{"id":3101,"date":"2023-12-21T09:10:37","date_gmt":"2023-12-21T12:10:37","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/ano-novo-nos-filas-e-cotas-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:37","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:37","slug":"ano-novo-nos-filas-e-cotas-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/ano-novo-nos-filas-e-cotas-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"ANO NOVO, N\u00d3S, FILAS E COTAS &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>O ano vai ficar novo e n\u00f3s seremos os mesmos? Desataremos os n\u00f3s? O Brasil deu uma pequena repaginada \u2013 ainda sem vers\u00e3o final &#8211; em seus costumes no ano de 2012. Neste tempo de fim de ano cada pessoa tem direito a planos pessoais para o futuro. O futuro \u00e9 depois do hoje. Eu gostaria, portanto, caro leitor, fosse acrescentado mais um item em seus projetos de vida. Adote um princ\u00edpio consagrado na maior parte do planeta: ficar em fila. Nada de ser careta ou moralista. N\u00e3o ficar em fila mostra pouca educa\u00e7\u00e3o, incapacidade de obedecer a regras n\u00e3o simp\u00e1ticas e achar-se com mais direito que os outros. Ficar em fila \u00e9 quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nE por falar nisso, h\u00e1 ainda muita coisa por fazer no Brasil. Por exemplo, a p\u00e9ssima educa\u00e7\u00e3o -ou instru\u00e7\u00e3o- nos coloca em 84\u00ba. lugar na fila do mundo, no campo do conhecimento. No censo atual (2010) do IBGE h\u00e1 registro de apenas 7,9% dos brasileiros com curso superior completo. No Nordeste, esse percentual cai para 2,3%. Se verificarmos o n\u00famero de analfabetos maiores de 15 anos, chegamos a 13% ou 26 milh\u00f5es de gente quase surda e cega para ouvir, ler e entender algo complexo. A informa\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o, a leitura e o conhecimento aclaram as ideias e nos transformam em pessoas cr\u00edticas ajuizando fatos com menor propens\u00e3o de erro.<br \/>\nEstudamos quase nada, lemos pouco e n\u00e3o nos preparamos para as guinadas e os embates do mundo. Ele est\u00e1 girando em ciclos cada vez menores por conta do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico e da Web. Repito, 26 Milh\u00f5es de compatr\u00edcios n\u00e3o sabem ler, escrever ou sequer garatujar o nome na carteira de trabalho. A educa\u00e7\u00e3o, direito fundamental da pessoa, ainda n\u00e3o contempla, em nosso pa\u00eds, um arco significativo. \u00c9 privil\u00e9gio.<br \/>\nEntretanto, surgiu h\u00e1 algum tempo a ideia das cotas (por crit\u00e9rios sociais e raciais; e para alunos de escola p\u00fablica) j\u00e1 em processo de consolida\u00e7\u00e3o e alguns milhares est\u00e3o conseguindo, nesse caso, \u201cfurar a fila\u201d do atraso para entrar na universidade p\u00fablica e gratuita. Paradoxalmente, esse fato n\u00e3o \u00e9 burlar a fila, tanto o uso das aspas, mas um reparo do Brasil na sua hist\u00f3ria permeada de injusti\u00e7as e de desamparo. Por quest\u00f5es de ra\u00e7a, status e cultura, muitos n\u00e3o foram assimilados por uma sociedade preconceituosa a se julgar superior por for\u00e7a de sua pele, do local de nascimento ou dos cobres em seu bolso. As cotas v\u00e3o eliminando desigualdades.<br \/>\nAinda agor o nordestino migrante em S\u00e3o Paulo, levado em velhos \u00f4nibus clandestinos para ser porteiro ou zelador em pr\u00e9dios ou m\u00e3o-de-obra barata em projetos ditos sociais, \u00e9 tratado por \u201cbaiano\u201d, como adjetiva\u00e7\u00e3o pejorativa e preconceituosa. Ele vai direto para uma favela onde j\u00e1 tem parente ou amigo. Isso n\u00e3o \u00e9 destino, \u00e9 trag\u00e9dia, tudo por conta da aus\u00eancia de oportunidade de sua fam\u00edlia incrustada em um grot\u00e3o qualquer e da inexist\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica na inf\u00e2ncia.<br \/>\nVoltando \u00e0s filas: fur\u00e1-las, no contexto, \u00e9 n\u00e3o aceitar o outro \u00e0 sua frente. \u00c9 n\u00e3o respeitar a ordem natural das coisas. \u00c9 procurar regalia em qualquer situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 valer-se disso e daquilo para burlar os costumes e as leis. A esperteza, a malandragem, a promiscuidade entre o p\u00fablico e o privado \u00e9 uma fura\u00e7\u00e3o de fila enraizada a ser extirpada. Inclua o respeito ao outro e a si mesmo em seus desejos para 2013. O brasileiro precisa de epifanias. Feliz Ano Novo.