Acr\u00edsio Moreira da Rocha, pelo jovem empreendedor Edson Queiroz. Atravessamos a pra\u00e7a em diagonal e entramos na loja Flama, afamado magazine, vizinha ao edif\u00edcio S\u00e3o Luiz que se erguia morosamente. Pulemos para o ano 1959. Meu pai havia comprado uma casa de pescadores (lado do mar) para passarmos as f\u00e9rias na praia. Era na altura da atual Nunes Valente. Mero calcamento tosco. Logo ap\u00f3s veio o come\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o, a casa foi ao ch\u00e3o, a via ficou pronta em 1963 e em 1964 recebeu o nome de John Kennedy, em homenagem ao presidente americano assassinado em 23 de novembro do ano anterior. Protestos de muitos a fizeram passar a ser a Av. Beira Mar. Isso j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria.<br \/>\nA publica\u00e7\u00e3o come\u00e7a com uma profunda an\u00e1lise de Paulo Linhares sobre \u201cA Fortaleza de Alencar\u201d e agrega textos de qualidade de \u00c2ngela Guti\u00e9rrez, A. Carlos Coelho, Cl\u00e1udia Albuquerque, Cl\u00e9lia Lustosa, Demitri T\u00falio, Fausto Nilo, Francisco Neto Brand\u00e3o, Gylmar Chaves, Isabel Gurgel. Kadma Marques, Lira Neto, Nat\u00e9rcia Pontes, Oswald Barroso, Peregrina Campelo, R\u00e9gis Lopes e Romeu Duarte. As fotografias s\u00e3o de Alex Costa, Alex Uchoa, Bia Sab\u00f3ia, Drawlio Joca, F\u00e1bio Lima, Gentil Barreira, JoO\u00e3o Lu\u00eds, Jo\u00e3o Palm\u00e9rio, Leo Kaswiner, Lia de Paula, Maur\u00edcio Albano. Nelson Bezerra, Silas de Paula e Thiago Gaspar. Al\u00e9m de textos e fotografias atuais, esculturas de S\u00e9rvulo Esmeraldo e Zenon Barreto, cont\u00e9m ainda acervos fotogr\u00e1ficos e objetos de pessoas amantes da cidade.<br \/>\nEsta sofr\u00edvel e corrida Ficha T\u00e9cnica tem apenas o objetivo de despertar a curiosidade dos que aqui viveram entre 1950-2010 ou a ela foram chegando, vindos do interior e de outros estados. Escolhi apenas a Pra\u00e7a do Ferreira como chamariz, pulm\u00e3o e alma de Fortaleza. E um mero registro da constru\u00e7\u00e3o da Av. Beira-Mar. O resto da cidade poder\u00e1 ser descoberto, por cada leitor, na tessitura dos textos, nas breves legendas de \u00c2ngela B. Leal e Roberta Felix que adornam a profus\u00e3o de admir\u00e1veis fotos, a tradu\u00e7\u00e3o para o ingl\u00eas e os agradecimentos que encerram as suas 240 p\u00e1ginas. Parab\u00e9ns a todos os que participaram desse trabalho singular feito em 2011 e, desde j\u00e1, hist\u00f3rico. Viva Fortaleza.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 02\/03\/2012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deparo-me, por acaso, com um livro rico de capa dura e uma bela pagina\u00e7\u00e3o intercalando textos, fotos antigas e contempor\u00e2neas. Sua capa mostra a Pra\u00e7a do Ferreira, n\u00e3o a antiga, mas a revisitada ou relida pelos arquitetos Delberg Ponce de Leon e Fausto Nilo. Creio que n\u00e3o entendi bem a explica\u00e7\u00e3o da foto da capa: \u201cPra\u00e7a do Ferreira \u2013 no fim dos anos 1960, a Coluna da Hora foi demolida, e em projeto de 1991 retornou \u00e0 pra\u00e7a&#8230;\u201d. A bela foto de Gentil Barreira j\u00e1 \u00e9 da pra\u00e7a reformada em 1991. A estrutura da antiga Coluna n\u00e3o era em a\u00e7o. A que aparece na capa \u00e9 a releitura est\u00e9tica de Delberg e Fausto. N\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cada de 1960. H\u00e1 a d\u00e9cada dos anos sessenta. Tirando esses pequenos detalhes, afora outros, h\u00e1 que se louvar a pesquisa de muitos e a organiza\u00e7\u00e3o de Patr\u00edcia Veloso, para a Terra da Luz Editorial. \u201cViva Fortaleza\u201d teve o forte e decisivo apoio da Oi Futuro, Newland, Guanabara, Sobral &#038; Pal\u00e1cio e o patroc\u00ednio da Oi, Coelce e Banco do Nordeste. Consta como realiza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura, sem men\u00e7\u00e3o \u00e0 Secretaria da Cultura do Estado do Cear\u00e1, tampouco da similar da Prefeitura de Fortaleza.