{"id":3053,"date":"2023-12-21T09:10:36","date_gmt":"2023-12-21T12:10:36","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-centenario-do-cearense-luiz-gonzaga-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:36","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:36","slug":"o-centenario-do-cearense-luiz-gonzaga-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-centenario-do-cearense-luiz-gonzaga-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"O CENTEN\u00c1RIO DO \u201cCEARENSE\u201d LUIZ GONZAGA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Luiz \u201cLua\u201d Gonzaga \u00e9 quase cearense. Nasceu em 1912, no Exu, Cariri pernambucano, pr\u00f3ximo da divisa com o sul do Cear\u00e1. Dada a contiguidade, o filho de Janu\u00e1rio tocava nas feiras do Crato e de Juazeiro. Ao tempo de \u201csentar pra\u00e7a\u201d ou servir ao Ex\u00e9rcito, em 1930, preferiu vir para o 23\u00ba. Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores, em Fortaleza. Em 1939 Gonzaga mandou-se com mala, cuia, embornal e sanfona para o Rio de Janeiro. Sabia que ia enfrentar preconceito. L\u00e1, por acaso, uniu-se a Humberto Teixeira, advogado cearense ali radicado que dirigia um escrit\u00f3rio de direitos autorais e anteviu o sucesso do futuro \u201cRei do Bai\u00e3o\u201d. Ele e Teixeira fizeram v\u00e1rias parcerias. E a\u00ed \u00e9 que entro na hist\u00f3ria do Luiz Gonzaga.<br \/>\nHumberto Teixeira, na linguagem pol\u00edtica local da \u00e9poca, era \u201cparaquedista\u201d. Vivia no Rio e queria eleger-se deputado federal pelo Cear\u00e1, nascido que era em Iguatu. Trouxe, ent\u00e3o, Gonzaga para animar os seus com\u00edcios. Nascia ali o embri\u00e3o dos \u201cshowm\u00edcios\u201d. Menino, cal\u00e7a curta, sa\u00ed de casa escondido para ver Luiz Gonzaga em show em frente da Igreja da Piedade. Tinha pouca gente, no princ\u00edpio. Quando o Gonzag\u00e3o come\u00e7ou a tocar, o adro foi ficando repleto de gente e o Humberto acenava para o povo. Cheguei perto do \u201cRei\u201d e vi sua vestimenta adornada como os dos cangaceiros de Lampi\u00e3o.<br \/>\nPassa o tempo. J\u00e1 adulto, via Gonzaga pela televis\u00e3o que, preconceituosa, n\u00e3o dava a ele os cr\u00e9ditos que merecia pelos versos simples, mas po\u00e9ticos de suas m\u00fasicas.<br \/>\nNo ano de 1984, Gonzaga foi homenageado com o Trof\u00e9u Sereia de Ouro, pelo Sistema Verdes Mares, quando tive a alegria de rev\u00ea-lo em Fortaleza e reverenci\u00e1-lo. Morto em 1989, hoje, produtores musicais, veem que \u201cGonzaga foi o primeiro a atingir, com a mesma m\u00fasica, o povo e a elite\u201d, no dizer de Thiago Marques Luiz. Thiago reuniu agora, entre outros, nomes como Dominguinhos, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Amelinha, Zeca Baleiro e Zez\u00e9 Mota para produzir e gravar tr\u00eas CDs com 50 m\u00fasicas do Gonzag\u00e3o. Em julho, o nosso Fagner estar\u00e1 em S\u00e3o Paulo, em show no Sesc Vila Mariana, tamb\u00e9m para louv\u00e1-lo.<br \/>\nO cantor e compositor Felipe Cordeiro considera que \u201cele afirmou, de uma vez por todas, a m\u00fasica nordestina no pa\u00eds, sem ser caricato. Ele foi um acontecimento do tamanho de um Tom Jobim\u201d. Para quem n\u00e3o sabe o surgimento da agita\u00e7\u00e3o vanguardista \u201cTropic\u00e1lia\u201d, nos anos 60\/70, com Caetano, Gilberto Gil, Raul Seixas e muitos outros, tem um pezinho nas estacas musicais bin\u00e1rias plantadas pelo menino\/homem de Exu que respeitava o pai Janu\u00e1rio. Pena que o filho Gonzaguinha tinha outro pensar. Isso \u00e9 outra hist\u00f3ria.<br \/>\nAgora, neste junho de 2012, quando se comemora, antecipadamente, o centen\u00e1rio do seu nascimento que, de fato, ser\u00e1 no pr\u00f3ximo dia 13 de dezembro &#8211; paradoxalmente, Dia de Santa Luzia, a protetora da vis\u00e3o &#8211; resolvi homenage\u00e1-lo. E o fiz no 4\u00ba. Festival BenJunino, no BenficArte, evento musical que empreendo para homenagear e incentivar compositores, cantores, promissores sanfoneiros de xotes e bai\u00f5es, com pr\u00eamios e a mesma alegria que tive, quando crian\u00e7a, o vi em pra\u00e7a p\u00fablica na boca da noite.<br \/>\nO menino que fui, afinal, est\u00e1 quite com o Gonzag\u00e3o. