{"id":3059,"date":"2023-12-21T09:10:36","date_gmt":"2023-12-21T12:10:36","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/euforia-e-depressao-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:36","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:36","slug":"euforia-e-depressao-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/euforia-e-depressao-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"EUFORIA E DEPRESS\u00c3O &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil passou quase inc\u00f3lume pela crise mundial de 2008\/9. Acreditava-se, diziam muitos, que a crise europeia &#8211; que se arrasta h\u00e1 anos &#8211; n\u00e3o nos atingiria: temos \u201cfundamentos\u201d. Conversa fiada. Recebemos um soco na economia brasileira que imagina como solu\u00e7\u00e3o vender carros encalhados, desde 2011, em um pa\u00eds de rodovias ruins porque densamente utilizadas por caminh\u00f5es pesados. Temos, ainda, neste s\u00e9culo 21, escassas ferrovias regionais e nenhuma nacional para cargas. As cidades j\u00e1 n\u00e3o comportam mais os ve\u00edculos que t\u00eam. Isto sem atentar para as endiabradas motocicletas que infernizam o tr\u00e2nsito e provocam elevadas despesas nos lotados hospitais p\u00fablicos.<br \/>\nO Brasil acreditava mesmo que a emergente classe m\u00e9dia ia bem. De repente, uma profus\u00e3o de milh\u00f5es de cart\u00f5es de cr\u00e9dito foram entregues a pessoas que n\u00e3o aprenderam ainda a cuidar de suas economias. No Brasil, as empresas de cart\u00f5es de cr\u00e9dito est\u00e3o nas ruas, aceitam todo tipo de cliente e cobram, por cada m\u00eas de atraso, os mesmos juros anuais definidos pelo Banco Central. Em 2011, os juros m\u00e9dios do dinheiro de pl\u00e1stico foram de 323,41% ao ano.<br \/>\nResultado, milh\u00f5es de pessoas penduradas com d\u00edvidas. Isso provoca, al\u00e9m da depress\u00e3o pessoal, desajustes familiares e restri\u00e7\u00f5es em seus empregos. N\u00e3o rendem no trabalho, atormentadas que est\u00e3o com o que devem. Os desempregados, em boa parte, n\u00e3o conseguem ocupa\u00e7\u00e3o por novas qualifica\u00e7\u00f5es solicitadas e suas inclus\u00f5es nas listas de devedores dos servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito-Spc e do Serasa \u2013 empresas privadas que bisbilhotam e fornecem \u201cfichas sujas\u201d para os que se afoitaram al\u00e9m de suas possibilidades. \u00c9 vero.<br \/>\nA farra consumista brasileira vai ter que encontrar, do outro lado da ponte da vida, com a realidade cruel que atinge a maioria. As publicidades enganosas precisam dos olhares do Conar, entidade n\u00e3o governamental que, por defini\u00e7\u00e3o, deveria cuidar da autorregula\u00e7\u00e3o da propaganda e da liberdade de express\u00e3o. N\u00e3o se pode gastar esperando bonan\u00e7a futura. \u00c9 b\u00e1sico que todos devam ter um or\u00e7amento. Se voc\u00ea gastar mais do que ganha, algo acontecer\u00e1. N\u00e3o h\u00e1 como fugir das contas que o acossam atrav\u00e9s de protestos de t\u00edtulos, quest\u00f5es judiciais para devolu\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos e propriedades e as intermin\u00e1veis discuss\u00f5es sobre os abusivos juros dos j\u00e1 referidos cart\u00f5es de cr\u00e9dito.<br \/>\nParcim\u00f4nia \u00e9 palavra pouco conhecida do brasileiro. Qualquer comemora\u00e7\u00e3o familiar, do batizado ao casamento, \u00e9, quase sempre, prova de insanidade pelo deslumbramento desnecess\u00e1rio. Ningu\u00e9m deve acreditar que pode melhorar de vida mudando h\u00e1bitos de consumo que devem ser coerentes com os contracheques que recebe. N\u00e3o pegue corda de pessoas amigas e vendedores que o incitam a comprar o que n\u00e3o precisa e, mais que isso, sem a certeza de poder pagar. Deus n\u00e3o d\u00e1 um jeito em tudo. Temos que fazer a nossa parte. A euforia sempre \u00e9 passageira. A depress\u00e3o demora. O equil\u00edbrio pessoal poder\u00e1 se transformar na parcim\u00f4nia\/comedimento que todos deveriam ter. O uso da raz\u00e3o determinar\u00e1 seus limites. