{"id":3138,"date":"2023-12-21T09:10:38","date_gmt":"2023-12-21T12:10:38","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-brasil-patina-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:38","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:38","slug":"o-brasil-patina-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-brasil-patina-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"O BRASIL PATINA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Quando imaginava poder aprender microeconomia, o que n\u00e3o aconteceu, uma express\u00e3o ficou gravada na mem\u00f3ria: o ponto do nivelamento ou o \u201cbreak-even-point\u201d. Entendo ser essa a fase em que a macroeconomia, paradoxalmente, coloca o Brasil. Queiramos ou n\u00e3o, o pa\u00eds \u00e9, em sentido amplo, uma grande empresa, da qual todos fazem parte. Temos que ir para frente. Mas h\u00e1 entraves que nos tornam desencantados. Se voc\u00ea quiser ir de trem ou de navio do nordeste para S\u00e3o Paulo, o que fazer? N\u00e3o h\u00e1 ferrovias nacionais, tampouco boa navega\u00e7\u00e3o de cabotagem. S\u00f3 h\u00e1 dois meios: estrada ou c\u00e9u. As estradas brasileiras s\u00e3o feudos de partido pol\u00edtico que n\u00e3o se importa com buracos, mas parece fazer rombos em licita\u00e7\u00f5es duvidosas. Caminh\u00f5es e \u00f4nibus s\u00e3o parados por assaltantes. No c\u00e9u, al\u00e9m de, em terra, aeroportos sem tecnologia log\u00edstica de ponta, cada transportadora transformou seus avi\u00f5es em amontoado de cadeiras com muito menos conforto que \u00f4nibus rodovi\u00e1rio, n\u00e3o fossem os buracos destas. N\u00e3o conhe\u00e7o nenhum pa\u00eds desenvolvido que n\u00e3o possua boas estradas, ferrovias nacionais e portos com grande movimento de navios de passageiros e cargas. Sejam portos fluviais ou mar\u00edtimos. N\u00e3o conhe\u00e7o nenhum pa\u00eds desenvolvido que n\u00e3o respeite o tr\u00e2nsito e a acessibilidade. Dia desses, em um lugar de bom n\u00edvel, vi um cadeirante a reclamar do acesso e de que a porta do banheiro n\u00e3o permitia a sua entrada. O tr\u00e2nsito brasileiro \u00e9 uma f\u00e1brica de cad\u00e1veres. Ningu\u00e9m respeita a velocidade, porque n\u00e3o h\u00e1 nenhuma pessoa a instruir. Usam-se m\u00e1quinas de fotos sensores e pardais, apenas para multar. N\u00e3o h\u00e1 mais guardas orientando pedestres e guiadores. H\u00e1, sim, agentes de blocos em punho para flagrar delitos, mas n\u00e3o se estimula a constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios garagens e ciclovias, tampouco se for\u00e7a o uso de faixas de pedestres com gradis protetores. As motos, de diferentes cavalos, transformam o tr\u00e2nsito em \u201cfarwest\u201d. H\u00e1 nuvens de capacetes coloridos e afoitos em meio a carros soltando CO2 parecendo, do alto, uma tela surreal. Claro que a ind\u00fastria est\u00e1 crescendo, mas n\u00e3o podemos conceber que um turista caia de bonde, agonize na rua, seja assaltado e n\u00e3o socorrido. Deve existir seguran\u00e7a p\u00fablica. H\u00e1 anos, estava com amigos visitando a Europa. Folgaz\u00f5es. De repente, sentimos falta de uma delas. Voltamos \u00e0 pra\u00e7a. Um taxista informou que ela havia desmaiado e um colega seu a levara a hospital p\u00fablico. Havia tido uma hipoglicemia. Fomos ao hospital: limpo, sem macas nos corredores e ela tendo pronto atendimento. Custo zero, servi\u00e7o p\u00fablico. Aqui se morre nos corredores de hospitais por falta de atendimento. \u00c9 por tudo isso que tor\u00e7o por Dilma. Para que desmonte a estrutura pol\u00edtica eivada de erros e comprometida com o atraso. S\u00f3 assim, sairemos do ponto de nivelamento &#8211; em que patinamos &#8211; para o almejado estado de bem-estar social onde n\u00e3o existem tantos miser\u00e1veis, o esgoto seja uma obriga\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma conquista. A lama desapare\u00e7a das favelas que precisam ser urbanizadas e acolhidas numa sociedade discriminat\u00f3ria e excludente que deve mudar.