{"id":3205,"date":"2023-12-21T09:10:40","date_gmt":"2023-12-21T12:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/cleber-aquino-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:40","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:40","slug":"cleber-aquino-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/cleber-aquino-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"CL\u00c9BER AQUINO &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Imaginem um menino tipicamente cearense, criado no interior, que, de repente, vem para a capital e, nela, descobre-se capaz de sonhos e realizar objetivos. Este era Cl\u00e9ber Aquino que se tornou administrador, professor e consultor de empresas. Cl\u00e9ber faleceu na \u00faltima sexta-feira, 02 de abril de 2010, em sua resid\u00eancia de Fortaleza. Ele se dividia, h\u00e1 mais de 40 anos, entre S\u00e3o Paulo e o Cear\u00e1. Morreu como gostaria, lendo. Um fulminante infarto o levou, manh\u00e3 cedo, logo ap\u00f3s pronunciar: Ana Maria. Cl\u00e9ber, nascido em Maracana\u00fa, formou-se pela ent\u00e3o Escola de Administra\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1, hoje curso da Universidade Estadual do Cear\u00e1-Uece e, em seguida, foi para S\u00e3o Paulo onde concluiu mestrado e doutorado na USP-Universidade de S\u00e3o Paulo, da qual se tornou professor. Era casado com a Sra. Ana Maria Cavalcante Aquino e realizava h\u00e1 mais de 20 anos, entre outros projetos, o Programa Hist\u00f3ria Empresarial Vivida. Esse programa consistia em uma reuni\u00e3o mensal na hora do caf\u00e9 da manh\u00e3, onde convidados de m\u00faltiplas profiss\u00f5es e atividades afins ouviam palestras de autoridades, professores, empres\u00e1rios e intelectuais, quase sempre de S\u00e3o Paulo. Ap\u00f3s as palestras, eram realizados debates. Tudo era gravado, transcrito e entregue em apostila na pr\u00f3xima palestra. Por outro lado, Cl\u00e9ber Aquino reuniu, em livros, v\u00e1rios depoimentos de empres\u00e1rios paulistas e cearenses que, no seu pensar, mereciam contar suas hist\u00f3rias pessoais e profissionais, de supera\u00e7\u00e3o e sucesso. Rigoroso, quanto a hor\u00e1rios, Cl\u00e9ber, viajado e interlocutor de grandes dirigentes de empresas, mantinha uma rela\u00e7\u00e3o peculiar com a classe empresarial. Asseverava que os empres\u00e1rios deveriam ter melhor forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, muita leitura, cultura, e saber de artes, preparar a sucess\u00e3o, vis\u00e3o estrat\u00e9gica do mundo e \u00e9tica em neg\u00f3cios. Era pol\u00eamico, dogm\u00e1tico e poderia at\u00e9 ser em alguns momentos, em sentido lato, rabugento. Todos os nomes de destaque empresarial do Cear\u00e1, desde os anos 80, participaram, pelo menos alguma vez, dos seus c\u00e9lebres caf\u00e9s da manh\u00e3, que se iniciavam regulamente \u00e0s 7.30 horas e culminavam com a entrega compuls\u00f3ria de livros para leitura, escolhidos pela sua \u00f3tica acad\u00eamica e vivencial. Cl\u00e9ber nutria admira\u00e7\u00e3o por muitos empres\u00e1rios, mas era contundente e ferino em seus ju\u00edzos cr\u00edticos com alguns. Usava tr\u00eas ou mais canetas de cor no bolso da camisa para anotar ou grifar o que lhe agradava ou n\u00e3o em livros, jornais ou revistas, que sempre portava. Falava da \u201cburguesia\u201d empresarial de sua terra que adorava coluna social, mas, paradoxalmente, virou verbete no \u00faltimo bienal \u201cSociedade Cearense\u201d, de L\u00facio Brasileiro. O Cear\u00e1 perde um de seus filhos ilustres e Maracana\u00fa recebeu, de volta, o seu corpo eternizado que, por sinal, deu muito trabalho para se adequar ao ex\u00edguo espa\u00e7o do jazigo onde j\u00e1 repousava sua m\u00e3e no velho e simples cemit\u00e9rio S\u00e3o Jos\u00e9. Ele, tal qual o santo protetor do Cear\u00e1, n\u00e3o teve descendentes. Ca\u00eda a noite, quando uma laje de concreto solveu o problema. Familiares, poucos amigos e jovens seguidores de Cl\u00e9ber acompanhavam Ana Maria a rezar um Pai Nosso. Uma vazia roda gigante de um mambembe parque de divers\u00f5es, do outro lado da rua, permanecia inerte. Afinal, era noite de lua cheia na Sexta Feira da Paix\u00e3o.