{"id":3241,"date":"2023-12-21T09:10:41","date_gmt":"2023-12-21T12:10:41","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/gente-que-conta-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:41","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:41","slug":"gente-que-conta-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/gente-que-conta-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"GENTE QUE CONTA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, sexta-feira, dia 20, estarei lan\u00e7ando o livro \u201cGente que Conta\u201d. Ser\u00e1 na Obo\u00e9, sete da noite. Voc\u00ea \u00e9 meu convidado. N\u00e3o haver\u00e1 discursos. Conversas informais, regadas a vinho. Devo dizer que gosto de ler, ver e ouvir entrevistas. Da\u00ed, resolvi ser entrevistador. Decidi, de princ\u00edpio, que entrevistaria pessoas not\u00f3rias, pela singularidade de suas vidas e \u00eaxito alcan\u00e7ados. Em Gente que Conta cada entrevistado \u00e9 universo singular e especial. Todos s\u00e3o cearenses de vida ou de cora\u00e7\u00e3o. S\u00e3o m\u00faltiplos nos fazeres, falares e saberes. Eles t\u00eam ess\u00eancia e ritmo. S\u00e3o capazes, ciosos da sua imagem, falam sobre suas vidas, a troco de nada.<br \/>\nAlguns desvendaram faces sem maquiagem. Outros usaram sutilezas e personas. Cada ser \u00e9 mist\u00e9rio e tem compasso pr\u00f3prio. As entrevistas trazem um pouco da hist\u00f3ria vivida do Cear\u00e1 no \u00faltimo quarto do s\u00e9culo passado e um pouco deste. A linguagem \u00e9 a falada. Cada um cuidou da sua. Falam livres, abrem as comportas de suas lembran\u00e7as. Nenhuma censura, mesmo em repeti\u00e7\u00f5es, empolgadas ou n\u00e3o. Procurei a isen\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, embora houvesse que pesquisar e me familiarizar com suas est\u00f3rias pessoais.<br \/>\nO livro foi feito com ju\u00edzo cr\u00edtico, mas pode conter falhas ou omiss\u00f5es. Procurei n\u00e3o fazer perguntas incoerentes, arbitr\u00e1rias, d\u00fabias, desarticuladas ou tendenciosas. Por outro lado, tive a inten\u00e7\u00e3o deliberada de ir desvendando o esp\u00edrito, a l\u00f3gica, a cultura e o comportamento de cada um. S\u00e3o quinze os homens entrevistados. E somente uma mulher consta do livro.<br \/>\nO poeta espanhol Garcia Lorca falava: \u201cA vida n\u00e3o \u00e9 sonho. Acorda!\u201d. Como demorei a montar o livro \u2013sete anos &#8211; tr\u00eas entrevistados j\u00e1 faleceram: Jos\u00e9 Raymundo Costa, Marcelo Linhares e Jos\u00e9 Alcides Pinto. Lamento as aus\u00eancias f\u00edsicas deles. Esses fatos n\u00e3o mudaram as import\u00e2ncias de suas entrevistas. Jos\u00e9 Raymundo Costa foi refer\u00eancia na \u00e1rea jornal\u00edstica, tendo sido executivo de estreita confian\u00e7a de seu jornal. J\u00e1 av\u00f4, formou-se, por capricho, em Comunica\u00e7\u00e3o. Observador atento do comportamento de seus pares e da sociedade, virava crian\u00e7a ao torcer pelo seu clube, o \u201cFortaleza\u201d. Marcelo Linhares, exemplo da ascens\u00e3o do jovem banc\u00e1rio &#8211; com passagem pela administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica &#8211; \u00e0 vida pol\u00edtica local e nacional, com quatro mandatos consecutivos de deputado federal, assessorou minist\u00e9rios e aquietou-se como bi\u00f3grafo e historiador. Jos\u00e9 Alcides Pinto, escritor, n\u00e3o se enquadra em padr\u00f5es ou defini\u00e7\u00f5es e teve, como autor, uma prof\u00edcua atividade: poeta, romancista, dramaturgo, ensa\u00edsta e cronista. Puro e maldito em sua cria\u00e7\u00e3o, simples e ousado no seu saber difuso. Foi escritor-fantasma (ghost-writer) para muitos. Por amizade ou cobres. Aqui e alhures, em paralela produ\u00e7\u00e3o \u00e0 sua. Os que se seguem, em ordem alfab\u00e9tica. Ana Miranda, escritora premiada e consagrada nacionalmente. Ap\u00f3s longa perman\u00eancia em Bras\u00edlia, Rio e S\u00e3o Paulo, voltou ao Cear\u00e1 largado na inf\u00e2ncia para reatar la\u00e7os e produzir mais. Artur Eduardo Benevides, representante da gera\u00e7\u00e3o de 1945, do grupo Cl\u00e3, refer\u00eancia na historiografia da poesia cearense. Chico Anysio, o maior humorista brasileiro de todos os