{"id":3169,"date":"2023-12-21T09:10:39","date_gmt":"2023-12-21T12:10:39","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/ementario-da-corrupcao-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:39","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:39","slug":"ementario-da-corrupcao-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/ementario-da-corrupcao-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"EMENT\u00c1RIO DA CORRUP\u00c7\u00c3O &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Ter\u00e7a-feira, 15, nove horas, Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, o telefone toca: \u201cJo\u00e3o, gostaria que voc\u00ea escrevesse sobre a corrup\u00e7\u00e3o no Brasil. Houve manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas nos dias 7 de setembro, 12 de outubro e outra, hoje \u00e0 tarde. Pouco se divulga na grande imprensa, exceto a Folha de SP que lan\u00e7ou at\u00e9 um caderno sobre Corrup\u00e7\u00e3o, em setembro passado, ajude\u201d. Prometo. Pesquisei. Cumpro agora.<br \/>\nEm Roma, no princ\u00edpio da era crist\u00e3, o poeta Juvenal dizia \u201cEm Roma, tudo se compra\u201d. Shakespeare, no s\u00e9culo 16, na pe\u00e7a Hamlet, escrevia: \u201cH\u00e1 algo de podre no reino da Dinamarca\u201d. Como se v\u00ea, a hist\u00f3ria \u00e9 antiga. A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 o ato ou o jeito sutil de seduzir e corromper. A partir da adula\u00e7\u00e3o do corruptor, da pretensa amizade e, afinal, da tentadora proposta que agu\u00e7a o desejo de ganho f\u00e1cil de algu\u00e9m, surge o corrupt\u00edvel que se torna, em seguida, corrupto.<br \/>\nDito isto, contarei que o Brasil n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds corrupto do mundo, embora apresente indicadores graves. Howard Hugues, exc\u00eantrico empres\u00e1rio norte americano, fornecedor de equipamentos na Segunda Guerra, foi um ex\u00edmio corruptor de governos e sofreu v\u00e1rios processos federais. H\u00e1 tudo sobre ele em biografias e no filme \u201cO Aviador\u201d. Existem dezenas de casos no mundo contempor\u00e2neo, no ocidente e oriente, e em pa\u00edses desenvolvidos, mas centremos o foco no Brasil.<br \/>\nNo Brasil, ela foi end\u00f3gena, desde a coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa. Entretanto, penso que uma forma did\u00e1tica de tratar do assunto \u00e9 situ\u00e1-la a partir da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, quando o Brasil voltou a ser, de fato, uma Rep\u00fablica. H\u00e1 corrup\u00e7\u00e3o, mas existe combate duro. Isso tamb\u00e9m precisa ser dito. O Minist\u00e9rio P\u00fablico, a Receita e a Pol\u00edcia Federal s\u00e3o os entes mais destacados nesse embate complicado. Enumero dez casos emblem\u00e1ticos, todos de dom\u00ednio p\u00fablico. Lembram?<br \/>\nO primeiro foi a den\u00fancia fraterna, em 1992, de Pedro que culminou com o desmanche do governo de seu irm\u00e3o, Fernando Collor, acolitado por PC Farias que, anos depois, seria assassinado. O segundo ocorreu em 1993 com \u201cOs An\u00f5es do Or\u00e7amento\u201d, denunciado por Jos\u00e9 Carlos Alves dos Santos, diretor da pr\u00f3pria Comiss\u00e3o, que mostrou os desvios das emendas parlamentares da C\u00e2mara dos Deputados e culminou com a ren\u00fancia do Dep. Jo\u00e3o Alves e a pris\u00e3o da Dep. Raquel C\u00e2ndido.