{"id":3239,"date":"2023-12-21T09:10:41","date_gmt":"2023-12-21T12:10:41","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/jorge-tufic-oitentanos-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:41","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:41","slug":"jorge-tufic-oitentanos-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/jorge-tufic-oitentanos-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"JORGE TUFIC, OITENTANOS  &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Exato nesta sexta-feira, 13, a cidade de Sena Madureira, l\u00e1 no long\u00ednquo Estado do Acre, s\u00edmbolo da tenacidade de cearenses, sulamericanos e de fen\u00edcios que por l\u00e1 aportaram, nascia h\u00e1 oitenta anos, um menino chamado de Jorge Tufic, aquele que seria o maior poeta da regi\u00e3o norte, um rio pleno de sonetos, a jusante e \u00e0 montante que se fez pororoca, turbilh\u00e3o e deu com os p\u00e9s molhados nas \u00e1guas rionegrinas\/manauaras para ali estudar, fincar ra\u00edzes e, em seguida, receber louros como \u201cO Poeta do Ano\u201d, em 1976, com o veredicto do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Amazonas.<br \/>\nE como \u201cestas rosas que alteram nosso dia\/e abrem na tarde a s\u00faplica dos dedos\/ que se libertam, p\u00e1ssaros, no barro\/ E tocam, com sua forma torturada, a flor do azul contida e descontida\/neste ad\u00e1gio de pedra e de luar\u201d. E o luar da Academia Amazonense de Letras fez-se clar\u00e3o para festejar o ingresso de Jorge Tufic em seus quadros. Honrado e glorificado que j\u00e1 era como poeta, jornalista e representante da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores na Amaz\u00f4nia, a regi\u00e3o que lhe inoculou o jambo da sua tez e o cora\u00e7\u00e3o de menino inquieto quando via que \u201cum tear e uma aranha\/ponteiam o meu destino\/quando o tear se esgota,\/a aranha pega o fio\/e sobe\u201d.<br \/>\nE Tufic ascendeu e mereceu ter seus poemas festejados na antologia \u201cA Nova Poesia Brasileira\u201d, coordenada pelo piauiense Alberto da Costa e Silva, da Academia Brasileira de Letras. Enciumado, Walmir Ayala, veio de seus pagos ga\u00fachos, em 1965, para apenas mudar o t\u00edtulo da antologia e entronizar Jorge Tufic no pante\u00e3o da \u201cNov\u00edssima Poesia Brasileira\u201d. O poeta, hoje acreano-amazonense-cearense se declara \u201chabitante da noite, volta e meia\/dan\u00e7o e cavalgo estranhas partituras\/onde a poesia? L\u00e1tego e correia\/a su\u00edte \u00e9 rosa, m\u00fasica e nervuras\/ A lua imensa bebe, nas alturas\/ todo o clar\u00e3o que sobe dos teus dedos\/ o mar se expande em conchas e lacunas\/solos e flautas contam seus segredos\u201d.<br \/>\nPelos des\u00edgnios insond\u00e1veis dos deuses das \u00e1guas, Jorge Tufic apaixonou-se pela Praia de Iracema e aqui fundeou suas estrofes. Foi l\u00e1 que o conheci h\u00e1 d\u00e9cadas. N\u00f3s, os da terra, desconfiados, pedimos que algu\u00e9m sem ja\u00e7a, com ra\u00e7a, talento e gra\u00e7a o avalizasse. E eis que o poeta Francisco Carvalho, do seu ex\u00edlio familiar na Francisco Lorda, atestou, deu f\u00e9 e tornou p\u00fablico que ele era \u201cMestre incontest\u00e1vel do soneto, essa teia m\u00e1gica que ainda intriga os pretendentes de Pen\u00e9pole, Tufic passa inc\u00f3lume pelas \u2018perp\u00e9tuas grades\u2019(Augusto dos Anjos) dessa aut\u00eantica jaula medieval, com certeza uma das mais pol\u00eamicas de todas as modalidades de poemas j\u00e1 concebidos pela fantasia\u201d.<br \/>\nCom esse aval cr\u00edtico-po\u00e9tico de Carvalho as comportas das reservas dos letrados locais foram abertas, t\u00edtulo de cidadania recebeu e, hoje, todos n\u00f3s, menores que ele, o reverenciamos com a alegria dita por Madame de Sta\u00ebl em De l\u2019Allemagne, \u201cLa po\u00e9sie est le language naturel de tous les cultes\u201d. Jorge Tufic, \u00e9s culto, \u00e9s poeta.