tempos. Cineasta, compositor, escritor e pintor de m\u00faltiplas tintas. Elano Paula, o mais inteligente dos filhos do Cel. Oliveira Paula, pai do Chico Anysio. Ernando Uchoa Lima, advogado criminalista, ex-presidente nacional da OAB nacional, professor e pol\u00edtico. Jos\u00e9 J\u00falio Cavalcante, ex-radialista, \u00e9 o retrato da velha radiofonia cearense. Militava na esquerda, sem esquecer de ser representante comercial com bons relacionamentos. Jos\u00e9 Macedo, empres\u00e1rio de proa, l\u00edder de grupo de ind\u00fastrias e chefe de fam\u00edlia que o ajudou a consolidar sua posi\u00e7\u00e3o no mercado nacional de trigo. Incursionou na pol\u00edtica e de sua aura se destaca o grande ser humano. Juarez Leit\u00e3o, poeta, professor, pol\u00edtico e orador. Descobriu, na maturidade, a capacidade de escrever biografias de personagens familiares, a partir da contextualiza\u00e7\u00e3o, pesquisas e depoimentos de parentes e amigos. L\u00facio Alc\u00e2ntara, m\u00e9dico, professor universit\u00e1rio e pol\u00edtico com s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o cultural. Foi secret\u00e1rio de Estado, prefeito, governador, deputado federal e senador. L\u00facio Brasileiro, colunista social mais longevo do Brasil. Natureza especial e mem\u00f3ria \u00edmpar. Fez-se autor e personagem de seus \u2018gossips\u2019. Edita lista bianuais da sociedade e livros, recontando est\u00f3rias e se isola entre as praias de Cumbuco e Ibiza. Lustosa da Costa, auto exilado em Bras\u00edlia. Visitante mensal da biblioteca sobralense que leva o seu nome. \u00c9 arquivo vivo do jornalismo do Cear\u00e1, a partir dos anos sessenta. Ubiratan Aguiar, longo percurso de vida p\u00fablica. No ponto A \u00e9 o jovem vereador de Fortaleza. No ponto Z \u00e9 o Ministro do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o. Entre o A e o Z fulgurou a pol\u00edtica e, agora, ancora-se em versos musicados.<br \/>\nEm resumo, O livro tem 16 portas. Uma chave mestra: o leitor. Sou apenas o perguntador. Espero voc\u00ea hoje \u00e0 noite, na Obo\u00e9 na rua Maria Tom\u00e1sia, 531.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 20\/08\/2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, sexta-feira, dia 20, estarei lan\u00e7ando o livro \u201cGente que Conta\u201d. Ser\u00e1 na Obo\u00e9, sete da noite. Voc\u00ea \u00e9 meu convidado. N\u00e3o haver\u00e1 discursos. Conversas informais, regadas a vinho. Devo dizer que gosto de ler, ver e ouvir entrevistas. Da\u00ed, resolvi ser entrevistador. Decidi, de princ\u00edpio, que entrevistaria pessoas not\u00f3rias, pela singularidade de suas vidas e \u00eaxito alcan\u00e7ados. Em Gente que Conta cada entrevistado \u00e9 universo singular e especial. Todos s\u00e3o cearenses de vida ou de cora\u00e7\u00e3o. S\u00e3o m\u00faltiplos nos fazeres, falares e saberes. Eles t\u00eam ess\u00eancia e ritmo. S\u00e3o capazes, ciosos da sua imagem, falam sobre suas vidas, a troco de nada.<br \/>\nAlguns desvendaram faces sem maquiagem. Outros usaram sutilezas e personas. Cada ser \u00e9 mist\u00e9rio e tem compasso pr\u00f3prio. As entrevistas trazem um pouco da hist\u00f3ria vivida do Cear\u00e1 no \u00faltimo quarto do s\u00e9culo passado e um pouco deste. A linguagem \u00e9 a falada. Cada um cuidou da sua. Falam livres, abrem as comportas de suas lembran\u00e7as. Nenhuma censura, mesmo em repeti\u00e7\u00f5es, empolgadas ou n\u00e3o. Procurei a isen\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, embora houvesse que pesquisar e me familiarizar com suas est\u00f3rias pessoais.<br \/>\nO livro foi feito com ju\u00edzo cr\u00edtico, mas pode conter falhas ou omiss\u00f5es. Procurei n\u00e3o fazer perguntas incoerentes, arbitr\u00e1rias, d\u00fabias, desarticuladas ou tendenciosas. Por outro lado, tive a inten\u00e7\u00e3o deliberada de ir desvendando o esp\u00edrito, a l\u00f3gica, a cultura e o comportamento de cada um. S\u00e3o quinze os homens entrevistados. E somente uma mulher consta do livro.<br \/>\nO poeta espanhol Garcia Lorca falava: \u201cA vida n\u00e3o \u00e9 sonho. Acorda!