<br \/>\nO terceiro foi o que envolveu Paulo Maluf e, em consequ\u00eancia, Celso Pita na segunda metade dos anos 90 com obras superfaturadas. Pitta morreu e Maluf resiste com o mandato de Dep. Federal. O quarto foi o esc\u00e2ndalo da constru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio do TRT de S\u00e3o Paulo, em 1998 encabe\u00e7ado por Luiz Estev\u00e3o. O quinto viria do norte do pa\u00eds, a fraude da SUDAM, em 2001, encabe\u00e7ado pelo Senador J\u00e1der Barbalho que perdeu a Presid\u00eancia do Senado e renunciou ao mandato, para n\u00e3o ser cassado. A Opera\u00e7\u00e3o Anaconda, em 2006, a sexta, decorreu de a\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal, resultando na pris\u00e3o de servidores p\u00fablicos federais graduados.<br \/>\nO s\u00e9timo \u2013 e mais famoso \u2013 \u00e9 o Mensal\u00e3o, assim denominado por ajudar, a cada 30 dias, pol\u00edticos comprometidos. Descoberto em 2003 por Roberto Jefferson envolveu parlamentares e bancos. O oitavo, em 2006, foi a \u201cM\u00e1fia dos Sanguessugas\u201d, afetando mais de 100 deputados\/senadores com o superfaturamento de ambul\u00e2ncias para prefeituras. O nono, A Opera\u00e7\u00e3o Navalha, em 2009, j\u00e1 nas obras do Plano de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento-PAC, aponta Zuleido Veras, dono da construtora Guatama, Silas Rondeau, ex-ministro e outros. O d\u00e9cimo \u00e9 o Mensal\u00e3o do DEM, no ano passado, que apresentou v\u00eddeos de Jos\u00e9 Roberto Arruda, ex-governador de Bras\u00edlia, recebendo dinheiro.<br \/>\nComo se nota, o Minist\u00e9rio P\u00fablico, a Receita, a Pol\u00edcia Federal e o Judici\u00e1rio t\u00eam feito as partes que lhes cabem, cortando nas pr\u00f3prias carnes e abrindo a\u00e7\u00f5es penais em todas as inst\u00e2ncias, at\u00e9 mesmo no Supremo Tribunal Federal.<br \/>\n(Dedicado ao falecido jornalista Tem\u00edstocles de Castro e Silva, de quem se podia discordar, mas n\u00e3o negar o seu esp\u00edrito de guardi\u00e3o de causas p\u00fablicas)<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 18\/11\/2011.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ter\u00e7a-feira, 15, nove horas, Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, o telefone toca: \u201cJo\u00e3o, gostaria que voc\u00ea escrevesse sobre a corrup\u00e7\u00e3o no Brasil. Houve manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas nos dias 7 de setembro, 12 de outubro e outra, hoje \u00e0 tarde. Pouco se divulga na grande imprensa, exceto a Folha de SP que lan\u00e7ou at\u00e9 um caderno sobre Corrup\u00e7\u00e3o, em setembro passado, ajude\u201d. Prometo. Pesquisei. Cumpro agora.<br \/>\nEm Roma, no princ\u00edpio da era crist\u00e3, o poeta Juvenal dizia \u201cEm Roma, tudo se compra\u201d. Shakespeare, no s\u00e9culo 16, na pe\u00e7a Hamlet, escrevia: \u201cH\u00e1 algo de podre no reino da Dinamarca\u201d. Como se v\u00ea, a hist\u00f3ria \u00e9 antiga. A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 o ato ou o jeito sutil de seduzir e corromper. A partir da adula\u00e7\u00e3o do corruptor, da pretensa amizade e, afinal, da tentadora proposta que agu\u00e7a o desejo de ganho f\u00e1cil de algu\u00e9m, surge o corrupt\u00edvel que se torna, em seguida, corrupto.<br \/>\nDito isto, contarei que o Brasil n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds corrupto do mundo, embora apresente indicadores graves. Howard Hugues, exc\u00eantrico empres\u00e1rio norte americano, fornecedor de equipamentos na Segunda Guerra, foi um ex\u00edmio corruptor de governos e sofreu v\u00e1rios processos federais. H\u00e1 tudo sobre ele em biografias e no filme \u201cO Aviador\u201d. Existem dezenas de casos no mundo contempor\u00e2neo, no ocidente e oriente, e em pa\u00edses desenvolvidos, mas centremos o foco no Brasil.