{"id":3119,"date":"2023-12-21T09:10:38","date_gmt":"2023-12-21T12:10:38","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/mulher-poesia-pura-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:38","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:38","slug":"mulher-poesia-pura-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/mulher-poesia-pura-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"MULHER, POESIA PURA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Segunda, 14, data consagrada a Castro Alves e \u00e0 Poesia, tive a ventura de juntar poetas. Alguns, em carne viva. Outros, em versos eternizados. De todos, recolhi poemas. Os daqui, eles mesmos os indicaram. Os do al\u00e9m, eu os escolhi. Poemas s\u00e3o mergulhos dos quais emergem respingos de sombras, amores, sonhos e dores. O tema: mulher. Voc\u00eas ver\u00e3o aqui, em rigorosa ordem alfab\u00e9tica, pequenos trechos de poema de cada poeta. Recorte e guarde, se desejar. Vou numer\u00e1-los, para que voc\u00ea, leitor, possa saber, com clareza, de quem s\u00e3o os poemas, sem aspas: 1. Antonio Gir\u00e3o Barroso: Maria, na doce paz deste poema sem l\u00e1grimas\/minha m\u00e3o quer te ofertar rosas e n\u00e3o versos; 2. Artur Eduardo Benevides: Porque ao fim da tarde j\u00e1 cheguei,\/sentindo que meus dias v\u00e3o findar,\/jovem- s\u00f3 por te amar \u2013 ainda serei;3.Carlyle Martins: E vendo-nos, ao luar de estranhos brilhos,\/de m\u00e3os dadas, aos beijos, nossos filhos\/dir\u00e3o que enlouquecemos de paix\u00e3o;4. Carlos Augusto Viana: O teu corpo \u00e9 um barro alucinado, \/fruto de finas \u00e1guas; e os tecidos\/que o cobrem t\u00eam o \u00e2mbar cultivado\/por dedos de far\u00e2ndolas tingidos;5. Carlos Drummond de Andrade: Para amar uma mulher, mais que\/tentar conquist\u00e1-la\/ h\u00e1 de ser conquistado&#8230;todo tomado e, um pouco de sorte, tamb\u00e9m ser\/amado; 6. Castro Alves: Eu fui a brisa, tu me foste a rosa,\/fui mariposa,\/-tu me foste a luz;7.Cec\u00edlia Meireles: Est\u00e1 vendo os sal\u00f5es que se acabaram\/embala-te em valsas que n\u00e3o dan\u00e7ou\/ levemente sorri para um homem\/O homem que n\u00e3o existiu;8. Cid Carvalho: Pois sigo na l\u00e1grima tua e quando encostas \/o ouvido no meu peito, ouves o tropel nervoso\/do meu cavalo louco nos caminhos do fim;9. Dimas Macedo: quero-te o ventre\/partilhado de l\u00edrios.\/E os c\u00edrios acesos\/de teus l\u00e1bios;10.Florbela Espanca: Amo-te tanto! E nunca de beijei&#8230;\/E neste beijo, Amor, que eu te n\u00e3o dei\/guardo os versos mais lindos que te fiz;11. Francisco Carvalho: Assim nasceu o pecado, segundo\/a escritura b\u00edblica. Alguns s\u00e1bios\/acreditam\/nessa ing\u00eanua metaf\u00edsica;12. Gerardo Melo Mour\u00e3o:&#8230; eterna solid\u00e3o da eterna noite\/ e teu \u00faltimo poeta fere na pedra a boca\/\/s\u00fabito lembrada do teu nome;13. Giselda Medeiros: E sei mais: que por amor\/tornas gostoso o amargo do jil\u00f3\/e que fazes nascer um sol indefinido\/na escurid\u00e3o dos