{"id":3225,"date":"2023-12-21T09:10:40","date_gmt":"2023-12-21T12:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/paixao-cinquentona-tja-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:40","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:40","slug":"paixao-cinquentona-tja-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/paixao-cinquentona-tja-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"PAIXAO CINQUENTONA- TJA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Tenho uma paix\u00e3o cinquentona por ele. Era meninote e me punha a p\u00e9 da Rua Major Facundo, desde a Pra\u00e7a do Carmo, para l\u00e1. Ia com a despreocupa\u00e7\u00e3o dos enlevados pela oportunidade do encontro. Morava na cidade calma, com 270 mil pessoas, 15.000 \u201caparelhos telef\u00f4nicos\u201d, um grande hotel, o San Pedro, cinco emissoras de r\u00e1dio, um novo e lindo cinema, o S\u00e3o Luiz. Admirava as vitrines da Aba Filme, na Rua Bar\u00e3o do Rio Branco, mostrando as fotos das meninas bonitas da cidade que tomavam lanches no Tonny\u2019s. Era ainda o velho palco, o mesmo de 1910. Burle Marx n\u00e3o burilara a vegeta\u00e7\u00e3o hoje ensombrando o lado incorporado da Rua General Sampaio, nem era dele o antigo pr\u00e9dio da escola, depois faculdade, olhando para a entrada da casa da Maria Luiza Rodrigues e o Edif\u00edcio Lord. Sabia que ele me abriria, como espectador, de alguma forma, as frestas das artes, da interpreta\u00e7\u00e3o, do canto, da m\u00fasica. Queria apurar sentidos, tinha pressa e curiosidade de saber. E foi l\u00e1 que vi, entre outros, Paulo Autran, Tonia Carrerro, Proc\u00f3pio e Bibi Ferreira, Eva Todor e at\u00e9 o Z\u00e9 Trindade, um fracasso, diga-se. Paquerava por l\u00e1, ouvindo mo\u00e7as da sociedade declamando poemas aprendidos sob a tutela da Sra. Violeta Modesto de Almeida, em festival promovido pelas \u201cDamas de Jacarecanga\u201d, em benef\u00edcio dos pobres do Pirambu. Estava l\u00e1 vendo o piano negro iluminando a magia de Jacques Klein, cearense do Aracati, j\u00e1 famoso concertista internacional, ao tocar sonatas de Beethoven. Em tempos de Semana Santa via o G\u00f3lgota, depois Paix\u00e3o de Cristo. Foi nele que acompanhei o crescimento da Com\u00e9dia Cearense, de muitos atores e o despertar do teatr\u00f3logo Eduardo Campos. . Anos depois, em festa de gala, subi os degraus que levam a seu palco, ao lado do meu pai, para receber orgulhoso o pergaminho da faculdade. Vi tantas pe\u00e7as, anos a fio. Como veem, n\u00e3o \u00e9 amor recente, nascido depois que Bia Lessa comandou suas mudan\u00e7as, os jardins surgiram e a frente cresceu, respondendo por todo o lado sul da Pra\u00e7a Jos\u00e9 de Alencar. \u00c9 paix\u00e3o antiga, dos que o conheceram sem climatiza\u00e7\u00e3o, vendo o porteiro \u201cMuri\u00e7oca\u201d e o Cl\u00f3vis Matias, desde sempre. E n\u00e3o poderia deixar de louvar este 17 deste junho, sua data centen\u00e1ria, meu velho amigo, o Theatro Jos\u00e9 de Alencar.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 18\/06\/2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tenho uma paix\u00e3o cinquentona por ele. Era meninote e me punha a p\u00e9 da Rua Major Facundo, desde a Pra\u00e7a do Carmo, para l\u00e1. Ia com a despreocupa\u00e7\u00e3o dos enlevados pela oportunidade do encontro. Morava na cidade calma, com 270 mil pessoas, 15.000 \u201caparelhos telef\u00f4nicos\u201d, um grande hotel, o San Pedro, cinco emissoras de r\u00e1dio, um novo e lindo cinema, o S\u00e3o Luiz. Admirava as vitrines da Aba Filme, na Rua Bar\u00e3o do Rio Branco, mostrando as fotos das meninas bonitas da cidade que tomavam lanches no Tonny\u2019s. Era ainda o velho palco, o mesmo de 1910. Burle Marx n\u00e3o burilara a vegeta\u00e7\u00e3o hoje ensombrando o lado incorporado da Rua General Sampaio, nem era dele o antigo pr\u00e9dio da escola, depois faculdade, olhando para a entrada da casa da Maria Luiza Rodrigues e o Edif\u00edcio Lord. Sabia que ele me abriria, como espectador, de alguma forma, as frestas das artes, da interpreta\u00e7\u00e3o, do canto, da m\u00fasica. Queria apurar sentidos, tinha pressa e curiosidade de saber. E foi l\u00e1 que vi, entre outros, Paulo Autran, Tonia Carrerro, Proc\u00f3pio e Bibi Ferreira, Eva Todor e at\u00e9 o Z\u00e9 Trindade, um fracasso, diga-se. Paquerava por l\u00e1, ouvindo mo\u00e7as da sociedade declamando poemas aprendidos sob a tutela da Sra. Violeta Modesto de Almeida, em festival promovido pelas \u201cDamas de Jacarecanga\u201d, em benef\u00edcio dos pobres do Pirambu. Estava l\u00e1 vendo o piano negro iluminando a magia de Jacques Klein, cearense do Aracati, j\u00e1 famoso concertista internacional, ao tocar sonatas de Beethoven. Em tempos de Semana Santa via o G\u00f3lgota, depois Paix\u00e3o de Cristo. Foi nele que acompanhei o crescimento da Com\u00e9dia Cearense, de muitos atores e o despertar do teatr\u00f3logo Eduardo Campos. . Anos depois, em festa de gala, subi os degraus que levam a seu palco, ao lado do meu pai, para receber orgulhoso o pergaminho da faculdade. Vi tantas pe\u00e7as, anos a fio. Como veem, n\u00e3o \u00e9 amor recente, nascido depois que Bia Lessa comandou suas mudan\u00e7as, os jardins surgiram e a frente cresceu, respondendo por todo o lado sul da Pra\u00e7a Jos\u00e9 de Alencar. \u00c9 paix\u00e3o antiga, dos que o conheceram sem climatiza\u00e7\u00e3o, vendo o porteiro \u201cMuri\u00e7oca\u201d e o Cl\u00f3vis Matias, desde sempre. E n\u00e3o poderia deixar de louvar este 17 deste junho, sua data centen\u00e1ria, meu velho amigo, o Theatro Jos\u00e9 de Alencar.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 18\/06\/2010.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3225","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3225","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3225"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3225\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3225"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3225"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3225"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}