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 29\/06\/2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz \u201cLua\u201d Gonzaga \u00e9 quase cearense. Nasceu em 1912, no Exu, Cariri pernambucano, pr\u00f3ximo da divisa com o sul do Cear\u00e1. Dada a contiguidade, o filho de Janu\u00e1rio tocava nas feiras do Crato e de Juazeiro. Ao tempo de \u201csentar pra\u00e7a\u201d ou servir ao Ex\u00e9rcito, em 1930, preferiu vir para o 23\u00ba. Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores, em Fortaleza. Em 1939 Gonzaga mandou-se com mala, cuia, embornal e sanfona para o Rio de Janeiro. Sabia que ia enfrentar preconceito. L\u00e1, por acaso, uniu-se a Humberto Teixeira, advogado cearense ali radicado que dirigia um escrit\u00f3rio de direitos autorais e anteviu o sucesso do futuro \u201cRei do Bai\u00e3o\u201d. Ele e Teixeira fizeram v\u00e1rias parcerias. E a\u00ed \u00e9 que entro na hist\u00f3ria do Luiz Gonzaga.<br \/>\nHumberto Teixeira, na linguagem pol\u00edtica local da \u00e9poca, era \u201cparaquedista\u201d. Vivia no Rio e queria eleger-se deputado federal pelo Cear\u00e1, nascido que era em Iguatu. Trouxe, ent\u00e3o, Gonzaga para animar os seus com\u00edcios. Nascia ali o embri\u00e3o dos \u201cshowm\u00edcios\u201d. Menino, cal\u00e7a curta, sa\u00ed de casa escondido para ver Luiz Gonzaga em show em frente da Igreja da Piedade. Tinha pouca gente, no princ\u00edpio. Quando o Gonzag\u00e3o come\u00e7ou a tocar, o adro foi ficando repleto de gente e o Humberto acenava para o povo. Cheguei perto do \u201cRei\u201d e vi sua vestimenta adornada como os dos cangaceiros de Lampi\u00e3o.<br \/>\nPassa o tempo. J\u00e1 adulto, via Gonzaga pela televis\u00e3o que, preconceituosa, n\u00e3o dava a ele os cr\u00e9ditos que merecia pelos versos simples, mas po\u00e9ticos de suas m\u00fasicas.<br \/>\nNo ano de 1984, Gonzaga foi homenageado com o Trof\u00e9u Sereia de Ouro, pelo Sistema Verdes Mares, quando tive a alegria de rev\u00ea-lo em Fortaleza e reverenci\u00e1-lo. Morto em 1989, hoje, produtores musicais, veem que \u201cGonzaga foi o primeiro a atingir, com a mesma m\u00fasica, o povo e a elite\u201d, no dizer de Thiago Marques Luiz. Thiago reuniu agora, entre outros, nomes como Dominguinhos, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Amelinha, Zeca Baleiro e Zez\u00e9 Mota para produzir e gravar tr\u00eas CDs com 50 m\u00fasicas do Gonzag\u00e3o. Em julho, o nosso Fagner estar\u00e1 em S\u00e3o Paulo, em show no Sesc Vila Mariana, tamb\u00e9m para louv\u00e1-lo.<br \/>\nO cantor e compositor Felipe Cordeiro considera que \u201cele afirmou, de uma vez por todas, a m\u00fasica nordestina no pa\u00eds, sem ser caricato. Ele foi um acontecimento do tamanho de um Tom Jobim\u201d. Para quem n\u00e3o sabe o surgimento da agita\u00e7\u00e3o vanguardista \u201cTropic\u00e1lia\u201d, nos anos 60\/70, com Caetano, Gilberto Gil, Raul Seixas e muitos outros, tem um pezinho nas estacas musicais bin\u00e1rias plantadas pelo menino\/homem de Exu que respeitava o pai Janu\u00e1rio. Pena que o filho Gonzaguinha tinha outro pensar. Isso \u00e9 outra hist\u00f3ria.<br \/>\nAgora, neste junho de 2012, quando se comemora, antecipadamente, o centen\u00e1rio do seu nascimento que, de fato, ser\u00e1 no pr\u00f3ximo dia 13 de dezembro &#8211; paradoxalmente, Dia de Santa Luzia, a protetora da vis\u00e3o &#8211; resolvi homenage\u00e1-lo. E o fiz no 4\u00ba. Festival BenJunino, no BenficArte, evento musical que empreendo para homenagear e incentivar compositores, cantores, promissores sanfoneiros de xotes e bai\u00f5es, com pr\u00eamios e a mesma alegria que tive, quando crian\u00e7a, o vi em pra\u00e7a p\u00fablica na boca da noite.<br \/>\nO menino que fui, afinal, est\u00e1 quite com o Gonzag\u00e3o. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 29\/06\/2012.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3053","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3053","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3053"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3053\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3053"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3053"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3053"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}