\u201d. Como demorei a montar o livro \u2013sete anos &#8211; tr\u00eas entrevistados j\u00e1 faleceram: Jos\u00e9 Raymundo Costa, Marcelo Linhares e Jos\u00e9 Alcides Pinto. Lamento as aus\u00eancias f\u00edsicas deles. Esses fatos n\u00e3o mudaram as import\u00e2ncias de suas entrevistas. Jos\u00e9 Raymundo Costa foi refer\u00eancia na \u00e1rea jornal\u00edstica, tendo sido executivo de estreita confian\u00e7a de seu jornal. J\u00e1 av\u00f4, formou-se, por capricho, em Comunica\u00e7\u00e3o. Observador atento do comportamento de seus pares e da sociedade, virava crian\u00e7a ao torcer pelo seu clube, o \u201cFortaleza\u201d. Marcelo Linhares, exemplo da ascens\u00e3o do jovem banc\u00e1rio &#8211; com passagem pela administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica &#8211; \u00e0 vida pol\u00edtica local e nacional, com quatro mandatos consecutivos de deputado federal, assessorou minist\u00e9rios e aquietou-se como bi\u00f3grafo e historiador. Jos\u00e9 Alcides Pinto, escritor, n\u00e3o se enquadra em padr\u00f5es ou defini\u00e7\u00f5es e teve, como autor, uma prof\u00edcua atividade: poeta, romancista, dramaturgo, ensa\u00edsta e cronista. Puro e maldito em sua cria\u00e7\u00e3o, simples e ousado no seu saber difuso. Foi escritor-fantasma (ghost-writer) para muitos. Por amizade ou cobres. Aqui e alhures, em paralela produ\u00e7\u00e3o \u00e0 sua. Os que se seguem, em ordem alfab\u00e9tica. Ana Miranda, escritora premiada e consagrada nacionalmente. Ap\u00f3s longa perman\u00eancia em Bras\u00edlia, Rio e S\u00e3o Paulo, voltou ao Cear\u00e1 largado na inf\u00e2ncia para reatar la\u00e7os e produzir mais. Artur Eduardo Benevides, representante da gera\u00e7\u00e3o de 1945, do grupo Cl\u00e3, refer\u00eancia na historiografia da poesia cearense. Chico Anysio, o maior humorista brasileiro de todos os tempos. Cineasta, compositor, escritor e pintor de m\u00faltiplas tintas. Elano Paula, o mais inteligente dos filhos do Cel. Oliveira Paula, pai do Chico Anysio. Ernando Uchoa Lima, advogado criminalista, ex-presidente nacional da OAB nacional, professor e pol\u00edtico. Jos\u00e9 J\u00falio Cavalcante, ex-radialista, \u00e9 o retrato da velha radiofonia cearense. Militava na esquerda, sem esquecer de ser representante comercial com bons relacionamentos. Jos\u00e9 Macedo, empres\u00e1rio de proa, l\u00edder de grupo de ind\u00fastrias e chefe de fam\u00edlia que o ajudou a consolidar sua posi\u00e7\u00e3o no mercado nacional de trigo. Incursionou na pol\u00edtica e de sua aura se destaca o grande ser humano. Juarez Leit\u00e3o, poeta, professor, pol\u00edtico e orador. Descobriu, na maturidade, a capacidade de escrever biografias de personagens familiares, a partir da contextualiza\u00e7\u00e3o, pesquisas e depoimentos de parentes e amigos. L\u00facio Alc\u00e2ntara, m\u00e9dico, professor universit\u00e1rio e pol\u00edtico com s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o cultural. Foi secret\u00e1rio de Estado, prefeito, governador, deputado federal e senador. L\u00facio Brasileiro, colunista social mais longevo do Brasil. Natureza especial e mem\u00f3ria \u00edmpar. Fez-se autor e personagem de seus \u2018gossips\u2019. Edita lista bianuais da sociedade e livros, recontando est\u00f3rias e se isola entre as praias de Cumbuco e Ibiza. Lustosa da Costa, auto exilado em Bras\u00edlia. Visitante mensal da biblioteca sobralense que leva o seu nome. \u00c9 arquivo vivo do jornalismo do Cear\u00e1, a partir dos anos sessenta. Ubiratan Aguiar, longo percurso de vida p\u00fablica. No ponto A \u00e9 o jovem vereador de Fortaleza. No ponto Z \u00e9 o Ministro do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o. Entre o A e o Z fulgurou a pol\u00edtica e, agora, ancora-se em versos musicados.<br \/>\nEm resumo, O livro tem 16 portas. Uma chave mestra: o leitor. Sou apenas o perguntador. Espero voc\u00ea hoje \u00e0 noite, na Obo\u00e9 na rua Maria Tom\u00e1sia, 531.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 20\/08\/2010.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3241","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3241","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3241"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3241\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}