eclipses da vida 14. Hor\u00e1cio D\u00eddimo: O p\u00e3o nosso de cada dia nos dai hoje\/pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? N\u00e3o h\u00e1 ternura\/pelo fruto de suas entranhas; 15. Jo\u00e3o Dummar Filho: \u00c9s a virgem exigente\/e eu o pecador\/\u00e9s a verdade esplendorosa e eu, da exist\u00eancia a dor; 16. Batista de Lima: E Deus\/ criou a mulher\/para dar luz\/ao homem;17. Barros Pinho: Nos olhos da amada\/o verbo edifica\/os acentos da solid\u00e3o; 18. Jos\u00e9 Telles: N\u00e3o preciso, sequer, \/ tocar tuas entranhas, \/d\u00e1-me apenas a paisagem do teu corpo para ser aplaudida;19. Juarez Leit\u00e3o: Os p\u00e9s de Donamaria contam hist\u00f3rias\/de muitas lutas e poucas maravilhas!\/Os calos s\u00e3o medalhas de suas gl\u00f3rias \/ conseguidas nos lombos dessas trilhas; 20. Leda Maria: Vez ou outra, acordamos mas\/ lentamente, repetindo textos santos,\/can\u00e7\u00f5es de marinheiros\/e versos de partida; 21.Linhares Filho: Meu destino \u00e9 a quietude que se esconde sobre tuas\/algas e sob a tua salsugem;22.Luciano Maia: \u00d3 musa ignota, ser misterioso\/caprichosa, lind\u00edssima mulher\/ e me fazer ousar: e ainda ouso\/ o poema encontrar, onde ela quer; 23.Mill\u00f4r Fernandes: Deus, a gra\u00e7a \u00e9 imerecida,\/mas dai ainda\/ uns aninhos de vida; 24.Octavio Paz: Teu corpo se constela de signos verdes\/renovos num corpo de \u00e1rvore\/ n\u00e3o te imposta tanta mi\u00fada e cicatriz luminosa:\/olha o c\u00e9u e a sua verde tatuagem de estrelas; 25.Olavo Bilac: Amo-te! Sou feliz! Porque, do \u00c9den perdido,\/ levo tudo, levando o teu corpo querido\/pode em redor de ti, tudo se aniquilar\/tudo renascer\u00e1 cantando ao teu olhar; 26.Paul Verlaine: E os cuidados que v\u00f3s podeis ter s\u00e3o apenas\/andorinhas voando \u00e0 tarde pelo c\u00e9u\/-Querida- num belo dia de setembro; 27.Pedro H.S. Le\u00e3o: eterno \u00e9 o que um s\u00f3 segundo\/ \u00e9 o que passou t\u00e3o de repente\/ sem dar tempo amanhecer; 28.Regine Limaverde: Sofro pelas mulheres que n\u00e3o tiveram\/ os seios tocados\/ os l\u00e1bios procurados;\/que se cansaram, em v\u00e3o, ou jamais dormiram\/ no leito de um Deus;29.Roberto Pontes: Felizes s\u00e3o aqueles que amantes\/d\u00e3o-se de todo aos ritos do seu jogo\/ e amparam suas m\u00e1goas e desejos\/ na reciprocidade sacra dos seus ventres;30.Soares Feitosa: Mantive a prisioneira sob algemas\/que ningu\u00e9m \u00e9 louco de manter\/tesoiro t\u00e3o rico ao l\u00e9u;31.Vin\u00edcius de Moraes: E de te amar assim, muito a mi\u00fade\/\u00e9 que um dia em teu corpo de repente\/ hei de morrer de amar mais que pude;32. Virg\u00edlio Maia: Trago-te a mim, te entrego os cora\u00e7\u00f5es\/que flechados e azuis tragos nos bra\u00e7os. \/Quero agora guiar-me por teus passos\/ E no teu corpo haurir loucas li\u00e7\u00f5es; 33. Walt Whitman: N\u00e3o se envergonhem, mulheres\/\u00e9 de voc\u00eas o privil\u00e9gio de conterem\/os outros e darem sa\u00edda aos outros; 34. William Shakespeare: Assim \u00e9 o meu amor e a ri reporto\/ por todas as culpas eu suporto. