{"id":3042,"date":"2023-12-21T09:10:36","date_gmt":"2023-12-21T12:10:36","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/barros-pinho-paladino-poeta-e-politico-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:36","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:36","slug":"barros-pinho-paladino-poeta-e-politico-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/barros-pinho-paladino-poeta-e-politico-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"BARROS PINHO, PALADINO, POETA E POL\u00cdTICO &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Ontem, no jornal O Povo, falei sobre Jos\u00e9 Maria Barros Pinho. Hoje, amplio um pouco o que contei sobre o jovem magro, altura mediana, branco de tez, m\u00e3os inquietas e claros olhos profundos que conheci em 1961. Ele sa\u00eda da esquina da Rua Pedro Pereira com a rua Padre Moror\u00f3 \u00e0 procura do seu destino. Encontramo-nos. \u00c9ramos aprendizes de profiss\u00e3o incipiente em uma escola que fora fruto de um acordo entre pol\u00edticos que lotearam c\u00e1tedras. T\u00ednhamos um sonho e o perseguimos como ciganos, come\u00e7ando na Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas na Av. da Universidade. Como invasores ou sem teto, fomos expulsos para n\u00e3o contaminar os que pertenciam \u00e0 novel Universidade Federal do Cear\u00e1. De l\u00e1, mudamos para uma casa de telha v\u00e3 e goteiras mis na Av. Duque de Caxias, esquina com a Rua Jaime Ben\u00e9volo. Paradoxalmente, essa casa pertencia a uma irm\u00e3 do ent\u00e3o Reitor da UFC, Martins Filho.<br \/>\nPois foi ali que ele e mais duas dezenas de pessoas foram, dia a dia, amalgamando essa profiss\u00e3o de Administrador que, sequer, tinha sido reconhecida. Unidos nessa luta interna contra o preconceito dos que nos viam de forma atravessada, Barro Pinho os desafiou, em 1962, e conseguiu, imaginem, ser eleito presidente da Uni\u00e3o Estadual dos Estudantes- UEE, entidade cativa e inexpugn\u00e1vel dos integrantes da UFC. A essa \u00e9poca, era um feito hist\u00f3rico. Fora a porteira derrubada pelo jovem teresinense, com ra\u00edzes em Crate\u00fas, aclimatando-se na brejeira Fortaleza de ent\u00e3o. Entrara por m\u00e9rito, eloqu\u00eancia e destemor e da\u00ed a senda que palmilhava foi, pouco a pouco, virando estrada de refregas cont\u00ednuas. O que lhe fizeram em 64 foi o cond\u00e3o, uma esp\u00e9cie de elixir que fortificou suas convic\u00e7\u00f5es libert\u00e1rias<br \/>\nEstava sendo forjado o paladino. Passada a tormenta, apascenta seu cora\u00e7\u00e3o nos bra\u00e7os da meiga Isabel Aracimy, colega de escola, apascentadora de seus arroubos e companheira de vida. Fez-se, por m\u00e9rito e luta, vereador, deputado, prefeito da j\u00e1 sua Fortaleza, secret\u00e1rio da cultura do estado e condutor das curtas r\u00e9deas da franciscana Funda\u00e7\u00e3o Cultural de Fortaleza. Pai de cinco filhos que cresciam como gente, sob os olhares de uma comparte ciosa de seus deveres e sempre relevadora dos arrebatamentos do inquieto marido. Agora, aplainamos as nossas lembran\u00e7as, inquieta\u00e7\u00f5es e desassossegos com escritos.<br \/>\nGerv\u00e1sio de Paula, Airton Monte e Juarez Leit\u00e3o, j\u00e1 disseram tudo \u2013 e muito bem &#8211; sobre Barros Pinho, esse colecionador de punhais, ourives de poemas e pol\u00edtico por sentimento e destino. Pensei at\u00e9 em transcrever partes de seus escritos, mas seria apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita do m\u00e9rito alheio. Quedei-me ao universo limitado que vivemos em tempos idos e revividos em inconsequentes col\u00f3quios na sala plural do S\u00e9rgio Braga, onde surgiu o Clube do Bode, uma an\u00e1rquica cria\u00e7\u00e3o coletiva sob as b\u00ean\u00e7\u00e3os do Barros Pinho e a pena sat\u00edrica do Audifax Rios.<br \/>\nAgora, nesta sexta-feira, com ou sem f\u00e9, \u00e0s oito da noite, na Par\u00f3quia de S\u00e3o Vicente de Paulo, cada um se achegue por l\u00e1 com a sua consci\u00eancia. Se poss\u00edvel, para tentar (des) montar o quebra-cabe\u00e7a que nos faz n\u00e1ufragos sempre que a dita cuja nos prega pe\u00e7as.