{"id":3151,"date":"2023-12-21T09:10:39","date_gmt":"2023-12-21T12:10:39","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-tempo-so-tem-ida-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:39","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:39","slug":"o-tempo-so-tem-ida-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-tempo-so-tem-ida-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"O TEMPO S\u00d3 TEM IDA &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Dizia La Fontaine, o das f\u00e1bulas, &#8220;Correr n\u00e3o adianta. \u00c9 preciso partir a tempo&#8221;. E o que \u00e9 o tempo e a tempo? Pergunto a Santo Agostinho e ele &#8211; quase &#8211; responde: &#8220;Que \u00e9, pois, o tempo? (&#8230;) Se ningu\u00e9m me perguntar, eu sei; se o quiser explicar (&#8230;) j\u00e1 n\u00e3o sei&#8221;. O mais maroto e um dos mais belos poetas brasileiros contempor\u00e2neos, Manoel de Barros, versa: &#8220;O tempo s\u00f3 anda de ida&#8221;. Pois \u00e9. O futuro chegou como fazia crer Albert Einstein: &#8220;Nunca penso no futuro, ele chega r\u00e1pido demais&#8221;. Colecionei 25.550 dias.<br \/>\nAbrolhei um ano depois de Trotski ser assassinado no M\u00e9xico e um antes de Vargas se converter em amigo de Franklin Roosevelt na 2\u00aa. Guerra Mundial. Alfabetizei-me na volta da democracia. Estudei em meio a crises, infla\u00e7\u00f5es, secas, enchentes, greves, ren\u00fancia, golpes e conclui a universidade p\u00fablica quando a Revolu\u00e7\u00e3o de 64 se implantava.<br \/>\nComo durmo seis horas por dia, gastei 6.380 dias a repousar. Assim, n\u00e3o tenho os tais 25.550 dias, mas (25.550-6380) meros 19.170. Em cada ano passei 30 dias alimentando-me (2 horas por dia) ou um total de 50.400 horas sentado em mesas de caf\u00e9, almo\u00e7o ou jantar. Ponderando que trabalho e estudo sempre andaram juntos para mim, para fins deste racioc\u00ednio, digamos que comecei a estudar\/trabalhar aos 10 anos.<br \/>\nApreciando tamb\u00e9m a m\u00e9dia de um trabalhador brasileiro (44 horas por semana) e como o ano tem 52 semanas, chego, a 5.720 dias de efetivos afazeres. Como o meu \u00f3cio implica em duas horas por dia, acrescidos do tempo dispon\u00edvel nos s\u00e1bados, domingos e feriados, direi que, a cada semana, tive 26 horas fora da lida que multiplicadas por anos d\u00e1 um razo\u00e1vel tempo: 3.944 dias. Conclus\u00e3o simples: pregui\u00e7oso!<br \/>\nEnt\u00e3o, cara, voc\u00ea \u00e9 muito mais jovem do que imagina e n\u00e3o \u00e9 este trabalhador\/estudioso que pensa ser. Descansou pra valer, comeu assaz e dormiu um bocado. V\u00e1 l\u00e1, encara o tempo que falta e manda ver. Estique as pernas, trabalhe e pare de fazer contas confusas. Afinal, o que conta n\u00e3o \u00e9 o que se conta, mas o que n\u00e3o se conta.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nEscritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 28\/08\/2011.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizia La Fontaine, o das f\u00e1bulas, &#8220;Correr n\u00e3o adianta. \u00c9 preciso partir a tempo&#8221;. E o que \u00e9 o tempo e a tempo? Pergunto a Santo Agostinho e ele &#8211; quase &#8211; responde: &#8220;Que \u00e9, pois, o tempo? (&#8230;) Se ningu\u00e9m me perguntar, eu sei; se o quiser explicar (&#8230;) j\u00e1 n\u00e3o sei&#8221;. O mais maroto e um dos mais belos poetas brasileiros contempor\u00e2neos, Manoel de Barros, versa: &#8220;O tempo s\u00f3 anda de ida&#8221;. Pois \u00e9. O futuro chegou como fazia crer Albert Einstein: &#8220;Nunca penso no futuro, ele chega r\u00e1pido demais&#8221;. Colecionei 25.550 dias.<br \/>\nAbrolhei um ano depois de Trotski ser assassinado no M\u00e9xico e um antes de Vargas se converter em amigo de Franklin Roosevelt na 2\u00aa. Guerra Mundial. Alfabetizei-me na volta da democracia. Estudei em meio a crises, infla\u00e7\u00f5es, secas, enchentes, greves, ren\u00fancia, golpes e conclui a universidade p\u00fablica quando a Revolu\u00e7\u00e3o de 64 se implantava.<br \/>\nComo durmo seis horas por dia, gastei 6.380 dias a repousar. Assim, n\u00e3o tenho os tais 25.550 dias, mas (25.550-6380) meros 19.170. Em cada ano passei 30 dias alimentando-me (2 horas por dia) ou um total de 50.400 horas sentado em mesas de caf\u00e9, almo\u00e7o ou jantar. Ponderando que trabalho e estudo sempre andaram juntos para mim, para fins deste racioc\u00ednio, digamos que comecei a estudar\/trabalhar aos 10 anos.<br \/>\nApreciando tamb\u00e9m a m\u00e9dia de um trabalhador brasileiro (44 horas por semana) e como o ano tem 52 semanas, chego, a 5.720 dias de efetivos afazeres. Como o meu \u00f3cio implica em duas horas por dia, acrescidos do tempo dispon\u00edvel nos s\u00e1bados, domingos e feriados, direi que, a cada semana, tive 26 horas fora da lida que multiplicadas por anos d\u00e1 um razo\u00e1vel tempo: 3.944 dias. Conclus\u00e3o simples: pregui\u00e7oso!<br \/>\nEnt\u00e3o, cara, voc\u00ea \u00e9 muito mais jovem do que imagina e n\u00e3o \u00e9 este trabalhador\/estudioso que pensa ser. Descansou pra valer, comeu assaz e dormiu um bocado. V\u00e1 l\u00e1, encara o tempo que falta e manda ver. Estique as pernas, trabalhe e pare de fazer contas confusas. Afinal, o que conta n\u00e3o \u00e9 o que se conta, mas o que n\u00e3o se conta.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nEscritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 28\/08\/2011.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3151","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3151"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3151\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}