{"id":3255,"date":"2023-12-21T09:10:41","date_gmt":"2023-12-21T12:10:41","guid":{"rendered":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/marina-dilma-e-serra-jornal-o-estado\/"},"modified":"2023-12-21T09:10:41","modified_gmt":"2023-12-21T12:10:41","slug":"marina-dilma-e-serra-jornal-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/2023\/12\/21\/marina-dilma-e-serra-jornal-o-estado\/","title":{"rendered":"MARINA, DILMA E SERRA &#8211; Jornal O Estado"},"content":{"rendered":"<p>Recebi, de presente, em agosto passado, o livro \u201cMarina \u2013 a vida por uma causa\u201d, escrito por Mar\u00edlia de Camargo C\u00e9sar. Li o livro, que n\u00e3o \u00e9 dos melhores, mas conta a hist\u00f3ria \u2013 meio romanceada &#8211; dessa filha de pais cearenses. Pedro, seu pai, nasceu em Messejana que, no livro, \u00e9 dado como \u201cno sert\u00e3o do Cear\u00e1\u201d. Sua m\u00e3e, Maria Augusta, nasceu em Paracuru, cidade praiana. Pobres, como milhares de outros cearenses, foram tentar a vida no Acre e se uniram sob as b\u00ean\u00e7\u00e3os do patr\u00e3o de Pedro, um dono de seringal.<br \/>\nSendo filha de pai e m\u00e3e cearenses retirantes, Marina \u00e9, de fato, cearense. Esse detalhe, pouco divulgado, talvez demonstre sua fibra, raz\u00e3o de vida, mudan\u00e7as e sonhos. Por outro lado, n\u00e3o recebi nenhum livro sobre Dilma e Serra. Procurei nas livrarias e n\u00e3o encontrei. Vi resumos na Internet. Ambos fizeram pol\u00edtica estudantil, em d\u00e9cadas distintas. Serra, paulista, presidente da Uni\u00e3o Estadual dos Estudantes, em SP e, em seguida, presidente da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes, a famosa UNE, de ent\u00e3o. Entrou na A\u00e7\u00e3o Popular, movimento ligado \u00e0 Igreja.<br \/>\nDilma, mineira, estudou no Col\u00e9gio cat\u00f3lico Sion em BH, fez vestibular para economia e, em seguida, em plena revolu\u00e7\u00e3o de 64, entrou no movimento Pol\u00edtica Oper\u00e1ria- Polop, radical, depois Val-Palmares, ao mesmo tempo em que casava com um jornalista. Perseguida, entrou na clandestinidade, separou-se e teve um novo companheiro, com quem divide filha e neta. Serra, tamb\u00e9m perseguido, abandonou curso de engenharia e da\u00ed se mandou para o Chile, onde concluiu mestrado em economia. L\u00e1, casou com uma bailarina, m\u00e3e de seus filhos e netos. Por l\u00e1, trabalhou at\u00e9 a queda do Presidente Salvador Allende. Aportou nos Estados Unidos e fez doutorado na Universidade de Cornell e, ap\u00f3s isso, pesquisa na Universidade de Princeton.<br \/>\nNos anos 80, Dilma, ap\u00f3s amargar cadeia, passa a trabalhar no servi\u00e7o p\u00fablico no Rio Grande do Sul, onde se forma em economia. Eficiente em fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, sempre seguindo a orienta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 menos radical, de Leonel Brizola, do PDT, partido a que pertenceu at\u00e9 2001.