{"id":3187,"date":"2023-12-21T09:10:39","date_gmt":"2023-12-21T12:10:39","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/elano-paula-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:39","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:39","slug":"elano-paula-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/elano-paula-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"ELANO PAULA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Todos desejam chegar l\u00e1, mas poucos admitem quando atingem. O relativismo do tempo d\u00e1 \u00edmpeto para aceitar um quase, mas com resist\u00eancia. Uns fingem. Outros procuram ocultar os sinais com ajustes est\u00e9ticos e a maioria teima em dizer: n\u00e3o sou. Primeiro, vieram os antibi\u00f3ticos, o saneamento b\u00e1sico melhorou, a engenharia ajudou a ci\u00eancia m\u00e9dica a fazer sua parte e a consci\u00eancia social resultou em cuidados que prolongam a exist\u00eancia. Hoje, n\u00e3o \u00e9 raro se chegar \u00e0 idade limite para a inf\u00e2ncia do outono, com energia e integridade f\u00edsica. Esse fato \u00e9 comemorado por uns, mas causa perplexidade a outros. \u00c9 confinante, para a maioria, o tempo da jubila\u00e7\u00e3o e, com ela, a inapet\u00eancia para o \u00f3cio e o medo pelo que vir\u00e1 depois. \u00c9 o tempo de fazer contas, todos tem esse direito. Findo \u2013 para alguns &#8211; o tempo de trabalho \u00e9 preciso manter vida ativa com autocuidados. Decidir as tarefas b\u00e1sicas para a independ\u00eancia pessoal, ter a mente ligada em novos interesses como caminhar ou exercitar-se, reunir-se em grupos e cultivar ou recriar la\u00e7os familiares e\/ou afetivos duradouros. Dizia o escritor J. Renard que \u201ca velhice chega quando se come\u00e7a a dizer: nunca me senti t\u00e3o jovem\u201d. Assim, \u00e9 preciso ir aceitando as limita\u00e7\u00f5es com reflex\u00e3o, dosando energia com prud\u00eancia, mas certo de que o amanh\u00e3 \u00e9 sempre um vir-a-ser e o hoje \u00e9 o que conta. A mente, com o povoamento de recorda\u00e7\u00f5es, precisa ser reinstigada para o hoje com a\u00e7\u00f5es, boa companhia, leitura de jornal, revista, livro e o maldito ou bendito computador. Estar ligado ao que acontece no mundo d\u00e1 o sentimento de perten\u00e7a e isso \u00e9 quase t\u00e3o bom quanto uma meta. A aten\u00e7\u00e3o real nos relacionamentos neutraliza a ansiedade e ajuda na alegria de viver, pois ela, a vida, n\u00e3o \u00e9 sonho, dizia o poeta Garcia Lorca. E por saber que a vida n\u00e3o \u00e9 sonho \u00e9 que Elano Paula ou Elano Viana de Oliveira Paula perdeu o umbigo em Maranguape e a inoc\u00eancia no Rio de Janeiro. Seria dual ou m\u00faltiplo, sempre. Fez-se adulto, ainda jovem. Misturou engenharia civil com servi\u00e7o militar. E se fez capit\u00e3o. A guerra j\u00e1 era e ele entrou noutra. A da vida. E por ser h\u00e1bil em v\u00e1rias coisas, se fez radialista, produtor, compositor, engenheiro, construtor, escritor, pintor e c\u00e9tico\/crente. Como os homens n\u00e3o vivem s\u00f3s e n\u00e3o podem dublar sentimentos viu-se apaixonado por uma voz e uma cabe\u00e7a e o corpo veio junto. Acasalou-se por pouco menos que meio s\u00e9culo. E, enquanto viviam, Elano mexeu com quase tudo, ao mesmo tempo. \u00c9 testemunha da a\u00e7\u00e3o da mortalidade, a contragosto. Da\u00ed viu-se s\u00f3. Mas n\u00e3o seria o ocaso. Veio o acaso \u2013 se existe \u2013 bem de perto, mas era de longe, do Estado onde o seu pai se exilara para viver como queria. E a\u00ed o ardor hibernado, aflorou. E foi jorro de benqueren\u00e7as, desafiando diferen\u00e7as e enfrentando at\u00e9 olhares d\u00fabios. Que olhares? Ningu\u00e9m vive a vida do outro. O outro \u00e9 que sabe &#8211; quando sabe &#8211; de si. E ent\u00e3o neste primeiro ano da segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, no m\u00eas segundo, do dia 1 ao 5, estamos comemorando o baob\u00e1 em que se transformou Elano de Paula. E esse baob\u00e1 frondoso \u00e9 madeira de lei, com vi\u00e7o, energia, intelig\u00eancia, arg\u00facia, capacidade cr\u00edtica e vida plena.