{"id":3122,"date":"2023-12-21T09:10:38","date_gmt":"2023-12-21T12:10:38","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/familias-contemporaneas-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:38","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:38","slug":"familias-contemporaneas-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/familias-contemporaneas-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"FAM\u00cdLIAS CONTEMPOR\u00c2NEAS &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Tome cuidado ao falar. Especialmente, se voc\u00ea estiver com gente jovem. As rela\u00e7\u00f5es entre eles, amizades, namoros, e mesmo os casamentos, s\u00e3o fluidas. Assim, aten\u00e7\u00e3o ao perguntar por fulana ou sicrano. Pode j\u00e1 ter deixado o rol de amigos, a rela\u00e7\u00e3o est\u00e1vel ou at\u00e9 o casamento. N\u00e3o mexa em caixa de maribondos. Hoje, crian\u00e7as passam a conviver com outras, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas, que, na verdade, s\u00e3o filho(a)s do namorado(a) ou companheiro(a) da mam\u00e3e e\/ou do papai que j\u00e1 n\u00e3o vivem mais juntos. At\u00e9 se falam, mas cada um na sua.<br \/>\nNesse tempo de relacionamento complicado, duas pessoas (pai e m\u00e3e), os que n\u00e3o est\u00e3o &#8211; pelo menos naquele determinado momento &#8211; com novos relacionamentos, sempre ficam de fora. E, s\u00e3o eles, geralmente, os que apimentam ou fustigam as rela\u00e7\u00f5es com os filhos, intrigando-os contra os pais\/m\u00e3es e seus novos relacionamentos. Os filhos, muitas vezes, passam a n\u00e3o entender nada e ficam confusos. Os pais se amavam tanto.<br \/>\nE agora? Come\u00e7am, em face das novas rela\u00e7\u00f5es de seus pais, a ficar parte do tempo na casa de av\u00f3s que, se aposentados, t\u00eam tempo dispon\u00edvel. T\u00eam tempo, mas ainda n\u00e3o absorveram a volatilidade dessas rela\u00e7\u00f5es amorosas contempor\u00e2neas. O problema, nesses casos, \u00e9 o ajuste dos sentimentos, das ideias e da linguagem para entender a mistura dos filho(a)s do(a)s filho(a)s com os filho(a)s do(a) novo(a) cara permanente ou passageira que desponta nas festinhas de anivers\u00e1rios e at\u00e9 nos caf\u00e9s e almo\u00e7os dominicais.<br \/>\nQuem \u00e9? Come\u00e7ou quando? Meu Deus, isso \u00e9 o fim do mundo, s\u00e3o os costumeiros coment\u00e1rios dos parentes, especialmente do(a)s tio(a)s que nada t\u00eam a ver com a hist\u00f3ria pessoal do(a)sobrinho(a). Os av\u00f3s, irm\u00e3os do(a)s tio(a)s, ficam compassivos, mudos, olham para o infinito, pouco entendem a pe\u00e7a que o tempo lhes pregou e da qual passam a ser atores.<br \/>\nAs ramifica\u00e7\u00f5es surgidas nessas novas rela\u00e7\u00f5es ficam embaralhadas. De repente, o(a) filho(a) deixa tr\u00eas crian\u00e7as na casa de seus pais. Duas, s\u00e3o neto (a)s e a outra? \u00c9 filho (a) do mo\u00e7o que estava na dire\u00e7\u00e3o do carro e, sequer, desceu para cumprimentar. E o que fazer para junt\u00e1-los? Como ter a naturalidade com uma crian\u00e7a estranha que, sem mais, nem menos, chega, com o(a)s neto(a)s querido(a)s para um fim de semana prolongado e a primeira coisa que fazem \u00e9 pegar e mexer no novo celular do av\u00f4 para jogar. Enquanto isso, os amantes, ficantes ou casantes se mandam para algum lugar sem barulho das crian\u00e7as que geraram e prometeram criar com amor, assist\u00eancia e presen\u00e7as. Crian\u00e7as, todos sabem, s\u00e3o manipuladores e os av\u00f3s, nas aus\u00eancias dos pais, pagam o pato, mesmo que estejam a tomar rem\u00e9dios para o diabetes, hipertens\u00e3o, gota e as colunas vertebrais n\u00e3o aguentem abra\u00e7os fortes dos netos que v\u00eam em desabalada e inocente correria.<br \/>\nE h\u00e1 ainda as reclama\u00e7\u00f5es do(a)s filho(a)s quando voltam dos seus passeios: essas crian\u00e7as n\u00e3o tomaram banho e as mochilas ainda n\u00e3o est\u00e3o arrumadas? Os av\u00f3s, silentes, sem terem sequer recebido um beijo do(a) filho(a) que chega esbaforido(a)e apressado(a),ajudam a fazer as mochilas, se despedem dos netos e do novo(a) \u201csobrinho(a)\u201d que, todo(a) feliz, diz: Tchau, tio. Gostei, vou voltar. At\u00e9 breve!