{"id":3185,"date":"2023-12-21T09:10:39","date_gmt":"2023-12-21T12:10:39","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/cuauhtemoc-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:39","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:39","slug":"cuauhtemoc-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/cuauhtemoc-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"CUAUHT\u00c9MOC &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Ver a terra do mar \u00e9 sempre luminoso. Somos e n\u00e3o somos. Pertencemos ou n\u00e3o? Esta semana estive em um veleiro. E o que faz um grande veleiro em mares brasileiros neste ano de 2010? Ele singra as \u00e1guas do continente americano para dizer da alegria dos que h\u00e1 200 anos se libertaram do jugo espanhol e criaram, nesta banda da Terra, uma identidade pr\u00f3pria, peculiar, multicultural e racial. Oct\u00e1vio Paz advertia que o contador de hist\u00f3ria tem vis\u00f5es como poeta, da\u00ed olho o veleiro Cuauht\u00e9moc e lembro da poeta mexicana Margarita Paz Paredes quando diz em seu poema Busca: \u201cVeio depois \u00e0s minhas famintas praias e era um peixe rutilante em minhas redes de assombro. Mas sobre a areia desmanchou-se-lhe a estranha pele de azougue\u201d. O M\u00e9xico, como o Brasil, \u00e9 um pa\u00eds derramado em verso e prosa. O M\u00e9xico \u00e9 tamb\u00e9m um pa\u00eds fustigado pelas guerras, mas teima em viver em paz. A palavra Cuauht\u00e9moc refere-se a um personagem, filho do Imperador Ahuizoth e da Princesa Tlatelolca Thalaic\u00e1patl. Ele \u00e9 refer\u00eancia da mexicanidade, por sua luta em defesa da p\u00e1tria azteca contra os invasores espanh\u00f3is, comandados por Hern\u00e1n Cort\u00e9s e seus seguidores, em princ\u00edpios do s\u00e9culo XVI. Em linguagem livre, essa palavra significaria a \u00e1guia (cuautli) que baixa (t\u00e9moc) sobre os oponentes. Assim, o belo veleiro Cuauht\u00e9moc \u00e9 a \u00e1guia-proa do M\u00e9xico a tocar em miss\u00e3o pac\u00edfica os mares e portos do mundo para falar da latinidade que nos \u00e9 comum. Veio em cruzeiro de instru\u00e7\u00e3o da Armada do M\u00e9xico, com 246 tripulantes, sob o tim\u00e3o firme do Comandante Jos\u00e9 Francisco Gonz\u00e1lez Galindo, e j\u00e1 aportou, nesta viagem, em Balboa (Panam\u00e1) e Barranquilla (Col\u00f4mbia), Fortaleza e Rio de Janeiro, no Brasil, de onde seguir\u00e1 para cidades argentinas, uruguaias, chilenas, venezuelanas e dominicanas, at\u00e9 chegar a Vera Cruz, no M\u00e9xico, em 23 de julho pr\u00f3ximo. Que suas brancas velas amantes do vento se enfunem com os ares brasileiros e leve a nossa maresia e algas como um toque de amizade em seu casco. Como dizia o meu parente pelo lado materno, Pero Vaz de Caminha: \u201cE Deus que aqui nos trouxe, alguma raz\u00e3o tinha para isso\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nC\u00f4nsul do M\u00e9xico no Cear\u00e1<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 24\/01\/2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ver a terra do mar \u00e9 sempre luminoso. Somos e n\u00e3o somos. Pertencemos ou n\u00e3o? Esta semana estive em um veleiro. E o que faz um grande veleiro em mares brasileiros neste ano de 2010? Ele singra as \u00e1guas do continente americano para dizer da alegria dos que h\u00e1 200 anos se libertaram do jugo espanhol e criaram, nesta banda da Terra, uma identidade pr\u00f3pria, peculiar, multicultural e racial. Oct\u00e1vio Paz advertia que o contador de hist\u00f3ria tem vis\u00f5es como poeta, da\u00ed olho o veleiro Cuauht\u00e9moc e lembro da poeta mexicana Margarita Paz Paredes quando diz em seu poema Busca: \u201cVeio depois \u00e0s minhas famintas praias e era um peixe rutilante em minhas redes de assombro. Mas sobre a areia desmanchou-se-lhe a estranha pele de azougue\u201d. O M\u00e9xico, como o Brasil, \u00e9 um pa\u00eds derramado em verso e prosa. O M\u00e9xico \u00e9 tamb\u00e9m um pa\u00eds fustigado pelas guerras, mas teima em viver em paz. A palavra Cuauht\u00e9moc refere-se a um personagem, filho do Imperador Ahuizoth e da Princesa Tlatelolca Thalaic\u00e1patl. Ele \u00e9 refer\u00eancia da mexicanidade, por sua luta em defesa da p\u00e1tria azteca contra os invasores espanh\u00f3is, comandados por Hern\u00e1n Cort\u00e9s e seus seguidores, em princ\u00edpios do s\u00e9culo XVI. Em linguagem livre, essa palavra significaria a \u00e1guia (cuautli) que baixa (t\u00e9moc) sobre os oponentes. Assim, o belo veleiro Cuauht\u00e9moc \u00e9 a \u00e1guia-proa do M\u00e9xico a tocar em miss\u00e3o pac\u00edfica os mares e portos do mundo para falar da latinidade que nos \u00e9 comum. Veio em cruzeiro de instru\u00e7\u00e3o da Armada do M\u00e9xico, com 246 tripulantes, sob o tim\u00e3o firme do Comandante Jos\u00e9 Francisco Gonz\u00e1lez Galindo, e j\u00e1 aportou, nesta viagem, em Balboa (Panam\u00e1) e Barranquilla (Col\u00f4mbia), Fortaleza e Rio de Janeiro, no Brasil, de onde seguir\u00e1 para cidades argentinas, uruguaias, chilenas, venezuelanas e dominicanas, at\u00e9 chegar a Vera Cruz, no M\u00e9xico, em 23 de julho pr\u00f3ximo. Que suas brancas velas amantes do vento se enfunem com os ares brasileiros e leve a nossa maresia e algas como um toque de amizade em seu casco. Como dizia o meu parente pelo lado materno, Pero Vaz de Caminha: \u201cE Deus que aqui nos trouxe, alguma raz\u00e3o tinha para isso\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nC\u00f4nsul do M\u00e9xico no Cear\u00e1<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 24\/01\/2010<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3185","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3185","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3185"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3185\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}