<br \/>\nNo Brasil, ela foi end\u00f3gena, desde a coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa. Entretanto, penso que uma forma did\u00e1tica de tratar do assunto \u00e9 situ\u00e1-la a partir da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, quando o Brasil voltou a ser, de fato, uma Rep\u00fablica. H\u00e1 corrup\u00e7\u00e3o, mas existe combate duro. Isso tamb\u00e9m precisa ser dito. O Minist\u00e9rio P\u00fablico, a Receita e a Pol\u00edcia Federal s\u00e3o os entes mais destacados nesse embate complicado. Enumero dez casos emblem\u00e1ticos, todos de dom\u00ednio p\u00fablico. Lembram?<br \/>\nO primeiro foi a den\u00fancia fraterna, em 1992, de Pedro que culminou com o desmanche do governo de seu irm\u00e3o, Fernando Collor, acolitado por PC Farias que, anos depois, seria assassinado. O segundo ocorreu em 1993 com \u201cOs An\u00f5es do Or\u00e7amento\u201d, denunciado por Jos\u00e9 Carlos Alves dos Santos, diretor da pr\u00f3pria Comiss\u00e3o, que mostrou os desvios das emendas parlamentares da C\u00e2mara dos Deputados e culminou com a ren\u00fancia do Dep. Jo\u00e3o Alves e a pris\u00e3o da Dep. Raquel C\u00e2ndido.<br \/>\nO terceiro foi o que envolveu Paulo Maluf e, em consequ\u00eancia, Celso Pita na segunda metade dos anos 90 com obras superfaturadas. Pitta morreu e Maluf resiste com o mandato de Dep. Federal. O quarto foi o esc\u00e2ndalo da constru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio do TRT de S\u00e3o Paulo, em 1998 encabe\u00e7ado por Luiz Estev\u00e3o. O quinto viria do norte do pa\u00eds, a fraude da SUDAM, em 2001, encabe\u00e7ado pelo Senador J\u00e1der Barbalho que perdeu a Presid\u00eancia do Senado e renunciou ao mandato, para n\u00e3o ser cassado. A Opera\u00e7\u00e3o Anaconda, em 2006, a sexta, decorreu de a\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal, resultando na pris\u00e3o de servidores p\u00fablicos federais graduados.<br \/>\nO s\u00e9timo \u2013 e mais famoso \u2013 \u00e9 o Mensal\u00e3o, assim denominado por ajudar, a cada 30 dias, pol\u00edticos comprometidos. Descoberto em 2003 por Roberto Jefferson envolveu parlamentares e bancos. O oitavo, em 2006, foi a \u201cM\u00e1fia dos Sanguessugas\u201d, afetando mais de 100 deputados\/senadores com o superfaturamento de ambul\u00e2ncias para prefeituras. O nono, A Opera\u00e7\u00e3o Navalha, em 2009, j\u00e1 nas obras do Plano de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento-PAC, aponta Zuleido Veras, dono da construtora Guatama, Silas Rondeau, ex-ministro e outros. O d\u00e9cimo \u00e9 o Mensal\u00e3o do DEM, no ano passado, que apresentou v\u00eddeos de Jos\u00e9 Roberto Arruda, ex-governador de Bras\u00edlia, recebendo dinheiro.<br \/>\nComo se nota, o Minist\u00e9rio P\u00fablico, a Receita, a Pol\u00edcia Federal e o Judici\u00e1rio t\u00eam feito as partes que lhes cabem, cortando nas pr\u00f3prias carnes e abrindo a\u00e7\u00f5es penais em todas as inst\u00e2ncias, at\u00e9 mesmo no Supremo Tribunal Federal.<br \/>\n(Dedicado ao falecido jornalista Tem\u00edstocles de Castro e Silva, de quem se podia discordar, mas n\u00e3o negar o seu esp\u00edrito de guardi\u00e3o de causas p\u00fablicas)<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto<br \/>\ncronista<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 18\/11\/2011.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3169","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3169"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3169\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}