{"id":3180,"date":"2023-12-21T09:10:39","date_gmt":"2023-12-21T12:10:39","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/tempo-de-felicidade-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:39","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:39","slug":"tempo-de-felicidade-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/tempo-de-felicidade-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"TEMPO DE FELICIDADE &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>O Natal e o Ano Novo ensejam trocas de mensagens, telefonemas e contatos pessoais. Em todos, fica claro o desejo \u2013 na maioria, sincero \u2013 de felicidades para os familiares, amigos, colegas e afins. Da forma como \u00e9 posta, parece-nos que ficamos com uma carga benfazeja de desejos de felicidades ou, trocando as letras, com uma compuls\u00e3o de ser feliz. Essa conclus\u00e3o \u00e9 uma d\u00favida que se imp\u00f5e. Como um chuveiro em que cada gota \u00e9 um rastro de felicidade a nos molhar. Ser\u00e1 que estamos preparados para esse banho de felicidade? Cada um de n\u00f3s tem, dentro de si, algu\u00e9m ignorado, guardado a sete chaves, que nos faz duvidar, criticar ou contrariar a opini\u00e3o que, quase sempre, externamos. Diz o psicanalista Contardo Calligaris que: \u201cno fundo a palavra felicidade \u00e9 inadequada para representar o que de fato \u00e9 o ideal das pessoas.\u201d E conclui: \u201cestou absolutamente convencido de que ningu\u00e9m quer ser contente e satisfeito. Acho que isso n\u00e3o \u00e9 um ideal para ningu\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 um ideal cultural poss\u00edvel\u201d. N\u00e3o concordo com ele, mas admito que o ser humano \u00e9 por demais complexo para ser rotulado de feliz ou infeliz. Temos momentos felizes, mas h\u00e1 outros, a maioria, em que questionamos essa ideia burguesa do tudo certo, tudo justo, todos felizes. O que nos move \u00e9 a capacidade de ter anseios, de viver de forma aberta, clara, mesmo que isso nos fa\u00e7a passar do c\u00e9u ao inferno em pouco tempo. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que algumas pessoas aparentam ser mais felizes que outras. Tampouco h\u00e1 d\u00favidas de que alguns fingem melhor que outros. Todos, enfim, vivem. E o ano que se inicia nos d\u00e1 a oportunidade de tentar melhorar relacionamentos, descobrir qualidades no outro, ouvir mais que falar e estar sempre pronto a auxiliar sem que o outro nos pe\u00e7a. Isso, quem sabe, possa ser um ideal de felicidade, o de saber-se \u00fatil e capaz de assimilar os percal\u00e7os, maximizar momentos de bem-estar e minimizar os trope\u00e7os do dia a dia. A vida \u00e9 um concurso di\u00e1rio, inscreva-se nele e tenha \u00eaxito.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08\/01\/2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Natal e o Ano Novo ensejam trocas de mensagens, telefonemas e contatos pessoais. Em todos, fica claro o desejo \u2013 na maioria, sincero \u2013 de felicidades para os familiares, amigos, colegas e afins. Da forma como \u00e9 posta, parece-nos que ficamos com uma carga benfazeja de desejos de felicidades ou, trocando as letras, com uma compuls\u00e3o de ser feliz. Essa conclus\u00e3o \u00e9 uma d\u00favida que se imp\u00f5e. Como um chuveiro em que cada gota \u00e9 um rastro de felicidade a nos molhar. Ser\u00e1 que estamos preparados para esse banho de felicidade? Cada um de n\u00f3s tem, dentro de si, algu\u00e9m ignorado, guardado a sete chaves, que nos faz duvidar, criticar ou contrariar a opini\u00e3o que, quase sempre, externamos. 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