{"id":3202,"date":"2023-12-21T09:10:40","date_gmt":"2023-12-21T12:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/terremotos-e-o-futuro-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:40","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:40","slug":"terremotos-e-o-futuro-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/terremotos-e-o-futuro-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"TERREMOTOS E O FUTURO &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio reunir tudo aquilo que a imagina\u00e7\u00e3o consegue conceber de mais terr\u00edvel para representar, ainda que precariamente, o horror em que as pessoas se veem quando a terra se move sob seus p\u00e9s, quando tudo ao redor vem abaixo, quando a \u00e1gua agitada em seu leito completa a desgra\u00e7a com inunda\u00e7\u00f5es e quando o temor da morte, o desespero pela perda total de todos os bens e, por fim, as vis\u00f5es de outras mis\u00e9rias arrasam mesmo o \u00e2nimo mais resistente. Uma tal narrativa seria comovente e, por ter um impacto direto sobre o cora\u00e7\u00e3o, talvez possa torn\u00e1-lo melhor. S\u00f3 que eu deixo essa hist\u00f3ria para m\u00e3os mais capazes.\u201d A descri\u00e7\u00e3o parece de um jornalista atual sobre os terremotos do Haiti e do Chile, mas foi feita por um fil\u00f3sofo, Emanuel Kant, em 1755, sobre o grande terremoto de Lisboa. O texto faz parte de ensaio do prof. Marcus Mazzari para o \u201cMais\u201d. O que se pode ver \u00e9 que o alem\u00e3o Kant, o autor das cr\u00edticas da raz\u00e3o pura e da raz\u00e3o pr\u00e1tica, fala em \u201cimpacto direto sobre o cora\u00e7\u00e3o\u201d. Dessa forma, deduz-se que alguns fil\u00f3sofos s\u00e3o, al\u00e9m de pensadores, plenos de sentimentos. Das cinzas e escombros do terremoto de Lisboa emergiu a figura do Marqu\u00eas de Pombal, o reconstrutor e gestor do novo tra\u00e7ado urbano da cidade e parte da instrumenta\u00e7\u00e3o legal portuguesa. Agora, quase 300 depois, o Haiti e o Chile vivem problemas similares. O Haiti, por seu hist\u00f3rico de pobreza e domina\u00e7\u00e3o estrangeira, tem uma di\u00e1spora e muitos dos seus filhos andam pelo mundo. Os que l\u00e1 ficaram n\u00e3o t\u00eam, pensa a ONU, capacidade plena de autogest\u00e3o e, por conta disso, ela fez pouso permanente para minorar o caos e a seguran\u00e7a. O Chile, sa\u00eddo a 20 anos de uma ditadura, conseguiu ser um cart\u00e3o de visita da Am\u00e9rica do Sul, mas deixou as m\u00e3os capazes e limpas de Michele Bachelet, para os planos e a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas de Sebastian Pi\u00f1eda, esp\u00e9cie de mistura de Eike Batista e Jorge Lemann, os brasileiros da lista dos endinheirados do mundo. O que se espera da ONU e de Pi\u00f1eda \u00e9 que se inspirem na figura do Marqu\u00eas de Pombal, que tamb\u00e9m era Sebasti\u00e3o, e fa\u00e7am da reconstru\u00e7\u00e3o o mote para a motiva\u00e7\u00e3o de todos os atingidos pelos sismos, que n\u00e3o avisam quando chegam.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 28\/03\/2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio reunir tudo aquilo que a imagina\u00e7\u00e3o consegue conceber de mais terr\u00edvel para representar, ainda que precariamente, o horror em que as pessoas se veem quando a terra se move sob seus p\u00e9s, quando tudo ao redor vem abaixo, quando a \u00e1gua agitada em seu leito completa a desgra\u00e7a com inunda\u00e7\u00f5es e quando o temor da morte, o desespero pela perda total de todos os bens e, por fim, as vis\u00f5es de outras mis\u00e9rias arrasam mesmo o \u00e2nimo mais resistente. Uma tal narrativa seria comovente e, por ter um impacto direto sobre o cora\u00e7\u00e3o, talvez possa torn\u00e1-lo melhor. S\u00f3 que eu deixo essa hist\u00f3ria para m\u00e3os mais capazes.\u201d A descri\u00e7\u00e3o parece de um jornalista atual sobre os terremotos do Haiti e do Chile, mas foi feita por um fil\u00f3sofo, Emanuel Kant, em 1755, sobre o grande terremoto de Lisboa. O texto faz parte de ensaio do prof. Marcus Mazzari para o \u201cMais\u201d. O que se pode ver \u00e9 que o alem\u00e3o Kant, o autor das cr\u00edticas da raz\u00e3o pura e da raz\u00e3o pr\u00e1tica, fala em \u201cimpacto direto sobre o cora\u00e7\u00e3o\u201d. Dessa forma, deduz-se que alguns fil\u00f3sofos s\u00e3o, al\u00e9m de pensadores, plenos de sentimentos. Das cinzas e escombros do terremoto de Lisboa emergiu a figura do Marqu\u00eas de Pombal, o reconstrutor e gestor do novo tra\u00e7ado urbano da cidade e parte da instrumenta\u00e7\u00e3o legal portuguesa. Agora, quase 300 depois, o Haiti e o Chile vivem problemas similares. O Haiti, por seu hist\u00f3rico de pobreza e domina\u00e7\u00e3o estrangeira, tem uma di\u00e1spora e muitos dos seus filhos andam pelo mundo. Os que l\u00e1 ficaram n\u00e3o t\u00eam, pensa a ONU, capacidade plena de autogest\u00e3o e, por conta disso, ela fez pouso permanente para minorar o caos e a seguran\u00e7a. O Chile, sa\u00eddo a 20 anos de uma ditadura, conseguiu ser um cart\u00e3o de visita da Am\u00e9rica do Sul, mas deixou as m\u00e3os capazes e limpas de Michele Bachelet, para os planos e a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas de Sebastian Pi\u00f1eda, esp\u00e9cie de mistura de Eike Batista e Jorge Lemann, os brasileiros da lista dos endinheirados do mundo. 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