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 18\/03\/2011.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segunda, 14, data consagrada a Castro Alves e \u00e0 Poesia, tive a ventura de juntar poetas. Alguns, em carne viva. Outros, em versos eternizados. De todos, recolhi poemas. Os daqui, eles mesmos os indicaram. Os do al\u00e9m, eu os escolhi. Poemas s\u00e3o mergulhos dos quais emergem respingos de sombras, amores, sonhos e dores. O tema: mulher. Voc\u00eas ver\u00e3o aqui, em rigorosa ordem alfab\u00e9tica, pequenos trechos de poema de cada poeta. Recorte e guarde, se desejar. Vou numer\u00e1-los, para que voc\u00ea, leitor, possa saber, com clareza, de quem s\u00e3o os poemas, sem aspas: 1. Antonio Gir\u00e3o Barroso: Maria, na doce paz deste poema sem l\u00e1grimas\/minha m\u00e3o quer te ofertar rosas e n\u00e3o versos; 2. Artur Eduardo Benevides: Porque ao fim da tarde j\u00e1 cheguei,\/sentindo que meus dias v\u00e3o findar,\/jovem- s\u00f3 por te amar \u2013 ainda serei;3.Carlyle Martins: E vendo-nos, ao luar de estranhos brilhos,\/de m\u00e3os dadas, aos beijos, nossos filhos\/dir\u00e3o que enlouquecemos de paix\u00e3o;4. Carlos Augusto Viana: O teu corpo \u00e9 um barro alucinado, \/fruto de finas \u00e1guas; e os tecidos\/que o cobrem t\u00eam o \u00e2mbar cultivado\/por dedos de far\u00e2ndolas tingidos;5. Carlos Drummond de Andrade: Para amar uma mulher, mais que\/tentar conquist\u00e1-la\/ h\u00e1 de ser conquistado&#8230;todo tomado e, um pouco de sorte, tamb\u00e9m ser\/amado; 6. Castro Alves: Eu fui a brisa, tu me foste a rosa,\/fui mariposa,\/-tu me foste a luz;7.Cec\u00edlia Meireles: Est\u00e1 vendo os sal\u00f5es que se acabaram\/embala-te em valsas que n\u00e3o dan\u00e7ou\/ levemente sorri para um homem\/O homem que n\u00e3o existiu;8. Cid Carvalho: Pois sigo na l\u00e1grima tua e quando encostas \/o ouvido no meu peito, ouves o tropel nervoso\/do meu cavalo louco nos caminhos do fim;9. Dimas Macedo: quero-te o ventre\/partilhado de l\u00edrios.\/E os c\u00edrios acesos\/de teus l\u00e1bios;10.Florbela Espanca: Amo-te tanto! E nunca de beijei&#8230;\/E neste beijo, Amor, que eu te n\u00e3o dei\/guardo os versos mais lindos que te fiz;11. Francisco Carvalho: Assim nasceu o pecado, segundo\/a escritura b\u00edblica. Alguns s\u00e1bios\/acreditam\/nessa ing\u00eanua metaf\u00edsica;12. Gerardo Melo Mour\u00e3o:&#8230; eterna solid\u00e3o da eterna noite\/ e teu \u00faltimo poeta fere na pedra a boca\/\/s\u00fabito lembrada do teu nome;13. Giselda Medeiros: E sei mais: que por amor\/tornas gostoso o amargo do jil\u00f3\/e que fazes nascer um sol indefinido\/na escurid\u00e3o dos eclipses da vida 14. Hor\u00e1cio D\u00eddimo: O p\u00e3o nosso de cada dia nos dai hoje\/pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? N\u00e3o h\u00e1 ternura\/pelo fruto de suas entranhas; 15. Jo\u00e3o Dummar Filho: \u00c9s a virgem exigente\/e eu o pecador\/\u00e9s a verdade esplendorosa e eu, da exist\u00eancia a dor; 16. Batista de Lima: E Deus\/ criou a mulher\/para dar luz\/ao homem;17. Barros Pinho: Nos olhos da amada\/o verbo edifica\/os acentos da solid\u00e3o; 18. Jos\u00e9 Telles: N\u00e3o preciso, sequer, \/ tocar tuas entranhas, \/d\u00e1-me apenas a paisagem do teu corpo para ser aplaudida;19. Juarez Leit\u00e3o: Os p\u00e9s de Donamaria contam hist\u00f3rias\/de muitas lutas e poucas maravilhas!