<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08\/04\/2011<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tome cuidado ao falar. Especialmente, se voc\u00ea estiver com gente jovem. As rela\u00e7\u00f5es entre eles, amizades, namoros, e mesmo os casamentos, s\u00e3o fluidas. Assim, aten\u00e7\u00e3o ao perguntar por fulana ou sicrano. Pode j\u00e1 ter deixado o rol de amigos, a rela\u00e7\u00e3o est\u00e1vel ou at\u00e9 o casamento. N\u00e3o mexa em caixa de maribondos. Hoje, crian\u00e7as passam a conviver com outras, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas, que, na verdade, s\u00e3o filho(a)s do namorado(a) ou companheiro(a) da mam\u00e3e e\/ou do papai que j\u00e1 n\u00e3o vivem mais juntos. At\u00e9 se falam, mas cada um na sua.<br \/>\nNesse tempo de relacionamento complicado, duas pessoas (pai e m\u00e3e), os que n\u00e3o est\u00e3o &#8211; pelo menos naquele determinado momento &#8211; com novos relacionamentos, sempre ficam de fora. E, s\u00e3o eles, geralmente, os que apimentam ou fustigam as rela\u00e7\u00f5es com os filhos, intrigando-os contra os pais\/m\u00e3es e seus novos relacionamentos. Os filhos, muitas vezes, passam a n\u00e3o entender nada e ficam confusos. Os pais se amavam tanto.<br \/>\nE agora? Come\u00e7am, em face das novas rela\u00e7\u00f5es de seus pais, a ficar parte do tempo na casa de av\u00f3s que, se aposentados, t\u00eam tempo dispon\u00edvel. T\u00eam tempo, mas ainda n\u00e3o absorveram a volatilidade dessas rela\u00e7\u00f5es amorosas contempor\u00e2neas. O problema, nesses casos, \u00e9 o ajuste dos sentimentos, das ideias e da linguagem para entender a mistura dos filho(a)s do(a)s filho(a)s com os filho(a)s do(a) novo(a) cara permanente ou passageira que desponta nas festinhas de anivers\u00e1rios e at\u00e9 nos caf\u00e9s e almo\u00e7os dominicais.<br \/>\nQuem \u00e9? Come\u00e7ou quando? Meu Deus, isso \u00e9 o fim do mundo, s\u00e3o os costumeiros coment\u00e1rios dos parentes, especialmente do(a)s tio(a)s que nada t\u00eam a ver com a hist\u00f3ria pessoal do(a)sobrinho(a). Os av\u00f3s, irm\u00e3os do(a)s tio(a)s, ficam compassivos, mudos, olham para o infinito, pouco entendem a pe\u00e7a que o tempo lhes pregou e da qual passam a ser atores.<br \/>\nAs ramifica\u00e7\u00f5es surgidas nessas novas rela\u00e7\u00f5es ficam embaralhadas. De repente, o(a) filho(a) deixa tr\u00eas crian\u00e7as na casa de seus pais. Duas, s\u00e3o neto (a)s e a outra? \u00c9 filho (a) do mo\u00e7o que estava na dire\u00e7\u00e3o do carro e, sequer, desceu para cumprimentar. E o que fazer para junt\u00e1-los? Como ter a naturalidade com uma crian\u00e7a estranha que, sem mais, nem menos, chega, com o(a)s neto(a)s querido(a)s para um fim de semana prolongado e a primeira coisa que fazem \u00e9 pegar e mexer no novo celular do av\u00f4 para jogar. Enquanto isso, os amantes, ficantes ou casantes se mandam para algum lugar sem barulho das crian\u00e7as que geraram e prometeram criar com amor, assist\u00eancia e presen\u00e7as. Crian\u00e7as, todos sabem, s\u00e3o manipuladores e os av\u00f3s, nas aus\u00eancias dos pais, pagam o pato, mesmo que estejam a tomar rem\u00e9dios para o diabetes, hipertens\u00e3o, gota e as colunas vertebrais n\u00e3o aguentem abra\u00e7os fortes dos netos que v\u00eam em desabalada e inocente correria.<br \/>\nE h\u00e1 ainda as reclama\u00e7\u00f5es do(a)s filho(a)s quando voltam dos seus passeios: essas crian\u00e7as n\u00e3o tomaram banho e as mochilas ainda n\u00e3o est\u00e3o arrumadas? Os av\u00f3s, silentes, sem terem sequer recebido um beijo do(a) filho(a) que chega esbaforido(a)e apressado(a),ajudam a fazer as mochilas, se despedem dos netos e do novo(a) \u201csobrinho(a)\u201d que, todo(a) feliz, diz: Tchau, tio. Gostei, vou voltar. At\u00e9 breve!<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08\/04\/2011<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3122","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3122","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3122"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3122\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}