{"id":3223,"date":"2023-12-21T09:10:40","date_gmt":"2023-12-21T12:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/e-namoro-nao-e-namoro-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:40","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:40","slug":"e-namoro-nao-e-namoro-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/e-namoro-nao-e-namoro-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"\u00c9 NAMORO? N\u00c3O \u00c9 NAMORO? &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Namorados precisam de data? Ou tudo \u00e9 decorrente da tal da m\u00e3o invis\u00edvel idealizada por Adam Smith? Ser\u00e1? Abro os olhos e vejo as \u00edris resistentes a me mostrarem o espelho fronteiri\u00e7o. Na constata\u00e7\u00e3o do tempo percorrido vem a pergunta sorrateira: qual a raz\u00e3o da data? Lembram-se do falado na frase inicial? Agora, \u00e9 ir procurando o caminho dessa estrada enevoada onde a proa e a popa do barco da vida escondem navegantes \u00e0 procura de respostas \u00e0 indaga\u00e7\u00e3o fundamental: o que represento para voc\u00ea se n\u00e3o tenho remos? Cada par de pernas escolhe as hip\u00f3teses do trajeto e, se encontram outras duas pelo caminho e formam quatro no mesmo diapas\u00e3o, h\u00e1 o que comemorar. O namoro \u00e9 quando a fulgor acende, nunca quando mitiga. \u00c9 quando h\u00e1 emo\u00e7\u00f5es e se escreve, de novo, uma hist\u00f3ria de todos conhecida, mas pr\u00f3pria, pessoal e intransfer\u00edvel. H\u00e1 namoro se as m\u00e3os se deparam como astros absortos, envolvidas pelo calor dos suores trocados a cada suspiro. Namoros n\u00e3o t\u00eam prazo de validade. T\u00eam marca de identidade, de sutilezas percebidas pelas celebra\u00e7\u00f5es dos corpos, nos registros da b\u00ean\u00e7\u00e3o aspergida pelo encontro. \u00c9 namoro quando se sonha junto, quando se descobre o abismo e uma ponte salvadora emerge do nada. \u00c9 namoro quando h\u00e1 pensamento insone, quando a lanterna da esperan\u00e7a permanece azeitada e o fulgor do encontro \u00e9 maior que as adversidades do dia-a-dia. \u00c9 namoro se alma e corpo est\u00e3o no mesmo tempo do verbo, se sei que n\u00e3o sabes que sei, mas desejo que saibas. \u00c9 namoro quando imaginas ser crian\u00e7a e o jardim da inf\u00e2ncia n\u00e3o mais existe. N\u00e3o \u00e9 namoro quando as m\u00e1goas amadurecem e se transformam em \u00f3dio. N\u00e3o \u00e9 namoro quando se contam os minutos do encontro e se reza para tudo ter fim. N\u00e3o \u00e9 namoro se h\u00e1 interesse e n\u00e3o achas a pessoa interessante. N\u00e3o \u00e9 namoro se precisas da intelig\u00eancia para dirigir o tempo. N\u00e3o \u00e9 namoro quando mede frases. Namoro \u00e9 perdi\u00e7\u00e3o de tempo no encontro sem horas. \u00c9 namoro quando n\u00e3o h\u00e1 parcim\u00f4nia, tampouco cerim\u00f4nia. \u00c9 namoro quando n\u00e3o h\u00e1 autoridade, mas afei\u00e7\u00e3o e identidade. H\u00e1 namoro quando n\u00e3o se comanda, mas se anda, passo a passo, sem deixar rastro de desencanto. \u00c9 namoro quando o outro n\u00e3o \u00e9 um meio, tampouco fim, \u00e9 sempre um vir-a-ser. \u00c9 namoro quando os sussurros abafam gritos e quando os dias t\u00eam mais cores embora as horas e os astros sejam os mesmos.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 11\/06\/2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Namorados precisam de data? Ou tudo \u00e9 decorrente da tal da m\u00e3o invis\u00edvel idealizada por Adam Smith? Ser\u00e1? Abro os olhos e vejo as \u00edris resistentes a me mostrarem o espelho fronteiri\u00e7o. Na constata\u00e7\u00e3o do tempo percorrido vem a pergunta sorrateira: qual a raz\u00e3o da data? Lembram-se do falado na frase inicial? Agora, \u00e9 ir procurando o caminho dessa estrada enevoada onde a proa e a popa do barco da vida escondem navegantes \u00e0 procura de respostas \u00e0 indaga\u00e7\u00e3o fundamental: o que represento para voc\u00ea se n\u00e3o tenho remos? Cada par de pernas escolhe as hip\u00f3teses do trajeto e, se encontram outras duas pelo caminho e formam quatro no mesmo diapas\u00e3o, h\u00e1 o que comemorar. O namoro \u00e9 quando a fulgor acende, nunca quando mitiga. \u00c9 quando h\u00e1 emo\u00e7\u00f5es e se escreve, de novo, uma hist\u00f3ria de todos conhecida, mas pr\u00f3pria, pessoal e intransfer\u00edvel. H\u00e1 namoro se as m\u00e3os se deparam como astros absortos, envolvidas pelo calor dos suores trocados a cada suspiro. Namoros n\u00e3o t\u00eam prazo de validade. T\u00eam marca de identidade, de sutilezas percebidas pelas celebra\u00e7\u00f5es dos corpos, nos registros da b\u00ean\u00e7\u00e3o aspergida pelo encontro. \u00c9 namoro quando se sonha junto, quando se descobre o abismo e uma ponte salvadora emerge do nada. \u00c9 namoro quando h\u00e1 pensamento insone, quando a lanterna da esperan\u00e7a permanece azeitada e o fulgor do encontro \u00e9 maior que as adversidades do dia-a-dia. \u00c9 namoro se alma e corpo est\u00e3o no mesmo tempo do verbo, se sei que n\u00e3o sabes que sei, mas desejo que saibas. \u00c9 namoro quando imaginas ser crian\u00e7a e o jardim da inf\u00e2ncia n\u00e3o mais existe. N\u00e3o \u00e9 namoro quando as m\u00e1goas amadurecem e se transformam em \u00f3dio. N\u00e3o \u00e9 namoro quando se contam os minutos do encontro e se reza para tudo ter fim. N\u00e3o \u00e9 namoro se h\u00e1 interesse e n\u00e3o achas a pessoa interessante. N\u00e3o \u00e9 namoro se precisas da intelig\u00eancia para dirigir o tempo. 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H\u00e1 namoro quando n\u00e3o se comanda, mas se anda, passo a passo, sem deixar rastro de desencanto. \u00c9 namoro quando o outro n\u00e3o \u00e9 um meio, tampouco fim, \u00e9 sempre um vir-a-ser. \u00c9 namoro quando os sussurros abafam gritos e quando os dias t\u00eam mais cores embora as horas e os astros sejam os mesmos.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 11\/06\/2010.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3223","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3223","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3223"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3223\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}