<\/p>\n<p> Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 21\/12\/2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano vai ficar novo e n\u00f3s seremos os mesmos? Desataremos os n\u00f3s? O Brasil deu uma pequena repaginada \u2013 ainda sem vers\u00e3o final &#8211; em seus costumes no ano de 2012. Neste tempo de fim de ano cada pessoa tem direito a planos pessoais para o futuro. O futuro \u00e9 depois do hoje. Eu gostaria, portanto, caro leitor, fosse acrescentado mais um item em seus projetos de vida. Adote um princ\u00edpio consagrado na maior parte do planeta: ficar em fila. Nada de ser careta ou moralista. N\u00e3o ficar em fila mostra pouca educa\u00e7\u00e3o, incapacidade de obedecer a regras n\u00e3o simp\u00e1ticas e achar-se com mais direito que os outros. Ficar em fila \u00e9 quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nE por falar nisso, h\u00e1 ainda muita coisa por fazer no Brasil. Por exemplo, a p\u00e9ssima educa\u00e7\u00e3o -ou instru\u00e7\u00e3o- nos coloca em 84\u00ba. lugar na fila do mundo, no campo do conhecimento. No censo atual (2010) do IBGE h\u00e1 registro de apenas 7,9% dos brasileiros com curso superior completo. No Nordeste, esse percentual cai para 2,3%. Se verificarmos o n\u00famero de analfabetos maiores de 15 anos, chegamos a 13% ou 26 milh\u00f5es de gente quase surda e cega para ouvir, ler e entender algo complexo. A informa\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o, a leitura e o conhecimento aclaram as ideias e nos transformam em pessoas cr\u00edticas ajuizando fatos com menor propens\u00e3o de erro.<br \/>\nEstudamos quase nada, lemos pouco e n\u00e3o nos preparamos para as guinadas e os embates do mundo. Ele est\u00e1 girando em ciclos cada vez menores por conta do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico e da Web. Repito, 26 Milh\u00f5es de compatr\u00edcios n\u00e3o sabem ler, escrever ou sequer garatujar o nome na carteira de trabalho. A educa\u00e7\u00e3o, direito fundamental da pessoa, ainda n\u00e3o contempla, em nosso pa\u00eds, um arco significativo. \u00c9 privil\u00e9gio.<br \/>\nEntretanto, surgiu h\u00e1 algum tempo a ideia das cotas (por crit\u00e9rios sociais e raciais; e para alunos de escola p\u00fablica) j\u00e1 em processo de consolida\u00e7\u00e3o e alguns milhares est\u00e3o conseguindo, nesse caso, \u201cfurar a fila\u201d do atraso para entrar na universidade p\u00fablica e gratuita. Paradoxalmente, esse fato n\u00e3o \u00e9 burlar a fila, tanto o uso das aspas, mas um reparo do Brasil na sua hist\u00f3ria permeada de injusti\u00e7as e de desamparo. Por quest\u00f5es de ra\u00e7a, status e cultura, muitos n\u00e3o foram assimilados por uma sociedade preconceituosa a se julgar superior por for\u00e7a de sua pele, do local de nascimento ou dos cobres em seu bolso. As cotas v\u00e3o eliminando desigualdades.<br \/>\nAinda agor o nordestino migrante em S\u00e3o Paulo, levado em velhos \u00f4nibus clandestinos para ser porteiro ou zelador em pr\u00e9dios ou m\u00e3o-de-obra barata em projetos ditos sociais, \u00e9 tratado por \u201cbaiano\u201d, como adjetiva\u00e7\u00e3o pejorativa e preconceituosa. Ele vai direto para uma favela onde j\u00e1 tem parente ou amigo. Isso n\u00e3o \u00e9 destino, \u00e9 trag\u00e9dia, tudo por conta da aus\u00eancia de oportunidade de sua fam\u00edlia incrustada em um grot\u00e3o qualquer e da inexist\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica na inf\u00e2ncia.<br \/>\nVoltando \u00e0s filas: fur\u00e1-las, no contexto, \u00e9 n\u00e3o aceitar o outro \u00e0 sua frente. \u00c9 n\u00e3o respeitar a ordem natural das coisas. \u00c9 procurar regalia em qualquer situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 valer-se disso e daquilo para burlar os costumes e as leis. A esperteza, a malandragem, a promiscuidade entre o p\u00fablico e o privado \u00e9 uma fura\u00e7\u00e3o de fila enraizada a ser extirpada. Inclua o respeito ao outro e a si mesmo em seus desejos para 2013. O brasileiro precisa de epifanias. Feliz Ano Novo.<\/p>\n<p> Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\nCronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 21\/12\/2012.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3101","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3101","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3101"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3101\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}