{"id":3240,"date":"2023-12-21T09:10:41","date_gmt":"2023-12-21T12:10:41","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/conversa-amiga-diario-do-nordeste\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:41","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:41","slug":"conversa-amiga-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/conversa-amiga-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"CONVERSA AMIGA &#8211; Di\u00e1rio do Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Ser\u00e3o todos sempre os mesmos? Cremos que muito muda com o correr dos passos e descompassos. Somos sempre diferentes no contato com pessoas. Uns s\u00e3o alegres, comunicativos, mas, esses n\u00e3o se apercebem da ess\u00eancia do outro. Como diria um amigo, procuram \u201ctangenciar problemas\u201d. Outros, mais fechados, cr\u00edticos, entretanto, detendo-se na procura de saber do outro.<br \/>\nOs relacionamentos s\u00e3o, muitas vezes, minados. Minados por familiares, amigos e os falsos-amigos, essa grande comunidade semi-invis\u00edvel existente em qualquer sociedade. \u00c9 um processo de envenenamento considerado natural, pois comum nas rela\u00e7\u00f5es ditas sociais. \u201cEu te protejo, a troco de nada\u201d. A maioria das pessoas gostam de ter amigos, colegas e familiares dispon\u00edveis, solit\u00e1rios, livres, mas n\u00e3o se apercebe que a solid\u00e3o do outro \u00e9 um passo para desarranjos de todas as naturezas. Assim, v\u00e3o sendo alvos de coment\u00e1rios, suspeitas, discuss\u00f5es e at\u00e9 de cerceamento do encontro a dois, d\u00e1diva ou caracter\u00edstica positiva, gra\u00e7as, qui\u00e7\u00e1, ao m\u00fatuo bem-querer.<br \/>\nEstar a dois passou a ser interpretado como isolar-se, casmurrice, ci\u00fame e abandono dos outros. N\u00e3o \u00e9 bem assim, o encontro permanente \u00e9 o segredo do relacionamento, os que se desnudam como pessoas, esquecendo as `personas\u2019 assumidas ao longo das vidas.<br \/>\nEnquanto alguns procuram em an\u00e1lises, livros, escritos e filmes as respostas que a vida n\u00e3o lhes deu para entender suas pr\u00f3prias idiossincrasias, outros permanecem no ilus\u00f3rio mundo dito fashion, oba-oba ou na busca est\u00e9tica.<br \/>\nEssas considera\u00e7\u00f5es superficiais s\u00e3o meras convic\u00e7\u00f5es pontuais a merecer exame e cr\u00edtica, especialmente quanto a parentes e amigos. \u00c0queles que acessam os outros pessoalmente, por telefonemas ou quaisquer outros meios. Racionalmente, deve-se admitir existir exagero no direito a essa intromiss\u00e3o. N\u00e3o sabem eles como algu\u00e9m estar, com outrem, al\u00e9m deles. Identificados e solid\u00e1rios. Querem mudar, conscientemente ou n\u00e3o, o d de solid\u00e1rios para o t de solit\u00e1rios. Permitir ou n\u00e3o, essa a fa\u00e7anha que cabe a cada um. S\u00e3o fortes, se solid\u00e1rios? Ter\u00e3o gente ao lado, se vulner\u00e1veis, fraternos e solit\u00e1rios?<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE EM 15\/08\/2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e3o todos sempre os mesmos? Cremos que muito muda com o correr dos passos e descompassos. Somos sempre diferentes no contato com pessoas. Uns s\u00e3o alegres, comunicativos, mas, esses n\u00e3o se apercebem da ess\u00eancia do outro. Como diria um amigo, procuram \u201ctangenciar problemas\u201d. Outros, mais fechados, cr\u00edticos, entretanto, detendo-se na procura de saber do outro.<br \/>\nOs relacionamentos s\u00e3o, muitas vezes, minados. Minados por familiares, amigos e os falsos-amigos, essa grande comunidade semi-invis\u00edvel existente em qualquer sociedade. \u00c9 um processo de envenenamento considerado natural, pois comum nas rela\u00e7\u00f5es ditas sociais. \u201cEu te protejo, a troco de nada\u201d. A maioria das pessoas gostam de ter amigos, colegas e familiares dispon\u00edveis, solit\u00e1rios, livres, mas n\u00e3o se apercebe que a solid\u00e3o do outro \u00e9 um passo para desarranjos de todas as naturezas. Assim, v\u00e3o sendo alvos de coment\u00e1rios, suspeitas, discuss\u00f5es e at\u00e9 de cerceamento do encontro a dois, d\u00e1diva ou caracter\u00edstica positiva, gra\u00e7as, qui\u00e7\u00e1, ao m\u00fatuo bem-querer.<br \/>\nEstar a dois passou a ser interpretado como isolar-se, casmurrice, ci\u00fame e abandono dos outros. N\u00e3o \u00e9 bem assim, o encontro permanente \u00e9 o segredo do relacionamento, os que se desnudam como pessoas, esquecendo as `personas\u2019 assumidas ao longo das vidas.<br \/>\nEnquanto alguns procuram em an\u00e1lises, livros, escritos e filmes as respostas que a vida n\u00e3o lhes deu para entender suas pr\u00f3prias idiossincrasias, outros permanecem no ilus\u00f3rio mundo dito fashion, oba-oba ou na busca est\u00e9tica.<br \/>\nEssas considera\u00e7\u00f5es superficiais s\u00e3o meras convic\u00e7\u00f5es pontuais a merecer exame e cr\u00edtica, especialmente quanto a parentes e amigos. \u00c0queles que acessam os outros pessoalmente, por telefonemas ou quaisquer outros meios. Racionalmente, deve-se admitir existir exagero no direito a essa intromiss\u00e3o. N\u00e3o sabem eles como algu\u00e9m estar, com outrem, al\u00e9m deles. Identificados e solid\u00e1rios. Querem mudar, conscientemente ou n\u00e3o, o d de solid\u00e1rios para o t de solit\u00e1rios. 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