<br \/>\nO exemplar que li me foi dado, a pedido, pelo engenheiro civil Luciano Cavalcante Filho, um dos respons\u00e1veis por incorporar edif\u00edcios sitiados no antigo bairro do Outeiro, hoje Aldeota, bem como na orla mar\u00edtima. Fortaleza, em agosto de 1950, me via de cal\u00e7as (curtas) e palet\u00f3 de casimira azul marinho com camisa branca, em trajo da Primeira Comunh\u00e3o, na Rua Floriano Peixoto, entrando no Foto Moderno. Esse est\u00fadio ficava do lado do sol, como se diz por aqui, no trecho entre as ruas Pedro Pereira e a antiga Trincheiras, depois Liberato Barroso. O calor do p\u00f3s chuvas n\u00e3o era sentido por mim, garboso infante que, de vela enfeitada e la\u00e7o de fita no bra\u00e7o direito, deixava-me fotografar.<br \/>\nDali, com a minha m\u00e3e, fomos andando a p\u00e9 para comer past\u00e9is com caldo de cana na Le\u00e3o do Sul, mercearia sortida, que ficava no lado sul da Pra\u00e7a do Ferreira, defronte ao Posto Mazine, no come\u00e7o do antigo Beco dos Pocinhos, depois Rua Pedro Borges. Quase tr\u00eas da tarde. Saciados, ouvimos o repicar das triplas badaladas do antigo rel\u00f3gio da Pra\u00e7a do Ferreira. A pra\u00e7a de ent\u00e3o era sombreada com f\u00edcus benjamins e dividida em alamedas paralelas que albergavam carros particulares e os de pra\u00e7a, precursores dos futuros t\u00e1xis. No seu lado norte, entre a Rua Guilherme Rocha e a Travessa Par\u00e1, fulgia o novo Abrigo Central, constru\u00eddo, mediante licita\u00e7\u00e3o, na administra\u00e7\u00e3o do Prefeito Acr\u00edsio Moreira da Rocha, pelo jovem empreendedor Edson Queiroz. Atravessamos a pra\u00e7a em diagonal e entramos na loja Flama, afamado magazine, vizinha ao edif\u00edcio S\u00e3o Luiz que se erguia morosamente. Pulemos para o ano 1959. Meu pai havia comprado uma casa de pescadores (lado do mar) para passarmos as f\u00e9rias na praia. Era na altura da atual Nunes Valente. Mero calcamento tosco. Logo ap\u00f3s veio o come\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o, a casa foi ao ch\u00e3o, a via ficou pronta em 1963 e em 1964 recebeu o nome de John Kennedy, em homenagem ao presidente americano assassinado em 23 de novembro do ano anterior. Protestos de muitos a fizeram passar a ser a Av. Beira Mar. Isso j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria.<br \/>\nA publica\u00e7\u00e3o come\u00e7a com uma profunda an\u00e1lise de Paulo Linhares sobre \u201cA Fortaleza de Alencar\u201d e agrega textos de qualidade de \u00c2ngela Guti\u00e9rrez, A. Carlos Coelho, Cl\u00e1udia Albuquerque, Cl\u00e9lia Lustosa, Demitri T\u00falio, Fausto Nilo, Francisco Neto Brand\u00e3o, Gylmar Chaves, Isabel Gurgel. Kadma Marques, Lira Neto, Nat\u00e9rcia Pontes, Oswald Barroso, Peregrina Campelo, R\u00e9gis Lopes e Romeu Duarte. As fotografias s\u00e3o de Alex Costa, Alex Uchoa, Bia Sab\u00f3ia, Drawlio Joca, F\u00e1bio Lima, Gentil Barreira, JoO\u00e3o Lu\u00eds, Jo\u00e3o Palm\u00e9rio, Leo Kaswiner, Lia de Paula, Maur\u00edcio Albano. Nelson Bezerra, Silas de Paula e Thiago Gaspar. Al\u00e9m de textos e fotografias atuais, esculturas de S\u00e9rvulo Esmeraldo e Zenon Barreto, cont\u00e9m ainda acervos fotogr\u00e1ficos e objetos de pessoas amantes da cidade.<br \/>\nEsta sofr\u00edvel e corrida Ficha T\u00e9cnica tem apenas o objetivo de despertar a curiosidade dos que aqui viveram entre 1950-2010 ou a ela foram chegando, vindos do interior e de outros estados. Escolhi apenas a Pra\u00e7a do Ferreira como chamariz, pulm\u00e3o e alma de Fortaleza. E um mero registro da constru\u00e7\u00e3o da Av. Beira-Mar. O resto da cidade poder\u00e1 ser descoberto, por cada leitor, na tessitura dos textos, nas breves legendas de \u00c2ngela B. Leal e Roberta Felix que adornam a profus\u00e3o de admir\u00e1veis fotos, a tradu\u00e7\u00e3o para o ingl\u00eas e os agradecimentos que encerram as suas 240 p\u00e1ginas. Parab\u00e9ns a todos os que participaram desse trabalho singular feito em 2011 e, desde j\u00e1, hist\u00f3rico. Viva Fortaleza.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 02\/03\/2012<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3026","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3026","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3026"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3026\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}