{"id":3078,"date":"2023-12-21T09:10:37","date_gmt":"2023-12-21T12:10:37","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/fazer-um-jornal-por-76-anos-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:37","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:37","slug":"fazer-um-jornal-por-76-anos-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/fazer-um-jornal-por-76-anos-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"FAZER UM JORNAL POR 76 ANOS &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Na adolesc\u00eancia dirigi um clube de amigos. Esse clube tinha um jornal: \u201cO Girafa\u201d, que significava Grupo de Instru\u00e7\u00e3o e Recrea\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica de F\u00e1tima. Saiu poucas vezes. Eu era o faz tudo: redator, noticiarista e distribuidor. Fiz o que pude.<br \/>\nA historiadora Valdelice Gir\u00e3o, do Instituto Hist\u00f3rico, foi uma das inspiradoras e talvez se lembre desse fato. Depois, j\u00e1 na UFC, fui presidente da Cooperativa Cultural dos Estudantes Universit\u00e1rios, sucedendo ao brilhante Manuel Aguiar de Arruda. Funcionava na Rua Senador Pompeu, perto da Faculdade de Direito, no antigo pr\u00e9dio do Diret\u00f3rio Central dos Estudantes. Lutei muito para conseguir livros, criar interesses dos colegas, editar um jornal, mas a colabora\u00e7\u00e3o era m\u00ednima. O Manuel Arruda \u00e9 testemunha viva.<br \/>\nTudo isso me vem \u00e0 mente ao saber que o jornal O Estado completou 76 anos. Imaginemos como era Fortaleza em 1946, quando o Brasil acabara de sair da ditadura, o presidente era o Marechal Eurico Gaspar Dutra e tentava deixar de ser um pa\u00eds agr\u00edcola para come\u00e7ar a era da industrializa\u00e7\u00e3o. Ainda sem favelas, que come\u00e7aram a surgir nos anos 50, a capital cearense sombreada por f\u00edcus-benjamim tinha em torno de 200 mil habitantes, os americanos \u2013 que vieram com a 2a Guerra \u2013 haviam ido embora para tristeza de algumas \u201ccoca-colas\u201d. A pavimenta\u00e7\u00e3o, quando existia, era em pedra tosca e paralelep\u00edpedo, pouco esgoto e \u00e1gua encanada, os bondes el\u00e9tricos trafegavam de forma prec\u00e1ria em face da energia bruxuleante fornecida pela Light, tendo sido desativados no ano seguinte.<br \/>\nMas Fortaleza n\u00e3o era pacata, politicamente falando. Em 1946, a ebuli\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica mostrava isso. Foram tr\u00eas prefeitos nesse ano: Oscar Barbosa, Romeu Martins e Cl\u00f3vis Matos. Intrigas.<br \/>\nA Cear\u00e1 R\u00e1dio Clube imperava na radiofonia, mas no campo jornal\u00edstico havia muitos jornais. Correio do Cear\u00e1, Unit\u00e1rio, O POVO, O Democrata e O Nordeste dividiam o reduzido n\u00famero de leitores citadinos. Pois foi nesse cadinho que surgiu o jornal O Estado, independente, tal como ainda hoje o \u00e9, fundado por Jos\u00e9 Martins Rodrigues &#8211; dirigente do Partido Social Democr\u00e1tico- PSD, opositor direto da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional-UDN &#8211; advogado, professor universit\u00e1rio e um dos pol\u00edticos mais respeitados da hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira do s\u00e9culo passado, ocupando relevantes cargos p\u00fablicos, inclusive o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a.<br \/>\nA hist\u00f3ria do jornal O Estado j\u00e1 foi contada por jornalistas, escritores e memorialistas. O que apenas tento dizer \u00e9 que O Estado foi um dos dois jornais que superaram, desde ent\u00e3o, todas as intemp\u00e9ries pol\u00edticas, crises econ\u00f4micas e sociais, que vivemos nestes tr\u00eas quartos de s\u00e9culo.<br \/>\nNo come\u00e7o desse escrito, frisei como \u00e9 dif\u00edcil fazer funcionar um mero jornal de jovens e dirigir uma cooperativa cultural. Imagine um jornal de verdade. Aglutinar, por 76 anos, jornalistas, colaboradores, redatores, clientes, oficinas, distribui\u00e7\u00e3o e estar nas bancas todas as manh\u00e3s do dia seguinte.<br \/>\nO Estado teve v\u00e1rias fases, mas sua consolida\u00e7\u00e3o final se deve a uma luta renhida do advogado caririense Venelouis Xavier Pereira, que se arvorou em empres\u00e1rio jornal\u00edstico em um meio absolutamente hostil. Sofreu e resistiu. Hoje, seus filhos, capitaneados por Ricardo Palhano, com a presen\u00e7a materna de D. Wanda, o dirigem com equil\u00edbrio, integridade, consequ\u00eancia e livre, como sonhava Venelouis. Parab\u00e9ns a todos.