{"id":3210,"date":"2023-12-21T09:10:40","date_gmt":"2023-12-21T12:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/teatro-brasileiro-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:40","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:40","slug":"teatro-brasileiro-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/teatro-brasileiro-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"TEATRO BRASILEIRO &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Ao meu olhar, temos poucos bons autores de pe\u00e7as teatrais brasileiras contempor\u00e2neas. A TV engole o teatro, que resiste. No, no meu leigo ju\u00edzo, lembrei-me do autor de teatro Gerald Thomas, um desses brasileiros que, por ter nome estrangeiro e vivido muito tempo no exterior, sempre corre o risco da perda de identidade cultural. Aqui e l\u00e1. Ele foi e \u00e9 pol\u00eamico e, nos anos noventa, criou pe\u00e7as loucas Depois de se separar de sua parceira, Daniela, foi companheiro da atriz Fernanda Torres, filha de Fernanda Montenegro. Em uma das pe\u00e7as (The Flash and the crash days) que montou em 1993, em S\u00e3o Paulo, Gerald usou, esta a palavra correta, as duas fernandas em cena sugerindo quase sexo expl\u00edcito entre filha e m\u00e3e. Fiquei aturdido. \u00c0 \u00e9poca, neste mesmo DN, escrevi artigo sobre a pe\u00e7a e conclu\u00ed dizendo: \u201cLembro que, ao sair do teatro, tive a coragem de perguntar a espectadores se haviam entendido a pe\u00e7a. Disse ainda, quem tiver entendido levante a m\u00e3o. Todos riram e ningu\u00e9m levantou um dedo sequer\u201d. Na verdade, o que ele fez nessa e em outras produ\u00e7\u00f5es foi uma esp\u00e9cie do teatro do absurdo, sem Ionesco. \u201cThe Flash\u201d pode ser remontada em qualquer sequ\u00eancia de cenas que n\u00e3o faz nenhuma diferen\u00e7a e h\u00e1 quase aus\u00eancia de di\u00e1logos. Agora, neste 17.04.10, leio na Folha de S\u00e3o Paulo um artigo assinado pelo Gerald Thomas ao comentar o livro \u201cTeatralidades contempor\u00e2neas\u201d, de S\u00edlvia Fernandes. Ele, enfim, para alegria dos que gostam do teatro verdadeiro, diz que vai deixar a ribalta. Transcrevo: \u201cAgora, tendo me despedido do teatro, atrav\u00e9s de um artigo no velho blog&#8230;E continua: \u201cvejo minha vida teatral e oper\u00edstica com grande saudade, mas com uma tremenda resolu\u00e7\u00e3o: sou um ponto zero, um ponto falho, se deixei falhas enormes para tr\u00e1s\u201d. Ao final do artigo, Gerald afirma que \u201cpaga-se um pre\u00e7o ao criar, e paga-se outro para imitar. O \u2018teatro-supermercado de \u201cgadgets\u201d que precisamos para viver \u00e9 algo chato e sem pensamentos a respeito de si. O teatro n\u00e3o se repensa h\u00e1 tempos\u201d. O teatro brasileiro precisa, realmente, fazer uma autocr\u00edtica, mas, por favor, n\u00e3o convidem o Gerald Thomas, agora auto exilado em Londres.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 25\/04\/2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao meu olhar, temos poucos bons autores de pe\u00e7as teatrais brasileiras contempor\u00e2neas. A TV engole o teatro, que resiste. No, no meu leigo ju\u00edzo, lembrei-me do autor de teatro Gerald Thomas, um desses brasileiros que, por ter nome estrangeiro e vivido muito tempo no exterior, sempre corre o risco da perda de identidade cultural. Aqui e l\u00e1. 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Na verdade, o que ele fez nessa e em outras produ\u00e7\u00f5es foi uma esp\u00e9cie do teatro do absurdo, sem Ionesco. \u201cThe Flash\u201d pode ser remontada em qualquer sequ\u00eancia de cenas que n\u00e3o faz nenhuma diferen\u00e7a e h\u00e1 quase aus\u00eancia de di\u00e1logos. Agora, neste 17.04.10, leio na Folha de S\u00e3o Paulo um artigo assinado pelo Gerald Thomas ao comentar o livro \u201cTeatralidades contempor\u00e2neas\u201d, de S\u00edlvia Fernandes. Ele, enfim, para alegria dos que gostam do teatro verdadeiro, diz que vai deixar a ribalta. Transcrevo: \u201cAgora, tendo me despedido do teatro, atrav\u00e9s de um artigo no velho blog&#8230;E continua: \u201cvejo minha vida teatral e oper\u00edstica com grande saudade, mas com uma tremenda resolu\u00e7\u00e3o: sou um ponto zero, um ponto falho, se deixei falhas enormes para tr\u00e1s\u201d. Ao final do artigo, Gerald afirma que \u201cpaga-se um pre\u00e7o ao criar, e paga-se outro para imitar. 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