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 09\/04\/2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imaginem um menino tipicamente cearense, criado no interior, que, de repente, vem para a capital e, nela, descobre-se capaz de sonhos e realizar objetivos. Este era Cl\u00e9ber Aquino que se tornou administrador, professor e consultor de empresas. Cl\u00e9ber faleceu na \u00faltima sexta-feira, 02 de abril de 2010, em sua resid\u00eancia de Fortaleza. Ele se dividia, h\u00e1 mais de 40 anos, entre S\u00e3o Paulo e o Cear\u00e1. Morreu como gostaria, lendo. Um fulminante infarto o levou, manh\u00e3 cedo, logo ap\u00f3s pronunciar: Ana Maria. Cl\u00e9ber, nascido em Maracana\u00fa, formou-se pela ent\u00e3o Escola de Administra\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1, hoje curso da Universidade Estadual do Cear\u00e1-Uece e, em seguida, foi para S\u00e3o Paulo onde concluiu mestrado e doutorado na USP-Universidade de S\u00e3o Paulo, da qual se tornou professor. Era casado com a Sra. Ana Maria Cavalcante Aquino e realizava h\u00e1 mais de 20 anos, entre outros projetos, o Programa Hist\u00f3ria Empresarial Vivida. Esse programa consistia em uma reuni\u00e3o mensal na hora do caf\u00e9 da manh\u00e3, onde convidados de m\u00faltiplas profiss\u00f5es e atividades afins ouviam palestras de autoridades, professores, empres\u00e1rios e intelectuais, quase sempre de S\u00e3o Paulo. Ap\u00f3s as palestras, eram realizados debates. Tudo era gravado, transcrito e entregue em apostila na pr\u00f3xima palestra. Por outro lado, Cl\u00e9ber Aquino reuniu, em livros, v\u00e1rios depoimentos de empres\u00e1rios paulistas e cearenses que, no seu pensar, mereciam contar suas hist\u00f3rias pessoais e profissionais, de supera\u00e7\u00e3o e sucesso. Rigoroso, quanto a hor\u00e1rios, Cl\u00e9ber, viajado e interlocutor de grandes dirigentes de empresas, mantinha uma rela\u00e7\u00e3o peculiar com a classe empresarial. Asseverava que os empres\u00e1rios deveriam ter melhor forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, muita leitura, cultura, e saber de artes, preparar a sucess\u00e3o, vis\u00e3o estrat\u00e9gica do mundo e \u00e9tica em neg\u00f3cios. Era pol\u00eamico, dogm\u00e1tico e poderia at\u00e9 ser em alguns momentos, em sentido lato, rabugento. Todos os nomes de destaque empresarial do Cear\u00e1, desde os anos 80, participaram, pelo menos alguma vez, dos seus c\u00e9lebres caf\u00e9s da manh\u00e3, que se iniciavam regulamente \u00e0s 7.30 horas e culminavam com a entrega compuls\u00f3ria de livros para leitura, escolhidos pela sua \u00f3tica acad\u00eamica e vivencial. Cl\u00e9ber nutria admira\u00e7\u00e3o por muitos empres\u00e1rios, mas era contundente e ferino em seus ju\u00edzos cr\u00edticos com alguns. Usava tr\u00eas ou mais canetas de cor no bolso da camisa para anotar ou grifar o que lhe agradava ou n\u00e3o em livros, jornais ou revistas, que sempre portava. Falava da \u201cburguesia\u201d empresarial de sua terra que adorava coluna social, mas, paradoxalmente, virou verbete no \u00faltimo bienal \u201cSociedade Cearense\u201d, de L\u00facio Brasileiro. O Cear\u00e1 perde um de seus filhos ilustres e Maracana\u00fa recebeu, de volta, o seu corpo eternizado que, por sinal, deu muito trabalho para se adequar ao ex\u00edguo espa\u00e7o do jazigo onde j\u00e1 repousava sua m\u00e3e no velho e simples cemit\u00e9rio S\u00e3o Jos\u00e9. Ele, tal qual o santo protetor do Cear\u00e1, n\u00e3o teve descendentes. Ca\u00eda a noite, quando uma laje de concreto solveu o problema. Familiares, poucos amigos e jovens seguidores de Cl\u00e9ber acompanhavam Ana Maria a rezar um Pai Nosso. Uma vazia roda gigante de um mambembe parque de divers\u00f5es, do outro lado da rua, permanecia inerte. Afinal, era noite de lua cheia na Sexta Feira da Paix\u00e3o.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 09\/04\/2010.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3205","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3205","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3205"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3205\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}