<br \/>\nSerra fez carreira em S\u00e3o Paulo como deputado, prefeito, senador, ministro e governador, pelo PSDB. Foi derrotado por Lula em 2002 e, agora, em 2010, \u00e9 salvo pela filha de cearenses Marina Silva, est\u00e1 no 2\u00ba. Turno. Dilma, por sua vez, entrou no PT em 2001, vindo do RS e, j\u00e1 em 2003, passou a integrar os quadros do governo Lula. Com a queda de Jos\u00e9 Dirceu, por conta do Mensal\u00e3o, assume a Casa Civil e desponta, na vis\u00e3o de Lula, como sua sucessora. Mulher forte, descasada, apaixonada pelo trabalho e obediente \u00e0s ordens de Lula, pouco a pouco, sendo mostrada aos pol\u00edticos do PT e aliados como a escolhida. E assim feito, surgiu a Dilma, a m\u00e3e do Brasil, na linguagem lulista. Quase ganha no 1\u00ba. turno. Serra, estudioso, meticuloso e sisudo, lutou contra A\u00e9cio Neves e conseguiu ser candidato. Atrapalhou-se na escolha do vice e fez campanha meio perdida sem muita empatia e aliados.<br \/>\nS\u00e3o estes os nossos candidatos a presidente que, no dia 31 deste outubro, v\u00e3o se encontrar outra vez. Sendo eu o marqueteiro deles, pediria, agora que t\u00eam tempos iguais de propaganda e em debates, menos sisudez, uma pitada de descontra\u00e7\u00e3o e se deixassem perceber em suas ess\u00eancias como seres humanos. Se eu fosse \u201c\u00e2ncora\u201d de programa de entrevistas pediria que eles me contassem algumas hist\u00f3rias leves e engra\u00e7adas, dissessem uma piada, cantassem uma m\u00fasica, algo assim. O Brasil precisa de gente s\u00e9ria, mas n\u00e3o de carrancudos, o tempo todo. Nem tanto Lula, nem tampouco Dilma ou Serra. O ideal seria misturar a descontra\u00e7\u00e3o total do Lula com a caturrice dos dois e dividi-la em partes iguais. Um lembrete, Obama, antes de ser presidente, escreveu dois livros biogr\u00e1ficos. Agora, em meio a guerras com mu\u00e7ulmanos e problemas com os republicanos, tem 2.000 m\u00fasicas em seu I-Pod. Um dos seus cantores preferidos \u00e9 John Coltrane. Quais s\u00e3o os preferidos de Dilma e Serra? <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08\/10\/2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebi, de presente, em agosto passado, o livro \u201cMarina \u2013 a vida por uma causa\u201d, escrito por Mar\u00edlia de Camargo C\u00e9sar. Li o livro, que n\u00e3o \u00e9 dos melhores, mas conta a hist\u00f3ria \u2013 meio romanceada &#8211; dessa filha de pais cearenses. Pedro, seu pai, nasceu em Messejana que, no livro, \u00e9 dado como \u201cno sert\u00e3o do Cear\u00e1\u201d. Sua m\u00e3e, Maria Augusta, nasceu em Paracuru, cidade praiana. Pobres, como milhares de outros cearenses, foram tentar a vida no Acre e se uniram sob as b\u00ean\u00e7\u00e3os do patr\u00e3o de Pedro, um dono de seringal.<br \/>\nSendo filha de pai e m\u00e3e cearenses retirantes, Marina \u00e9, de fato, cearense. Esse detalhe, pouco divulgado, talvez demonstre sua fibra, raz\u00e3o de vida, mudan\u00e7as e sonhos. Por outro lado, n\u00e3o recebi nenhum livro sobre Dilma e Serra. Procurei nas livrarias e n\u00e3o encontrei. Vi resumos na Internet. Ambos fizeram pol\u00edtica estudantil, em d\u00e9cadas distintas. Serra, paulista, presidente da Uni\u00e3o Estadual dos Estudantes, em SP e, em seguida, presidente da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes, a famosa UNE, de ent\u00e3o. Entrou na A\u00e7\u00e3o Popular, movimento ligado \u00e0 Igreja.