{"id":3220,"date":"2023-12-21T09:10:40","date_gmt":"2023-12-21T12:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/dor-e-felicidade-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:40","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:40","slug":"dor-e-felicidade-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/dor-e-felicidade-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"DOR E FELICIDADE &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Como dizia Aldous Huxley, escritor ingl\u00eas falecido no ano do assassinato de Kennedy, \u201cposso compartilhar as dores das pessoas, mas n\u00e3o seus prazeres. Existe algo curiosamente aborrecedor na felicidade alheia\u201d. O livro maior de Huxley, \u201cO Admir\u00e1vel Mundo Novo\u201d, de 1932, fez sucesso. Criou ele uma ut\u00f3pica sociedade estruturada para alcan\u00e7ar a felicidade. Nela n\u00e3o havia \u00e9tica religiosa ou valores morais. As refer\u00eancias\/senhores eram Henry Ford e Sigmund Freud, confundindo-se, qui\u00e7\u00e1, em uma s\u00f3 pessoa pela similar pron\u00fancia dos seus sobrenomes. Ford representaria o progresso, o Estado Mundial, e sua linha de montagem (criticada em filme por Chaplin). Freud, no livro, significaria a rela\u00e7\u00e3o entre a psican\u00e1lise e o condicionamento humano, afian\u00e7ando que a atividade sexual era fonte de prazer e n\u00e3o mero objeto da procria\u00e7\u00e3o. Tudo era fic\u00e7\u00e3o e vis\u00e3o do totalitarismo dos anos 20\/30 com Stalin e Hitler. Esta introdu\u00e7\u00e3o arrisca mostrar que o citado pensamento de Huxley, entretanto, permanece. A inveja, ou o desejo de que o outro n\u00e3o tenha ou usufrua a suposta felicidade que aparenta, seja material ou n\u00e3o, est\u00e1 entranhado na ra\u00e7a humana. Veja na B\u00edblia, \u201c&#8230; a inveja destr\u00f3i como c\u00e2ncer\u201d, prov. 14:30. Dores humanas s\u00e3o indisfar\u00e7\u00e1veis, vis\u00edveis. \u00c9 f\u00e1cil se compadecer ou mostrar solidariedade no infort\u00fanio alheio. A felicidade, mesmo como farsa, incomoda o outro, o invejoso, que n\u00e3o percebe isso. E a\u00ed ele percorre caminhos imagin\u00e1rios tortuosos, pela nega\u00e7\u00e3o de qualquer coisa que seja boa para o invejado, de quem n\u00e3o conhece sequer desejos e entranhas. A belga Marguerite Youcenar, que alguns pensam ser francesa, no livro \u201cMem\u00f3rias de Adriano\u201d, dizia, atrav\u00e9s de personagem, que \u201ctoda felicidade \u00e9 uma obra-prima: o menor erro a deturpa, a menor hesita\u00e7\u00e3o a altera, a menor deseleg\u00e2ncia a estraga, a menor tolice a embrutece\u201d. Pergunto: somos todos criadores de obras-primas? S\u00eaneca, fil\u00f3sofo latino nascido antes de Cristo e que viveu 32 anos mais que Ele, afirmava \u201cn\u00e3o se deve acreditar que \u00e9 poss\u00edvel ser feliz desejando a infelicidade alheia\u201d. S\u00eaneca e o Latim j\u00e1 se foram, mas ainda parece faltar consci\u00eancia e compaix\u00e3o para se enxergar o outro. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 30\/05\/2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como dizia Aldous Huxley, escritor ingl\u00eas falecido no ano do assassinato de Kennedy, \u201cposso compartilhar as dores das pessoas, mas n\u00e3o seus prazeres. Existe algo curiosamente aborrecedor na felicidade alheia\u201d. O livro maior de Huxley, \u201cO Admir\u00e1vel Mundo Novo\u201d, de 1932, fez sucesso. Criou ele uma ut\u00f3pica sociedade estruturada para alcan\u00e7ar a felicidade. Nela n\u00e3o havia \u00e9tica religiosa ou valores morais. 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