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 13\/08\/2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exato nesta sexta-feira, 13, a cidade de Sena Madureira, l\u00e1 no long\u00ednquo Estado do Acre, s\u00edmbolo da tenacidade de cearenses, sulamericanos e de fen\u00edcios que por l\u00e1 aportaram, nascia h\u00e1 oitenta anos, um menino chamado de Jorge Tufic, aquele que seria o maior poeta da regi\u00e3o norte, um rio pleno de sonetos, a jusante e \u00e0 montante que se fez pororoca, turbilh\u00e3o e deu com os p\u00e9s molhados nas \u00e1guas rionegrinas\/manauaras para ali estudar, fincar ra\u00edzes e, em seguida, receber louros como \u201cO Poeta do Ano\u201d, em 1976, com o veredicto do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Amazonas.<br \/>\nE como \u201cestas rosas que alteram nosso dia\/e abrem na tarde a s\u00faplica dos dedos\/ que se libertam, p\u00e1ssaros, no barro\/ E tocam, com sua forma torturada, a flor do azul contida e descontida\/neste ad\u00e1gio de pedra e de luar\u201d. E o luar da Academia Amazonense de Letras fez-se clar\u00e3o para festejar o ingresso de Jorge Tufic em seus quadros. Honrado e glorificado que j\u00e1 era como poeta, jornalista e representante da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores na Amaz\u00f4nia, a regi\u00e3o que lhe inoculou o jambo da sua tez e o cora\u00e7\u00e3o de menino inquieto quando via que \u201cum tear e uma aranha\/ponteiam o meu destino\/quando o tear se esgota,\/a aranha pega o fio\/e sobe\u201d.<br \/>\nE Tufic ascendeu e mereceu ter seus poemas festejados na antologia \u201cA Nova Poesia Brasileira\u201d, coordenada pelo piauiense Alberto da Costa e Silva, da Academia Brasileira de Letras. Enciumado, Walmir Ayala, veio de seus pagos ga\u00fachos, em 1965, para apenas mudar o t\u00edtulo da antologia e entronizar Jorge Tufic no pante\u00e3o da \u201cNov\u00edssima Poesia Brasileira\u201d. O poeta, hoje acreano-amazonense-cearense se declara \u201chabitante da noite, volta e meia\/dan\u00e7o e cavalgo estranhas partituras\/onde a poesia? L\u00e1tego e correia\/a su\u00edte \u00e9 rosa, m\u00fasica e nervuras\/ A lua imensa bebe, nas alturas\/ todo o clar\u00e3o que sobe dos teus dedos\/ o mar se expande em conchas e lacunas\/solos e flautas contam seus segredos\u201d.<br \/>\nPelos des\u00edgnios insond\u00e1veis dos deuses das \u00e1guas, Jorge Tufic apaixonou-se pela Praia de Iracema e aqui fundeou suas estrofes. Foi l\u00e1 que o conheci h\u00e1 d\u00e9cadas. N\u00f3s, os da terra, desconfiados, pedimos que algu\u00e9m sem ja\u00e7a, com ra\u00e7a, talento e gra\u00e7a o avalizasse. E eis que o poeta Francisco Carvalho, do seu ex\u00edlio familiar na Francisco Lorda, atestou, deu f\u00e9 e tornou p\u00fablico que ele era \u201cMestre incontest\u00e1vel do soneto, essa teia m\u00e1gica que ainda intriga os pretendentes de Pen\u00e9pole, Tufic passa inc\u00f3lume pelas \u2018perp\u00e9tuas grades\u2019(Augusto dos Anjos) dessa aut\u00eantica jaula medieval, com certeza uma das mais pol\u00eamicas de todas as modalidades de poemas j\u00e1 concebidos pela fantasia\u201d.<br \/>\nCom esse aval cr\u00edtico-po\u00e9tico de Carvalho as comportas das reservas dos letrados locais foram abertas, t\u00edtulo de cidadania recebeu e, hoje, todos n\u00f3s, menores que ele, o reverenciamos com a alegria dita por Madame de Sta\u00ebl em De l\u2019Allemagne, \u201cLa po\u00e9sie est le language naturel de tous les cultes\u201d. Jorge Tufic, \u00e9s culto, \u00e9s poeta.<br \/>\nJo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 13\/08\/2010.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3239","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3239","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3239"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3239\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}