\/Os calos s\u00e3o medalhas de suas gl\u00f3rias \/ conseguidas nos lombos dessas trilhas; 20. Leda Maria: Vez ou outra, acordamos mas\/ lentamente, repetindo textos santos,\/can\u00e7\u00f5es de marinheiros\/e versos de partida; 21.Linhares Filho: Meu destino \u00e9 a quietude que se esconde sobre tuas\/algas e sob a tua salsugem;22.Luciano Maia: \u00d3 musa ignota, ser misterioso\/caprichosa, lind\u00edssima mulher\/ e me fazer ousar: e ainda ouso\/ o poema encontrar, onde ela quer; 23.Mill\u00f4r Fernandes: Deus, a gra\u00e7a \u00e9 imerecida,\/mas dai ainda\/ uns aninhos de vida; 24.Octavio Paz: Teu corpo se constela de signos verdes\/renovos num corpo de \u00e1rvore\/ n\u00e3o te imposta tanta mi\u00fada e cicatriz luminosa:\/olha o c\u00e9u e a sua verde tatuagem de estrelas; 25.Olavo Bilac: Amo-te! Sou feliz! Porque, do \u00c9den perdido,\/ levo tudo, levando o teu corpo querido\/pode em redor de ti, tudo se aniquilar\/tudo renascer\u00e1 cantando ao teu olhar; 26.Paul Verlaine: E os cuidados que v\u00f3s podeis ter s\u00e3o apenas\/andorinhas voando \u00e0 tarde pelo c\u00e9u\/-Querida- num belo dia de setembro; 27.Pedro H.S. Le\u00e3o: eterno \u00e9 o que um s\u00f3 segundo\/ \u00e9 o que passou t\u00e3o de repente\/ sem dar tempo amanhecer; 28.Regine Limaverde: Sofro pelas mulheres que n\u00e3o tiveram\/ os seios tocados\/ os l\u00e1bios procurados;\/que se cansaram, em v\u00e3o, ou jamais dormiram\/ no leito de um Deus;29.Roberto Pontes: Felizes s\u00e3o aqueles que amantes\/d\u00e3o-se de todo aos ritos do seu jogo\/ e amparam suas m\u00e1goas e desejos\/ na reciprocidade sacra dos seus ventres;30.Soares Feitosa: Mantive a prisioneira sob algemas\/que ningu\u00e9m \u00e9 louco de manter\/tesoiro t\u00e3o rico ao l\u00e9u;31.Vin\u00edcius de Moraes: E de te amar assim, muito a mi\u00fade\/\u00e9 que um dia em teu corpo de repente\/ hei de morrer de amar mais que pude;32. Virg\u00edlio Maia: Trago-te a mim, te entrego os cora\u00e7\u00f5es\/que flechados e azuis tragos nos bra\u00e7os. \/Quero agora guiar-me por teus passos\/ E no teu corpo haurir loucas li\u00e7\u00f5es; 33. Walt Whitman: N\u00e3o se envergonhem, mulheres\/\u00e9 de voc\u00eas o privil\u00e9gio de conterem\/os outros e darem sa\u00edda aos outros; 34. William Shakespeare: Assim \u00e9 o meu amor e a ri reporto\/ por todas as culpas eu suporto. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 18\/03\/2011.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3119","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3119\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}