{"id":3189,"date":"2023-12-21T09:10:40","date_gmt":"2023-12-21T12:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/maracatu-az-de-ouro-cultura-com-arte-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:40","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:40","slug":"maracatu-az-de-ouro-cultura-com-arte-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/maracatu-az-de-ouro-cultura-com-arte-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"MARACATU AZ DE OURO \u2013 CULTURA COM ARTE &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>O BenficArte, espa\u00e7o cultural localizado na esquina das avenidas Carapinima e 13 de maio, apoia h\u00e1 anos manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00e9-carnavalescas, especialmente as dos maracatus cearenses. Durante este per\u00edodo pr\u00e9-carnavalesco homenageia com uma exposi\u00e7\u00e3o, os 74 anos do Maracatu Az(com z) de Ouro. Entende o BenficArte ser preciso que os mais jovens conhe\u00e7am a raz\u00e3o, a ess\u00eancia e o porqu\u00ea de pessoas de todas as idades e ra\u00e7as que, por decis\u00e3o pr\u00f3pria e vol\u00fapia, metamorfoseiam-se em nig\u00e9rrimos, colocando roupas singulares com adere\u00e7os caracter\u00edsticos da \u00c1frica e encarnam, em \u00e9pocas carnavalescas, nativos daquele continente. Eles chegam dan\u00e7ando sincopadamente, como se contassem e cantassem a hist\u00f3ria e a tristeza da suas capturas na \u00c1frica que come\u00e7aram na Idade M\u00e9dia, s\u00e9culos antes dos navios negreiros que os trouxeram como for\u00e7a de trabalho para o Brasil e outros pa\u00edses do continente americano, ap\u00f3s suas descobertas. V\u00e3o, em seguida, fazendo evolu\u00e7\u00f5es como lamentos em \u201ccord\u00f5es\u201d m\u00faltiplos, antecedidos por um porta-estandarte iluminado por lampi\u00f5es levados por guias e um exc\u00eantrico baliza. E o mais singular \u00e9 que para coroar a festa surge gloriosa uma \u201crainha\u201d que embute em seus gracejos a for\u00e7a de um homem. E ainda, como uma forma peculiar de miscigena\u00e7\u00e3o, h\u00e1 as figuras dos \u00edndios, os nativos das terras para onde foram trazidos. Creia, isso \u00e9 cultura popular cearense e resgata bem o que muitos plantaram e apoiam h\u00e1 d\u00e9cadas. Dentre eles, Descartes Gadelha, Cal\u00e9 Alencar, Paulo Tadeu, Pingo de Fortaleza e, especialmente, o n\u00e3o esquecido Raimundo Alves Feitosa, o fundador do Az de Ouro que o criou, em 1936, no tempo em que Fortaleza era pacata e o corso carnavalesco acontecia nas ruas 24 de Maio e Senador Pompeu e na Av. Duque de Caxias. Eles, os integrantes do Az de Ouro, vem do Jardim Am\u00e9rica, bairro lim\u00edtrofe com o Benfica, mostrando agora, no Benficarte, vis a vis com os visitantes da rica e mimosa exposi\u00e7\u00e3o, sob as b\u00ean\u00e7\u00e3os de todos os deuses negros, a sua hist\u00f3ria permeada das cores amarela, vermelha e preta que formam a sua identidade e tecem a sua mem\u00f3ria em fotos, fantasias e estandartes.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 12\/02\/2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O BenficArte, espa\u00e7o cultural localizado na esquina das avenidas Carapinima e 13 de maio, apoia h\u00e1 anos manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00e9-carnavalescas, especialmente as dos maracatus cearenses. Durante este per\u00edodo pr\u00e9-carnavalesco homenageia com uma exposi\u00e7\u00e3o, os 74 anos do Maracatu Az(com z) de Ouro. Entende o BenficArte ser preciso que os mais jovens conhe\u00e7am a raz\u00e3o, a ess\u00eancia e o porqu\u00ea de pessoas de todas as idades e ra\u00e7as que, por decis\u00e3o pr\u00f3pria e vol\u00fapia, metamorfoseiam-se em nig\u00e9rrimos, colocando roupas singulares com adere\u00e7os caracter\u00edsticos da \u00c1frica e encarnam, em \u00e9pocas carnavalescas, nativos daquele continente. Eles chegam dan\u00e7ando sincopadamente, como se contassem e cantassem a hist\u00f3ria e a tristeza da suas capturas na \u00c1frica que come\u00e7aram na Idade M\u00e9dia, s\u00e9culos antes dos navios negreiros que os trouxeram como for\u00e7a de trabalho para o Brasil e outros pa\u00edses do continente americano, ap\u00f3s suas descobertas. V\u00e3o, em seguida, fazendo evolu\u00e7\u00f5es como lamentos em \u201ccord\u00f5es\u201d m\u00faltiplos, antecedidos por um porta-estandarte iluminado por lampi\u00f5es levados por guias e um exc\u00eantrico baliza. 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