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 05\/02\/2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos desejam chegar l\u00e1, mas poucos admitem quando atingem. O relativismo do tempo d\u00e1 \u00edmpeto para aceitar um quase, mas com resist\u00eancia. Uns fingem. Outros procuram ocultar os sinais com ajustes est\u00e9ticos e a maioria teima em dizer: n\u00e3o sou. Primeiro, vieram os antibi\u00f3ticos, o saneamento b\u00e1sico melhorou, a engenharia ajudou a ci\u00eancia m\u00e9dica a fazer sua parte e a consci\u00eancia social resultou em cuidados que prolongam a exist\u00eancia. Hoje, n\u00e3o \u00e9 raro se chegar \u00e0 idade limite para a inf\u00e2ncia do outono, com energia e integridade f\u00edsica. Esse fato \u00e9 comemorado por uns, mas causa perplexidade a outros. \u00c9 confinante, para a maioria, o tempo da jubila\u00e7\u00e3o e, com ela, a inapet\u00eancia para o \u00f3cio e o medo pelo que vir\u00e1 depois. \u00c9 o tempo de fazer contas, todos tem esse direito. Findo \u2013 para alguns &#8211; o tempo de trabalho \u00e9 preciso manter vida ativa com autocuidados. Decidir as tarefas b\u00e1sicas para a independ\u00eancia pessoal, ter a mente ligada em novos interesses como caminhar ou exercitar-se, reunir-se em grupos e cultivar ou recriar la\u00e7os familiares e\/ou afetivos duradouros. Dizia o escritor J. Renard que \u201ca velhice chega quando se come\u00e7a a dizer: nunca me senti t\u00e3o jovem\u201d. Assim, \u00e9 preciso ir aceitando as limita\u00e7\u00f5es com reflex\u00e3o, dosando energia com prud\u00eancia, mas certo de que o amanh\u00e3 \u00e9 sempre um vir-a-ser e o hoje \u00e9 o que conta. A mente, com o povoamento de recorda\u00e7\u00f5es, precisa ser reinstigada para o hoje com a\u00e7\u00f5es, boa companhia, leitura de jornal, revista, livro e o maldito ou bendito computador. Estar ligado ao que acontece no mundo d\u00e1 o sentimento de perten\u00e7a e isso \u00e9 quase t\u00e3o bom quanto uma meta. A aten\u00e7\u00e3o real nos relacionamentos neutraliza a ansiedade e ajuda na alegria de viver, pois ela, a vida, n\u00e3o \u00e9 sonho, dizia o poeta Garcia Lorca. E por saber que a vida n\u00e3o \u00e9 sonho \u00e9 que Elano Paula ou Elano Viana de Oliveira Paula perdeu o umbigo em Maranguape e a inoc\u00eancia no Rio de Janeiro. Seria dual ou m\u00faltiplo, sempre. Fez-se adulto, ainda jovem. Misturou engenharia civil com servi\u00e7o militar. E se fez capit\u00e3o. A guerra j\u00e1 era e ele entrou noutra. A da vida. E por ser h\u00e1bil em v\u00e1rias coisas, se fez radialista, produtor, compositor, engenheiro, construtor, escritor, pintor e c\u00e9tico\/crente. Como os homens n\u00e3o vivem s\u00f3s e n\u00e3o podem dublar sentimentos viu-se apaixonado por uma voz e uma cabe\u00e7a e o corpo veio junto. Acasalou-se por pouco menos que meio s\u00e9culo. E, enquanto viviam, Elano mexeu com quase tudo, ao mesmo tempo. \u00c9 testemunha da a\u00e7\u00e3o da mortalidade, a contragosto. Da\u00ed viu-se s\u00f3. Mas n\u00e3o seria o ocaso. Veio o acaso \u2013 se existe \u2013 bem de perto, mas era de longe, do Estado onde o seu pai se exilara para viver como queria. E a\u00ed o ardor hibernado, aflorou. E foi jorro de benqueren\u00e7as, desafiando diferen\u00e7as e enfrentando at\u00e9 olhares d\u00fabios. Que olhares? Ningu\u00e9m vive a vida do outro. O outro \u00e9 que sabe &#8211; quando sabe &#8211; de si. E ent\u00e3o neste primeiro ano da segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, no m\u00eas segundo, do dia 1 ao 5, estamos comemorando o baob\u00e1 em que se transformou Elano de Paula. E esse baob\u00e1 frondoso \u00e9 madeira de lei, com vi\u00e7o, energia, intelig\u00eancia, arg\u00facia, capacidade cr\u00edtica e vida plena.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 05\/02\/2010<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3187","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3187"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3187\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}