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 20\/07\/2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil passou quase inc\u00f3lume pela crise mundial de 2008\/9. Acreditava-se, diziam muitos, que a crise europeia &#8211; que se arrasta h\u00e1 anos &#8211; n\u00e3o nos atingiria: temos \u201cfundamentos\u201d. Conversa fiada. Recebemos um soco na economia brasileira que imagina como solu\u00e7\u00e3o vender carros encalhados, desde 2011, em um pa\u00eds de rodovias ruins porque densamente utilizadas por caminh\u00f5es pesados. Temos, ainda, neste s\u00e9culo 21, escassas ferrovias regionais e nenhuma nacional para cargas. As cidades j\u00e1 n\u00e3o comportam mais os ve\u00edculos que t\u00eam. Isto sem atentar para as endiabradas motocicletas que infernizam o tr\u00e2nsito e provocam elevadas despesas nos lotados hospitais p\u00fablicos.<br \/>\nO Brasil acreditava mesmo que a emergente classe m\u00e9dia ia bem. De repente, uma profus\u00e3o de milh\u00f5es de cart\u00f5es de cr\u00e9dito foram entregues a pessoas que n\u00e3o aprenderam ainda a cuidar de suas economias. No Brasil, as empresas de cart\u00f5es de cr\u00e9dito est\u00e3o nas ruas, aceitam todo tipo de cliente e cobram, por cada m\u00eas de atraso, os mesmos juros anuais definidos pelo Banco Central. Em 2011, os juros m\u00e9dios do dinheiro de pl\u00e1stico foram de 323,41% ao ano.<br \/>\nResultado, milh\u00f5es de pessoas penduradas com d\u00edvidas. Isso provoca, al\u00e9m da depress\u00e3o pessoal, desajustes familiares e restri\u00e7\u00f5es em seus empregos. N\u00e3o rendem no trabalho, atormentadas que est\u00e3o com o que devem. Os desempregados, em boa parte, n\u00e3o conseguem ocupa\u00e7\u00e3o por novas qualifica\u00e7\u00f5es solicitadas e suas inclus\u00f5es nas listas de devedores dos servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito-Spc e do Serasa \u2013 empresas privadas que bisbilhotam e fornecem \u201cfichas sujas\u201d para os que se afoitaram al\u00e9m de suas possibilidades. \u00c9 vero.<br \/>\nA farra consumista brasileira vai ter que encontrar, do outro lado da ponte da vida, com a realidade cruel que atinge a maioria. As publicidades enganosas precisam dos olhares do Conar, entidade n\u00e3o governamental que, por defini\u00e7\u00e3o, deveria cuidar da autorregula\u00e7\u00e3o da propaganda e da liberdade de express\u00e3o. N\u00e3o se pode gastar esperando bonan\u00e7a futura. \u00c9 b\u00e1sico que todos devam ter um or\u00e7amento. Se voc\u00ea gastar mais do que ganha, algo acontecer\u00e1. N\u00e3o h\u00e1 como fugir das contas que o acossam atrav\u00e9s de protestos de t\u00edtulos, quest\u00f5es judiciais para devolu\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos e propriedades e as intermin\u00e1veis discuss\u00f5es sobre os abusivos juros dos j\u00e1 referidos cart\u00f5es de cr\u00e9dito.<br \/>\nParcim\u00f4nia \u00e9 palavra pouco conhecida do brasileiro. Qualquer comemora\u00e7\u00e3o familiar, do batizado ao casamento, \u00e9, quase sempre, prova de insanidade pelo deslumbramento desnecess\u00e1rio. Ningu\u00e9m deve acreditar que pode melhorar de vida mudando h\u00e1bitos de consumo que devem ser coerentes com os contracheques que recebe. N\u00e3o pegue corda de pessoas amigas e vendedores que o incitam a comprar o que n\u00e3o precisa e, mais que isso, sem a certeza de poder pagar. Deus n\u00e3o d\u00e1 um jeito em tudo. Temos que fazer a nossa parte. A euforia sempre \u00e9 passageira. A depress\u00e3o demora. 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O uso da raz\u00e3o determinar\u00e1 seus limites. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 20\/07\/2012.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3059","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3059","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3059"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3059\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3059"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3059"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3059"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}