{"id":3072,"date":"2023-12-21T09:10:37","date_gmt":"2023-12-21T12:10:37","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/zocalo-por-suposto-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:37","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:37","slug":"zocalo-por-suposto-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/zocalo-por-suposto-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"Z\u00d3CALO, POR SUPOSTO &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto tenho pernas andantes, bato-as por a\u00ed. Estava no Z\u00f3calo depois de 14 horas enfurnado em aeroplano. Desses que levam pessoas e coisas de algum lugar para outro. Andei at\u00e9 a esteira rolante que nos devolve a mala. Sa\u00ed da aduana, uma placa mostrava o meu nome. Era gente que a segurava. Est\u00e1vamos na terra de Octavio Paz, embora ele tenha nascido alhures. Ela oferecia passeios de todas as naturezas. O corpo pedia limpeza e as paisagens sucessivas na janela da Van me diziam do prazer de estar revendo as cores, os odores e a vida intensa da megal\u00f3pole. Banho tomado fui ter \u00e0 cumeeira da minha estalagem onde uma banda tocava m\u00fasicas latinas.<br \/>\nChego ao balc\u00e3o e revivo o esplendor dessa pra\u00e7a c\u00edvica, democr\u00e1tica, an\u00e1rquica, povoada por policiais, camel\u00f4s, t\u00e1xis e bici-t\u00e1xis, \u00f4nibus vermelhos Double-deck para city-tours, \u00edndios com rituais e banhos de ervas, nativos e turistas do centro hist\u00f3rico que miram, estonteados, a beleza das constru\u00e7\u00f5es centen\u00e1rias ressaltadas por claridades de luminot\u00e9cnica. Elas abrigam a f\u00e9, o mando, o sincretismo e a curiosidade de tantos que ali passaram, passam e passar\u00e3o. \u00c9 quase frio, o corpo pede que desabe em uma cama, mas os olhos teimam em girar nos 360 graus que a circundam e ficam a lembrar tempos outros em que, livro a m\u00e3o, ofertava-o aqui em uma tenda branca localizada no meio da pra\u00e7a para os que poderiam compr\u00e1-lo em feira liter\u00e1ria.<br \/>\nAmanheceu. Uma pequena neblina d\u00e1 a sua cara e tento varar o tr\u00e2nsito da Cidade do M\u00e9xico. Vou mostrar a Igreja da Virgem de Guadalupe. Dia de semana, igreja quase cheia, inclusive de peregrinos, tais quais os de Compostela. H\u00e1 com\u00e9rcio ao seu redor, no estacionamento subterr\u00e2neo, na velha igreja e no sino que toca diferente. A velha e a nova igreja nada t\u00eam em comum, apenas a f\u00e9 dos que ali permanecem orando, acendendo velas, ofertando \u00f3bolos e ouvindo missas.<br \/>\nDe l\u00e1, parto em dire\u00e7\u00e3o ao novo, o Museu Soumaya, homenagem do engenheiro Carlos Slim \u00e0 sua mulher Soumaya, falecida em 1999. Ao meu olhar, a forma arquitet\u00f4nica lembra uma usina nuclear. Mera ilus\u00e3o. Parece um pouco com um cogumelo ou uma cobra enroscada. N\u00e3o h\u00e1 escadas em seu interior. Rampas suaves com pisos e paredes brancas nos levam a todos os andares, talvez sete. H\u00e1 60.000 obras, entre permanentes e as temporariamente expostas. o N\u00e3o sou guia, apenas referencio. Veja o site. Ficar\u00e1 deslumbrado. Cada exposi\u00e7\u00e3o embevece pela curadoria profissional que destaca em forma e conte\u00fado o que \u00e9 mostrado. S\u00f3 a visita ao Soumaya paga as 14 horas de voo. Passo mais dias nos arrabaldes e no Centro Hist\u00f3rico, onde vejo um casamento lindo, ao fim da tarde que nada parece com os exageros dos nossos.<br \/>\nOutro dia alvorece. Vago por horas no parque Chapultapec e, al\u00e9m de tudo no seu interior rico, vejo nas suas grades externas verdes belas gravuras \u2013 em branco e preto \u2013 canadenses, com cercaduras pretas. Des\u00e7o pelo Passeio de La Reforma e, em cada quadra, nos jardins centrais, h\u00e1 \u00e1rvores, flores e esculturas. Coisas que n\u00e3o temos no Brasil.O Presidente Felipe Calder\u00f3n faz discurso sobre o estado da na\u00e7\u00e3o. Fala que a economia est\u00e1 crescente e enfrentou o crime organizado. Enrique Pe\u00f1a Nieto assume a presid\u00eancia em 1\u00ba. de dezembro. Buena dicha. Daqui parto para a bela pen\u00ednsula de Yucat\u00e1n, no extremo sudeste. Mais duas horas no ar, sem os tempos de aeroportos e retornos mis. Hasta La vista.