{"id":3112,"date":"2023-12-21T09:10:38","date_gmt":"2023-12-21T12:10:38","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/constatacao-obvia-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:38","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:38","slug":"constatacao-obvia-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/constatacao-obvia-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"CONSTATA\u00c7\u00c3O \u00d3BVIA &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Cidade \u00e9, literalmente, lugar onde vive o cidad\u00e3o, muito embora muitos que nela habitam n\u00e3o possam ser considerados como tal. Cidadania pressup\u00f5e pleno gozo de direitos civis e pol\u00edticos. Aqueles, portanto, que se obrigam a morar em condi\u00e7\u00f5es subumanas, em encostas de morros, vias p\u00fablicas ou zonas de risco, sem emprego de onde tirar o sustento e a dignidade, dependendo de favores ou mendic\u00e2ncia, certamente n\u00e3o podem ser considerados cidad\u00e3os. Catadores de lixo e puxadores de carro\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o, certamente, exercitando os seus direitos civis. O que se v\u00ea, todos os dias, em cada esquina deste Brasil urbano, al\u00e9m dos flanelinhas assumidos, s\u00e3o crian\u00e7as com malabares, ambulantes, mendigos e as carro\u00e7as pachorrentas cheias de materiais descartados pelos \u201cprivilegiados\u201d. Basta de empulha\u00e7\u00e3o, de negar o \u00f3bvio e mistificar o futuro de pessoas que n\u00e3o sabem o que \u00e9 esperan\u00e7a. Elas sobrevivem de forma instintiva e vegetativa, tirando do nada o seu sustento e, se se marginalizam, \u00e9 porque n\u00e3o possuem habilita\u00e7\u00e3o para quase nada. Por ser t\u00e3o baixa a qualidade do ensino no n\u00edvel m\u00e9dio, as empresas, em sua maioria, empregam em seus escrit\u00f3rios e para fun\u00e7\u00f5es simples, pessoas com forma\u00e7\u00e3o superior. \u00c9 claro que nas ind\u00fastrias os oper\u00e1rios n\u00e3o precisam da educa\u00e7\u00e3o formal, mas carecem de treinamento profissional para lidar com m\u00e1quinas e instrumentos mecatr\u00f4nicos cada vez mais sofisticados, exigindo qualifica\u00e7\u00e3o continuada. O avan\u00e7o tecnol\u00f3gico \u00e9 veloz e resulta em obsolesc\u00eancia e redu\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra, de insumos e de custos fixos. A ordem \u00e9 produzir mais com menos. Por outro lado, o Estado cobra tributo de tudo. O pre\u00e7o final de um bem ou servi\u00e7o sempre dobra por conta da energia el\u00e9trica, carga tribut\u00e1ria, obriga\u00e7\u00f5es sociais e afins. Muitos dos que nos representam nos parlamentos gastam o pouco tempo que dedicam \u00e0s suas fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas em busca de verbas para prefeitos que os elegem, a barganhar votos por cargos em comiss\u00e3o e empregos terceirizados e dar entrevistas ocas. Por esta raz\u00e3o \u00e9 que, entre tantos, cacique mora e domina Estado de mais baixo \u00edndice de desenvolvimento humano, \u00e9 votado noutro, t\u00e3o miser\u00e1vel quanto, e aceita mais do mesmo encargo com resigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 06\/02\/2011.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade \u00e9, literalmente, lugar onde vive o cidad\u00e3o, muito embora muitos que nela habitam n\u00e3o possam ser considerados como tal. Cidadania pressup\u00f5e pleno gozo de direitos civis e pol\u00edticos. Aqueles, portanto, que se obrigam a morar em condi\u00e7\u00f5es subumanas, em encostas de morros, vias p\u00fablicas ou zonas de risco, sem emprego de onde tirar o sustento e a dignidade, dependendo de favores ou mendic\u00e2ncia, certamente n\u00e3o podem ser considerados cidad\u00e3os. Catadores de lixo e puxadores de carro\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o, certamente, exercitando os seus direitos civis. O que se v\u00ea, todos os dias, em cada esquina deste Brasil urbano, al\u00e9m dos flanelinhas assumidos, s\u00e3o crian\u00e7as com malabares, ambulantes, mendigos e as carro\u00e7as pachorrentas cheias de materiais descartados pelos \u201cprivilegiados\u201d. Basta de empulha\u00e7\u00e3o, de negar o \u00f3bvio e mistificar o futuro de pessoas que n\u00e3o sabem o que \u00e9 esperan\u00e7a. Elas sobrevivem de forma instintiva e vegetativa, tirando do nada o seu sustento e, se se marginalizam, \u00e9 porque n\u00e3o possuem habilita\u00e7\u00e3o para quase nada. 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