{"id":3080,"date":"2023-12-21T09:10:37","date_gmt":"2023-12-21T12:10:37","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/lustosa-da-costa-retalhos-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:37","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:37","slug":"lustosa-da-costa-retalhos-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/lustosa-da-costa-retalhos-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"LUSTOSA DA COSTA &#8211; RETALHOS &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Nos finais dos anos sessenta, o L\u00facio Brasileiro, o Lustosa da Costa, o Frota Neto, o Fernando T\u00e1vora, o D\u00e1rio Macedo e alguns poucos mais formavam uma turma que se dividia, no come\u00e7o das noites, entre os restaurantes do Ideal Clube e do N\u00e1utico. Tive a honra de participar desse grupo que, etilicamente ou n\u00e3o, discutia pol\u00edtica e os costumes da provinciana Fortaleza. A esse tempo, L\u00facio (Sociedade), Lustosa (Pol\u00edtica) e eu (Administra\u00e7\u00e3o&#038;Neg\u00f3cios) escrev\u00edamos, diariamente &#8211; e por anos &#8211; no Correio do Cear\u00e1, dos Di\u00e1rios Associados. N\u00e3o contei \u00e0s vezes em que fui deix\u00e1-lo na casa do Sr. Costa, seu pai, na Piedade.<br \/>\nDepois, j\u00e1 nos princ\u00edpios dos setenta, Lustosa, Anast\u00e1cio de Sousa e Eduardo Augusto Campos fundaram uma ag\u00eancia de publicidade. A primeira reuni\u00e3o foi na minha casa. A meta era ter como cliente maior o grupo Credimus, do qual eu fazia parte. Destarte, assim foi feito.<br \/>\nEm seguida, Dorian Sampaio, abruptamente novel cassado, achega-se a mim com a ideia de reeditarmos o Anu\u00e1rio do Cear\u00e1 que havia parado de sair com a morte de Waldery Uchoa. Do jeito doriano de ser, ele me disse: quero que voc\u00ea entre. Pedi para ele fazer um projeto. Ele retrucou: voc\u00ea me paga o trabalho? Claro, respondi. Dias depois, o Dorian volta com o projeto. Li, estudei, paguei o combinado e falei: Dorian, arranje um s\u00f3cio da \u00e1rea. Assim, surgiu a sociedade Dorian-Lustosa para o \u201crevival\u201d do Anu\u00e1rio do Cear\u00e1.<br \/>\nEm um dos s\u00e1bados, na cobertura do L\u00facio Brasileiro, no Iracema Plaza Hotel, L\u00facio, Lustosa e eu fizemos um \u201cpacto para o futuro\u201d, que j\u00e1 se faz quase passado. Prometemos que nos ajudar\u00edamos mutuamente em caso de necessidade. Isso n\u00e3o foi preciso. Cada um fez o seu caminho, com luz pr\u00f3pria.<br \/>\nNo dia em que Lustosa resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro, perpetramos um bota-fora no San Pedro Hotel. Quem encabe\u00e7ou a homenagem foi Danilo Marques. Ficamos l\u00e1 at\u00e9 a hora do seu embarque dorido para o apartamento de fundos, na Av. Nossa Senhora de Copacabana,\u201d Ali Lustosa fez pouso, com o apoio do Orlandino Rocha, irm\u00e3o do Ayrton, antes de se definir por Bras\u00edlia. Pouco tempo depois, Danilo e eu fomos visit\u00e1-lo no Rio e tive a quase imposs\u00edvel incumb\u00eancia de ensin\u00e1-lo a dan\u00e7ar, pois ele estava no mercado afetivo carioca.