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 07\/09\/2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto tenho pernas andantes, bato-as por a\u00ed. Estava no Z\u00f3calo depois de 14 horas enfurnado em aeroplano. Desses que levam pessoas e coisas de algum lugar para outro. Andei at\u00e9 a esteira rolante que nos devolve a mala. Sa\u00ed da aduana, uma placa mostrava o meu nome. Era gente que a segurava. Est\u00e1vamos na terra de Octavio Paz, embora ele tenha nascido alhures. Ela oferecia passeios de todas as naturezas. O corpo pedia limpeza e as paisagens sucessivas na janela da Van me diziam do prazer de estar revendo as cores, os odores e a vida intensa da megal\u00f3pole. Banho tomado fui ter \u00e0 cumeeira da minha estalagem onde uma banda tocava m\u00fasicas latinas.<br \/>\nChego ao balc\u00e3o e revivo o esplendor dessa pra\u00e7a c\u00edvica, democr\u00e1tica, an\u00e1rquica, povoada por policiais, camel\u00f4s, t\u00e1xis e bici-t\u00e1xis, \u00f4nibus vermelhos Double-deck para city-tours, \u00edndios com rituais e banhos de ervas, nativos e turistas do centro hist\u00f3rico que miram, estonteados, a beleza das constru\u00e7\u00f5es centen\u00e1rias ressaltadas por claridades de luminot\u00e9cnica. Elas abrigam a f\u00e9, o mando, o sincretismo e a curiosidade de tantos que ali passaram, passam e passar\u00e3o. \u00c9 quase frio, o corpo pede que desabe em uma cama, mas os olhos teimam em girar nos 360 graus que a circundam e ficam a lembrar tempos outros em que, livro a m\u00e3o, ofertava-o aqui em uma tenda branca localizada no meio da pra\u00e7a para os que poderiam compr\u00e1-lo em feira liter\u00e1ria.<br \/>\nAmanheceu. Uma pequena neblina d\u00e1 a sua cara e tento varar o tr\u00e2nsito da Cidade do M\u00e9xico. Vou mostrar a Igreja da Virgem de Guadalupe. Dia de semana, igreja quase cheia, inclusive de peregrinos, tais quais os de Compostela. H\u00e1 com\u00e9rcio ao seu redor, no estacionamento subterr\u00e2neo, na velha igreja e no sino que toca diferente. A velha e a nova igreja nada t\u00eam em comum, apenas a f\u00e9 dos que ali permanecem orando, acendendo velas, ofertando \u00f3bolos e ouvindo missas.<br \/>\nDe l\u00e1, parto em dire\u00e7\u00e3o ao novo, o Museu Soumaya, homenagem do engenheiro Carlos Slim \u00e0 sua mulher Soumaya, falecida em 1999. Ao meu olhar, a forma arquitet\u00f4nica lembra uma usina nuclear. Mera ilus\u00e3o. Parece um pouco com um cogumelo ou uma cobra enroscada. N\u00e3o h\u00e1 escadas em seu interior. Rampas suaves com pisos e paredes brancas nos levam a todos os andares, talvez sete. H\u00e1 60.000 obras, entre permanentes e as temporariamente expostas. o N\u00e3o sou guia, apenas referencio. Veja o site. Ficar\u00e1 deslumbrado. Cada exposi\u00e7\u00e3o embevece pela curadoria profissional que destaca em forma e conte\u00fado o que \u00e9 mostrado. S\u00f3 a visita ao Soumaya paga as 14 horas de voo. Passo mais dias nos arrabaldes e no Centro Hist\u00f3rico, onde vejo um casamento lindo, ao fim da tarde que nada parece com os exageros dos nossos.<br \/>\nOutro dia alvorece. Vago por horas no parque Chapultapec e, al\u00e9m de tudo no seu interior rico, vejo nas suas grades externas verdes belas gravuras \u2013 em branco e preto \u2013 canadenses, com cercaduras pretas. Des\u00e7o pelo Passeio de La Reforma e, em cada quadra, nos jardins centrais, h\u00e1 \u00e1rvores, flores e esculturas. Coisas que n\u00e3o temos no Brasil.O Presidente Felipe Calder\u00f3n faz discurso sobre o estado da na\u00e7\u00e3o. Fala que a economia est\u00e1 crescente e enfrentou o crime organizado. Enrique Pe\u00f1a Nieto assume a presid\u00eancia em 1\u00ba. de dezembro. Buena dicha. Daqui parto para a bela pen\u00ednsula de Yucat\u00e1n, no extremo sudeste. Mais duas horas no ar, sem os tempos de aeroportos e retornos mis. Hasta La vista.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 07\/09\/2012.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3072","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3072","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3072"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3072\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3072"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3072"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3072"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}