<\/p>\n<p> Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 28\/09\/2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na adolesc\u00eancia dirigi um clube de amigos. Esse clube tinha um jornal: \u201cO Girafa\u201d, que significava Grupo de Instru\u00e7\u00e3o e Recrea\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica de F\u00e1tima. Saiu poucas vezes. Eu era o faz tudo: redator, noticiarista e distribuidor. Fiz o que pude.<br \/>\nA historiadora Valdelice Gir\u00e3o, do Instituto Hist\u00f3rico, foi uma das inspiradoras e talvez se lembre desse fato. Depois, j\u00e1 na UFC, fui presidente da Cooperativa Cultural dos Estudantes Universit\u00e1rios, sucedendo ao brilhante Manuel Aguiar de Arruda. Funcionava na Rua Senador Pompeu, perto da Faculdade de Direito, no antigo pr\u00e9dio do Diret\u00f3rio Central dos Estudantes. Lutei muito para conseguir livros, criar interesses dos colegas, editar um jornal, mas a colabora\u00e7\u00e3o era m\u00ednima. O Manuel Arruda \u00e9 testemunha viva.<br \/>\nTudo isso me vem \u00e0 mente ao saber que o jornal O Estado completou 76 anos. Imaginemos como era Fortaleza em 1946, quando o Brasil acabara de sair da ditadura, o presidente era o Marechal Eurico Gaspar Dutra e tentava deixar de ser um pa\u00eds agr\u00edcola para come\u00e7ar a era da industrializa\u00e7\u00e3o. Ainda sem favelas, que come\u00e7aram a surgir nos anos 50, a capital cearense sombreada por f\u00edcus-benjamim tinha em torno de 200 mil habitantes, os americanos \u2013 que vieram com a 2a Guerra \u2013 haviam ido embora para tristeza de algumas \u201ccoca-colas\u201d. A pavimenta\u00e7\u00e3o, quando existia, era em pedra tosca e paralelep\u00edpedo, pouco esgoto e \u00e1gua encanada, os bondes el\u00e9tricos trafegavam de forma prec\u00e1ria em face da energia bruxuleante fornecida pela Light, tendo sido desativados no ano seguinte.<br \/>\nMas Fortaleza n\u00e3o era pacata, politicamente falando. Em 1946, a ebuli\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica mostrava isso. Foram tr\u00eas prefeitos nesse ano: Oscar Barbosa, Romeu Martins e Cl\u00f3vis Matos. Intrigas.<br \/>\nA Cear\u00e1 R\u00e1dio Clube imperava na radiofonia, mas no campo jornal\u00edstico havia muitos jornais. Correio do Cear\u00e1, Unit\u00e1rio, O POVO, O Democrata e O Nordeste dividiam o reduzido n\u00famero de leitores citadinos. Pois foi nesse cadinho que surgiu o jornal O Estado, independente, tal como ainda hoje o \u00e9, fundado por Jos\u00e9 Martins Rodrigues &#8211; dirigente do Partido Social Democr\u00e1tico- PSD, opositor direto da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional-UDN &#8211; advogado, professor universit\u00e1rio e um dos pol\u00edticos mais respeitados da hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira do s\u00e9culo passado, ocupando relevantes cargos p\u00fablicos, inclusive o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a.<br \/>\nA hist\u00f3ria do jornal O Estado j\u00e1 foi contada por jornalistas, escritores e memorialistas. O que apenas tento dizer \u00e9 que O Estado foi um dos dois jornais que superaram, desde ent\u00e3o, todas as intemp\u00e9ries pol\u00edticas, crises econ\u00f4micas e sociais, que vivemos nestes tr\u00eas quartos de s\u00e9culo.<br \/>\nNo come\u00e7o desse escrito, frisei como \u00e9 dif\u00edcil fazer funcionar um mero jornal de jovens e dirigir uma cooperativa cultural. Imagine um jornal de verdade. Aglutinar, por 76 anos, jornalistas, colaboradores, redatores, clientes, oficinas, distribui\u00e7\u00e3o e estar nas bancas todas as manh\u00e3s do dia seguinte.<br \/>\nO Estado teve v\u00e1rias fases, mas sua consolida\u00e7\u00e3o final se deve a uma luta renhida do advogado caririense Venelouis Xavier Pereira, que se arvorou em empres\u00e1rio jornal\u00edstico em um meio absolutamente hostil. Sofreu e resistiu. Hoje, seus filhos, capitaneados por Ricardo Palhano, com a presen\u00e7a materna de D. Wanda, o dirigem com equil\u00edbrio, integridade, consequ\u00eancia e livre, como sonhava Venelouis. Parab\u00e9ns a todos.<\/p>\n<p> Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 28\/09\/2012.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3078","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3078","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3078"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3078\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}