{"id":3148,"date":"2023-12-21T09:10:38","date_gmt":"2023-12-21T12:10:38","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/pai-em-formacao-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:38","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:38","slug":"pai-em-formacao-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/pai-em-formacao-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"PAI EM FORMA\u00c7\u00c3O &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Repito-me, ano a ano. Sou pai dos anos setenta. Jovem, n\u00e3o entendia da vida de casado ou de puericultura. Fui tateando por leitura, intui\u00e7\u00e3o e senso comum. Acompanhei pr\u00e9-natais, partos, visitas a pediatras, escolas, primeiro dia de aula, festinhas de anivers\u00e1rios, primeiras comunh\u00f5es, natais, carnavais e que tais. Como o di\u00e1logo adulto\/ crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 simples, criei dois personagens para auxiliar: Paulinho e Rosinha. Irm\u00e3os, exemplares, moravam por perto, um pouquinho mais velhos e nunca os encontr\u00e1vamos. Rosinha era estudiosa, obediente, n\u00e3o brigava com o irm\u00e3o. Paulinho era alegre, compreensivo e dividia o que tinha com a irm\u00e3. Foram crescendo. Frequentei reuni\u00f5es de pais e mestres, festivais de dan\u00e7a, vestia camisas borradas de tintas por elas e usava de inventividade nos anivers\u00e1rios. Em um deles aluguei \u00f4nibus e sa\u00edmos, com outras crian\u00e7as, passeando pela cidade, ouvindo m\u00fasica, vendo animais, parques, fazendo a festa ao ar livre. Cresceram. Veio a fase dif\u00edcil da puberdade e no meio de cinco mulheres, eu, meio sem jeito. Era comunidade feminina ciumenta e possessiva. Acontece que al\u00e9m de pai, era marido. J\u00e1 adultas, ocorreu a separa\u00e7\u00e3o, dif\u00edcil, e o div\u00f3rcio. Sofreram. Sofri. Superamos. Hoje, elas t\u00eam filhos e sabem o que crian\u00e7a cobra e apronta. Uma me disse: \u201cpai, as minhas filhas t\u00eam o mesmo ci\u00fame de mim que eu tinha de voc\u00ea. Estou pagando\u201d. Outra: \u201cA oldest l\u00ea igual a voc\u00ea\u201d. Outra mais: \u201cO ca\u00e7ula tem seu temperamento\u201d. Rosinha, o personagem, parece rediviva. Na medida da ignor\u00e2ncia paterna, minha vers\u00e3o \u00e9 mais amena. Tentei passar o que intu\u00eda, imaginava que sabia e o que admitia ser correto. Nossa casa, grandes \u00e1rvores frut\u00edferas, era um mini-parque ecol\u00f3gico\/esportivo a acolher amigos para brincar, estudar e celebrar. Acordava-as, n\u00e3o faltava \u00e0s refei\u00e7\u00f5es, chegava cedo do trabalho, \u00edamos, por anos, \u00e0 praia da Tabuba, viaj\u00e1vamos nas f\u00e9rias e ajudava nos deveres escolares. Acompanhei escolas, vestibulares, fins de cursos, procurei t\u00ea-las por perto no trabalho. Vieram namoros, fases dif\u00edceis, noivados, casamentos, partos e, agora, anivers\u00e1rios de netos. Hoje, dia dos pais, posso dizer a elas: contem comigo. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<\/p>\n<p>CR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 14\/08\/2011.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Repito-me, ano a ano. Sou pai dos anos setenta. Jovem, n\u00e3o entendia da vida de casado ou de puericultura. Fui tateando por leitura, intui\u00e7\u00e3o e senso comum. Acompanhei pr\u00e9-natais, partos, visitas a pediatras, escolas, primeiro dia de aula, festinhas de anivers\u00e1rios, primeiras comunh\u00f5es, natais, carnavais e que tais. Como o di\u00e1logo adulto\/ crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 simples, criei dois personagens para auxiliar: Paulinho e Rosinha. Irm\u00e3os, exemplares, moravam por perto, um pouquinho mais velhos e nunca os encontr\u00e1vamos. Rosinha era estudiosa, obediente, n\u00e3o brigava com o irm\u00e3o. Paulinho era alegre, compreensivo e dividia o que tinha com a irm\u00e3. Foram crescendo. Frequentei reuni\u00f5es de pais e mestres, festivais de dan\u00e7a, vestia camisas borradas de tintas por elas e usava de inventividade nos anivers\u00e1rios. Em um deles aluguei \u00f4nibus e sa\u00edmos, com outras crian\u00e7as, passeando pela cidade, ouvindo m\u00fasica, vendo animais, parques, fazendo a festa ao ar livre. Cresceram. Veio a fase dif\u00edcil da puberdade e no meio de cinco mulheres, eu, meio sem jeito. Era comunidade feminina ciumenta e possessiva. Acontece que al\u00e9m de pai, era marido. J\u00e1 adultas, ocorreu a separa\u00e7\u00e3o, dif\u00edcil, e o div\u00f3rcio. Sofreram. Sofri. Superamos. Hoje, elas t\u00eam filhos e sabem o que crian\u00e7a cobra e apronta. Uma me disse: \u201cpai, as minhas filhas t\u00eam o mesmo ci\u00fame de mim que eu tinha de voc\u00ea. Estou pagando\u201d. Outra: \u201cA oldest l\u00ea igual a voc\u00ea\u201d. Outra mais: \u201cO ca\u00e7ula tem seu temperamento\u201d. Rosinha, o personagem, parece rediviva. Na medida da ignor\u00e2ncia paterna, minha vers\u00e3o \u00e9 mais amena. Tentei passar o que intu\u00eda, imaginava que sabia e o que admitia ser correto. Nossa casa, grandes \u00e1rvores frut\u00edferas, era um mini-parque ecol\u00f3gico\/esportivo a acolher amigos para brincar, estudar e celebrar. Acordava-as, n\u00e3o faltava \u00e0s refei\u00e7\u00f5es, chegava cedo do trabalho, \u00edamos, por anos, \u00e0 praia da Tabuba, viaj\u00e1vamos nas f\u00e9rias e ajudava nos deveres escolares. Acompanhei escolas, vestibulares, fins de cursos, procurei t\u00ea-las por perto no trabalho. Vieram namoros, fases dif\u00edceis, noivados, casamentos, partos e, agora, anivers\u00e1rios de netos. 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