<br \/>\nJornalista di\u00e1rio, escritor compulsivo, integrante da Academia Brasiliense de Letras, com quase 30 livros publicados, orgulhava-se dos \u201catestados\u201d que lhe deram os leitores\/cr\u00edticos Jorge Amado, Jos\u00e9 Saramago e Mia Couto, para ficar nos mais not\u00e1veis. Por outro lado, mantinha l\u00e1, como aqui, grupos de amigos que o festejavam sempre. L\u00e1, Wilson Ibiapina e Fernando C\u00e9sar Mesquita expressam, em nome dos demais amigos cearenses-brasilienses, esse c\u00edrculo afetivo que se fazia permanente nas suas idas di\u00e1rias ao Congresso Nacional, sempre de palet\u00f3 e gravata, e \u00e0 sucursal do \u201cDi\u00e1rio do Nordeste\u201d. Era cioso de sua amizade com o senador Jos\u00e9 Sarney e d. Marly, comensais rec\u00edprocos em suas resid\u00eancias.<br \/>\nVinha ao Cear\u00e1 todos os meses. Aqui, entranhou-se no an\u00e1rquico-liter\u00e1rio Clube do Bode onde, com sua voz anasalada, sob o olhar c\u00famplice do S\u00e9rgio Braga, provocava Juarez Leit\u00e3o, o irm\u00e3o confidente eleito na maturidade, para soltar o Juca Bacurim nas manh\u00e3s calorentas de s\u00e1bado, que, anos ap\u00f3s, foram sendo amainadas em uma mesa redonda no climatizado bar do Ideal.ky.<br \/>\nDaqui partia de \u00f4nibus para Sobral para ouvir as conversas no Beco do Cotovelo, esmiu\u00e7ar jornais, conversar com colegas de semin\u00e1rios e, h\u00e1 alguns anos parar, perplexo, junto com o fido escudeiro Juarez, e admirar a Biblioteca Lustosa da Costa, seu amor em forma de paredes e livros.<br \/>\nEm janeiro de 2007, convidei-o para integrar o meu livro \u201cGente que Conta\u201d, em que entrevisto dezesseis personalidades cearenses. Ele respondeu a todas as perguntas que fiz em vinte p\u00e1ginas, com o cora\u00e7\u00e3o aberto, claro e sincero.<br \/>\nH\u00e1 alguns dias, Juarez, Teles, S\u00e9rgio, Edmo e outros demonstraram afetividade genu\u00edna para os mais de trezentos amigos que estiveram no Ideal no lan\u00e7amento da reedi\u00e7\u00e3o de \u201cSobral do Meu Tempo\u201d, 30 anos ap\u00f3s 1982. Era, ao meu olhar, apenas um pretexto para que grav\u00e1ssemos mensagens ao vivo, n\u00e3o t\u00e3o brilhantes como os discursos do Juarez e da Isabel Lustosa, sua irm\u00e3, mas t\u00e3o enternecedoras como o texto da filha Sara, lido por sua tia L\u00facia Lustosa Benevides, na presen\u00e7a de d. Dolores e seus irm\u00e3os. Gente madura em preito de reconhecimento e benqueren\u00e7a.<br \/>\nEstes retalhos n\u00e3o s\u00e3o para demonstrar intimidade, mas apenas dizer da longevidade de uma amizade que Bras\u00edlia surrupiou. Casado com Ver\u00f4nica, formou ali uma fam\u00edlia que sempre fulgurava em suas cr\u00f4nicas, pelo saber, a poliglotice dos filhos e as suas vidas independentes, brilhantes que s\u00e3o. Isso eleva e enleva o esfor\u00e7o que ele fez para viver um ano e meio sab\u00e1tico em Paris com toda a fam\u00edlia, certamente ati\u00e7ado por seu amigo e colega de Faculdade de Direito, Paulo Elp\u00eddio.