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nEscritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08\/07\/2011.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando imaginava poder aprender microeconomia, o que n\u00e3o aconteceu, uma express\u00e3o ficou gravada na mem\u00f3ria: o ponto do nivelamento ou o \u201cbreak-even-point\u201d. Entendo ser essa a fase em que a macroeconomia, paradoxalmente, coloca o Brasil. Queiramos ou n\u00e3o, o pa\u00eds \u00e9, em sentido amplo, uma grande empresa, da qual todos fazem parte. Temos que ir para frente. Mas h\u00e1 entraves que nos tornam desencantados. Se voc\u00ea quiser ir de trem ou de navio do nordeste para S\u00e3o Paulo, o que fazer? N\u00e3o h\u00e1 ferrovias nacionais, tampouco boa navega\u00e7\u00e3o de cabotagem. S\u00f3 h\u00e1 dois meios: estrada ou c\u00e9u. As estradas brasileiras s\u00e3o feudos de partido pol\u00edtico que n\u00e3o se importa com buracos, mas parece fazer rombos em licita\u00e7\u00f5es duvidosas. Caminh\u00f5es e \u00f4nibus s\u00e3o parados por assaltantes. No c\u00e9u, al\u00e9m de, em terra, aeroportos sem tecnologia log\u00edstica de ponta, cada transportadora transformou seus avi\u00f5es em amontoado de cadeiras com muito menos conforto que \u00f4nibus rodovi\u00e1rio, n\u00e3o fossem os buracos destas. N\u00e3o conhe\u00e7o nenhum pa\u00eds desenvolvido que n\u00e3o possua boas estradas, ferrovias nacionais e portos com grande movimento de navios de passageiros e cargas. Sejam portos fluviais ou mar\u00edtimos. N\u00e3o conhe\u00e7o nenhum pa\u00eds desenvolvido que n\u00e3o respeite o tr\u00e2nsito e a acessibilidade. Dia desses, em um lugar de bom n\u00edvel, vi um cadeirante a reclamar do acesso e de que a porta do banheiro n\u00e3o permitia a sua entrada. O tr\u00e2nsito brasileiro \u00e9 uma f\u00e1brica de cad\u00e1veres. Ningu\u00e9m respeita a velocidade, porque n\u00e3o h\u00e1 nenhuma pessoa a instruir. Usam-se m\u00e1quinas de fotos sensores e pardais, apenas para multar. N\u00e3o h\u00e1 mais guardas orientando pedestres e guiadores. H\u00e1, sim, agentes de blocos em punho para flagrar delitos, mas n\u00e3o se estimula a constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios garagens e ciclovias, tampouco se for\u00e7a o uso de faixas de pedestres com gradis protetores. As motos, de diferentes cavalos, transformam o tr\u00e2nsito em \u201cfarwest\u201d. H\u00e1 nuvens de capacetes coloridos e afoitos em meio a carros soltando CO2 parecendo, do alto, uma tela surreal. Claro que a ind\u00fastria est\u00e1 crescendo, mas n\u00e3o podemos conceber que um turista caia de bonde, agonize na rua, seja assaltado e n\u00e3o socorrido. Deve existir seguran\u00e7a p\u00fablica. H\u00e1 anos, estava com amigos visitando a Europa. Folgaz\u00f5es. De repente, sentimos falta de uma delas. Voltamos \u00e0 pra\u00e7a. Um taxista informou que ela havia desmaiado e um colega seu a levara a hospital p\u00fablico. Havia tido uma hipoglicemia. Fomos ao hospital: limpo, sem macas nos corredores e ela tendo pronto atendimento. Custo zero, servi\u00e7o p\u00fablico. Aqui se morre nos corredores de hospitais por falta de atendimento. \u00c9 por tudo isso que tor\u00e7o por Dilma. Para que desmonte a estrutura pol\u00edtica eivada de erros e comprometida com o atraso. S\u00f3 assim, sairemos do ponto de nivelamento &#8211; em que patinamos &#8211; para o almejado estado de bem-estar social onde n\u00e3o existem tantos miser\u00e1veis, o esgoto seja uma obriga\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma conquista. A lama desapare\u00e7a das favelas que precisam ser urbanizadas e acolhidas numa sociedade discriminat\u00f3ria e excludente que deve mudar.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nEscritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08\/07\/2011.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3138","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3138"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3138\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}