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 04\/05\/2012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem, no jornal O Povo, falei sobre Jos\u00e9 Maria Barros Pinho. Hoje, amplio um pouco o que contei sobre o jovem magro, altura mediana, branco de tez, m\u00e3os inquietas e claros olhos profundos que conheci em 1961. Ele sa\u00eda da esquina da Rua Pedro Pereira com a rua Padre Moror\u00f3 \u00e0 procura do seu destino. Encontramo-nos. \u00c9ramos aprendizes de profiss\u00e3o incipiente em uma escola que fora fruto de um acordo entre pol\u00edticos que lotearam c\u00e1tedras. T\u00ednhamos um sonho e o perseguimos como ciganos, come\u00e7ando na Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas na Av. da Universidade. Como invasores ou sem teto, fomos expulsos para n\u00e3o contaminar os que pertenciam \u00e0 novel Universidade Federal do Cear\u00e1. De l\u00e1, mudamos para uma casa de telha v\u00e3 e goteiras mis na Av. Duque de Caxias, esquina com a Rua Jaime Ben\u00e9volo. Paradoxalmente, essa casa pertencia a uma irm\u00e3 do ent\u00e3o Reitor da UFC, Martins Filho.<br \/>\nPois foi ali que ele e mais duas dezenas de pessoas foram, dia a dia, amalgamando essa profiss\u00e3o de Administrador que, sequer, tinha sido reconhecida. Unidos nessa luta interna contra o preconceito dos que nos viam de forma atravessada, Barro Pinho os desafiou, em 1962, e conseguiu, imaginem, ser eleito presidente da Uni\u00e3o Estadual dos Estudantes- UEE, entidade cativa e inexpugn\u00e1vel dos integrantes da UFC. A essa \u00e9poca, era um feito hist\u00f3rico. Fora a porteira derrubada pelo jovem teresinense, com ra\u00edzes em Crate\u00fas, aclimatando-se na brejeira Fortaleza de ent\u00e3o. Entrara por m\u00e9rito, eloqu\u00eancia e destemor e da\u00ed a senda que palmilhava foi, pouco a pouco, virando estrada de refregas cont\u00ednuas. O que lhe fizeram em 64 foi o cond\u00e3o, uma esp\u00e9cie de elixir que fortificou suas convic\u00e7\u00f5es libert\u00e1rias<br \/>\nEstava sendo forjado o paladino. Passada a tormenta, apascenta seu cora\u00e7\u00e3o nos bra\u00e7os da meiga Isabel Aracimy, colega de escola, apascentadora de seus arroubos e companheira de vida. Fez-se, por m\u00e9rito e luta, vereador, deputado, prefeito da j\u00e1 sua Fortaleza, secret\u00e1rio da cultura do estado e condutor das curtas r\u00e9deas da franciscana Funda\u00e7\u00e3o Cultural de Fortaleza. Pai de cinco filhos que cresciam como gente, sob os olhares de uma comparte ciosa de seus deveres e sempre relevadora dos arrebatamentos do inquieto marido. Agora, aplainamos as nossas lembran\u00e7as, inquieta\u00e7\u00f5es e desassossegos com escritos.<br \/>\nGerv\u00e1sio de Paula, Airton Monte e Juarez Leit\u00e3o, j\u00e1 disseram tudo \u2013 e muito bem &#8211; sobre Barros Pinho, esse colecionador de punhais, ourives de poemas e pol\u00edtico por sentimento e destino. Pensei at\u00e9 em transcrever partes de seus escritos, mas seria apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita do m\u00e9rito alheio. Quedei-me ao universo limitado que vivemos em tempos idos e revividos em inconsequentes col\u00f3quios na sala plural do S\u00e9rgio Braga, onde surgiu o Clube do Bode, uma an\u00e1rquica cria\u00e7\u00e3o coletiva sob as b\u00ean\u00e7\u00e3os do Barros Pinho e a pena sat\u00edrica do Audifax Rios.<br \/>\nAgora, nesta sexta-feira, com ou sem f\u00e9, \u00e0s oito da noite, na Par\u00f3quia de S\u00e3o Vicente de Paulo, cada um se achegue por l\u00e1 com a sua consci\u00eancia. Se poss\u00edvel, para tentar (des) montar o quebra-cabe\u00e7a que nos faz n\u00e1ufragos sempre que a dita cuja nos prega pe\u00e7as.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 04\/05\/2012<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3042","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3042"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3042\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}