<br \/>\nFa\u00e7o-me longo. Uso Leon Tolstoi para fechar esses meus alinhavos com uma mensagem ao pr\u00f3prio Lustosa, \u00e0 d. Dolores, seus irm\u00e3os, Ver\u00f4nica e filhos: \u201cPara se viver com honra \u00e9 preciso consumir-se, perturbar-se, lutar, errar, recome\u00e7ar do in\u00edcio e jogar tudo fora, e novamente recome\u00e7ar&#8230; A calma \u00e9 uma covardia da alma\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 05\/10\/2012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos finais dos anos sessenta, o L\u00facio Brasileiro, o Lustosa da Costa, o Frota Neto, o Fernando T\u00e1vora, o D\u00e1rio Macedo e alguns poucos mais formavam uma turma que se dividia, no come\u00e7o das noites, entre os restaurantes do Ideal Clube e do N\u00e1utico. Tive a honra de participar desse grupo que, etilicamente ou n\u00e3o, discutia pol\u00edtica e os costumes da provinciana Fortaleza. A esse tempo, L\u00facio (Sociedade), Lustosa (Pol\u00edtica) e eu (Administra\u00e7\u00e3o&#038;Neg\u00f3cios) escrev\u00edamos, diariamente &#8211; e por anos &#8211; no Correio do Cear\u00e1, dos Di\u00e1rios Associados. N\u00e3o contei \u00e0s vezes em que fui deix\u00e1-lo na casa do Sr. Costa, seu pai, na Piedade.<br \/>\nDepois, j\u00e1 nos princ\u00edpios dos setenta, Lustosa, Anast\u00e1cio de Sousa e Eduardo Augusto Campos fundaram uma ag\u00eancia de publicidade. A primeira reuni\u00e3o foi na minha casa. A meta era ter como cliente maior o grupo Credimus, do qual eu fazia parte. Destarte, assim foi feito.<br \/>\nEm seguida, Dorian Sampaio, abruptamente novel cassado, achega-se a mim com a ideia de reeditarmos o Anu\u00e1rio do Cear\u00e1 que havia parado de sair com a morte de Waldery Uchoa. Do jeito doriano de ser, ele me disse: quero que voc\u00ea entre. Pedi para ele fazer um projeto. Ele retrucou: voc\u00ea me paga o trabalho? Claro, respondi. Dias depois, o Dorian volta com o projeto. Li, estudei, paguei o combinado e falei: Dorian, arranje um s\u00f3cio da \u00e1rea. Assim, surgiu a sociedade Dorian-Lustosa para o \u201crevival\u201d do Anu\u00e1rio do Cear\u00e1.<br \/>\nEm um dos s\u00e1bados, na cobertura do L\u00facio Brasileiro, no Iracema Plaza Hotel, L\u00facio, Lustosa e eu fizemos um \u201cpacto para o futuro\u201d, que j\u00e1 se faz quase passado. Prometemos que nos ajudar\u00edamos mutuamente em caso de necessidade. Isso n\u00e3o foi preciso. Cada um fez o seu caminho, com luz pr\u00f3pria.<br \/>\nNo dia em que Lustosa resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro, perpetramos um bota-fora no San Pedro Hotel. Quem encabe\u00e7ou a homenagem foi Danilo Marques. Ficamos l\u00e1 at\u00e9 a hora do seu embarque dorido para o apartamento de fundos, na Av. Nossa Senhora de Copacabana,\u201d Ali Lustosa fez pouso, com o apoio do Orlandino Rocha, irm\u00e3o do Ayrton, antes de se definir por Bras\u00edlia. Pouco tempo depois, Danilo e eu fomos visit\u00e1-lo no Rio e tive a quase imposs\u00edvel incumb\u00eancia de ensin\u00e1-lo a dan\u00e7ar, pois ele estava no mercado afetivo carioca.<br \/>\nJornalista di\u00e1rio, escritor compulsivo, integrante da Academia Brasiliense de Letras, com quase 30 livros publicados, orgulhava-se dos \u201catestados\u201d que lhe deram os leitores\/cr\u00edticos Jorge Amado, Jos\u00e9 Saramago e Mia Couto, para ficar nos mais not\u00e1veis. Por outro lado, mantinha l\u00e1, como aqui, grupos de amigos que o festejavam sempre. L\u00e1, Wilson Ibiapina e Fernando C\u00e9sar Mesquita expressam, em nome dos demais amigos cearenses-brasilienses, esse c\u00edrculo afetivo que se fazia permanente nas suas idas di\u00e1rias ao Congresso Nacional, sempre de palet\u00f3 e gravata, e \u00e0 sucursal do \u201cDi\u00e1rio do Nordeste\u201d. Era cioso de sua amizade com o senador Jos\u00e9 Sarney e d. Marly, comensais rec\u00edprocos em suas resid\u00eancias.