{"id":3216,"date":"2023-12-21T09:10:40","date_gmt":"2023-12-21T12:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/quintessencia-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:40","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:40","slug":"quintessencia-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/quintessencia-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"QUINTESS\u00caNCIA &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Retorno de um enterro: \u201cvaidade das vaidades, e tudo \u00e9 vaidade\u201d, diz o Eclesiastes. Existem vaidosos para tudo. Imagine o mundo da absoluta vaidade ou futilidade. N\u00e3o h\u00e1 limites para ele. Agora, o Brasil j\u00e1 pode se considerar integrado ao primeiro mundo. Foi aberta, em SP, a filial da \u201dQuintessencially\u201d, empresa que tem como lema entregar \u201cqualquer coisa que o dinheiro possa comprar\u201d. Ser\u00e1 que essa empresa pode entregar uma medula nova para um tetrapl\u00e9gico? Ou o rem\u00e9dio para a cura do Alzheimer? Como dizia Louis-Ferdinand C\u00e9line, escritor franc\u00eas, morto em 1961, \u201cn\u00e3o existe vaidade inteligente\u201d. E o pior \u00e9 que alguns paulistas j\u00e1 se afiliaram a essa doidice. Um dos ditos cujos estuda a possibilidade de gastar R$ 1,3 milh\u00f5es para trazer a \u201cLady Gaga\u201d (quem \u00e9 ela mesmo?) para uma festa \u201cpriv\u00ea\u201d. Privativa \u00e9 coisa de gentinha. Pois bem, a colunista social M\u00f4nica B\u00e9rgamo, da Folha de SP, em 09 deste maio, faz um \u201ctest drive\u201d, com endinheirados, de um colar que custa R$1 milh\u00e3o, ou como ela diz \u201co pre\u00e7o de tr\u00eas apartamentos de dois quartos em Perdizes ou 24 carros C3 da Citro\u00ebn\u201d. L\u00e1 pelas tantas, uma dondoca indagada se o compraria e usaria, disse: \u201cUsaria com um longo. Cag&#8230; do de medo, com tr\u00eas seguran\u00e7as\u201d. Pela linguagem, se v\u00ea que perua rima com mundo da rua. Sabe-se que colunistas sociais d\u00e3o \u201ccorda\u201d para que algumas pessoas se soltem e paguem micos. Uns, apresentam-se em fotos com sobretudos em plena primavera europeia. Alguns acreditam que conhecem vinhos. Fa\u00e7a uma prova cega, a da garrafa sem r\u00f3tulo. A maioria n\u00e3o diz sequer a uva, quanto mais a marca. Bobagem pura. Outros imaginam que conhecem, por exemplo, Nova Iorque, e nunca sa\u00edram dos limites do distrito de Manhattam onde ruas e avenidas s\u00e3o numeradas. Sa\u00edram sim, mas n\u00e3o sabem sequer que o Aeroporto JFK fica no Queens. Como dizia Machado, no seu romance \u201cQuincas Borba\u201d: \u201cpensa que fez grande coisa quem a faz pela primeira vez\u201d. N\u00f3s todos pensamos que somos isso e aquilo, mas, no duro, somos apenas o que todos os do mundo s\u00e3o, almas em tr\u00e2nsito por esta fugidia vida neste planeta que, com certeza, n\u00e3o guardar\u00e1 lembran\u00e7a do que tivemos ou portamos. Qui\u00e7\u00e1, do que fizemos.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 16\/05\/2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retorno de um enterro: \u201cvaidade das vaidades, e tudo \u00e9 vaidade\u201d, diz o Eclesiastes. Existem vaidosos para tudo. Imagine o mundo da absoluta vaidade ou futilidade. N\u00e3o h\u00e1 limites para ele. Agora, o Brasil j\u00e1 pode se considerar integrado ao primeiro mundo. Foi aberta, em SP, a filial da \u201dQuintessencially\u201d, empresa que tem como lema entregar \u201cqualquer coisa que o dinheiro possa comprar\u201d. Ser\u00e1 que essa empresa pode entregar uma medula nova para um tetrapl\u00e9gico? Ou o rem\u00e9dio para a cura do Alzheimer? Como dizia Louis-Ferdinand C\u00e9line, escritor franc\u00eas, morto em 1961, \u201cn\u00e3o existe vaidade inteligente\u201d. E o pior \u00e9 que alguns paulistas j\u00e1 se afiliaram a essa doidice. Um dos ditos cujos estuda a possibilidade de gastar R$ 1,3 milh\u00f5es para trazer a \u201cLady Gaga\u201d (quem \u00e9 ela mesmo?) para uma festa \u201cpriv\u00ea\u201d. Privativa \u00e9 coisa de gentinha. Pois bem, a colunista social M\u00f4nica B\u00e9rgamo, da Folha de SP, em 09 deste maio, faz um \u201ctest drive\u201d, com endinheirados, de um colar que custa R$1 milh\u00e3o, ou como ela diz \u201co pre\u00e7o de tr\u00eas apartamentos de dois quartos em Perdizes ou 24 carros C3 da Citro\u00ebn\u201d. L\u00e1 pelas tantas, uma dondoca indagada se o compraria e usaria, disse: \u201cUsaria com um longo. Cag&#8230; do de medo, com tr\u00eas seguran\u00e7as\u201d. Pela linguagem, se v\u00ea que perua rima com mundo da rua. Sabe-se que colunistas sociais d\u00e3o \u201ccorda\u201d para que algumas pessoas se soltem e paguem micos. Uns, apresentam-se em fotos com sobretudos em plena primavera europeia. Alguns acreditam que conhecem vinhos. Fa\u00e7a uma prova cega, a da garrafa sem r\u00f3tulo. A maioria n\u00e3o diz sequer a uva, quanto mais a marca. Bobagem pura. Outros imaginam que conhecem, por exemplo, Nova Iorque, e nunca sa\u00edram dos limites do distrito de Manhattam onde ruas e avenidas s\u00e3o numeradas. Sa\u00edram sim, mas n\u00e3o sabem sequer que o Aeroporto JFK fica no Queens. Como dizia Machado, no seu romance \u201cQuincas Borba\u201d: \u201cpensa que fez grande coisa quem a faz pela primeira vez\u201d. N\u00f3s todos pensamos que somos isso e aquilo, mas, no duro, somos apenas o que todos os do mundo s\u00e3o, almas em tr\u00e2nsito por esta fugidia vida neste planeta que, com certeza, n\u00e3o guardar\u00e1 lembran\u00e7a do que tivemos ou portamos. 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