<br \/>\nDilma, mineira, estudou no Col\u00e9gio cat\u00f3lico Sion em BH, fez vestibular para economia e, em seguida, em plena revolu\u00e7\u00e3o de 64, entrou no movimento Pol\u00edtica Oper\u00e1ria- Polop, radical, depois Val-Palmares, ao mesmo tempo em que casava com um jornalista. Perseguida, entrou na clandestinidade, separou-se e teve um novo companheiro, com quem divide filha e neta. Serra, tamb\u00e9m perseguido, abandonou curso de engenharia e da\u00ed se mandou para o Chile, onde concluiu mestrado em economia. L\u00e1, casou com uma bailarina, m\u00e3e de seus filhos e netos. Por l\u00e1, trabalhou at\u00e9 a queda do Presidente Salvador Allende. Aportou nos Estados Unidos e fez doutorado na Universidade de Cornell e, ap\u00f3s isso, pesquisa na Universidade de Princeton.<br \/>\nNos anos 80, Dilma, ap\u00f3s amargar cadeia, passa a trabalhar no servi\u00e7o p\u00fablico no Rio Grande do Sul, onde se forma em economia. Eficiente em fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, sempre seguindo a orienta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 menos radical, de Leonel Brizola, do PDT, partido a que pertenceu at\u00e9 2001.<br \/>\nSerra fez carreira em S\u00e3o Paulo como deputado, prefeito, senador, ministro e governador, pelo PSDB. Foi derrotado por Lula em 2002 e, agora, em 2010, \u00e9 salvo pela filha de cearenses Marina Silva, est\u00e1 no 2\u00ba. Turno. Dilma, por sua vez, entrou no PT em 2001, vindo do RS e, j\u00e1 em 2003, passou a integrar os quadros do governo Lula. Com a queda de Jos\u00e9 Dirceu, por conta do Mensal\u00e3o, assume a Casa Civil e desponta, na vis\u00e3o de Lula, como sua sucessora. Mulher forte, descasada, apaixonada pelo trabalho e obediente \u00e0s ordens de Lula, pouco a pouco, sendo mostrada aos pol\u00edticos do PT e aliados como a escolhida. E assim feito, surgiu a Dilma, a m\u00e3e do Brasil, na linguagem lulista. Quase ganha no 1\u00ba. turno. Serra, estudioso, meticuloso e sisudo, lutou contra A\u00e9cio Neves e conseguiu ser candidato. Atrapalhou-se na escolha do vice e fez campanha meio perdida sem muita empatia e aliados.<br \/>\nS\u00e3o estes os nossos candidatos a presidente que, no dia 31 deste outubro, v\u00e3o se encontrar outra vez. Sendo eu o marqueteiro deles, pediria, agora que t\u00eam tempos iguais de propaganda e em debates, menos sisudez, uma pitada de descontra\u00e7\u00e3o e se deixassem perceber em suas ess\u00eancias como seres humanos. Se eu fosse \u201c\u00e2ncora\u201d de programa de entrevistas pediria que eles me contassem algumas hist\u00f3rias leves e engra\u00e7adas, dissessem uma piada, cantassem uma m\u00fasica, algo assim. O Brasil precisa de gente s\u00e9ria, mas n\u00e3o de carrancudos, o tempo todo. Nem tanto Lula, nem tampouco Dilma ou Serra. O ideal seria misturar a descontra\u00e7\u00e3o total do Lula com a caturrice dos dois e dividi-la em partes iguais. Um lembrete, Obama, antes de ser presidente, escreveu dois livros biogr\u00e1ficos. Agora, em meio a guerras com mu\u00e7ulmanos e problemas com os republicanos, tem 2.000 m\u00fasicas em seu I-Pod. Um dos seus cantores preferidos \u00e9 John Coltrane. Quais s\u00e3o os preferidos de Dilma e Serra? <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Soares Neto,<br \/>\nescritor<br \/>\nCR\u00d4NICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08\/10\/2010<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-3255","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3255","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3255"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3255\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaosoaresneto.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}