<br \/>\nVinha ao Cear\u00e1 todos os meses. Aqui, entranhou-se no an\u00e1rquico-liter\u00e1rio Clube do Bode onde, com sua voz anasalada, sob o olhar c\u00famplice do S\u00e9rgio Braga, provocava Juarez Leit\u00e3o, o irm\u00e3o confidente eleito na maturidade, para soltar o Juca Bacurim nas manh\u00e3s calorentas de s\u00e1bado, que, anos ap\u00f3s, foram sendo amainadas em uma mesa redonda no climatizado bar do Ideal.ky.<br \/>\nDaqui partia de \u00f4nibus para Sobral para ouvir as conversas no Beco do Cotovelo, esmiu\u00e7ar jornais, conversar com colegas de semin\u00e1rios e, h\u00e1 alguns anos parar, perplexo, junto com o fido escudeiro Juarez, e admirar a Biblioteca Lustosa da Costa, seu amor em forma de paredes e livros.<br \/>\nEm janeiro de 2007, convidei-o para integrar o meu livro \u201cGente que Conta\u201d, em que entrevisto dezesseis personalidades cearenses. Ele respondeu a todas as perguntas que fiz em vinte p\u00e1ginas, com o cora\u00e7\u00e3o aberto, claro e sincero.<br \/>\nH\u00e1 alguns dias, Juarez, Teles, S\u00e9rgio, Edmo e outros demonstraram afetividade genu\u00edna para os mais de trezentos amigos que estiveram no Ideal no lan\u00e7amento da reedi\u00e7\u00e3o de \u201cSobral do Meu Tempo\u201d, 30 anos ap\u00f3s 1982. Era, ao meu olhar, apenas um pretexto para que grav\u00e1ssemos mensagens ao vivo, n\u00e3o t\u00e3o brilhantes como os discursos do Juarez e da Isabel Lustosa, sua irm\u00e3, mas t\u00e3o enternecedoras como o texto da filha Sara, lido por sua tia L\u00facia Lustosa Benevides, na presen\u00e7a de d. Dolores e seus irm\u00e3os. Gente madura em preito de reconhecimento e benqueren\u00e7a.<br \/>\nEstes retalhos n\u00e3o s\u00e3o para demonstrar intimidade, mas apenas dizer da longevidade de uma amizade que Bras\u00edlia surrupiou. Casado com Ver\u00f4nica, formou ali uma fam\u00edlia que sempre fulgurava em suas cr\u00f4nicas, pelo saber, a poliglotice dos filhos e as suas vidas independentes, brilhantes que s\u00e3o. Isso eleva e enleva o esfor\u00e7o que ele fez para viver um ano e meio sab\u00e1tico em Paris com toda a fam\u00edlia, certamente ati\u00e7ado por seu amigo e colega de Faculdade de Direito, Paulo Elp\u00eddio.<br \/>\nFa\u00e7o-me longo. Uso Leon Tolstoi para fechar esses meus alinhavos com uma mensagem ao pr\u00f3prio Lustosa, \u00e0 d. Dolores, seus irm\u00e3os, Ver\u00f4nica e filhos: \u201cPara se viver com honra \u00e9 preciso consumir-se, perturbar-se, lutar, errar, recome\u00e7ar do in\u00edcio e jogar tudo fora, e novamente recome\u00e7ar&#8230; A calma \u00e9 uma covardia da alma\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 05\/10\/2012<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3080","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3080","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3080"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3080\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}