{"id":3199,"date":"2023-12-21T09:10:40","date_gmt":"2023-12-21T12:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-sonho-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:40","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:40","slug":"o-sonho-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/o-sonho-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"O SONHO &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Em 21 de mar\u00e7o de 1965, h\u00e1 exatos 45 anos, Martin Luther King Jr abriu o longo e duro caminho para a liberdade racial na Am\u00e9rica, ent\u00e3o preconceituosa e indiferente. E o que fez Luther King nesse dia? Marchou com mais de 3.000 pessoas de Selma a Montgomery, no estado do Alabama. Bradava com a autoridade de detentor do Pr\u00eamio Nobel da Paz, de 1964. Era o mentor maior da luta pelos direitos civis e defendia a n\u00e3o viol\u00eancia de Mahatma Gandhi, de quem fora amigo. Seu breve discurso \u201cI have a dream\u201d(Eu tenho um sonho), proferido em Washingto n, em 28 de agosto de 1963, foi o marco da consolida\u00e7\u00e3o da Lei dos Direitos Civis, assinada por Lyndon Johnson, a ferro e fogo, e o estopim da efetiva\u00e7\u00e3o, em 65, da Lei dos Direitos Eleitorais. Assim, os negros estabeleciam pegadas fortes na busca da igualdade de direitos. Ano passado, em meio ao inverno, estive em Atlanta, sua terra natal, e pude percorrer alguns de seus caminhos. Fui ao Memorial onde est\u00e3o as lembran\u00e7as materiais e imateriais de sua trajet\u00f3ria pol\u00edtica, da luta desmedida pelo direito de fazer-se respeitar pela maioria branca. Vi seu t\u00famulo, em granito preto, e senti que as balas que o assassinaram em1968, em Memphis, talvez tenham ajudado a elei\u00e7\u00e3o de um negro \u00e0 presid\u00eancia dos Estados Unidos, em 2008. Ele dizia, no seu discurso, que: \u201cEu tenho um sonho de que um dia, esta na\u00e7\u00e3o se erguer\u00e1 e viver\u00e1 o verdadeiro significado dos seus princ\u00edpios\u201d. Relembro, com clareza, o in\u00edcio da marcha dos negros em agosto de 1963. Eu, jovem quase imberbe, estava por l\u00e1 e vi o alvoro\u00e7o de um pa\u00eds em dilema: abrir-se ou se autodestruir. Nesse tempo, tr\u00eas grandes l\u00edderes foram assassinados em s\u00e9rie: John Kennedy, em 21 de novembro de1963; Luther King, em 04 abril; e Bob Kennedy, em 05 de junho, ambos em 1968. Paradoxalmente, esses crimes foram sendo introjetados, pouco a pouco, no seio da grande imprensa que parecia tender, inicialmente, pelo \u201capartheid\u201d. A perda da Guerra do Vietn\u00e3 talvez tenha contribu\u00eddo, a seguir, para a forma\u00e7\u00e3o de um caldeir\u00e3o de americanos n\u00e3o brancos a agir politicamente por mudan\u00e7as que s\u00f3 devem ser, a meu ver, registradas pela Hist\u00f3ria com a elei\u00e7\u00e3o de Barack Obama.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 21\/03\/2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 21 de mar\u00e7o de 1965, h\u00e1 exatos 45 anos, Martin Luther King Jr abriu o longo e duro caminho para a liberdade racial na Am\u00e9rica, ent\u00e3o preconceituosa e indiferente. E o que fez Luther King nesse dia? Marchou com mais de 3.000 pessoas de Selma a Montgomery, no estado do Alabama. Bradava com a autoridade de detentor do Pr\u00eamio Nobel da Paz, de 1964. Era o mentor maior da luta pelos direitos civis e defendia a n\u00e3o viol\u00eancia de Mahatma Gandhi, de quem fora amigo. Seu breve discurso \u201cI have a dream\u201d(Eu tenho um sonho), proferido em Washingto n, em 28 de agosto de 1963, foi o marco da consolida\u00e7\u00e3o da Lei dos Direitos Civis, assinada por Lyndon Johnson, a ferro e fogo, e o estopim da efetiva\u00e7\u00e3o, em 65, da Lei dos Direitos Eleitorais. Assim, os negros estabeleciam pegadas fortes na busca da igualdade de direitos. Ano passado, em meio ao inverno, estive em Atlanta, sua terra natal, e pude percorrer alguns de seus caminhos. Fui ao Memorial onde est\u00e3o as lembran\u00e7as materiais e imateriais de sua trajet\u00f3ria pol\u00edtica, da luta desmedida pelo direito de fazer-se respeitar pela maioria branca. Vi seu t\u00famulo, em granito preto, e senti que as balas que o assassinaram em1968, em Memphis, talvez tenham ajudado a elei\u00e7\u00e3o de um negro \u00e0 presid\u00eancia dos Estados Unidos, em 2008. Ele dizia, no seu discurso, que: \u201cEu tenho um sonho de que um dia, esta na\u00e7\u00e3o se erguer\u00e1 e viver\u00e1 o verdadeiro significado dos seus princ\u00edpios\u201d. Relembro, com clareza, o in\u00edcio da marcha dos negros em agosto de 1963. Eu, jovem quase imberbe, estava por l\u00e1 e vi o alvoro\u00e7o de um pa\u00eds em dilema: abrir-se ou se autodestruir. Nesse tempo, tr\u00eas grandes l\u00edderes foram assassinados em s\u00e9rie: John Kennedy, em 21 de novembro de1963; Luther King, em 04 abril; e Bob Kennedy, em 05 de junho, ambos em 1968. Paradoxalmente, esses crimes foram sendo introjetados, pouco a pouco, no seio da grande imprensa que parecia tender, inicialmente, pelo \u201capartheid\u201d. 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