{"id":3108,"date":"2023-12-21T09:10:37","date_gmt":"2023-12-21T12:10:37","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/felicidade-e-vida-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:37","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:37","slug":"felicidade-e-vida-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/felicidade-e-vida-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"FELICIDADE E VIDA &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Esta semana encontrei uma amarfanhada revista \u00c9poca de maio do ano passado. E por acaso, pus-me a folhe\u00e1-la. E n\u00e3o \u00e9 que encontrei um artigo sobre felicidade? Este substantivo feminino com origem no Latim, l\u00edngua que dizem estar morta, mas preenche vazios dos que escrevem e ainda d\u00e1 nome a astros e plantas medicinais, entre outros. Desde a antiga Roma, o poeta P\u00fablio Siro dizia: \u201cN\u00e3o \u00e9 feliz quem n\u00e3o se considera como tal\u201d. L\u00e1 perto, na Gr\u00e9cia antiga, \u00c9squilo, um tr\u00e1gico, arrematava: \u201cApenas quem terminou sua vida sem sofrimento pode considerar-se feliz\u201d. Hor\u00e1cio, tamb\u00e9m poeta latino, acreditava que \u201cn\u00e3o existe felicidade completa\u201d. John Stuart Mill, fil\u00f3sofo e economista ingl\u00eas do s\u00e9culo 19, sugeria: \u201cPerguntai a v\u00f3s mesmos se sois felizes e deixareis de s\u00ea-lo\u201d. No s\u00e9culo passado, Ezra Pound, poeta americano, criticava: \u201cFelicidade: circula\u00e7\u00e3o apropriada de lubrificantes end\u00f3crinos\u201d. Voltando ao artigo: ele afirma que a Dinamarca \u00e9 considerada o pa\u00eds mais feliz do mundo. Em 2006, pesquisadores da Universidade Leicester, da Gr\u00e3-Bretanha, acreditaram ter descoberto a f\u00f3rmula de um \u201cmapa mundial de felicidade\u201d que trazia como pressupostos: sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade e o grau de satisfa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o com o futuro de seu pa\u00eds. A Dinamarca saiu vencedora por desenvolvida, alegre e onde a maioria das pessoas \u00e9 ir\u00f4nica, como o era o seu falecido fil\u00f3sofo Soren Kierkegard. A raz\u00e3o da felicidade dinamarquesa \u00e9 justificada pela absoluta liberdade de express\u00e3o, cidades seguras, a ironia ou a capacidade de dizer o contr\u00e1rio do que se pensa. E o Brasil, perguntam voc\u00eas? N\u00e3o ficou entre os 20 primeiros classificados, mesmo com futebol, BBB, propaganda de cerveja e roda de samba. A prop\u00f3sito, outro dia a seguinte afirma\u00e7\u00e3o de Crist\u00f3vam Buarque gerou pol\u00eamica: &#8220;O Brasil ficou entre 8 melhores do mundo no futebol e entristeceu. Mas \u00e9 85\u00ba em educa\u00e7\u00e3o e por isso n\u00e3o h\u00e1 tristeza&#8221;. Queremos parecer o que n\u00e3o somos, n\u00e3o nos contentamos com o que somos ou temos. Ou com o que importa. Somos perdedores ou vencedores, dependendo dos embates e batalhas, esquecendo, como queria Andr\u00e9 Malraux que a vida n\u00e3o vale nada, mas que nada vale uma vida. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 16\/01\/2011.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta semana encontrei uma amarfanhada revista \u00c9poca de maio do ano passado. E por acaso, pus-me a folhe\u00e1-la. E n\u00e3o \u00e9 que encontrei um artigo sobre felicidade? Este substantivo feminino com origem no Latim, l\u00edngua que dizem estar morta, mas preenche vazios dos que escrevem e ainda d\u00e1 nome a astros e plantas medicinais, entre outros. Desde a antiga Roma, o poeta P\u00fablio Siro dizia: \u201cN\u00e3o \u00e9 feliz quem n\u00e3o se considera como tal\u201d. L\u00e1 perto, na Gr\u00e9cia antiga, \u00c9squilo, um tr\u00e1gico, arrematava: \u201cApenas quem terminou sua vida sem sofrimento pode considerar-se feliz\u201d. Hor\u00e1cio, tamb\u00e9m poeta latino, acreditava que \u201cn\u00e3o existe felicidade completa\u201d. John Stuart Mill, fil\u00f3sofo e economista ingl\u00eas do s\u00e9culo 19, sugeria: \u201cPerguntai a v\u00f3s mesmos se sois felizes e deixareis de s\u00ea-lo\u201d. No s\u00e9culo passado, Ezra Pound, poeta americano, criticava: \u201cFelicidade: circula\u00e7\u00e3o apropriada de lubrificantes end\u00f3crinos\u201d. Voltando ao artigo: ele afirma que a Dinamarca \u00e9 considerada o pa\u00eds mais feliz do mundo. Em 2006, pesquisadores da Universidade Leicester, da Gr\u00e3-Bretanha, acreditaram ter descoberto a f\u00f3rmula de um \u201cmapa mundial de felicidade\u201d que trazia como pressupostos: sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade e o grau de satisfa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o com o futuro de seu pa\u00eds. A Dinamarca saiu vencedora por desenvolvida, alegre e onde a maioria das pessoas \u00e9 ir\u00f4nica, como o era o seu falecido fil\u00f3sofo Soren Kierkegard. A raz\u00e3o da felicidade dinamarquesa \u00e9 justificada pela absoluta liberdade de express\u00e3o, cidades seguras, a ironia ou a capacidade de dizer o contr\u00e1rio do que se pensa. E o Brasil, perguntam voc\u00eas? N\u00e3o ficou entre os 20 primeiros classificados, mesmo com futebol, BBB, propaganda de cerveja e roda de samba. A prop\u00f3sito, outro dia a seguinte afirma\u00e7\u00e3o de Crist\u00f3vam Buarque gerou pol\u00eamica: &#8220;O Brasil ficou entre 8 melhores do mundo no futebol e entristeceu. Mas \u00e9 85\u00ba em educa\u00e7\u00e3o e por isso n\u00e3o h\u00e1 tristeza&#8221;. Queremos parecer o que n\u00e3o somos, n\u00e3o nos contentamos com o que somos ou temos. Ou com o que importa. Somos perdedores ou vencedores, dependendo dos embates e batalhas, esquecendo, como queria Andr\u00e9 Malraux que a vida n\u00e3o vale nada, mas que nada vale uma vida. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 16\/01\/2011.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3108","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3108","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3108"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3108\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}